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NOVO "CANUDOS"

Em 1913, um artigo do renomado Natanael Cortez, foi publicado no jornal Norte Evangélico e depois reproduzido em 12 de fevereiro de 1914 em O Estandarte. 

Nesse artigo, Natanael Cortez, que foi presidente do Supremo Concílio da IPB (1946) e que conheceu o famigerado padre Cícero e que inclusive almoçou com ele na sua casa, conforme conta em seu livro Os dois Tributos (1965), e que conta o encontro à pag. 109.

No seu artigo, Natanael Cortez, menciona a obra de um padre, intitulada Juazeiro do Cariri, do padre Alencar Peixoto, em que mostra a crueldade, a maldade, do criminoso do nordeste, o padre Cícero, que deu a patente de Capitão ao assassino Lampião e que até hoje não é reconhecido pelo Vaticano como "santo", inclusive está excomungado.

Para uma legião de miseráveis de pelo menos 7 dos nove estados do nordeste, ficando de fora somente o Maranhão e o Piauí, o padre Cícero é um santo, e mesmo a igreja romana o excomungando, engana o povo e lucra milhares de Reais por ano com a sua festa no Juazeiro do Norte - CE.

Eis o artigo de Natanael Cortez:

NOVO CANUDOS

         Vai se realizando, a pretexto de política, o que era esperado havia muito no Ceará. Disse vezes diversas e ouvira outrem: O padre Cícero pretende imortalizar o seu nome no mesmo gênero de coisas que Antônio Conselheiro. Há mais de vinte anos que o astuto inaciano do Juazeiro prepara-se a fim de levar a efeito o seu ideal.

         Abalou as massas incultas e por isso mesmo de pendor acentuado às crendices e embustes grotescos, dos sertões baianos, alagoanos, rio-grandenses, pernambucanos, paraibanos e cearenses, ilaqueando a boa fé de todos com supostos e falsos milagres por si e pela demoníaca Maria de Araújo praticados.

         Acumulou grande fortuna, porque quem o procurava tinha de lhe oferecer a melhor parte de seus haveres, afim de ouvir um bem-vindo dos seus lábios enganadores de velho Jesuíta.

         O Juazeiro fez-se uma das cidades mais populosas das mais retrógradas do Ceará. Mais de vinte mil ignorantes, miseráveis e cegos são seus habitantes.

         Para ter-se uma “vaga ideia da realidade apontada em suas feições essenciais” referente ao antro do padre Cícero Romão Batista, basta ler o Juazeiro do Cariri, obra que ora sai à luz da publicidade, escrita por um que como o aludido caudilho, enverga a sotaina: o padre Alencar Peixoto.

Eis um trecho do apontado livro:

       “O padre Cícero, arvorado em capitão de infames, de bandidos e celerados, que lá os vi e lá os deixei, armados dos pés à cabeça, e pervertendo, e furtando, e roubando, e afinfando, e espancando, e esfolando, e assassinando, e matando, como um tal José Pinheiro, de senia com outros de sua catadura, em plenas ruas do povoado, e sem a menor repressão por parte das autoridades; o padre Cícero, arvorado em capitão de infames, de bandidos e celerados, iniciara o movimento (anormal) e dera à audácia nunca imaginadas proporções.
       As vítimas que fugiram aos vândalos que saquearam e devastaram a Aurora (então uma das vilas mais florescentes deste Estado) e que lhes levaram a morte pendente de quatrocentas forças de rifle, e porque clamavam umas, e, direito que lhes assistia, protestaram outras com a maior das violências que já se viu no foro do Cariri – a da demarcação, à força de armas, de área coxá, onde se acham encravadas as tais minas de cobre que tão somente para si ambiciona aquele padre; elas, as pobres vítimas indefesas, que o contem, que o digam, que não eu.”

- Tão grandes exemplos de maldade e banditismo, vindos de tão alto, de um anjo e mensageiro da paz como assim chamavam ao velho padre, não podiam deixar de, pela força de sua reflexão, influir, pois, desgraçadamente, nos destinos daquele povo.

         Enquanto as forças competentes dormiam o sono letárgico e maldito do indiferentismo, sorrateiramente o aludido fascinador construía uma fortaleza a que denominava de igreja, abria subterrâneos, arranjava trincheiras e por via diferentes se premunia de todo o material bélico, necessário à campanha dos anelos.

         O governo do Estado, longe de tomar as medidas necessárias para debelar o embusteiro, julgou indispensável a sua influência na política estadual e fez-se o padre Cícero terceiro vice-presidente do Ceará: estava conquistada a simpatia não só da plebe, senão também de vultos políticos a quem é justo regatear mérito.

         Ultimamente os ventos políticos tem se convertido em furacões raivosos e convulsivos da energia humana: era bastante asado o momento: o padre pôs nas mãos dos seus beatos o rifle e ameaça de deposição o atual governo deste Estado.
        
         É calamitosíssima a situação em que se acha a decantada terra de Iracema. A 12 do corrente mês seguiu com destino ao Juazeiro todo0 o batalhão militar.
                 
         Já tinham seguido oitenta praças a unir-se a duzentas que destacavam no Crato. Mais trezentos voluntários já seguiram e disciplina-se um novo batalhão patriótico de quatrocentos homens. Imenso terror assalta a família cearense. É mesmo um novo Canudos!

         Que Deus olhe para este estado de coisas, sejam as ferventes preces dos fieis crentes em jesus, que lerem estes rabiscos.

         Fortaleza, 17 de dezembro de 1913.

         Natanael Cortez

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