sexta-feira, 1 de setembro de 2006

O LUGAR DA MÚSICA NA IGREJA

Por Rev. João d'Eça INTRODUÇÃO. João Calvino declarou que a arte é dada por Deus indiscriminadamente, tanto para crentes quanto incrédulos. Martinho Lutero disse que a música é presente e graça de Deus e não uma invenção humana. O salmista, inspirado por Deus escreveu: “todo ser que respira louve ao Senhor”(Salmo 150:6)., o apóstolo Paulo recomendou: “Habite ricamente em vós a Palavra de Cristo; instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda sabedoria, louvando a Deus, com Salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão em vossos corações”. (Col. 3:16). A música na igreja é um dom de Deus para o homem, que precisa ser descoberto, valorizado, desenvolvido para o louvor de Deus na adoração, para a proclamação do evangelho aos perdidos, e para edificação da igreja como um todo. Na primeira parte, pesquisamos o lugar histórico que a música tem na vida da igreja, para sermos conscientizados de sua suprema importância. O segundo capítulo mostra os motivos das tensões que surgem na área musical das igrejas evangélicas brasileiras para superá-las com a graça divina. Depois estudaremos as três funções fundamentais da música na vida da igreja para apreciarmos o seu devido lugar no plano de Deus. Na quarta parte analisaremos as características da música na vida da igreja para sermos sensibilizados nos princípios do cristianismo histórico e bíblico. Finalmente, seremos familiarizados com alguns princípios de liderança da música na vida da igreja para pormos em prática aquilo que nós aprendemos. Professor João d’Eça Novembro de 1999 1 – O LUGAR DA MÚSICA NA VIDA DA IGREJA A MÚSICA NA ANTIGUIDADE. A música é tão antiga quanto à humanidade. Sabemos que os homens antidiluvianos amavam e praticavam a música utilizando a voz e os instrumentos musicais. Já por volta de 3850 A.C. a rainha Shubab, da Mesopotâmia tinha uma orquestra de harpistas. A música estava presente, da canção do berço até à morte, seja na China, Palestina, Pérsia ou no Egito. A MÚSICA NO ANTIGO TESTAMENTO. Gênesis 4:21 afirma que Jubal “foi o pai de todos que tocam harpa e flauta”. Quando Abraão foi para o Egito, ali já encontrou um povo versado em música. Seus instrumentos eram harpas, liras, guitarras, bandolins e flautas. O tamboril e a harpa foram mencionados em referência a Jacó e Labão. O uso de instrumentos e cânticos é mencionado no livro de Êxodo, quando Moisés, Arão e Miriã conduziram o povo hebreu em sua retirada do Egito. A música desempenhou um relevante papel na vida do povo hebreu, alcançando, talvez, a sua maior influência sob Samuel. O máximo prestígio da música foi atingido com o rei Davi, o suave cantor de Israel. Cada vez mais a música se incorporou ao culto dos hebreus. Em I crônicas há muitos pormenores que revelam a função primordial da música no serviço divino. O coro e a orquestra do templo perfaziam quatro mil figurantes, que eram treinados e conduzidos em 24 divisões por Asafe, Hemã e Jedutum. Artistas consumados e noviços eram empregados em conjuntos, de maneira que era mantida a tradição correta, enquanto os novos músicos eram treinados para ocupar o lugar dos antigos. Só o cativeiro fez calar os cânticos dos hebreus. Foi realmente um dia triste quando em desespero, eles “penduraram suas harpas nos salgueiros” e se lamentaram: “como entoaremos o cântico do Senhor em terra estranha?” O povo necessitava de cânticos nesse momento! (B.H. Ichter, A música e seus usos na igreja, Rio de Janeiro, Juerp, 1980, pg. 12). A MÚSICA NO NOVO TESTAMENTO. Os anjos anunciaram o nascimento de Cristo com cânticos. Nunca poderemos separar os cânticos da presença de Cristo. Antes dEle nascer, Maria cantou o seu belo Magnificat. Após seu nascimento, Simeão o adorou com o Nunc Dimittis (Agora Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra – Lucas 2:29). Em dias de angústia, Jesus encontrou música na casa de Jairo. Ele falou de música ao contar a parábola do filho pródigo. Mais tarde, Jesus ouviu cânticos quando entrou em Jerusalém. Por fim, ele se reuniu aos discípulos no cântico de um hino antes de subir ao Monte das Oliveiras. Lemos com freqüência no Novo Testamento sobre música no culto. Paulo e Silas cantaram na prisão! Paulo aconselha aos Colossensses: A Palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda sabedoria Ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e Cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vosso coração. Col. 3:16. Tiago, o irmão de Jesus, ensinava: está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores (Tiago 5:13). A Bíblia termina com música. O livro do Apocalipse fala de harpas, trombetas e cânticos, reunidos num coro de Aleluia ao Senhor. A MÚSICA NA IGREJA ANTIGA. Os cristãos primitivos usavam o saltério nos cultos. O cântico de hinos era utilizado em todos os seus cultos. O antigo escritor, Plínio, disse: Os cristãos primitivos costumavam reunir-se aos primeiros alvores do dia e cantar um hino a Cristo e a Deus, com vozes intercaladas, uma após outra. Tertuliano, Eusébio, Caio, Filo, todos mencionaram o uso de hinos e salmos pelos cristãos primevos. O primeiro hinário cristão das igrejas ocidentais foi preparado por Hilário da Gália, cerca de 350 A.D. Outro escritor foi Ambrósio (340-397), que foi chamado “o pai dos cânticos religiosos”. Seus cânticos eram “antifônicos, congregacionais e melodiosos”. A MÚSICA NA IDADE MÉDIA. Nos mil anos de trevas da Idade Média, a superstição e a ignorância predominavam nas igrejas. O cântico congregacional foi suprimido. A música sacra quase limitou-se aos mosteiros e as missas solenes cantadas por monges na língua latina. O povo cantava apenas a música popular. A MÚSICA NA REFORMA PROTESTANTE. Por mérito do pai protestante, Martinho Lutero (1483-1546), que o coral foi introduzido na igreja. Inúmeros hinos foram escritos por Lutero. A música se tornou a expressão emocional da fé evangélica nas igrejas e a maior arma na propagação do evangelho além da Bíblia traduzida para o alemão. Lutero trouxe para a igreja, a música que o povo cantava, tudo na linguagem popular, quebrando todo o tradicionalismo que mantinha a igreja na mesmice e comprometia sua ação evangelizadora e como água parada, se corrompia. O hino mais conhecido mundialmente de Lutero é “Castelo Forte é nosso Deus” que se encontra em muitos hinários de igrejas históricas. A MÚSICA NAS IGREJAS EVANGÉLICAS BRASILEIRAS. Na religião dos pagãos não há hinários. Nem os budistas, nem os Maometanos, e nem sequer os católicos tem hinários. Porém a igreja evangélica encontrou uma canção nova. Como diz o Salmo 40:3. E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus. Antes da pregação, tinha lugar a canção. É dito em Jô 38:7 que enquanto Deus colocava a pedra angular e fundava a terra, ordenou as medidas desta criação, que “as estrelas da alva juntas, alegremente cantavam e rejubilavam todos os filhos de Deus. Durante a criação havia canção. Também em nossos cultos é grande a importância da música! O louvor eleva o nosso espírito à Deus! A Bíblia nos ensina que até no porvir haverá música. Apocalipse 5:8-14: “entoavam um novo cântico, dizendo: Digno és ...e compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”. Este novo cântico dos redimidos pode ser cantado somente por aqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro. A fonte primária da música cantada nas igrejas evangélicas hoje em dia, são os hinários: Hinos e cânticos, Melodias de Vitória, Salmos e Hinos, Harpa Cristã, Cantor Cristão e Hinário Novo Cântico da IPB. Desde 1931 os coros sacros de Arthur Lakschevitz deram o maior impacto sobre os corais evangélicos no Brasil. Um terceiro tipo de música, cantada no Brasil, nas igrejas evangélicas, são os hinos dos cantores populares que fazem o maior sucesso entre a camada mais jovem das nossas igrejas. No início da década de 80, com o advento dos grupos chamados neo-pentecostais, houve um avanço na qualidade da música cantada nas igrejas evangélicas, principalmente, os coros de guerra, que são livres de uma teologia pesada. 2 - AS TENSÕES DA MÚSICA NA VIDA DA IGREJA. Embora a música como arte divina seja uma grande benção para a vida da igreja, pode ao mesmo tempo causar inúmeras tensões e problemas, além de desgastes desnecessários para a vida da liderança. As tensões na área musical em nossas igrejas, tem as suas raízes em quatro áreas: No tradicionalismo, no secularismo, no improvisionismo e na própria ignorância. Uma breve análise destas áreas nos conscientizará destas tensões existentes para que com a graça divina conseguirmos superá-las. O Tradicionalismo. O tradicionalismo é caracterizado por preservar aquilo que já se tem e se conhece. Por defender a “santa lei da Tradição”. O tradicionalismo é conservador e se mostra inflexível diante de qualquer inovação, mesmo que esta venha ser benéfica para a igreja. O tradicionalismo não argumenta, simplesmente diz como as coisas devem funcionar. O tradicionalismo extremado não mexe na liturgia ou ordem do culto, sempre seguindo o mesmo ritmo, nunca introduz músicas novas, cantando ano após ano as mesmas músicas da mesma maneira, parecendo que os seus defensores acreditam em um deus extático, parado, duro e inflexível, que só se manifesta dentro desta visão. A vantagem do tradicionalismo, é a sua firmeza doutrinária. Igrejas tradicionais não vacilam facilmente, são praticamente imunes à heresias. Entendo, que podemos ser doutrinariamente puros, porém, culturalmente relevantes. A desvantagem do tradicionalismo extremado é a sua ortodoxia morta, a ausência de espiritualidade viva, a ausência de dinamismo. Jovens não se dão bem com o tradicionalismo, por falta de espaço para desenvolver e exercer cada um o seu ministério no corpo de Cristo de acordo com a sua paixão. O Secularismo. O Secularismo é caracterizado pela sua posição liberal, progressista, relativista e renovacionista. O Secularismo não quer preservar a “santa lei da tradição”. O Secularismo é não conformista e tenta fazer sempre o contrário daquilo que é costume e tradição. O Secularismo é muito aberto, não tem consciência histórica. O Secularismo por ser muito aberto, mostra-se vulnerável diante de qualquer onda popular. O Secularismo se apresnta numa forma anti-autoritária, mas com suas atitudes forma novos ditadores. O Secularismo mexe com toda a liturgia, doutrina, ordem de culto, além de introduzir inovações constantes, mesmo quando vão de encontro ao sistema doutrinário. O Improvisionismo. A Improvisação. O Improvisionismo não favorece nem o tradicionalismo e nem o secularismo. A atitude principal do Improvisionismo diante da música na igreja é determinada pelo momento, pela situação, pela improvisação. O improvisionismo se caracteriza por: 1 – Falta de Planejamento. O Improvisionismo não planeja, deixa-se inspirar pelo momento, pela situação. O Improvisionismo acha que o Espírito Santo, inspira na hora, mas nunca antes da hora. É importante ser dirigido pelo Espírito Santo na liderança de um culto a ser sensível a certas modificações no programa quando necessário. Porém, na maioria das vezes, o improvisionismo é a desculpa “justificável” para os preguiçosos que não levam a sério uam preparação consciente ou um programa estruturado. 2 – Falta de Ensaio. O improvisionismo é tão denominado pelo momento que negligencia o ensaio musical. Para que sejamos aperfeiçoados em qualquer área é preciso que nos treinemos ao máximo. Os grandes gênios da música ensaiavam de 8-12 horas por dia, antes de um concerto. Ludwig Van Beethovem (1770-1827), um dos maiores gênios da música clássica de todos os tempos, aos oito de idade tocava piano o dia inteiro, estudando sem parar. Contrários aos fatos da história da música e contrários a experiência atual dos músicos profissionais, alguns jovens crentes ainda acham ser possível aprender um instrumento musical dentro de 4 semanas. 3 – A Ignorância. Uma quarta tensão que surge na música da igreja tem as suas raízes na ignorância. A ignorância simplesmente não percebe, não admite ou não tem noção nenhuma quanto aos problemas da música. A ignorância é cega diante das tensões que existem na área da música. III – AS FUNÇÕES DA MÚSICA NA VIDA DA IGREJA. Definimos as funções principais da música na vida da igreja como adoração, proclamação e edificação. O seguinte gráfico triangular nos ajuda ver as três funções Inter-relacionadas. ADORAÇÃO (Para com Deus) EDIFICAÇÃO (Para Consigo) PROCLAMAÇÃO (Para com o Próximo) ADORAÇÃO. A música ocupa um papel importante no culto evangélico, porque nela se expressa a adoração ao nosso Senhor Jesus Cristo. Embora uma análise gramatical e etimológica demonstre que na Bíblia não tem distinção entre “adoração”e “culto”, que na verdade são sinônimos (veja Rom. 12:1) , hoje fazemos uma distinção entre ritual e culto, entre adoração e culto. Ao nos referir a adoração como função da música, estamos enfatizando a sua dimensão vertical. A função primária da música na igreja é para o louvor de Deus. O salmista encoraja-nos a “salmodiar a glória do seu nome; dar glória ao Seu louvor” (Sl. 66:2). O ritmo, a rima e as imagens de um texto grandioso adaptado à música – especialmente se cantado e tocado magnificamente – podem nos fazer lembrar de que o Deus glorioso está falando. (D.P. Hustad, Jubilate, A música na Igreja, S.Paulo, Ed. Vida nova, 1986, p. 78). Algumas passagens de “adoração” revelam ainda como a música estava intimamente ligada com a oferta de sacrifícios: Salmo 27: 6.b– No seu tabernáculo oferecei sacrifício de júbilo; cantarei e salmodiarei ao Senhor. Jr. 33: 10b, 11. a - Ainda se ouvirá a voz de júbilo e de alegria...a voz dos cantam...e dos que fazem ofertas de ação de graças à casa do Senhor. Hb. 13:15 – Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifíçio de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome. A primeira referência bíblica à expressão musical se encontra em êxodo 15: 1-21, onde Miriã canta ao Senhor agradecendo-lhe pela libertação de seu povo das mãos dos egípcios. Encontramos muitos outros cânticos musicais de adoração e gratidão, de louvor à Deus nas Santas Escrituras. 1 – O cântico de Moisés – Ex. 15. 2 – Os 3 cânticos de Balaão. – Nm. 23 e 24. 3 – O cântico de Débora. - Jz. 5. 4 – O cântico de Ana. - I Sm 2. 5 – O cântico de Habacuque – Hab. 2. 6 – O cântico de Isaias. – Is. 26. 7 – O Cântico dos amigos de Daniel, no meio da fornalha ardente, conhecido como Benedicite omnia opera Domini – Dn 3. 8 – Magnificat. – Lc. 1: 46-55. 9 – Benedictus – Lc. 1: 67-79. 10 – Glória in excelsis Deo – Lc. 2: 28-32. 11 – Nunc Dimittis – Lc. 2: 28-32. 12 – Himnos cristológicos – Fil. 2:6; Ef. 5:14; I Tm. 3:16. 13 – Um novo cântico de Moisés Ap. 15:2. Em todos estes cânticos a função primária da música é “Cantar ao Senhor com graça em nossos corações” (Cl. 3:16), num verdadeiro espírito de adoração, um cântico novo ao Senhor (Sl. 33:3; 40:3; 96:1; 144:1, 149:9; Isaias 42:10). PROCLAMAÇÃO. A segunda função da música na igreja tem por alvo a proclamação do evangelho de Jesus Cristo. Tantas almas tem sido conquistadas através da música. No seu livro “O Apóstolo da Amazônia”, o pastor José dos Reis Pereira, relata o trabalho missionário de Eurico Nelson que trabalhou entre 1891 a 1939 na região amazônica, usando muito a música para atrair as pessoas ouvirem as boas novas. Tocando o seu violão, cantando com a sua voz forte, ele conquistava as almas sedentas para Cristo: “Sozinho no seu barco, exposto ao sol e à chuva, lá ia ele, devassando a selva. Homens que trabalhavam no meio da mata ouviam de repente, vindo dos lados do rio, uma voz clara e forte cantando: ‘seguirei ao meu bom mestre, onde quer que for irei`. Corriam para a beira do rio e lá estava no meio, o grande obreiro, que ao ver os homens, dirigia o barco para a margem, a fim de não perder a oportunidade”. Tantas pessoas têm se convertido ao ouvirem uma música bem cantada na igreja. Musica de qualidade, contemporânea e contextualizada atrai as pessoas e facilita a assimilação da mensagem do evangelho. Os anjos proclamavam o evangelho de Jesus Cristo num cântico celestial (Lc. 2:14). A proclamação do evangelho através do cântico chamou a atenção do carcereiro de Filipos (At. 16:25), que em conseqüência abraçou o evangelho com toda a sua casa. Os cânticos cristãos proclamam o evangelho do nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo. João Calvino, reformador de Genebra disse: “Só a Palavra de Deus é digna de ser cantada para o louvor de Deus”. EDIFICAÇÃO. A edificação é a terceira função que a música exerce na igreja. Realmente, todas as funções da música na comunidade da igreja primitiva podem ser consideradas como sustentando a expressão da fé cristã. Uma passagem da Bíblia: “Instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda sabedoria, louvando a Deus, com salmos... (Col. 3:16), parece ser uma injunção bíblica clara do uso do cântico para doutrinar e ensinar a ética cristã”. Através dos cânticos ensinamos não somente doutrinas básicas da nossa fé evangélica, mas também, edificamos, consolamos os doentes, como Tiago 5:13. O Saltério (Os 150 Salmos da Bíblia) é uma prova de que os cânticos ensinam o povo de Deus a andar no caminho e no temor do Senhor. IV – AS CARACTERÍSTICAS DA MÚSICA NA VIDA DA IGREJA. Como é que definimos a música na igreja? Quais as características da música na igreja? É possível ter critérios objetivos em determinarmos que é música na igreja e o que é música do mundo? Afinal o “dó” não é sempre “dó”, e outra nota qualquer não é sempre a mesma em qualquer música? No livro Jubilate, a música na igreja, D.P. Hustad escreve a respeito de padrões evangélicos para a música eclesiástica: 1 – Ela deve comunicar e expressar o evangelho de forma inteligível por parte da cultura a qual se dirige. 2 – Deve oferecer sacrifício de louvor para o indivíduo e também para a coletividade. Deve ser o que de melhor possamos oferecer. 3 – Deve expressar e enfatizar a melhor teologia cristã, colocando todas as doutrinas em equilíbrio. 4 – Deve ser genuinamente criativa, evitando o vulgar e o trivial, bem como o elitista e o incompreensível. V – A LIDERANÇA DA MÚSICA NA VIDA DA IGREJA. Qualquer área da igreja precisa ser estruturada, estimulada e orientada ao bem maior da igreja e de todos, a música na igreja, desde o seu planejamento de padrões, até a ordem das músicas a serem cantadas, necessita de liderança. Observemos dois aspectos importantes para a liderança musical na igreja. A – Uma Liderança Espiritual e Vocacionada. Qualquer pessoa não serve para liderar a música na igreja. Deus é quem levanta os líderes e dá-lhes o dom espiritual específico párea atuarem na área da música na igreja. Os músicos do templo no Antigo Testamento, foram capacitados por Deus. Nos salmos de Davi e Asafe há uma profunda espiritualidade, tão profunda que o Senhor Jesus na hora da morte meditou nos salmos de Davi (Mt. 27:46; Sl. 22: 1; Lc. 23: 46; Sl. 31:5), e ainda hoje, no limiar do século XXI encontramos descanso, paz, edificação e alimento espiritual nos cânticos de Davi. B – Uma Liderança Competente e responsável. Os líderes do louvor na igreja devem ter diretrizes, normas e responsabilidades. Precisam ser preparados nos princípios de liderança eclesiástica, treinada nos princípios musiculturais evangélicos, e aprovada pela igreja de acordo com o dom de Deus, dado à pessoa para o uso na igreja em benefício de todos. CONCLUSÃO. Como vimos, a Música na igreja é de fundamental importância para o desenvolvimento e crescimento da igreja como um todo. Em toda a história da igreja a música sempre esteve ligada à adoração, desde o início da história de Israel até hoje, a música tem sido parte integrante e muito importante para a comunhão do povo entre si e para com Deus. Nos tempos modernos a música tem evoluído a ponto de muitas igrejas ter grandes grupos de louvor, conjuntos muito bem equipados, tanto de equipamentos quanto de pessoas capacitadas e bem treinadas. Há ainda aquelas igrejas que mantém verdadeiras orquestras para ministração do louvor congregacional, e isto têm feito uma grande diferença, pois Deus tem usado o louvor para que o Seu nome seja conhecido. No que se refere aos que dirigem o louvor, é necessário que os mesmos tenham um chamado de Deus específico para este ministério, se assim for não há que dizer, pois Deus é quem chama e capacita. Quando um ministério de louvor é liderado por quem tem esse chamado de Deus, a música na igreja terá um novo sentido, uma nova dimensão, e, o propósito de Deus estará sendo cumprido.

2 comentários:

anoildo disse...

O meu comentário é uma solicitude em virtude de não ser mais encontrado para compra, ou se houver não saber onde encontrar o hinário "COROS SACROS", que é um hinário compostos dos mais belos hinos de louvor a Deus. quem souber por favor me informe!

Anônimo disse...

Aliás, cresci ouvindo musicas dos Coros Sacros.Dois me chamam a atenção em minha memoria: O meu Guia e Protetor e o outro é Do Senhor é a terra; aliás, gostaria em saber quem tem tais partituras, pois, suas execuções realizam verdadeiros milagres e tranformações em seus ouvintes.