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SEMANA DA REFORMA – ERASMO DE ROTERDÃ E A TRADUÇÃO DO NOVO TESTAMENTO





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Rev. João d’Eça







Introdução



         À partir do ano que vem, 2016, comemoraremos o 5º centenário da publicação da tradução do Novo Testamento feito por Erasmo de Roterdã.



Seu nome de batismo era Erasmo Desidério, mas ficou conhecido no mundo todo como Erasmo de Roterdã, por ter nascido na cidade holandesa de Roterdã. Ele veio a ser o maior humanista do seu tempo e talvez de todos os tempos.



Erasmo dedicou a sua vida inicial à carreira eclesiástica e fez votos monásticos, mas que depois os renunciou, conservando-se porém na igreja de Roma, onde exerceu cargos de confiança, chegando mesmo a ser agraciado pelo papa Paulo III com o chapéu cardinalício, o qual recusou prontamente.



Primeiros anos e estudos



         Erasmo iniciou os seus estudos em Paris e em Bolonha (1506) foi nomeado Doutor em Teologia. Manteve amizades e companheirismo com os mais poderosos homens de seu tempo: Na Inglaterra cultivou a amizade de John Colet e Thomas More, autor de Utopia. Foi favorecido por reis como Henrique VIII e Carlos V e ganhou a simpatia do papa Leão X, Paulo III e outros. Erasmo mantinha correspondências com reis e príncipes, com sábios e altos dignatários da igreja romana. Foi professor nas universidades de Oxford e Cambridge. Publicou e editou muitas obras.



Erasmo e a Reforma



         Erasmo de Roterdã contribuiu para a Reforma e muito lutou por ela. Suas sátiras contra os frades e contra os abusos eclesiásticos, e o seu reconhecimento das Escrituras Sagradas como padrão da doutrina e da fé, muito o recomendaram. Erasmo não ficou muito impressionado com Lutero, não aceitou a ideia de pecado e via o cristianismo como um sistema de moral, nada mais que isso. Faltava para Erasmo a coragem e o ardor de Martinho Lutero, e, por esta razão, ele foi se afastando cada vez mais do movimento Reformado, mesmo tendo se empenhado por ele no início.



A melhor contribuição de Erasmo para o movimento da Reforma, foi sem sombra de dúvida, a sua tradução do Novo Testamento. Ele dedicou-se com muito empenho ao estudo do grego em Oxford, em 1496 e depois tornou-se professor de grego em Cambridge. Quando estava em Paris, dedicou-se igualmente aos estudos, dando a maior parte de seu tempo.



O seu trabalho de composição



         Erasmo de Roterdã descobriu o manuscrito Annotationes ao Novo Testamento, escrito por Lorenzo Valla[1] uma comparação da Vulgata Latina com o texto original grego. Lutero ficou interessado pela obra e aconselhado por Christopher Fisher, resolveu publicá-la. Em 1506 voltou novamente a Inglaterra e por insistência de John Colet começou a fazer a tradução latina do original grego do Novo Testamento. Não sabemos ao certo quando foi que ele começou a fazer a edição grega, talvez posteriormente, quando esteve de novo na Inglaterra.



Erasmo preparava a sua obra no mesmo tempo em que o cardeal Ximenes preparava a sua Bíblia triglota, conhecida como Complutensis. Essa obra continha o texto grego da LXX ao lado do texto latino da Vulgata, e foi publicado em 1514, porém a obra completa só foi publicada em 1522. Por insistência do editor de Erasmo, Froben, da Basiléia que queria se antecipar à publicação de Ximenes, Erasmo publicou a sua obra em 1516, há exatamente 499 anos.



O trabalho de Erasmo foi primoroso e elogiado pelas maiores mentes de sua época. Ele usou quatro manuscritos da ordem dos minúsculos ou cursivos. Ao lado do texto grego publicou em colunas paralelas a sua tradução latina, na qual se afastou um tanto da Vulgata. A obra continha uma dedicatória a Leão X, o papa reinante. A obra continha cerca de 1000 páginas, incluindo anotações. O Trabalho foi elogiado por uns e criticado por outros. Houveram outras edições em 1519, a terceira edição em 1522, a quarta em 1527 e a quinta em 1535. De todas estas edições a mais notável foi a quarta. Todas as edições foram publicadas por Froben, na Basiléia.



Lutero usou a obra de Erasmo em sua segunda edição para fazer a sua tradução da Bíblia para o Alemão. A quarta que o autor corrigiu pela Complutensis, cujo texto era superior quanto ao valor crítico, veio mais tarde a servir de base ao famoso Textus Receptus. Depos disso houve as edições de Stephens (Étienne), famosos impressor francês, cuja 3ª edição de Paris (1550) recebeu o nome de Editio Regia.



Muitas outras edições surgiram naquele período, dentre elas as de Theodor Beza e as de Elzevirius, das quais surgiram o Textus Receptus, que se baseia na edição de Erasmo. O Textus Receptus rapidamente tornou-se popular e muitos a consideravam como texto autentico.



Conclusão



A Reforma, portanto, precisou do trabalho de Lutero e do impressor Froben, pelo magnífico trabalho que realizaram na época em que viveram. Foram usados por Deus para a realização de uma obra de enorme valor para o nascimento do movimento de Reforma da Igreja de Cristo na terra.



[1] Lorenzo Valla (14071 de agosto de 1457) foi um escritor, humanista, retórico e educador italiano. Célebre por sua aplicação dos novos padrões humanistas de crítica a documentos usados pelo Papado em apoio de seu poder temporal. Em 1440 publicou o seu panfleto contra a Doação de Constantino, que provou efetivamente que o famoso documento, pelo qual a autoridade imperial romana teria sido transmitida ao Papado, era espúrio. Valla foi também um filósofo de prestígio, e preocupado, com sua maestria lingüística, em que não se perpetuassem antigos erros decorrentes de traduções defeituosas de Aristóteles e da Bíblia.

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