sábado, 9 de setembro de 2006

“O BARÃO DE ARARUNA” E OS POLÍTICOS DE HOJE.

Por Rev. João d’Eça Assistindo a um dos capítulos da novela “Sinhá Moça” da Rede Globo de televisão, vi um personagem muito interessante, o “Barão de Araruna”. A novela é ambientada no século XIX onde os “coronéis” mandavam e desmandavam, mandavam prender e mandavam soltar, desterravam pessoas, adversários políticos, quem os contrariassem e até os padres tinham que “rezar pela sua cartilha”, caso contrário, eles usavam a sua influência com o Bispo para mandar o “frei” para outro lugar. Ainda temos hoje os “coronéis” da política brasileira, e eles estão principalmente aqui no Nordeste brasileiro, também mandam e desmandam. Controlam prefeitos, senadores, deputados, políticos em geral e lideranças de comunidades longínquas e das Capitais dos Estados. O mesmo poder exercido pelos antigos “coronéis” da política dos idos de 1850, é exercido hoje pelos oligarcas modernos, guardadas as devidas proporções, porém a busca desenfreada pelo poder, a eliminação dos seus adversários e o tráfico de influência para se locupletar, existem hoje da mesma forma. O “barão de Araruna” age com dois pesos e duas medidas. Por um lado ele faz um mal terrível. Persegue pessoas, determina o destino dos que se levantam contra ele, age como um déspota com a linda esposa e com a filha, defende criminosos que estão ao seu lado e persegue gente inocente, acusando-as de criminosos só porque ousam lhe contrariar. Ao mesmo tempo usa de algum tipo de benevolência para com os seus escravos e para aqueles que estão ao seu serviço, para parecer altruísta diante deles ou dos outros, mas o que ele quer mesmo é posar de bonzinho, porque já vislumbra a chegada do Sistema Republicano é quer garantir os votos daqueles que foram vítimas de sua “jogada” política. Quando for preciso irá cobrar os dividendos daquilo que fez. Eu reconheço essa prática em muitos políticos contemporâneos. Eles fazem do mesmo jeito. Ainda outro dia fui procurado por um cabo eleitoral de um determinado candidato que até algum tempo atrás era feirante e agora é dono de um patrimônio digno de um “Kalifa de Bagdá”, sendo que o mesmo até hoje só foi Parlamentar e nunca exerceu um mandato no Executivo, no entanto ficou milionário em pouco mais de 20 anos. Esse meu amigo pediu que eu votasse no seu candidato e quando lhe disse que votar naquele homem era uma declaração tácita de ignorância política, porque eu conhecia a sua trajetória como parlamentar e conhecia também os crimes por ele praticado no exercício do mandato, o meu amigo, na tentativa de me convencer que o seu candidato era “gente boa”, que inclusive fazia o bem pra muita gente, pra muitas comunidades carentes com dinheiro do seu próprio bolso, eu dei uma gargalhada e disse-lhe que o bem que ele fazia para essas comunidades carentes, visava muito mais o seu próprio benefício, do que o benefício das comunidades. Se ele gasta 100 ou 200 mil Reais por mês com esse trabalho, já desviou 20 ou 30 vezes mais para o seu próprio bolso. O que ele faz, ou é para desencargo de consciência ( O que não acredito. Essas pessoas não tem consciência), ou é para parecer bonzinho e altruísta, para garantir votos na próxima eleição. Em resumo, eles só fazem o bem para alguém, quando esse bem lhes beneficia mais do que beneficia as pessoas que estão sendo atingidas. Vejam se esse não é o retrato exato do “barão de Araruna” personagem de mais de 150 anos atrás, mas que está tão vivo hoje nas atitudes e procedimentos dos políticos brasileiros, “Mensaleiros”, “Vampiros do Orçamento” e “sanguessugas” (Prov. 30:15). As mesmas práticas da época dos “coronéis” estão mais vivas do que nunca hoje. Aqueles que deveriam lutar pelo desenvolvimento do país, que deveriam promover o bem do povo, não com políticas de “esmolas”, assistencialismo através de “bolsas isso ou aquilo”, mais de Infra-Estrutura de Saúde e Educação, de abertura de Estradas, de desenvolvimento agrícola e de desenvolvimento científico. Deveriam ser patriotas a gerar oportunidades para que o povo brasileiro mostre o seu valor para o mundo. Infelizmente os nossos dirigentes políticos fazem tudo isso, mas só a nível pessoal. Mandam seus filhos para as melhores escolas daqui e de outros países (investimento em Educação), pagam os mais caros Planos de Saúde para si e para as suas famílias (Investimentos em Saúde), abrem estradas que vão facilitar o escoamento da produção de suas Fazendas, ou que facilitem o acesso aos seus sítios e mansões (Investimentos em Infra-estrutura). Sim queridos leitores, nós estamos alimentando esse tipo de gente quando votamos neles em troca de alguma benesse pessoal. Quando eles estão acostumados a fazer assim antes do pleito, já estão pagando pelo voto e com isso estarão descompromissados com aqueles que lhes venderam o voto, ai vão se locupletar. Essa é a hora de mostrarmos o que queremos. Queremos viver debaixo da chibata dos “coronéis”, ou queremos mudanças para melhor na sociedade? Reflita. Para saber mais sobre a vida de políticos: http://noticias.uol.com.br/fernandorodrigues/politicosdobrasil/ Para conhecer a Declaração de Renda dos Candidatos a Federal: http://perfil.transparencia.org.br/

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