sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

NOVO "CANUDOS"

Em 1913, um artigo do renomado Natanael Cortez, foi publicado no jornal Norte Evangélico e depois reproduzido em 12 de fevereiro de 1914 em O Estandarte. 

Nesse artigo, Natanael Cortez, que foi presidente do Supremo Concílio da IPB (1946) e que conheceu o famigerado padre Cícero e que inclusive almoçou com ele na sua casa, conforme conta em seu livro Os dois Tributos (1965), e que conta o encontro à pag. 109.

No seu artigo, Natanael Cortez, menciona a obra de um padre, intitulada Juazeiro do Cariri, do padre Alencar Peixoto, em que mostra a crueldade, a maldade, do criminoso do nordeste, o padre Cícero, que deu a patente de Capitão ao assassino Lampião e que até hoje não é reconhecido pelo Vaticano como "santo", inclusive está excomungado.

Para uma legião de miseráveis de pelo menos 7 dos nove estados do nordeste, ficando de fora somente o Maranhão e o Piauí, o padre Cícero é um santo, e mesmo a igreja romana o excomungando, engana o povo e lucra milhares de Reais por ano com a sua festa no Juazeiro do Norte - CE.

Eis o artigo de Natanael Cortez:

NOVO CANUDOS

         Vai se realizando, a pretexto de política, o que era esperado havia muito no Ceará. Disse vezes diversas e ouvira outrem: O padre Cícero pretende imortalizar o seu nome no mesmo gênero de coisas que Antônio Conselheiro. Há mais de vinte anos que o astuto inaciano do Juazeiro prepara-se a fim de levar a efeito o seu ideal.

         Abalou as massas incultas e por isso mesmo de pendor acentuado às crendices e embustes grotescos, dos sertões baianos, alagoanos, rio-grandenses, pernambucanos, paraibanos e cearenses, ilaqueando a boa fé de todos com supostos e falsos milagres por si e pela demoníaca Maria de Araújo praticados.

         Acumulou grande fortuna, porque quem o procurava tinha de lhe oferecer a melhor parte de seus haveres, afim de ouvir um bem-vindo dos seus lábios enganadores de velho Jesuíta.

         O Juazeiro fez-se uma das cidades mais populosas das mais retrógradas do Ceará. Mais de vinte mil ignorantes, miseráveis e cegos são seus habitantes.

         Para ter-se uma “vaga ideia da realidade apontada em suas feições essenciais” referente ao antro do padre Cícero Romão Batista, basta ler o Juazeiro do Cariri, obra que ora sai à luz da publicidade, escrita por um que como o aludido caudilho, enverga a sotaina: o padre Alencar Peixoto.

Eis um trecho do apontado livro:

       “O padre Cícero, arvorado em capitão de infames, de bandidos e celerados, que lá os vi e lá os deixei, armados dos pés à cabeça, e pervertendo, e furtando, e roubando, e afinfando, e espancando, e esfolando, e assassinando, e matando, como um tal José Pinheiro, de senia com outros de sua catadura, em plenas ruas do povoado, e sem a menor repressão por parte das autoridades; o padre Cícero, arvorado em capitão de infames, de bandidos e celerados, iniciara o movimento (anormal) e dera à audácia nunca imaginadas proporções.
       As vítimas que fugiram aos vândalos que saquearam e devastaram a Aurora (então uma das vilas mais florescentes deste Estado) e que lhes levaram a morte pendente de quatrocentas forças de rifle, e porque clamavam umas, e, direito que lhes assistia, protestaram outras com a maior das violências que já se viu no foro do Cariri – a da demarcação, à força de armas, de área coxá, onde se acham encravadas as tais minas de cobre que tão somente para si ambiciona aquele padre; elas, as pobres vítimas indefesas, que o contem, que o digam, que não eu.”

- Tão grandes exemplos de maldade e banditismo, vindos de tão alto, de um anjo e mensageiro da paz como assim chamavam ao velho padre, não podiam deixar de, pela força de sua reflexão, influir, pois, desgraçadamente, nos destinos daquele povo.

         Enquanto as forças competentes dormiam o sono letárgico e maldito do indiferentismo, sorrateiramente o aludido fascinador construía uma fortaleza a que denominava de igreja, abria subterrâneos, arranjava trincheiras e por via diferentes se premunia de todo o material bélico, necessário à campanha dos anelos.

         O governo do Estado, longe de tomar as medidas necessárias para debelar o embusteiro, julgou indispensável a sua influência na política estadual e fez-se o padre Cícero terceiro vice-presidente do Ceará: estava conquistada a simpatia não só da plebe, senão também de vultos políticos a quem é justo regatear mérito.

         Ultimamente os ventos políticos tem se convertido em furacões raivosos e convulsivos da energia humana: era bastante asado o momento: o padre pôs nas mãos dos seus beatos o rifle e ameaça de deposição o atual governo deste Estado.
        
         É calamitosíssima a situação em que se acha a decantada terra de Iracema. A 12 do corrente mês seguiu com destino ao Juazeiro todo0 o batalhão militar.
                 
         Já tinham seguido oitenta praças a unir-se a duzentas que destacavam no Crato. Mais trezentos voluntários já seguiram e disciplina-se um novo batalhão patriótico de quatrocentos homens. Imenso terror assalta a família cearense. É mesmo um novo Canudos!

         Que Deus olhe para este estado de coisas, sejam as ferventes preces dos fieis crentes em jesus, que lerem estes rabiscos.

         Fortaleza, 17 de dezembro de 1913.

         Natanael Cortez

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

AVALIAÇÃO DO VÍDEO ABAIXO.

Recebi um vídeo de uma pessoa amiga que mostrava um menino de uns 10 a 12 anos em uma igreja, que na hora de uma reunião daquela igreja, que não fica claro se era um culto, um encontro informal ou uma reunião de oração.

O fato é que o menino começa a balbuciar palavras como se Deus o estivesse tomado naquela hora para entregar uma mensagem à igreja. 

Apropriadamente alguém estava filmando e a mensagem foi posta na Net e ai passou a ser uma mensagem a quem ver o pequeno vídeo, ou seja, a todos que assistirem.

Quando recebi o vídeo, agradeci e disse que iria avaliar. A primeira reação da pessoa que me enviou o vídeo foi de espanto: “Avaliar?”. Eu disse “sim, avaliar”, para “saber se a manifestação é humana, doentia ou diabólica...” e completei: “mas uma coisa fica clara, divina não é!”.

A pessoa me perguntou: “como assim, não é divina?” Então eu disse que iria avaliar e que iria publicar na Net, no Whatsapp e no Facebook a minha avaliação, que é o que faço abaixo:

Avaliação do vídeo.

Em primeiro lugar a reação de espanto da irmã não se justifica, porque a Escritura Sagrada diz em I João 4.1: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas tem saído pelo mundo fora.”

Só esse texto já nos exorta a fazer avaliações a não acreditar em qualquer coisa que vemos ou ouvimos. O padrão de avaliação é a Escritura Sagrada, a palavra de Deus inspirada. Tudo que contraria a Escritura Sagrada tirando ou acrescentando algo, deve ser considerado herético, é o que nos diz a Palavra de Deus em Apocalipse 22.18: “...Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhes acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer cousa das palavras do do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das cousas que se acham escritas neste livro.”

Entendem errado, os que alegam manifestar os mesmos dons extraordinários dos apóstolos, hoje. O texto que fala da manifestação desses dons extraordinários pelos apóstolos tinha como propósito o testemunho da confirmação da Palavra de Cristo por meio dos apóstolos a nós, isto é, atestar a doutrina apostólica como a própria Palavra de Deus.

Os milagres e os dons extraordinários do Espírito não eram para todo o tempo, mas para a era apostólica; esses dons extraordinários estavam ligados pela vontade divina ao ofício de apóstolo, para que eles pudessem confirmar a Palavra que os apóstolos traziam (I Co. 12.10; Mc. 16.20; Atos 14.3).

Vamos ao vídeo: 

Parece que em uma reunião de oração, com pouca gente, parece não haver mais do que 15 pessoas no culto, um menino de repente se levanta do seu lugar onde estava orando e começa dizer um monte de coisas como se fosse o próprio Deus falando através dele, àquela comunidade.

A pessoa que gravou o vídeo, parece ter iniciado depois que ele começou a falar e não gravou o início da fala. O que o menino diz é muito importante para essa avaliação: 

Ouvindo bem, antes de se levantar, ele diz:

- “.... apascentar Jerusalém. Agora eu quero ver quem são os fiéis de verdade.”

Há um momento de emoção de outras pessoas e não se ouve o que ele diz até que ele se levanta:

- “... porque quem manda na igreja sou eu... quem manda na minha igreja sou eu, eu sou o senhor (...) eu sou o único, o poderoso, eu sou o alfa e o ômega e não há outro além de mim. Eis que satanás está preparando uma grande peleja para a igreja do Senhor. E em nome de Jesus eu peço que o meu povo, o povo de Deus se prepare, porque eis que eu o senhor vou voltar, e antes disso o satanás vai preparar armas, durante isto o satanás vai preparar acareações, e eu o senhor teu deus, mando avisar durante este culto, que eu o senhor teu deus vou voltar, e eu o senhor quero preparar a igreja para as acareações do inimigo... o inimigo está furioso com a igreja do Senhor. O inimigo ele quer derrotar a igreja, ele quer cada vez mais ganhar almas para o reino dele. E, eu, o senhor teu deus, os alerto, que se prepare... prepare o teu coração a igreja do senhor, prepare os teu pés, eis que estou enviando lâmpada para os pés do crente... eu o senhor teu deus estou enviando anjos para guardar os que realmente querem “coisa” comigo. Eu o senhor o deus todo-poderoso estou guardando a minha igreja, mas tem um porém, eu sou amor e sou justiça eu só guardo os que realmente querem “coisa” comigo. Aleluia.... ai começa balbuciar os “cantaralabachuria” conhecido de todos.

Nesse momento o vídeo termina com o menino se dirigindo a uma mulher nos fundos do templo, a mais emocionada de todas e junto com ela, balbucia outras palavras desconexas e sem sentido; até que ele volta ao lugar de onde estava repetindo as mesmas coisas que começou a falar no início, até que se cala.

Já que a mensagem era para uma suposta igreja incrédula, por que ele não se dirigiu às pessoas que não estavam orando, e foi diretamente para aquela mulher, que como ele, estava dominada pelo emocionalismo?

Análise do vídeo:

“.... apascentar Jerusalém. Agora eu quero ver quem são os fiéis de verdade.”

Para mim, esse deus que supostamente toma o menino é um deus impotente, que não conhece os seus fiéis, e é pego de surpresa com a incredulidade da igreja.

Em João 10. 14, 15, Jesus diz: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas...”

Em um outro trecho das palavras do menino ele diz: - “... porque quem manda na igreja sou eu... quem manda na minha igreja sou eu, eu sou o senhor (...) eu sou o único, o poderoso, eu sou o alfa e o ômega e não há outro além de mim.

Onde está a relevância dessas palavras já que elas estão na Bíblia... será necessário o Senhor vir lá do céu para dizer o que ele já colocou em sua palavra, acessível a todos?

Na Escritura Sagrada, quando o rico pediu ao pai Abraão que fosse na casa dos seus parentes e lhes dizer sobre o terrível fogo do inferno: “...Pai, eu te imploro que o mandes a minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão: Eles tem Moisés e os profetas; ouçam-nos.”

Moisés e os profetas é exatamente a Palavra de Deus, as Escrituras Sagradas, que para os judeus da época de Cristo era dividida assim Moisés (o pentateuco) e os profetas (todo o restante do Antigo Testamento).

Em outro trecho ele diz: - “Eis que satanás está preparando uma grande peleja para a igreja do Senhor. E em nome de Jesus eu peço que o meu povo, o povo de Deus se prepare, porque eis que eu o senhor vou voltar, e antes disso o satanás vai preparar armas, durante isto o satanás vai preparar acareações, e eu o senhor teu deus, mando avisar durante este culto, que eu o senhor teu deus vou voltar, e eu o senhor quero preparar a igreja para as acareações do inimigo...”

Eu pergunto: Quem não sabe disso? Não é esse o ensino que todas as igrejas estão passando aos seus fieis semanalmente? Ou isso é alguma novidade?

No trecho supostamente [Deus] “pede em nome de Jesus”. Essa é uma teologia pobre. “E diz que ele vai voltar”; A Escritura já não diz isso? E que satanás está armando armas contra a igreja? Isso é novo? É relevante? Será que o povo de Deus não lê a Bíblia, para [Deus] ter de vir lá do céu e usar uma criança para dizer o que o povo já sabe? Se Deus já nos preparou através da Bíblia, para que ele precisaria vir e dizer de novo? A Bíblia falhou?

Em outro trecho o menino diz: “... o inimigo está furioso com a igreja do Senhor. O inimigo ele quer derrotar a igreja, ele quer cada vez mais ganhar almas para o reino dele. E, eu, o senhor teu deus, os alerto, que se prepare... prepare o teu coração a igreja do senhor, prepare os teu pés, eis que estou enviando lâmpada para os pés do crente...”

Precisa comentar isso também? Acho que não!

Em outro trecho, diz: “... eu o senhor teu deus estou enviando anjos para guardar os que realmente querem “coisa” comigo. Eu o senhor o deus todo-poderoso estou guardando a minha igreja, mas tem um porém, eu sou amor e sou justiça eu só guardo os que realmente querem “coisa” comigo. Aleluia.... ai começa balbuciar os “cantaralabachuria” conhecido de todos.”

A pergunta é: Que “COISA” é essa? Será que o Senhor mandaria uma mensagem ambígua? De duplo sentido, ou que caiba o sentido que qualquer pessoa der.

Conclusão:

Disse que a minha avaliação seria detectar que essa mensagem poderia ser “humana”, “doentia”, ou “diabólica”, e disse que ela não era “divina”, isso eu continuo afirmando.

- É diabólica? – Não é diretamente! Mas satanás pode usar essa mensagem para confundir e desvirtuar a igreja. Dependendo do resultado da reação e da receptividade da igreja, ela pode ser afetada diretamente pelas artimanhas do inimigo: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar;” (I Pd. 5.8).

- É doentia? – Pode ser que essa criança já esteja sofrendo psicologicamente! Seus pais, o seu pastor, devem orientá-lo acerca disso e mostrar na Bíblia a impossibilidade de ter sido Deus que o tomou extaticamente. Infelizmente parece que a reação da igreja é de alimentar essa situação.

- É humana? - Com certeza é. Tudo indica que o menino já viu essas coisas em outros momentos e está somente reproduzindo o que já presenciou, e, num momento de comoção não conseguiu controlar a sua emoção. Outras manifestações pseudo-espirituais como o “cantaralabachúria” que ele fala no fim do vídeo, demonstram isso.

Minha conclusão final é de que esse vídeo mostra uma criança confusa, pressionada psicologicamente e que precisa urgentemente de ajuda especializada, ou tudo isso foi uma montagem de muito mau gosto.

Para quem acessar o vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=iqTdAORGZaY


segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

VAI 2014, CHEGA 2015

2014-2015[1]

Está quase na hora.... e vejo com fracasso plangente rolar pela ladeira íngreme da eternidade passada o ano de 2014.

Já não existe quase, pois vai desaparecendo para sempre por detrás do cenário da vida! Ele rola e desaparece, como um morto em sua cova, levando consigo mais uma parte da nossa existência efêmera, como a da erva, tenebrosa, muitas vezes, como as brumas da noite em pleno oceano, enfadonha como a dos viajantes entre as avalanches dos Alpes ou dos polos, e cheia de lágrimas, como são os campos cheios de orvalhos pela manhã.

Ele vai e nós o seguimos, pois na estrada da nossa peregrinação – eu vejo poucos passos além, um novo marco com esta inscrição: 2015!

E assim passa o tempo e assim se acaba a nossa vida, sem sabermos como, e assim desaparece tudo com a rapidez vertiginosa do vôo das Águias por sobre os Andes, ou da carreira do barco veleiro sobre no lago sereno, que reflete e a luz da lua. E assim desce mais uma vez o passo no proscênio da vida, e eu, involuntariamente triste, e involuntariamente comovido, digo: adeus 2014!

 Mas, “por que estás triste ó alma minha, e porque te conturbas dentro de mim?”[2]  Pois ali vem sair do seu Thalamo oriental o novo sol de janeiro, o astro rei de 2015, adornado de luz mais brilhante e mais vivificadora que a que viste esconder-se hoje em seu ocaso, mais pura que o ouro de Ophir, cercado de cortinas purpurinas, mais ricas que a dos palácios de Tiro.
Ei-lo ai vem, para iluminar o mundo e dar vidas aos homens.... e com toda e efusão do meu coração, curvando-me aos pés do meu Deus, saúdo o novo ano, o ano de 2015.

A terra começa a percorrer galhardamente a sua órbita, saudando em sua passagem Às constelações do zodíaco, os dias sucederão a outros dias, as semanas a outras semanas, os meses a outros meses e tudo se repetirá da mesma maneira, de sorte que se poderá dizer: Vês isto, é novo? Pois o que foi isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; mas entre toda essa sucessão invariável, uma cousa deve variar, uma coisa deve progredir, uma coisa deve viver – a nossa fé, a nossa caridade.

“Vejamos pois como andamos prudentemente, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus”[3]. Esquecemo-nos do que fica para trás, redobremos as nossas forças, como a da Águia, “cinjamo-nos de novo com toda armadura de Deus e comecemos de novo a correr com paciência a carreira que nos está proposta”[4], “correndo não como a coisa incerta, combatendo, combatendo, não como ferindo o ar, mas olhando para Jesus, príncipe e consumador da fé e lançando mão da vida eterna para a qual fomos chamados”.[5]

Maranhão, 31 de dezembro de 1895
Belmiro César




[1] Esse texto de autoria do Rev. Belmiro de Araujo César, foi originalmente publicado no dia 08 de fevereiro de 1896 no jornal O Estandarte, logo depois de ele ter chegado a São Luís para pastorear a IPB no lugar do Rev. Dr. George Butler. Foi mudada e adaptada a data de 1895-96 para 2014-2015.
[2] Salmo 42.11
[3] Ef. 5.15
[4] Ef. 6.13
[5] I Co. 9.24-26

sábado, 27 de dezembro de 2014

O MINISTRO DO EVANGELHO E O SEU AUDITÓRIO

O ministro pode dizer como João Wesley: “O mundo é minha paróquia.” Então a magnitude de seu campo servirá para estimulá-lo.

Pode admitir a modificação deste lema proposto por Dean Stanley: “Minha paróquia é meu mundo.” Então sentirá que todos os seus interesses intelectuais e espirituais se concentram sobre ela.

Pode finalmente reunir as duas máximas e procurar, com o tempo, abarcar o mundo em sua paróquia, estendendo pouco a pouco a esfera de sua atividade.

Entendendo que a sua paróquia é composta daqueles que assistem aos cultos e o escutam juntamente com os enfermos que não podem ir ao templo, interessa em alto grau o maior auditório que puder.

Sendo tantos os assuntos, se o indivíduo tem algo que dizer digno de ouvir-se, reunirá necessariamente seu próprio auditório. Que apresente a matéria de que se ocupa de uma forma exata e atrativa, e se aumentará insensivelmente o número daqueles que procuram ouví-lo.

Na pregação do Evangelho não se encontra nenhuma exceção a esta regra. Os exemplos de pregadores que estão inseridos nos locais onde pessoas humildes residem, conseguem reunir grandes congregações.

Quando Whitsfield visitou Londres, nenhum ministro o convidou para pregar em sua igreja. Ele então foi para o campo e milhares de pessoas o seguiram desejosos de ouvir a sua pregação, e entre eles homens como David Hume e Chesterfield.


O Evangelho, mais do que outro tema atrai multidões, quando apresentado de forma fiel e interessante. Não há outro assunto igual a palavra do Evangelho que seja capaz de atrair pessoas. Se os pastores estão tendo os seus auditórios diminuídos, a causa do mau êxito está no modo de expor o Evangelho. Muitas são as causas de auditórios diminutos, mas a razão determinante é a maneira pouco atraente em que o pregador apresenta o Evangelho. Uma pregação monótona, a falta de uma resolução firme para despertar o interesse de seus ouvintes, tem esvaziado os auditórios.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O "VALE-TUDO" PARA ENCHER IGREJA - PREGADORES CARNAIS ATRAINDO CARNAIS COM SUAS PREGAÇÕES CARNAIS.

VALE TUDO PARA ENCHER IGREJA?

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Rev. João d'Eça

“Se você utiliza-se de meios carnais para atrair os homens, você irá atrair homens carnais, e, terá de usar outros meios carnais para mantê-los na igreja." (Paul Washer).

O fato de a igreja está cheia, não significa necessariamente que é uma igreja bíblica, baseada numa pregação com base na Escritura Sagrada. 

Muitas igrejas cheias de homens carnais, pregando mensagens carnais, mas nessas igrejas também temos um pequeno grupo de pessoas que honestamente querem a Cristo e sua verdadeira Palavra. Eles desejam honesta e sinceramente ser transformados. Eles precisam de verdadeira adoração em suas igrejas, e as Sagradas Escrituras sendo pregada a eles. 

Os pastores brasileiros foram contaminados com um grande pecado. Esse grupo pequeno de pessoas convertidas nas igrejas locais, tudo o que eles querem é amar e obedecer a Jesus e fazer o que é correto segundo a Escritura Sagrada. Eles querem viver uma vida de pureza, eles querem a verdade, eles querem a Cristo. 

Muitos desses pseudo-pastores, para manter esse grande grupo de pessoas carnais, estão pregando o que eles querem ouvir, geralmente sermões recheados de receitas de auto-ajuda e preleção vazia de conteúdo bíblico. Quando eles alimentam esses homens e mulheres carnais com coisas carnais, estão deixando morrer de fome as ovelhas de Deus e ai eles terão de prestar contas ao Deus Vivo no dia do juízo.

A noiva de Cristo está sendo atacada por lobos vorazes, por malfeitores vestidos com capa de pastores e nós não podemos ser coniventes com eles, devemos denunciá-los e combate-los.... senão, quando o noivo voltar, ele punirá severamente os que atacaram a sua noiva e punirá também os que nada fizeram para impedir isso.

A maior parte da liderança evangélica no Brasil está servindo a pessoas carnais e deixam a noiva de Cristo sofrer com mentiras e espetáculos grotescos, pseudo-espirituais, mas que são a essência da carnalidade.... estes receberão o juízo implacável de Deus.

Muitos jovens crentes e sinceros gostariam de ouvir pregações expositivas da Bíblia, mas suas igrejas estão lhes oferecendo uma espécie de humanismo pagão, espetáculos circenses, sincretismo religioso, preleções de auto-ajuda “gospel”, ao invés de pregação bíblica verdadeira.


A Escritura diz para esses pilantras que se dizem representantes do evangelho, que se auto-denominam pregadores da Palavra... que seria melhor para eles, “que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar” (Mt. 18.6).

Termino com o que disse João Calvino:

"Se um cachorro ver o seu dono ser atacado, ele avança no agressor para proteger o seu dono... eu seria pior do que um cachorro, se visse a verdade de Deus sendo vilipendiada e ficasse calado."

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

31 de outubro de 1517 - DIA DA REFORMA PROTESTANTE


Hoje é o Dia da Reforma... em 31 de outubro de 1517, às 5 horas da manhã, Martinho Lutero afixou na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, as suas 95 teses. Foi o dia que marcou o retorno da cristandade à Palavra de Deus... Até então a Igrejas Católica Romana vinha atolada em corrupção, desmandos e imoralidades... O monge agostiniano, estudante em Erfurt, insatisfeito com a vida depravada do clero, começou a pregar sobre mudanças e sobre um retorno às Escrituras Sagradas. Deus levantou príncipes e prelados para o ajudarem politicamente, já que esses príncipes e prelados estavam insatisfeitos com o poder romano, na pessoa do papa Leão X, que para pagar as suas despesas pessoais de extravagância, convocou João Tetzel para sair pela Alemanha cobrando indulgências, que nada mais eram do que títulos de propriedade do céu e perdão definitivo de pecados.

Tetzel tinha um ditado que dizia: "Assim que a moeda tilintar no fundo do baú, mais uma alma sai do purgatório e voa para o céu"..... Lutero combateu esse abuso e muitos outros mais, e por esta razão foi convocado a uma reunião em Worms para renegar os seus escritos.... ele com muita coragem e determinação disse: "Não posso e não devo ir contra a minha consciência, se vocês me provarem pela Escritura Sagrada que eu estou errado, eu renego cada coisa que escrevi..."

O imperador Carlos V, juntamente com o clero, planejaram mata-lo, mas ele foi sequestrado por seus amigos antes e levado para o castelo de Wartburg onde passou 10 meses traduzindo a Bíblia para a língua do povo alemão... Esse ato causou a ira da igreja romana, que viu ai sua hegemonia desaparecer e tentaram a todo custo matar Lutero, não conseguindo por causa da proteção que ele recebia dos príncipes e prelados alemães, que queriam se ver livre da opressão papal.

Lutero casou-se com Katerina von Bora e com ela teve filhos. Escreveu mais de 60 mil páginas e dentre essas, várias obras de cunho religioso abordando temas teológicos e políticos/sociais que consolidou a Reforma na Alemanha, em toda a Europa e se espalhou pelo mundo inteiro.

Essa data é a segunda mais importante da cristandade, ficando atrás somente das comemorações do Natal que celebra o nascimento de Jesus, a encarnação do Verbo Divino. O dia da Reforma celebra o retorno do cristianismo à Bíblia Sagrada, ao caminho da Verdade, à liberdade de consciência e a uma consciência cativa à Escritura Sagrada, Palavra de Deus.

A Reforma Protestante de 31 de outubro de 1517 reformou não só a igreja, mas também a doutrina, a liturgia, a fé, a educação, a política, trazendo desenvolvimento para o mundo. O mundo de hoje deve à Reforma do século XVI o seu desenvolvimento e a sua cultura. As nações mais poderosas da terra surgiram à partir da Reforma: Estados Unidos, Canadá, a Inglaterra se consolidou como nação protestante e a Reforma empurrou as nações católicas a descobrirem o Novo Mundo.

O legado trazido a nós pela Reforma Protestante deve ser celebrado com honra e respeito. Os cinco “solas” [somente] da Reforma deve também ser o nosso lema de vida:

- Sola Fide [somente a fé];
- Solo Christo [somente Jesus Cristo];
- Sola Scriptura [somente a Escritura Sagrada];
- Sola Gratia [somente a Graça]
- Soli Dei Gloria [somente a Deus toda glória]

Que Deus seja louvado por intervir na história, levantando o homem Lutero para ser seu instrumento de transformação e retorno à Verdade.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A IGREJA É HIPÓCRITA POR CONDENAR A HOMOSSEXUALIDADE E NÃO O DIVÓRCIO?

A IGREJA É HIPÓCRITA POR CONDENAR A HOMOSSEXUALIDADE E NÃO O DIVÓRCIO?

Por

Kevin DeYoung 

Não é hipocrisia da parte dos cristãos que eles protestem tão ruidosamente sobre a homossexualidade quando o problema real do casamento nas nossas igrejas é o divórcio? Ao longo de muitos anos debatendo essas questões em minha própria denominação, frequentemente me deparei com a réplica do divórcio: “É fácil para você implicar com a homossexualidade porque esse é o problema na sua igreja. Mas você não segue os seus próprios princípios. Se você seguisse, estaria falando a respeito do divórcio, visto que esse é o maior problema nas igrejas conservadoras”.

Uma cortina de fumaça
Quando se trata de debater homossexualidade entre cristãos, a questão do divórcio é tanto uma cortina de fumaça quanto um incêndio. É uma cortina de fumaça porque as duas questões — divórcio e homossexualidade — estão longe de serem idênticas.

Para começar, não existem grupos em nossas denominações cuja razão de existência seja a celebração do divórcio. As pessoas não estão advogando por novas políticas nas nossas igrejas que afirmam o bem intrínseco do divórcio. Conservadores, na cultura e na igreja, continuam falando sobre homossexualidade porque essa é a linha de falha no momento. Nós adoraríamos conversar (e nós conversamos) sobre como ter um casamento saudável. A propósito, nós adoraríamos gastar todo o nosso tempo falando sobre a glória da Trindade, mas a batalha no momento (pelo menos uma delas) é quanto a homossexualidade. Então não podemos nos silenciar nessa questão.

O que também é muito importante, a proibição bíblica do divórcio explicitamente permite exceções; a proibição contra a homossexualidade não. A posição protestante tradicional, conforme afirmado na Confissão de Fé de Westminster, por exemplo, mantém que o divórcio é permissível com base em infidelidade conjugal ou a deserção de um cônjuge incrédulo (CFW 24.5-6). Embora a verdade seja que a aplicação desses princípios é difícil e a questão do recasamento após o divórcio fica ainda mais complicada, mas quase todos os protestantes sempre consideraram que o divórcio às vezes é aceitável. Em outras palavras, homossexualidade e divórcio são questões diferentes porque, de acordo com a Bíblia e a tradição cristã, aquela sempre está errada, enquanto esta não.

Por fim, o argumento “e quanto ao divórcio?” não é tão bom quanto parece, porque muitas de nossas igrejas levam o divórcio seriamente. Sei que muitas igrejas não o fazem (falarei mais sobre isso daqui a pouco). Mas muitas das mesmas igrejas que se pronunciam contra a homossexualidade também se pronunciam contra o divórcio ilegítimo. Eu preguei sobre divórcio diversas vezes, incluindo um sermão de alguns anos atrás intitulado “What Did Jesus Think of Divorce and Remarriage?” (“O Que Jesus Pensava Sobre Divórcio e Recasamento?”) Eu já falei mais sobre homossexualidade na blogosfera porque existe uma controvérsia em torno do assunto na cultura e na igreja em geral. Mas eu nunca me esquivei de falar sobre divórcio. Eu levo a sério tudo o que a Confissão de Fé de Westminster diz sobre casamento. O casamento deve ser entre um homem e uma mulher (CFW 24.1). É dever dos cristãos casar apenas no Senhor (CFW 24.3). Apenas adultério e deserção obstinada são bases para o divórcio (CFW 24.6).

Como conselho de presbíteros, nós tratamos essas questões com a seriedade que elas merecem. Nós pedimos a novos membros que se divorciaram que expliquem a natureza do divórcio e (se aplicável) o recasamento. Isso já resultou em ocasiões de potenciais novos membros abandonarem a nossa igreja. A maioria dos casos de disciplina que encontramos como presbíteros têm sido sobre divórcio. A maioria das crises de cuidado pastoral em que nos envolvemos têm se tratado de casamentos que fracassaram ou estão fracassando. Nossa igreja, como muitas outras, levam a sério todo tipo de pecado, incluindo o divórcio ilegítimo. Nós nem sempre sabemos como lidar com cada situação, mas posso dizer com a consciência completamente limpa que nunca fizemos vista grossa ao divórcio.

E, indubitavelmente, um incêndio
Tendo dito tudo isso, é indubitável que muitos evangélicos têm sido negligentes ao lidar com o divórcio ilegítimo e o recasamento. Pastores não têm pregado sobre o assunto por medo de ofender um grande número de seus membros. Os conselhos de presbíteros não têm praticado a disciplina eclesiástica naqueles que pecam nessa área porque, bom, eles quase nunca praticam a disciplina. Conselheiros, amigos e pequenos grupos não se envolveram a tempo de fazer uma diferença em situações de pré-divórcio. Advogados cristãos não pensaram sobre sua responsabilidade em encorajar a reconciliação conjugal. Líderes de igreja não ajudaram seus membros a entender o ensino de Deus sobre a santidade do casamento, e não ajudamos aqueles erroneamente recasados a experimentar o perdão por seus erros passados.


Então sim, temos cristãos com traves nos olhos entre nós. A igreja evangélica, em muitos lugares, desistiu e cedeu à pressão do divórcio e do casamento. Mas a solução para essa negligência não é mais negligência. A cura lenta e dolorosa é mais exposição bíblica, mais cuidado pastoral ativo, mais uso fiel da disciplina, mais aconselhamento impregnado pela Palavra e mais oração — pelo divórcio ilegítimo, pelo comportamento homossexual e por todos os outros pecados que são mais facilmente tolerados do que confrontados.

Extraido Site
Editora Fiel

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