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O VERDADEIRO CARÁTER CRISTÃO X CRENTES QUE TRANSIGEM


Por
Rev. João d'Eça
“Porque, se todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha. Então, disse Ester que respondessem a Mordecai: Vai, ajunta todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci.”
(Ester 4: 14-16). (Grifo nosso).
Este texto é maravilhoso, aqui é demonstrado a coragem de uma mulher, que mesmo diante de um iminente perigo de vida, compreende a situação e resolve interceder pelos judeus, vítimas de uma trama de morte, perpetrada pelo inimigo, que politicamente não admite perder o seu espaço.
Assim como Ester, a heroína em destaque, nós, os cristãos, vivemos rodeados de inimigos da cruz de Cristo, às vezes eles estão dentro dos nossos arraiais, às vezes eles estão ao nosso lado e até comungam conosco (João 13: 18), mas na primeira oportunidade, para livrar a própria pele, transigem.
No texto grifado, Mordecai diz uma frase que me faz pensar e refletir sobre a situação de muitos irmãos na fé, que assumem posições de destaque, mas parece que não entendem o plano de Deus, e a posição em que se encontram: “...e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste elevada a rainha”. Esta indagação de um homem condenado à morte dali a pouco, desperta em Ester, a consciência de sua missão e do plano de Deus para sua vida. Ela entende que o Senhor a colocou ali, naquele momento, naquela posição de destaque para socorrer os seus irmãos que estavam em perigo.
A certeza de que Ester compreendeu a situação, é demonstrada pela sua atitude corajosa de interceder, mesmo com risco da própria vida, por aqueles que foram injustiçados. Ela diz:
- “... jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci”.
Muito diferente da atitude de Ester, irmãos e irmãs que estão em posição de destaque, que assumiram cargos na administração pública, que foram colocados por Deus “para uma conjuntura especial”, estão perseguindo os próprios irmãos de fé em nome da preservação do seu quinhão. Não entenderam o propósito de Deus que os colocou lá para fazer diferença, para mudar a situação, para testemunho de dignidade. Ao assumirem certas posições de destaque, age igual e até muitas vezes pior que os descrentes.
Talvez por influência da política-partidária-podre que existe em nosso país, muitos homens e mulheres [de Deus] estão abrindo mão de suas prerrogativas cristãs e da sua dignidade, para agradar aqueles que lhes abriram portas (pela vontade de Deus), como se esses fossem os únicos responsáveis pela situação e por isso, os “irmãozinhos”, se sentem na obrigação de lhes ofertarem até mesmo a sua moral (“Ao meu rei eu dou tudo, menos a minha moral”).

Constatamos que essa atitude de muitos crentes nesse sentido, dar-se pelos exemplos negativos dentro de nossas igrejas, quando pastores se submetem a um corpo de líderes administrativos ou de ofertantes poderosos, que exigem posturas e práticas por parte do pastor, e que este, pra não perder a “sua boquinha”, aceita se comportar do modo como eles assim o exigem.

Jesus disse: “...pelo fruto se conhece a árvore” (Mt. 12: 33). Temo, que pela observação do que acontece no mundo hoje, estejamos vivendo numa época de apostasia, assim como Paulo relatou a Timóteo:

“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que tem cauterizada a própria consciência,” (I Tm 4: 1, 2).

Ainda em outro trecho mais incisivo, ele diz:

“Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.” (II Tm. 3: 1-5).

Talvez não seja tarde. É hora de despertarmos do sono, de vivermos a vida cristã de modo sério, combatendo o mal e o pecado, não nos submetendo aos princípios e valores mundanos, ficando calados ou fazendo “vista-grossa” para não sermos incomodados.

“Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci”. (Ester).

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