segunda-feira, 18 de julho de 2016

SOBRE TERRORISMO E OLIMPIADA (Mt. 5.9)


Por

João d’Eça


Introdução

         O brasileiro está com medo de que se repita em nosso país o que aconteceu em 1972, na Olimpíada de Munique, Alemanha, quando um grupo de terroristas árabes/islâmicos/palestinos, invadiram a vila dos atletas fizeram reféns os onze atletas da delegação israelense.


         As 4:30 da manhã de 5 de setembro, oito terroristas entraram na Vila Olímpica, enquanto os atletas dormiam, pularam as cercas de dois metros de altura, carregando mochilas com rifles automáticos e granadas. Estavam dispostos a causar uma tragédia naquela olimpíada.


         Depois de roubar as chaves, eles entraram nos dois apartamentos ocupados pelos atletas de Israel e os fizeram reféns, exigindo a soltura de mais de duas centenas de presos em Israel. Ainda naquela época, os terroristas faziam reféns somente israelenses, contrário de hoje, em que a ação terrorista islâmica, não faz acepção de nacionalidade. Na semana passada, no atentado com um caminhão em Nice, sul da França, morreram pessoas inocentes de vários países, inclusive uma brasileira e sua filhinha de seis anos.

A reação Ocidental


         Os ocidentais não sabem como lidar com os terroristas islâmicos e estão cedendo a eles, quando deveriam combate-los com força. Um caso lamentável aconteceu nos Estados Unidos, com a decisão dos islâmicos de construir uma mesquita no Marco Zero em New York, local onde estavam as Torres Gêmeas que foram derrubadas por terroristas islâmicos, naquilo que ficou conhecido como o maior atentado terrorista contra o Ocidente, ou seja, a permissão para construir qualquer que seja o monumento islâmico ali, é uma afronta, um “tapa na cara”, não só do povo americano, mas do ocidente, e ainda mais, é um vilipêndio à memória das quase quatro mil vítimas inocentes.


Religião de Paz


         Os islâmicos alegam que a sua religião é de paz, mas isso é um absurdo, é uma tentativa de enganar, porque de pacífica o islã não tem nada, e eles mesmos testemunham disso, basta assistir os inúmeros vídeos publicados na internet.


         Ser muçulmano é ser terrorista, quem não é terrorista e se diz muçulmano está mentindo ou é um falso muçulmano, porque a prática do islamismo, segundo o alcorão, é fazer o que os terroristas fazem, e quem não faz assim, é um falso muçulmano.


         O islã não é uma religião de paz, basta estudar a história, desde 632 A.D., que o islã vem promovendo guerras contra os outros povos, na tentativa de impor a sua religião aos demais povos, os quais consideram como infiéis. Portanto o islã não é uma religião de paz, pelo contrário, seu principal valor é fazer a guerra contra os infiéis (não muçulmanos) e convertê-los à força ou cortar-lhes a cabeça.


         O islã não é uma religião, é um sistema de crenças teo-político que vem ameaçando o mundo há sete séculos, ou 1394 anos. Carlos Martel lutou contra o islã na batalha de Tours em 732 A.D., a frota veneziana lutou contra o islã em 1571, em 1683 o exército germânico-austríaco lutou contra o islã, Constantinopla lutou contra o islã em 1453 e perdeu a guerra e a cidade mudou de nome vindo a ser chamada de Istambul até o dia de hoje. Quem lê o alcorão compreende que os muçulmanos estão fazendo exatamente o que o livro sagrado deles lhes manda fazer, nada mais que isso.


Como combater o islã?

          Essa é uma responsabilidade de toda civilização ocidental, principalmente dos países de religião cristã. Ao invés desses países se preocuparem a dar ouvidos aos diplomatas da ONU, que não tem nenhum compromisso com o cristianismo, mas sim com todas as políticas que visam desconstruir o cristianismo, com políticas homossexuais, abortistas, ateístas, secularistas. Quando essas políticas são instituídas, as nações perdem o seu referencial e passam a viver sem valores, sem limites, alvo fácil para os islâmicos, que surgem lhes dando um motivo pelo qual lutar contra as coisas erradas no campo da ética e da moral.


         Quando as nações cristãs procuravam viver o seu cristianismo e incentivavam as pessoas a vive-lo, não havia nenhuma preocupação com o terrorismo islâmico. Os presidentes das nações historicamente cristãs precisam voltar a investir na construção de uma sociedade baseada nos princípios e valores cristãos. Voltar a incentivar o envio de missionários com a mensagem salvadora da cruz, incentivar a produção de filmes, programas e séries, que ao invés de mostrar as tragédias, crimes, prostituição, deem às pessoas esperança, sonhos e alegrias, afinal, ninguém precisa viver vendo tragédias todos os dias.


         Precisamos de esperança, precisamos de amizade e de comunhão em torno do nosso bem maior, nosso Cristo. Precisamos sonhar, precisamos de aquarelas, de incentivo a sermos bons cidadãos, de exemplos de dignidade cristã. Precisamos reviver os tempos das grandes Cruzadas Billy Graham que superlotavam os estádios. Precisamos retornar aos nossos valores cristãos. Precisamos deixar de flertar com o esquerdismo, precisamos impedir que o islamismo se instale em nossos países ocidentais, precisamos voltar ao tempo em que a dignidade e a honra faziam o indigno e desonrado corar de vergonha.


         A única forma de barrar o avanço do islamismo no Ocidente, é investir na reconstrução do nosso cristianismo, investir em escolas cristãs, investir em famílias cristãs, produzir material midiático cristão, reacender a esperança e a alegria do nosso povo, investindo pesado nisso. Ai os islâmicos não terão terra fértil para propagar a sua religião de ódio e de morte.
 

Conclusão


         Não sabemos se haverá um ataque no Brasil, esperamos que isso não aconteça. O povo está com medo, as delegações estão com medo, o governo brasileiro e os governos estrangeiros estão com medo. Queira Deus que não haja nenhuma tragédia como a de Munique 1972.


Esse é o momento de refletirmos sobre a forma como estamos vivendo, num mundo escuro e de futuro mais escuro ainda. Deus queira nos ajudar a ter esperança, não só no céu, mas que possamos viver a esperança celestial, vivendo em paz enquanto aguardamos a chegada do Reino do nosso Deus e Cristo.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

DOUTRINAS FALSAS E DOUTRINAS VERDADEIRAS


 
Por

 Rev. João d’Eça

1Tm 1.3-4
 

Introdução:
 A pergunta que encima esse texto só pode ser respondida de uma maneira: Sim, é claro que há doutrinas falsas. A Própria Escritura Sagrada diz que há. Lógico, se a Escritura menciona o termo “falso” quando se trata de doutrina, é porque existe a doutrina que é verdadeira.
 
A lógica do meu ponto é essa, se existe uma doutrina verdadeira, é porque ela se opõe a uma falsa doutrina. Chamarei a doutrina verdadeira, à partir de agora, de sã doutrina.
 
Enquanto a sã doutrina é benéfica para a igreja, a falsa doutrina, ou doutrina espúria enfraquece as bases da igreja e é o resultado de todo o desvio da verdade das Escrituras que vemos o tempo todo acontecendo e sendo divulgado nas mídias sociais. Enquanto a sã doutrina, em que pese, precisar de assimilação, para isso tem de ser entendida na base do estudo intelectual sério, as falsas doutrinas causam confusão.
 
Geralmente as falsas doutrinas se fixam em coisas rasas no campo doutrinário, se preocupam com coisas de menor importância, geralmente fixando-se em pequenas coisas e personagens, que estão ligados diretamente a certas organizações, são os chamados falsos mestres, carismáticos, mas que tem no meio dessa gente, uma grande influência.
 
 
Falsas doutrinas e a Bíblia
A carta de Paulo a Timóteo trata do assunto das heresias perniciosas que estariam sendo disseminadas no meio da igreja. No capítulo 4, Paulo diz escrevendo a Timóteo:
 
“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que tem cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento, exigem abstinência de alimentos, que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fieis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ação de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração é santificado.”
(I Tm. 4.1-5)
 
Falsas doutrinas e mitologia
As falsas doutrinas são baseadas em mitos, lendas, fantasias, costumes humanos, manifestações folclóricas e outros. Geralmente o conteúdo dos ensinos dos falsos mestres de falsas doutrinas, possui uma gama de esoterismo e filosofias extra-bíblicas. Os propagadores de falsas doutrinas fazem acréscimos à Escritura juntando até mesmo técnicas de mercado, técnicas psicológicas e psicanilíticas para fundamentar os seus ensinos. São sectários, anti-bíblicos e deturpadores da verdade.
 
As falsas doutrinas e as genealogias
     
     Recentemente ouvi um documentário na TV fechada sobre a organização da igreja Mórmon e a seu valor dado às genealogias. A reportagem mostrava um local onde eles fazem pesquisas em mais de 2 bilhões de certidões de nascimento, segundo a reportagem, para saber sobre a descendência dos membros dessa seita americana.
 
         Os judeus também estavam interessados em genealogias, eles queriam saber de que patriarca descendiam e por isso, Paulo, assim como no texto base desse artigo, também ao escrever a Tito, diz: “Evita discussões insensatas, genealogias, contendas e debates sobre a lei; porque não tem utilidade e são fúteis...” (Tito 3.9). O ensino claro do Novo Testamento, não se ocupa com genealogias, descendências ou coisas afins, mas com o chamado de Deus para a salvação, com a vocação, com a fé e a conversão das almas.
 
Falsas doutrinas e ignorância
Não há como ter uma discussão saudável com alguém que defende falsas doutrinas. Qualquer tema que os defensores de falsas doutrinas levantam para discutir, é motivo de conflito. Desde assuntos relacionados à proibição ou não de alimentos, ou relacionados a dias de guarda, quem pode ou ser ordenado e guarda ou não de princípios relacionados à lei de Moisés.
 
         Os defensores de falsas doutrinas, geralmente não conhecem doutrina nenhuma, e até em muitos casos, dizem ser contrários a qualquer forma de doutrina, preferindo suprimir qualquer que seja a discussão que envolva um tema doutrinário, alegando ser infrutífero.
 
         Assim as falsas doutrinas vão se disseminando em muitas igrejas e pessoas, ou incautas ou ignorantes, vão alimentando a sanha de disseminadores de falsas doutrinas, que escravizam os desavisados nas suas redes de falsidades doutrinárias.

quarta-feira, 2 de março de 2016

A PARÁBOLA DA IGREJA PRÓDIGA

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Mildreth J. Haggard

 
The Christian Endeavor World

 
Tradução livre

 
 

Uma certa igreja tinha muitos membros, sendo muitos adultos com a sua fé bem consolidada e outros que deviam ser considerados como meninos e meninas. E os meninos e as meninas disseram à Igreja e ao pastor:

 
“Ó igreja, dá-nos a porção do teu tempo e da tua atenção, o teu culto, o teu ensino da Palavra de Deus, e da tua educação, que nos pertencem!”

 
E a igreja repartiu com eles o seu auxílio, sendo-lhes permitido vir à Escola Bíblica por uma hora no Dia do Senhor, se eles quisessem, e o pastor e a igreja julgaram que tinham cumprido todo o seu dever para com os meninos e meninas.

 
Poucos dias depois, o pastor e a igreja, ajuntando todos os seus interesses e as suas ambições, partiram para uma terra mui distante, uma terra de indiferentismo e de presunção, e lá desperdiçaram a sua preciosa oportunidade de educar os próprios filhos da igreja.

 
E quando já tinham gasto a melhor parte da sua vida, e tinham ganho admiração e distinção, mas deixaram de crescer, houve naquela igreja uma grande fome, e começaram a padecer necessidade de homens e mulheres. E eles foram e pagaram um evangelista e um cantor profissionais, desses que há às centenas nos círculos “neo-penteca” e fizeram reuniões noite após noite. E desejavam saciar-se com as bolotas do sucesso, e nenhum plano lhes trouxe o sucesso que desejavam.

 
Até que caíram em si e disseram: “Havia muitos meninos e meninas que frequentavam a nossa Escola Bíblica, muitos dos quais pertencem às nossas melhores famílias, e nós aqui perecemos de fome por eles! Vamos nos levantar, e iremos ter com eles, e lhes diremos:
 

“Meninos e meninas, pecamos contra o Céu e perante vocês; já não somos dignos de sermos chamados de igreja, tratai-nos como um de vossos conhecidos”.

 
Dai eles levantaram-se e foram aos filhos, agora já crescidos. Mas quando ainda estavam longe, viram os meninos e as meninas, e movidos de admiração, e em vez de correrem e os abraçarem, eles ficaram retraídos e confusos. E a igreja lhes disse:

 
“Meninos e meninas, pecamos contra o Céu e perante vocês, já não somos dignos de sermos chamados de igreja. Agora nos perdoem e seremos amigos”

 
Mas os meninos e as meninas disseram: “Não será assim, era o nosso desejo que fosse como vocês falaram, mas agora é tarde demais. Houve um tempo em que desejávamos a sua amizade, queríamos partilhar com vocês do trabalho e adquirir conhecimento, mas você se mostrou indiferente. Fizemos amigos e ganhamos outros conhecimentos, recebemos o que era ruim, e agora, a nossa mente está tão poluída, que não há retorno. Mergulhamos na alma e no corpo; não temos mais vida espiritual e não há nada em que possamos ser úteis. É tarde demais, tarde demais, tarde demais!”  

 

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.”

(Pv. 22.6)

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O CULTO A DEUS - A PREGAÇÃO DA PALAVRA


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Rev. João d'Eça, MDiv

Publiquei um texto com o mesmo assunto em 5 de janeiro e agora, um pouco modificado, mas abordando outros princípios, republico-o. 
 

Introdução
 
         A pregação da Palavra de Deus é o ponto alto do culto público que é realizado em nossas igrejas. A pregação é, portanto, uma matéria de grande responsabilidade. O pregador é o responsável por explicar, à partir do púlpito, as grandes verdades acerca da salvação, porque em tese, foi para isso que ele foi chamado por Deus.
 

         Pregar é ter a responsabilidade de transmitir com fidelidade a Palavra de Deus. Já que as pessoas darão contas de suas palavras frívolas e ociosas, a responsabilidade de ser fiel às Escrituras no púlpito é muito maior, porque o resultado será para toda eternidade.
 

         O Catecismo Maior de Westiminster na resposta à pergunta 155 diz:


“O Espírito de Deus torna a leitura, e especialmente a pregação da Palavra, um meio eficaz para iluminara, convencer e humilhar os pecadores; para lhes tirar toda confiança em si mesmos e os atrair a Cristo; para os conformar à sua imagem e os sujeitar à sua vontade; para os fortalecer contra as tentações e corrupções; para os edificar na graça e estabelecer os seus corações em santidade e conforto mediante a fé para a salvação.”
 

Como deve ser feito o sermão


         O sermão nunca deve ser feito de improviso. O pregador tem a responsabilidade de estudar e meditar com todo esmero e cuidado. O lema de Calvino nesse particular era “Orare et Labutare” [Oração e Trabalho]. O pregador deve possuir bons comentários bíblicos e uma boa biblioteca. O pregador deve estar constantemente estudando, sua leitura deve ser constante e ele deve aproveitar bem cada oportunidade para estar lendo bons livros.
 

Nenhum pregador está devidamente pronto, logo ao sair do seminário. Após os estudos, os estudos continuam. Paulo dando conselho a Timóteo diz: “Até à minha chegada, aplica-te à leitura....” (I Tm. 4.13).


O conteúdo dos sermões        


         Os sermões podem ser aplicados à partir de um texto das Escrituras ou podem ser expositivos, com textos bem maiores, com pelo menos mais de três versículos. Podem ser pregados com ênfase de edificação, de instrução ou evangelização, cujo objetivo principal é alcançar os corações dos pecadores não convertidos.
 
         Todo pregador tem o dever de apresentar uma mensagem fiel à igreja, onde o sermão precisa ser bem estudado e meditado. Ele deve se lembrar que, entre os ouvintes, embora não podendo ser visto, está o Senhor Jesus Cristo. Assim, sendo o púlpito um lugar de responsabilidade, deve haver muito cuidado na escolha de um substituto ao pastor em suas ausências. Quem não tem o devido preparo não deve se meter a pregador.

Críticas aos pregadores


         Em todo lugar há os críticos, que se arvoram em aparentar que são bons pregadores pelo simples fato de criticarem os outros. Para muitos, o pregador é avaliado pela tonalidade da sua voz. O de voz mais aguda tende a ser para esses críticos, o mais eloquente. No entanto, os críticos nunca se lembram do texto da pregação que criticam, costumam apontar para os supostos erros de homilética ou hermenêutica e se limitam a criticar por criticar.

Conclusão:


A nossa tarefa como ouvintes é apresentarmo-nos na casa de Deus com júbilo e desejar ouvir o que o SENHOR fala através dos seus servos, os pregadores do Evangelho. Com isso não estou dizendo que todo sermão é digno de se ouvir, pois há sermões sofríveis, fruto de falta de leitura e estudo árduo, no entanto, devemos ouvir a Palavra de Deus com espírito de mansidão e humildade, respeitando a Palavra de Deus que está sendo pregada, pois como disse o profeta Isaias:
 

“Que formosos são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia cousas boas, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!”

(Isaias 52.7)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

REFLEXÕES SOBRE ORAÇÃO


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Rev. João d’Eça

 

 

A oração. Podemos dizer, é uma conversação contínua com Deus. A oração é para a alma o que os músculos e


os nervos são para o corpo, a quem dão o movimento necessário.


A oração é a alma subindo em busca de Deus, em busca do remédio apropriado, é a separação das criaturas para se aproximar do criador, saindo dos confins do pecado.


A oração é o grito do pecador que reconhece a sua miséria. Se há no mundo alguém que nunca sofreu, esse está dispensado de orar. A oração é um grito de socorro, e, se há alguém que não precisa ser socorrido, esse não precisa orar.


A oração é um suspiro rumo a Deus, e, se há no mundo um ser humano capaz de viver sem respirar, esse não precisa orar.


A oração revela-se na intercessão pelo próximo, no amor que é ordem divina. A oração está presente nos bons conselhos que são dados, motivados pelo amor.


O crente que ora antes de seus estudos bíblicos, procura a santidade e a instrução do seu próximo. O crente que ora oferece o seu trabalho ao Senhor e o louva e o exalta.
 

A oração é o momento de maior comunhão entre o homem na sua pequenez, diante do Criador amoroso e Todo-Poderoso.

 

Não deixemos de orar em tempo algum.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

POSSO USAR QUALQUER RITMO OU ESTILO NO LOUVOR DA IGREJA OU NO RETIRO ESPIRITUAL?

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Rev. João d'Eça
 




Introdução
Há uns dez anos atrás, um amigo pastor de outra denominação me questionou sobre porque não usamos as músicas alusivas à época, para realizar os nossos eventos. No caso em questão ele estava se referindo ao samba, e perguntando por que não cantamos um samba de enredo para abrilhantar os nossos retiros? Eu logicamente, sabendo da sua intenção, lhe respondi:
 
"Eu não ficarei surpreso no dia em que presenciar nos retiros marchinhas de carnaval, axé music e frevo, dentre outros."
 

Não demorou nem os dez anos e a coisa degringolou de vez. Muitos, erradamente recorrem ao Salmo 150 para fundamentar o seu argumento de usar todos os tipos ritmos no culto, ou seja, tudo é válido para o louvor a Deus na adoração pública.
 
 
Explicação do princípio do Salmo
Com certeza o Salmo 150 não propõe esta ideia? Em nenhum momento o salmista diz que podemos usar qualquer ritmo, instrumento, estilo musical, expressões corporais e danças no culto solene. Pelo contrário, o Salmo 150 nos mostra claramente que cada elemento da criação em seu contexto apropriado e condicionado ordenadamente louvam ao Criador. Este louvor se aplica de modo geral a todos os seres viventes que compõe a criação. Sem intenção de querer fazer uma exegese do Salmo 150, mas tendo de mencionar alguns detalhes atinentes ao texto, podemos dizer que a palavra "santuário" (no hebraico: rekia) do versículo 1 é originalmente traduzida por "expansão do céus". Não se limita somente ao tabernáculo e muito menos ao templo de Salomão, mas a tudo o que está debaixo dos céus. A ideia central é mostrar que Deus deve ser adorado por causa de quem Ele é, o Soberano de todo o universo.
 
 
Não podemos esquecer de que Deus é louvado por tudo o que ele criou, tudo deve ser usado para o seu louvor, mas, não podemos usar este salmo para justificar certos ritmos, expressões e manifestações artísticas no culto solene. Não é disso que trata o salmo.
O que o Salmo nos diz é que cada elemento mencionado nesse Salmo 150, deve ser usado no seu contexto e momento apropriado no louvor a Deus.  E aqui a mensagem não se aplica a todos os ritmos musicais ou a todos os estilos de música. É fácil detectar de que nem todos os ritmos e estilos podem ou devem ser usados no culto.


Temos o direito de fazer como quisermos?

Mesmo os retiros espirituais, que são momentos mais informais de reunião da igreja, não são áreas livres para o uso de tudo que a nossa imaginação determinar. O culto a Deus é determinado pelo próprio Deus e não pode ser realizado do modo como nós queremos, segundo a nossa imaginação, pois, o próprio Deus diz como quer ser adorado, não cabendo a nenhum de nós inventar moda, ou introduzir elementos diferentes daqueles expressos nas Escrituras.
 
Geralmente os que introduzem elementos estranhos à Bíblia no culto público, ou mesmo num momento mais informal, o fazem porque desejam estimular a carne. Sabendo que o ser humano sendo carnal, deseja que a sua carnalidade seja estimulada, fazendo com que o culto deixe de ser santo e espiritual para ser profano e carnal. São homens carnais criando meios carnais para atrair outros homens carnais. O sucesso dessa receita mundana é garantido!
 

E ai? Quer dizer que eu não posso ouvir certos ritmos ou estilos de música?


A Escritura Sagrada não nos limita sobre quais ritmos ou estilos musicais devemos ter contato ou ouvir, mas a Escritura nos ensina a ter bom-senso, pois culturalmente alguns ritmos e estilos são inapropriados para o crente se deleitar. A Escritura nos alerta: “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas edificam, todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (I Cor. 6.12,13). Todo cristão deve lembrar que os mesmos critérios no culto solene devem ser aplicados à nossa vida quando apreciamos qualquer ritmo ou estilo musical sejam elas evangélicas ou seculares.
 

Quem criou os ritmos e estilos musicais?
Com certeza não foi o diabo, não foi Deus diretamente, mas o homem. A graça comum de Deus é que dá a capacidade artística e de criatividade ao homem, mas isso não significa que tudo o que ele faz pode ou deve ser usado no culto a Deus.
 
 
A manifestação cultural de Israel

A música em Israel era usada em sua larga maioria para adoração e louvor ao Eterno Deus, em que pese muitos terem deturpado e usado a música para outros fins, originalmente visava a adoração cúltica. Então os estilos criados pelo povo judeu visava somente a adoração, era algo cultutal, coisa que não ocorre no Brasil. O samba não foi criado para adorar a Deus, assim como o frevo, o axé e outros ritmos mais contemporâneos não o foram. Por isso, nenhum deles é apropriado para a adoração, muito mais porque esses ritmos citados não são considerados músicas, mas barulho que apelam somente para o corpo, nada tem para a alma ou o espírito, pois dispensam a melodia e a harmonia.
 
Conclusão
Nunca tente induzir as pessoas ao emocionalismo carnal. O louvor deve ser refletido, pensado, meditado. O louvor também pode exercer a função de proclamação das verdades bíblicas. O que devemos fazer é ajudar as pessoas a entender o que está sendo cantado naquele momento. Devemos motivar os irmãos a perceberem os princípios da Palavra de Deus contidos na mensagem musical.

Liturgia não é show e nem apresentação em palco. O momento do louvor por meio da música é um preparo para nos conduzir a atenção quando a Palavra for pregada. O culto é para Deus e não para o hoeme, deve agradar a Deus e não ao homem. Para nós o culto é um sacrifício (Hb. 13.15). Não chame a atenção para as pessoas. As pessoas devem voltar toda atenção a pessoa de Cristo.
Devemos ter muito cuidado com a letra também. Existem letras que explicitamente são heréticas e mesmo que mencionando um texto bíblico, ainda assim, devemos tomar muito cuidado com a teologia ensinada.
 
Mesmo que certos estilos musicais não sejam pecaminosos em si mesmos, qual deles é apropriado para o culto solene? Se esse critério não for observado, como já disse antes, as vezes estaremos trazendo o carnaval para dentro do culto ou para os nossos retiros espirituais.
 
Finalizando, a música no culto, e até mesmo no retiro espiritual não são para o entretenimento, mas para envolver e ensinar as pessoas a Palavra de Deus. Cantemos a Palavra!

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

CONSIDERAÇÕES FORTÚITAS SOBRE A PREGAÇÃO DA PALAVRA

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Rev. João d'Eça


Que formosos são sobre os montes os pés

do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir

a paz, que anuncia coisas boas, que faz ouvir

a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!

(Isaias 52.7)

 

Introdução
          Quando falamos de pregação da palavra estamos tratando de uma matéria de grande responsabilidade, primeiramente porque o pregador é um enviado de Cristo, ao púlpito para explicar as mensagens de salvação. Calvino e Lutero ficavam impressionados com o tamanho da responsabilidade: falar em nome de Deus, a Palavra de Deus. O fato é que a Escritura nos diz que nós temos de dar conta até da palavra ociosa, imaginem a responsabilidade da palavra proferida? Ela tem repercussões eternas.
 
Como preparar o sermão
          O sermão nunca deve ser feito de improviso, fazer assim é irresponsabilidade, é não levar em consideração a importância da mensagem. O lema de João Calvino era: “Orare et labutare” (Oração e Trabalho). Esse deve ser o esforço do pregador, orar e trabalhar duro para apresentar uma mensagem relevante e biblicamente centrada.
 
O pregador deve fazer um esforço para ter bons comentários bíblicos e bons livros. O pregador ainda continuará a ser um aluno, e deve ser um aluno mais aplicado ainda mesmo depois de sair do seminário. O pregador relevante “aproveita bem cada oportunidade” para ler durante suas viagens. Pobre daquele que pensa que o tempo de estudar se limita ao tempo de seminário, ou que pensa que não precisa estudar de jeito nenhum, achando que receberá a mensagem para pregar à igreja por “divina revelação extática”.
 
O conselho do apóstolo Paulo a seu filho na fé Timóteo foi “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino” (I Tm. 4.13). Um certo pregador de notável reconhecimento atraia as suas ovelhas pelos seus sermões edificantes. Alguns irmãos, porém, se queixavam da sua falta de visitação mais constante. A sua resposta era que, se os visitasse mais em suas casas, eles o visitariam menos na igreja, pois os seus sermões não seriam devidamente preparados.
 
Quanto de texto usar
         Os sermões podem ter como base um só versículo das Escrituras ou podem ser expositivos, como é a prática presbiteriana da maioria dos pregadores. A exposição da Palavra era a prática comum dos apóstolos e foi a prática dos grandes pregadores ao longo da história até a Reforma, onde os Reformadores usavam a pregação expositiva como meio de evangelizar, edificar e de ensinar as igrejas. Dos Reformadores aos nossos dias, passamos por pregadores como Whitifield, Edwards, Spurgeon,  Lloyd Jones, John Stott, etc.
 
A missão do pregador no culto público consiste, pois, em apresentar uma mensagem fiel à igreja. Seu sermão deve ser bem estudado e meditado. Ele deve se lembrar que, entre os ouvintes, está a presença do Príncipe dos pastores, o Senhor Jesus Cristo. O pregador deve ser extremamente cuidadoso na escolha do texto, sabendo o que vai dizer a igreja. O texto não pode ser um “pretexto”, mas ele deve ser a base do sermão.
 
         O substituto natural do pastor na igreja é o presbítero, mas se o presbítero não for um homem habilitado, não for devidamente preparado, conforme ensina a Escritura, não deve se aventurar nos caminhos da pregação.
 
O papel dos ouvintes
         O povo que está no culto deve dar toda a atenção durante a pregação. É falta de respeito, de ordem e reverência, quando as pessoas ficam levantando-se durante a pregação. Desde a saída de casa, as pessoas que vão ao culto, devem se preparar em oração, orando não só pelo pregador, mas por si próprio, para que Deus lhe abra o entendimento para compreender a verdade e para que a Palavra não volte vazia.
 
Nunca critique o pregador em público para não desestimular os ouvintes a não quererem mais ouvi-lo, muito menos critique em casa à presença dos filhos, para que estes não fiquem desanimados e não venham a perder o respeito pelo pregador e pela mensagem. A maioria dos críticos fazem a critica pelo simples hábito de criticar, nem se lembram do que foi pregado, do texto lido, mas a língua ferina, tende a criticar pelo mau hábito.
 
Conclusão
 
         As famílias devem sair de casa para o culto com júbilo e alegria em seus corações, desejando ouvir a Palavra de Deus através dos seus servos os pregadores, usados por ele como instrumentos de transmissão da sua mensagem.
 
Orar, prestar atenção, tentar compreender o que se diz é dever dos ouvintes. O dever dos pais é orientar os seus filhos, mesmos os pequeninos, a saber que aquele momento da pregação é um momento de prestar atenção e se comportar. Para isso, os pais devem orientar os seus filhos desde a casa e exigir que eles atentem para a pregação na hora do culto.
 
Aos pregadores, devem ser fieis às Escrituras e falar aos ouvintes todo o conselho de Deus. Nunca saia para o culto sem antes ter se preparado adequadamente para tão sublime tarefa, a de pregar a Palavra de Deus.

1916 TENTATIVA DE CRIAÇÃO DA UNIÃO DE IGREJAS EVANGÉLICAS DO BRASIL

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Rev. João d'Eça



Introdução:
Há 100 atrás, mais precisamente em fevereiro de 1916, houve no Panamá o Congresso Evangélico Latino-Americano. Antes da realização desse Congresso, houve no Brasil reuniões interdenominacionais, na cidade de São Paulo, onde participaram as maiores igrejas e os mais eminentes nomes entre essas denominações.
 
 
O objetivo da aproximação entre as denominações era de trocar ideias sobre os assuntos que seriam discutidos no Congresso do Panamá, porém, em outras reuniões a proposta das reuniões foi mais além, havendo reuniões de confraternização e de acordos para melhor harmonia no futuro em relação ao trabalho evangélico.
 
 
Já há100 anos passados a dificuldade era enorme para uma cooperação fraternal, hoje nem se cogita nessa possibilidade, principalmente porque o trabalho de igreja não é mais para o engrandecimento do Reino de Deus, mas virou “balcão de negócios” e nicho de grupos ou famílias que querem fazer o seu negócio prosperar e para isso eles fazem qualquer coisa, menos cooperação Interdenominacional gratuita.
 
As reuniões em São Paulo
          Os líderes das Igrejas Presbiterianas do Brasil e Independente, bem como das outras igrejas receberam o convite para participação num Instituto Bíblico Interdenominacional, cujas reuniões iriam acontecer nos dias 12 a 19 de dezembro de 1915. Os idealizadores do movimento eram os missionários da igreja Batista. O Jornal Batista publicou a posição dos batistas dizendo que “em matéria de doutrinas, de convicções ou questão de consciência, ... não cederemos um ponto sequer naquilo que julgamos ser a vontade revelada do nosso Mestre”.
         Os batistas ainda disseram que mesmo assim, “isto... não impede que haja respeito mútuo entre os diversos ramos evangélicos”. Então eles dizem que não concordam com o batismo infantil, o qual consideram “heresia”, mas respeitam os que tem convicções sobre o assunto.
         Para muitos ministros que participaram daquelas reuniões, o objetivo deveria ser o de uma “União Orgânica”, ou seja, a fusão de todas as denominações em uma só corporação. Porém, essa ideia não encontrou apoio entre os pastores e nem entre as igrejas presentes. O objetivo predominante parecia ser o de uma união onde fosse possível haver para combate do inimigo comum.
Consulta aos pastores
 
 
         O pastor batista e missionário Salomão Luiz Ginsburg, resolveu enviar aos pastores uma pergunta que foi publicada em O Jornal Batista.  A pergunta foi a seguinte: “Até que ponto julga possível uma união Interdenominacional?” O jornal publicou as respostas dos vários líderes denominacionais que responderam a consulta, as quais transcrevemos abaixo as partes principais dos textos de cada um deles:

Pastor A.B. Deter[1]
Há muitas doutrinas básicas e vitais que todas as denominações aceitam em comum. Estas são mais importantes e mais numerosas do que as doutrinas que nos separam. É bem possível haver verdadeira uniãofraternal não-orgânica, por causa dessas doutrinas comuns a todos nós. (...) O nosso desejo mais ardente é que findem o quanto antes todas as contendas e lutas desnecessárias.

Rev. Eduardo Carlos Pereira[2]
Não creio que haja atualmente possibilidade ou conveniência na fusão orgânica das diversas denominações que trabalham no Brasil. Contudo creio que é possível a criação de um concílio nacional, que não somente sirva de vínculo moral, mas ainda de comissão dirigente de certos trabalhos comuns sobre evangelização, educação, imprensa e beneficência.
Em seu comentário, o pastor Salomão Ginsburg citando o caso da Igreja Batista disse: “... a adoção de um tal Concílio será impossível. Em primeiro lugar, porque cada igreja local é livre e independente; e também porque essa ideia na sua última análise daria na organização dum governo centralizador, tão contrário à índole democrática dos batistas.”
 

Rev. Vicente Themudo Lessa[3]
 
A resposta do Rev. Themudo Lessa foi um tanto extensa, por isso, iremos resumi-la aqui.
         “... o requisito primário e essencial é que essa união real... a unidade do espírito pelo vínculo da paz. O amor de Deus nos corações destruirá toda a raiz de amargura...”
         “... achamos que, em nosso pais, todas as denominações poderão cooperar unidas nos seguintes pontos:
          1 – Beneficência – Hospitais, Asilos, Orfanatos, etc;
         2 – Publicações – Haja uma grande Cas Editora evangélica devidamente instalada em São Paulo ou Rio de Janeiro, da qual sairia obras de propaganda e instrução religiosa, de modo a servir todas as denominações.
         3 – Imprensa – Uma revista comum como uma grande tiragem, que seja para os interesses da EBD...
         4 – Educação – Poderia haver um grande Colégio para os filhos dos crentes das várias denominações....
 
Essas mesmas respostas foi dada pelo eminente Rev. Bento Ferraz da IPI.
 

Dr. W.A. Waddel[4]
 
Meu caro Salomão Ginsburg... A resposta é: Até ao ponto que o Espírito Santo vencer em nós o egoísmo. Em Cristo não há divisão. Há apenas a diversidade que permite a união orgânica. Veja-se em I Cor. 12. Toda divisão na Igreja é resultado do egoísmo humano....
 

Dr. A.B. Langston[5]
 
Há no Brasil diversos Estados. Cada um procura o seu próprio desenvolvimento, tem suas próprias leis, seus próprios governadores, e seu modo de obedecer e promover os interesses da União ou ‘os Estados Unidos do Brasil’. O melhor  Estado é aquele que interpreta melhor o espírito brasileiro e faz mais para o desenvolvimento da união. Ora os planos e projetos de cada estado devem se sujeitar aos planos e projetos da nação. Seria impatriótico e bem prejudicial se qualquer estado colocasse seus próprios interesses acima dos interesses de todos os estados ou da nação. Qualquer fraqueza da nação sente-se em toda parte. Portanto, colocar os interesses da união acima dos interesses dos diferentes estados, não somente uma prova de sabedoria como também é o melhor meio de desenvolvimento e defesa própria. O brasileiro deve ser brasileiro antes de tudo, quer seja pernambucano, quer seja paulistano. Para o verdadeiro brasileiro o nome “brasileiro” é mais doce, mais precioso do que qualquer nome regional como paulista, pernambucano, riograndense, etc.
Devia ser assim com as diversas denominações. Creio que as denominações tem razão de ser. Porém o “Reino de Deus” é maior do que qualquer denominação e seus interesses são maiores. O nome cristão é mais doce mais significativo, mais simpático do que qualquer nome particular. E a denominação que procure somente o seu próprio desenvolvimento, não o alcançará e servirá de tropeço e impedimento ao progresso e desenvolvimento do Reino de Deus. A oração de cada denominação deve ser “venha o teu Reino”.
Julgo porém possível uma união Interdenominacional sobre esta base de “submeter todos os interesses particulares aos interesses do “Reino de Deus”, sabendo que, por este modo de proceder, cada denominação vai alcançando o seu maior progresso e que o Reino vem vindo em toda a sua extensão. Se é possível haver uma união de estados com interesses tão diferentes como temos aqui no Brasil, como não podemos ter uma união das diversas denominações sobre a base acima referida? Creio que é possível. Sejamos pois primeiramente cristãos.
 

Abaixo temos a opinião do Rev. Álvaro Reis (foi pastor da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro), não podia escrever em O Estandarte por causa de suas desavenças com o Rev. Eduardo Carlos Pereira, então ele escreveu sobre o assunto em o Puritano, a sua opinião. O editor de O Estandarte, assim se expressa sobre a opinião do Rev. Álvaro Reis: “Num artiguetezinho intitulado “Fraternidade”, entre outras coisas, assim se expressa sobre o a assunto em discussão”:

Rev. Álvaro Reis[6]
 
Mas, uma vez que esta obra de fraternização toma impulso – desejamos fazer um pedido aos nossos colegas de imprensa e é: - para que não nos provoquem a discussões interdenominacionais, e especialmente sobre o batismo e Santa Ceia. Nós absolutamente não desejamos discutir: - mas, provocados, não nos é possível silenciar. Portanto, por amor à propaganda e boa fraternidade, pedimos aos colegas da imprensa que não se dirijam a nós, direta ou indiretamente, a respeito dessas questões interdenominacionais. E em nome de Cristo – desde já nos confessamos gratíssimos. Álvaro Reis.
         A resposta de Salomão Ginsburg a Álvaro Reis foi de uma infelicidade total, a ponto de ele supor que os únicos leias a Cristo e à Bíblia eram os batistas, o que gerou uma outra resposta de O Estandarte ao  Jornal Batista e ao pastor Salomão como veremos mais abaixo. A resposta do pastor S.L. Ginsburg a Álvaro Reis foi a seguinte:
 
A esta declaração de nosso exigente colega só diremos o seguinte: Na última Convenção dos Batistas do Sul da América do Norte apareceu uma significativa divisa destacada em letras garrafais sobre uma das paredes e que foi muito apreciada, pois expressava perfeitamente o sentimento do povo batista espalhado pela superfície da terra. Esta divisa dizia assim: “FRATERNIDADE É COISA MUITO BOA, PORÉM LEALDADE A JESUS É MUITO MELHOR”. Os batistas brasileiros apoiam este sentimento de todo coração. A “fraternidade que mesmo de leve os obrigue a deslealdade para com o Mestre, a sua doutrina, os seus mandados, não terá aceitação entre nós – Salomão Luis Ginsburg.
 
O jornal O Estardarte transcreveu o editorial acima do pastor Salomão Ginsburg, a abaixo dá a sua opinião sobre o que disse o missionário:
 
Como se vê, o Rev. Salomão L. Ginsburg apresenta as diversas opiniões e faz uma ligeira crítica de cada uma, não concordando com algumas delas, no que está no seu direito. Duas coisas queremos notar. A primeira é que a união que almejamos não é a união orgânica, mas a união dos corações no amor cristão. Isso será um grande passo e produzirão respeito mútuo. O segundo ponto que queremos mencionar é que o irmão Salomão, como fez em artigo anterior, parece dar a entender que lealdade a Cristo é peculiaridade da denominação batista. Permita o ilustre irmão que reclamemos também para nós o requisito. União e cooperação com sacrifício da lealdade a Cristo não a desejamos. Nem a desejam os crentes sinceros de qualquer denominação.
 
         Podemos ver que quando alguém mexe na questão doutrinária os ânimos se acirram e a conversa passa a ser discussão. Não há como haver essa cooperação quando existem tantas diferenças e tantos interesses em jogo.
 
Conclusão:
         Somos humanos e por isso cometemos erros e o principal deles é o egoísmo. Cada um quer ter a hegemonia, quer ser o maior, quer controlar os demais. Não há como haver cooperação dessa forma. Na realidade nunca haverá tolerância entre as religiões, isso é impossível! Principalmente porque o cristianismo não é tolerante. Jesus nunca aceitou uma pessoa tornar-se cristã sem mudar. “Vai e não peques mais” era a orientação de Jesus. Vem como estás, mas mude a sua vida para glória de Deus, abandone os ídolos, abandone a velha vida, a velha natureza pecaminosa, santifique-se e “terás um tesouro no céu”.
         Assim também é entre as denominações. Há muitos interesses, muitos entendimentos diferentes, doutrinas divergentes, acusações de ambos os lados. Tudo isso mina qualquer tentativa de cooperação mútua e muito menos orgânica.


[1] Arthur Beriah Deter – Missionário batista Norte Americano, um dos fundadores da PIB de Curitiba.
[2] Eduardo Carlos Pereira – Intelectual, gramático, pastor da Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo e líder principal do movimento que dividiu a IPB em 31 de julho de 1903.
[3][3] Rev. Vicente do Rego Themudo Lessa – O maior historiador da Igreja evangélica brasileiro. Em 1938 escreveu sua obra magna Anais, à partir da qual, todo historiador posterior a ele bebeu em sua fonte. Themudo Lessa foi pastor da IPI em São Luís, MA, de 1907 a 1912. 
[4] Dr. W.A. Waddel – À época era presidente do Collegio Mackenzie, depois veio a ser a Universidade Presbiteriana Mackenzie - UPM
[5] A. B. Langston (Alva Bee Langston), Tinha 31 anos de idade, em 1909, quando foi nomeado pela Junta de Richmond missionário batista, tendo vindo para o Brasil. Tornou-se Professor do Colégio Batista do Rio e também do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. Foi Pastor de diversas igrejas batistas do Rio de Janeiro. Exerceu esta atividade de Pastor e também de Professor até 1936, quando tinha 58 anos de idade. Faleceu em 1965,com 87 anos.
[6] Rev. Álvaro Reis - Foi pastor da Igreja Presbiteriana do rio de Janeiro. Autor e editor da Revista das Missões Nacionais. Combateu fortemente o movimento de separação da IPB quando houve a criação da IPI. Ele foi adversário do Rev. Eduardo Carlos Pereira e contrário às suas posições sobre a maçonaria.