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ACERCA DA JUSTIFICAÇÃO - PARTE III - FINAL

Continuação e Final.

Salvação: Somente pela fé, sem a necessidade das obras

A afirmação é de que a justificação não deixa espaço para qualquer participação humana. Assim como os israelitas não desempenharam qualquer papel na sua própria libertação do exército de Faraó no Mar Vermelho, do mesmo modo a revelação da justiça de Deus para nós nestes últimos dias, é um ato soberano de Deus. Este novo e glorioso êxodo foi realizado sem a participação de nossos possíveis méritos, nossas boas obras, ou a nossa santificação, que mesmo no seu melhor, não pode nos fazer bons aos olhos de Deus. "Afirmamos que o homem é justificado pela fé sem as obras da Lei". (Rom. 3:28; 11:6; Gal. 2:16).

O homem não tem participação na salvação, o único meio pelo qual o pecador pode receber esta justiça é pela fé. Essa justiça foi realizada por meio de Jesus Cristo e é só nele que podemos descansar e receber essa justiça. O arrependimento, o amor, a obediência ao evangelho, os frutos do Espírito - nenhuma destas coisas são o instrumento pelo qual recebemos a Cristo e Sua justiça. Embora sejam as provas necessárias e os frutos da justiça.

Em Filipenses 3:6-9 Paulo afirma que “quanto à justiça que há na lei, ele era irrepreensível”. No entanto, as coisas que “ele ganhou, ele considerava como perda por amor de Cristo. Ele desejava ser achado nEle, não tendo a justiça derivada da Lei, mas a que é pela fé em Cristo, a justiça de Deus que tem como fundamento a fé."

Uma vez justos e pecadores

Desde que a justiça de Cristo não está dentro de nós, mas fora de nós, Lutero acertou ao falar do crente como alguém que é ao mesmo tempo, justo e pecador (simul justus et peccator). Aqui Lutero está reiterando a doutrina de Paulo: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, quando éramos ainda pecadores”. ( Rm 5:8) .

"Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça." (Rm. 4:4-5).

Lutero não queria dizer que um cristão pode se desculpar das suas deficiências na área da santificação. Na verdade nós devemos lamentar uma fé fácil que dá a impressão de que seguir Cristo é desnecessário, que, se você "fez uma oração de entrega", está eternamente seguro não importa como você viva.

Porém é preciso tomar cuidado aqui. Em nosso zelo por combater antinomianismo não vamos subestimar a maravilha da graça de Deus. Deus justifica o ímpio. Se a justificação está condicionada à realização de um certo grau de santidade, a graça já não é graça. A frase de Lutero destina-se a nos lembrar que não importa o quão piedosos possamos nos tornar através da santificação progressiva, ainda assim somos pecadores, (1 Cor . 01:30 ; 2 Cor . 5:21; Fil. 3:9).

A verdade divina da justificação pela fé, independente das obras, tem sido atacada desde o início, com o fundamento de que enfraquece qualquer motivação para a obediência e dá aos homens uma licença para pecar. Paulo enfrentou essas críticas dos judaizantes nos seus dias. E a resposta de Paulo ainda é válida: somente quando o glorioso evangelho da graça tem pleno domínio dos nossos corações, ai é que é derrubada a nossa justiça própria, levando-nos a fome e sede de justiça, só então iremos começar a crescer na santificação com Cristo e na obediência ao Evangelho.

A justificação pela fé somente, significa que a justiça não é obtida por nós. Como não há justiça em nós, ela tem de vir de fora de nós mesmos, para poder ser aceitável aos olhos de Deus. Graças a Deus por Seu dom gratuito da graça, uma oferta abundante de justiça para os injustos.

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