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31 DE OUTUBRO - DIA DA REFORMA PROTESTANTE - 496 ANOS -

OS ÚLTIMOS DIAS DE VIDA

E

A MORTE DE MARTINHO LUTERO


Por causa das ricas minas de ferro e prata, nasceram em Mansfeld, entre os condes, escandalosas questões de família. Por fim combinaram-se em mandar decidir estas questões, que duravam anos, por homens bem intencionados. Então os condes pediram ao eleitor da Saxônia que enviasse Lutero a Eisleben.

Lutero. Apesar de estar muito fraco, atendeu ao chamado com alegria, porque dizia:

Eu me deitarei com satisfação no meu ataúde, se viver até que os meus queridos soberanos se reconciliem e vivam outra vez em boa concórdia e de coração unânime.

Quanto ao seu débil corpo ficaria fatigado da viagem, ele o sabia de antemão, porque, pouco antes da sua viagem, escrevera numa carta:

Esperava que agora depois de velho, decrépito e cego de um olho (pois ultimamente sofria de uma vista), me devessem dar descanso, no entanto me sobrecarregam de tal modo com escrever, falar, fazer e tratar como se nunca tivesse tratado, escrito, dito ou feito alguma coisa.

Quando Lutero se despediu dos membros de sua igreja, depois do sermão do dia 17 de janeiro de 1546, disse “que quando soubessem que ele se achava doente, não pedissem vida prolongada, mas somente uma boa morte.”

No dia 23 de janeiro de 1546, no inverno, num dia de muito frio, Lutero seguiu de Wittenberg, acompanhado de seus três filhos: João Martin e Paulo, e de seu velho e fiel criado, chamado Ambrósio Rutfeld. No dia 24 chegaram ao Portal, onde ficaram na casa de seu amigo, o superintendente Dr. Jonas.

Por causa do degelo que sobreveio de repente, as águas do Sala (rio da Alemanha) cresceram tanto, que passaram das margens, de sorte que Lutero teve de ficar no Portal até o dia 28. Neste dia ele deixou a cidade, acompanhado do Dr. Jonas e atravessou o rio numa canoa com grande risco de vida. Quando o barco vacilante ameaçou de afundar, Lutero pôs-se em pé, impávido, animando os seus companheiros.

Infelizmente Lutero pegou uma gripe terrível que ficou com muita dor no peito. Ainda chegou no mesmo dia à cidade onde nasceu, porém, muito cansado. Foi muito bem recebido pelos condes, cidadãos e mais cento e treze pessoas que lhe foram ao encontro à cavalo.

A sua principal ocupação referia-se naturalmente à acomodação das questões de famílias dos condes; por isso ele assistia a todas as sessões, sem exceção. Para o seu extremo prazer, as tristes questões tiveram afinal um termo pacífico. No dia 14 de fevereiro ele escreveu à sua esposa dizendo que, “graças a Deus, os homens se reconciliaram quase em tudo, e que também ele ficara livre das opressões que sentiu primeiro e que ainda nessa semana voltaria para casa.” Porém em poucos dias, a sua esposa tinha de saber de uma outra volta à casa muito diferente.

A morte de Lutero

Até o dia 16 de fevereiro, Lutero sentia-se bem melhor de saúde e, como sempre, em Eisleben mostrava bom humor, que fazia com que o trato com ele fosse bem agradável; porém no dia seguinte tornaram a aparecer as dores e os primeiros incômodos de um modo perigoso. Os condes com o Dr. Jonas e o pregador Collius, lhe pediram que descansasse, e não fosse até a sala grande, para os autos, antes do meio dia. Lutero obedeceu ao conselho que lhe deram. Deitava-se de vez em quando em sua cama, passeava na sala, orava e dizia várias vezes: Dr. Jonas e sr. Collius, em Eisleben fui batizado.” Como se devesse ai ficar.

Apesar de sua fraqueza, tomou parte na ceia, pois dizia: “Estar só não traz alegria.” Na mesa falou muito da morte e da vida futura. Logo Lutero se recolheu ao seu aposento e orou em voz alta. Depois queixou-se: “Está me oprimindo e doendo o peito como antes.” Com tudo isso, rejeitou o oferecimento de se mandar vir os dois médicos da cidade.

Quando o conde Alberto pessoalmente se informou de seu estado, ele lhe deu a resposta: “não tem perigo senhor, estou começando a melhorar.”

As nove horas deitou-se dizendo: “Se eu pudesse dormir uma meia hora, esperava que pudesse melhorar tudo.” De fato dormiu suavemente até as dez horas, e quando enxergou o Dr. Jonas e os outros disse: “Ainda estão acordados? Não querem dormir?” Ao que responderam: “Não doutor Lutero, agora queremos velar e cuidar do senhor.” Então Lutero levantou-se, passeou no quarto, não se queixou de dor nenhuma, e, deitando-se na cama outra vez, disse: “Nas tuas mãos encomendo a minha alma; tu me salvaste, Senhor, Deus fiel.”

Depois que o cobriram bem, ele deu a mão aos que o rodeavam, desejando-lhes boa noite, e disse: “Dr. Jonas e vós outros que aqui estão comigo, orem pelo evangelho, para que prospere.”

Pela 1 hora da madrugada, Lutero acordou dizendo: “Ah meu Deus, quanta dor! Acho que ficarei aqui em Eisleben, onde nasci e fui batizado.”

O Dr. Jonas respondeu: “Ah, reverendo, Deus nosso pai celestial, velará por Cristo, a quem, vós pregastes.”

Depois disso, Lutero tornou a se levantar, passeou na sala e orou: “Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me salvaste, Senhor, Deus fiel.” Deitando-se de novo, tornou a se queixar de que se lhe oprimia o peito mas que era poupado o coração.

Enquanto chamavam o dono da casa e dois médicos, esfregavam o paciente e esquentavam o seu leito.

 Logo depois chegaram também o conde Alberto e sua esposa, e lhe deram alívio, mas o incomodo parecia crescer e Lutero falou: “Meu Deus, estou oprimido de angústia e dor; passo para outra vida, aqui em Eisleben.” Em seguida o doente orou com mais fervor:

Ó meu pai celestial, meu Deus, pai de nosso Senhor Jesus Cristo, ó Deus de toda a consolação, agradeço-te por me teres revelado o teu filho Jesus Cristo, no qual eu creio, o qual tenho amado e louvado, confessado e pregado, o qual todos os ímpios perseguem e contra o qual blasfemam. Rogo-te receba a minha alma senhor Jesus Cristo. Ó pai celeste, ainda que tenha de deixar este corpo e ser levado para longe desta vida, sei com certeza que tenho de ficar contigo eternamente, e que das tuas mãos ninguém me pode arrancar.


Disse mais ainda Lutero em sua oração:

Deus amou de tal maneira o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que todos os que nele creem, não pereçam, mas tenham a vida eterna. Nós temos um Deus e Senhor dos senhores, que livra e salva da morte e conduz o fiel à vida eterna.”

Depois da oração Lutero ficou quieto. Sacudiram-no, esfregaram-no e o chamaram, mas ele fechou os olhos e não respondeu. Então o Dr. Jonas falou em voz alta: “Reverendo, quereis morrer perseverando em Cristo e na doutrina que pregastes?” O moribundo respondeu, de modo que todos ouviram claramente: “Sim”.
Dito isto, virou-se do lado direito, e dormiu por vinte e cinco minutos sossegadamente, de sorte que até esperaram a sua melhora. Nesse momento chegou também o conde de Schwarzburgo. Pouco a pouco as faces de Lutero empalideceram, e a testa e os pés esfriaram ainda mais; e quando o sacudiram e chamaram pelo seu nome, ele não respondeu mais. Com as mãos juntas, tomou profundo fôlego e expirou suave e pacificamente no Senhor.

Isso tudo aconteceu no dia 18 de fevereiro de 1546, entre duas e três horas da madrugada. Ele tinha 62 anos, 3 meses e oito dias.

Depois que Lutero faleceu, os condes que estavam presentes, ordenaram que continuassem a esfregar, esperando que assim tornasse a viver; porém seu corpo esfriava cada vez mais, e assim tiveram de perder toda a esperança de revificação.

As 4 horas mudaram o cadáver para outra cama, onde ficou até as nove horas. Ainda antes de clarear o dia, chegaram o príncipe de Anhalt, cinco condes de Mansfeld e muitos fidalgos para darem a conhecer a sua participação no doloroso sentimento pela morte que lhe sobreveio.

A notícia da morte de Martinho Lutero cobriu de pesar e de luto toda a cidade de Eisleben, e pessoas de todas as idades foram à casa onde estava o corpo do defunto, afim de manifestar o seu profundo pesar.

As 9 horas da manhã, envolveram o cadáver numa toalha branca e o puseram na sala; de tarde mudaram para um caixão de estanho, e o guardaram na mesma casa durante a noite.

Depois do falecimento de Lutero, o Dr. Jonas avisou imediatamente o eleitor Frederico, o sábio, e pediu-lhe que desse as providências necessárias para o enterro. Ainda na mesa tarde estas chegaram a Eisleben.

O eleitor escreveu aos condes dizendo que desejava que eles tivessem poupado o homem de idade avançada de viagem tão difícil. A respeito do enterro ele desejava que levassem o cadáver para Wittenberg e o depositassem na igreja do palácio.

No dia 19 de fevereiro, ás duas horas da tarde, em procissão fúnebre formada dos condes de Mansfeld e uma grande multidão de povo, levaram Lutero, com toda a solenidade, à principal igreja de Eisleben, onde o Dr. Jonas pregou um sermão fúnebre baseado na primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses 4. 13-18. Durante a noite, o ataúde ficou na igreja, guardado por dez cidadãos.

No dia seguinte o supracitado Collius pregou outro sermão sobre Isaias 51.1, e ao meio, tiraram o cadáver para fora da cidade, sendo acompanhado por 45 pessoas a cavalo.

Em todas as aldeias por onde passava a procissão fúnebre, ajuntavam-se homens, mulheres e crianças para dar os seus pêsames. Às 5 horas da tarde chegou ao Portal. Na porta da cidade receberam-no o magistrado, os eclesiásticos e os professores com os alunos. O choro e o pranto era tão grandes, que até se ouviam na última carruagem que acompanhava.

Por causa da grande afluência de gente, as ruas ficaram repletas, de maneira que tiveram de parar continuamente, e levaram duas horas para chegar à igreja principal. Ali choraram mais do que cantaram um hino, como diz uma testemunha.

No dia 22 de fevereiro, chegaram a Wittenberg, na mesma porta da cidade, onde Lutero em 1520 queimara a carta de excomunhão papal, esperavam o seu cadáver os professores da Universidade, o conselho, a câmara municipal, o clero, os mestres com os alunos e uma multidão incalculável de gente. A procissão se pôs em movimento, passando a porta para a igreja do paço. Adiante do cadáver, iam à cavalo os deputados do eleitor, alguns condes de Mansfeld, ao todo 65 homens.

Após o carro do cadáver, seguiam imediatamente a viúva e os filhos de Lutero, o seu irmão Jacob e outros parentes; depois os professores, o conselho, os cidadãos do povo. Chegados a igreja do palácio, puseram o caixão em frente do púlpito, cantaram alguns hinos apropriados e o Dr. Bugenhagen, ou Pomeranos, pregador de Wittenberg, fez um sermão fúnebre sobre I Tess. 4. 13-14. O choro e o soluço abafavam, às vezes, a voz do pregador; mesmo o Dr. Bugenhagen não podia quase falar de sentimento, e parava algum tempo. Depois da pregação, fizeram oração num tom melancólico e profundamente comovidos.

Em seguida baixaram o caixão à sepultura, perto do púlpito em que o adormecido pregara muitas vezes o Evangelho de Cristo, com veemência e fervor.

Uma enorme chapa de metal fechou a sepultura e uma chapa de latão traz até agora a simples inscrição: “Aqui jaz o cadáver de Martinho Lutero, doutor em santa teologia, falecido no dia 18 de fevereiro de 1546, na sua cidade natal – Eisleben, na idade de 62 anos, 3 meses e 8 dias.” E mais abaixo: “O nosso fim seja como o fim desse homem de bem!”

Um ano depois do enterro de Lutero, viu-se ao lado da sepultara, pensativo, o poderoso imperador Carlos V, submerso em imaginação, contemplava silencioso o jazigo deste grande amigo da verdade, do qual já se tinha admirado em Worms, em 1501. Um dos que acompanhavam o imperador (não se sabe certamente se foi o cruel duque de Alba ou o cardeal Granvella), disse-lhe que mandasse desenterrar e queimar os ossos desse perigoso herege; porém Carlos replicou: “Deixai-o jazer, ele achou o seu juiz; não faço guerra aos mortos, mas aos vivos!”


Conclusão:

Que a recordação do justo Lutero, nos inspire a continuar na fé que ele pregou. No próximo dia 31 de outubro de 2013, comemoraremos 496 anos da Reforma protestante, evento que trouxe a Bíblia para o povo e trouxe de volta a doutrina bíblica para sociedade.

Não fosse Lutero e os reformadores, ainda hoje estaríamos escravos do analfabetismo bíblico e nada conheceríamos de Deus.

A igreja católica romana deturpou as verdades da Escritura Sagrada, corrompeu o ensino dos apóstolos e nessa corrupção doutrinária vive montada.

Aprouve a Deus, no momento certo da história, levantar homens como John Knox, Zwilglio, Hus, Melanchton, Lutero e Calvino. Graças a eles, hoje temos uma igreja que mantém a doutrina bíblica intacta e que caminha combatendo o erro dos que se dizem cristãos fora da Escritura.


Sigamos o exemplo de fé e amor desses abnegados servos de Deus.

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