quarta-feira, 21 de outubro de 2015

SEMANA DA REFORMA - LUTERO E A BÍBLIA - 31/10/2015 - 498 anos de Reforma Protestante


By



Rev. João d’Eça



Deus renovará o mundo! – Estas foram as palavras proféticas de Lefevre d’Etaple. Foram essas as palavras que se cumpriram na colossal revolução conhecida na História pelo nome de Reforma Protestante do Século XVI.

O mundo de então, vivia em trevas agudas, a Idade Média ficou conhecida na como Idade das Trevas, porque o pensamento majoritário do papado contaminou a cultura e a religião, a ponto de a sociedade medieval viver em completo desconhecimento sobre tudo. A cristandade reclamava uma reforma e vinham de todos os lados sinais de precursores de uma revolução religiosa que trouxesse a Escritura Sagrada, a Bíblia, para a vida do povo, para orientar os caminhos da sociedade, da educação e da religiosidade.



Tomás de Aquino (1225-1274) foi o grande incentivador da suserania[1] e que o papa Alexandre VI (1431-1503), nascido Rodrigo Borgia, foi o 214º papa, para fazer a partilha do mundo, serviu-se dela. Já o papa Júlio II (1503-1513), desligava do juramento de fidelidade os súditos do rei da França, Luis XII convocava contra o papa o Concilio de Pisa, a Pragmática de Bouges despertava o entusiasmo pelos parlamentos e os doutores da Sorbonne usavam de uma linguagem cuja audácia admirável.


Essa tentativa de reforma foi imperfeita. Ela tinha por corifeus Erasmo e Carlos V. O século XVI viu erguer-se imponente a Reforma evangélica representada por Martin Lutero, mais ou menos radical, cujo principal objetivo foi proclamar a supremacia da Bíblia em matéria de fé e prática. Antes da Reforma Protestante a Bíblia era um livro totalmente desconhecido.



Com a redescoberta da Bíblia no período da Reforma, o mundo mudou, as coisas mudaram, a sociedade enxergou um novo norte em todas as suas áreas. A Bíblia veio transformar o mundo. O impacto que a Bíblia causou foi tão grande, a ponto do arcebispo de Mainz, Alberto de Brandeburgo (1490-1545), dizer: “Não sei bem que livro é esse; somente sei que o que nele se lê, é contra nós.” Carlstadt, professor em Wittenberg, começou a ler a Bíblia só depois de oito anos de doutorado.

Um testemunho de Martin Lutero sobre a Bíblia, é muito interessante, ele diz:

Quando eu estava com 20 anos de idade, eu ainda não havia visto uma Bíblia. Eu achava que não existiam evangelhos ou epístolas exceto as que estavam escritas nas liturgias dominicais. Finalmente, encontrei uma Bíblia na biblioteca e levei-a comigo para o mosteiro. Eu comecei a ler, reler e ler tudo novamente, para grande surpresa do Dr. Staupitz.


A Reforma protestante é o anjo do apocalipse voando pelos céus com o evangelho aberto, segundo alguns comentaristas. A Escritura Sagrada forma o centro da Reforma, Lutero sentiu isso e Deus o guiou na redescoberta da Bíblia.

Em um outro comentário, Lutero fala sobre a Bíblia, diz ele:


A Palavra de Deus, passando pelos pais apostólicos me faz o efeito de um pouco de leite que se fizesse coar por um saco de carvão. As palavras dos Pais, dos homens, dos anjos, dos demônios, oponho, não o uso antigo, nem a multidão, mas a Palavra única da eterna majestade, o Evangelho que eles mesmos são forçados a reconhecer. No Evangelho me conservo, me assento e descanso; ele é a minha glória e o meu triunfo dele eu insulto os papas, os tomistas, os sofistas e todas as portas do inferno. Pouco me importo com as palavras dos homens, seja qual for a sua santidade; pouco me importo com a tradição, com os costumes enganadores. A Palavra de Deus é sobre tudo. Se a majestade é por mim, que me importa o resto, mesmo que mil Agostinhos, mil Ciprianos, mil igrejas de Henrique VIII, se levantem contra mim! Deus não pode errar nem enganar: Agostinho e Cipriano, como todos os escolhidos podem errar e tem errado.

Lutero viveu para pregar a Bíblia, o tempo todo depois que descobriu. Ele não abandonou a Sagrada Escritura até os seus últimos dias. Ele a pregava constantemente, e disse sobre isso:

A Palavra de Deus é o mais precioso de todos os bens, excede a todos os tesouros do mundo. Quem está privado dela, sofreu uma verdadeira fome espiritual. Queira Deus que semelhante desgraça nunca nos aconteça. Seria melhor que fossemos degolados pelos turcos.

Era na Bíblia que Lutero se fortalecia. Num outro comentário seu ele expressa o que sentia quando lia a Sagrada Escritura:

Quando o diabo me acha ocioso e que não penso na Palavra de Deus, turba-me a consciência, sugerindo-me que eu não estou pregando a verdade, que eu estou perturbando o governo, que, com aminha doutrina, tenho dado muitos escândalos e promovido grandes rebeliões. Mas, quando tomo a Palavra de Deus, resisto ao diabo e lhe digo: ‘Eu sei pela Palavra de Deus e estou certo de que essa doutrina não é minha, mas sim do Filho de Deus.

Em Augsburgo Lutero proclamou em alto e bom som: “A Bíblia, A Bíblia, A Bíblia!” Foram essas as suas palavras em Augsburgo, Leipzig e em Worms ele disse: “Refutai-me pela Escritura! Persuadam-me pela Escritura! Eu obedeço somente à Escritura”.

Lutero viveu o resto da sua vida pela Escritura Sagrada, desde que a descobriu naquele dia na biblioteca. O seu trabalho semanal e predileto era a tradução da Bíblia que marca o momento na história da Reforma. Ele traduziu o Novo Testamento em Wartburgo. Mais tarde dedicou quinze anos de sua vida à tradução do Antigo Testamento. Nesse trabalho teve alguns de seus amigos como auxiliares. Cada palavra do texto era pesada e debatida com os seus companheiros: Melanchton, Bugenhazen, Jonas, Criciger, Auragalus. Eles davam conselhos e Lutero decidia. Nessa tradução era gasta às vezes, três semanas na versão de uma frase, tal era o cuidado e as minuncias do trabalho de tradução.

A intenção de Lutero era que todos, ao ler, pudessem compreender o texto Sagrado, e por isso, pedia expressões à sua esposa e seus filhos, aos operários que encontrava no caminho. Depois disso vinham os seus amigos para fazer o trabalho de revisão: Um trazia a sua Bíblia em latim, outro o texto em Hebraico, outro a versão  LXX e outro uma versão caldaica.

Dessa forma o trabalho foi concluído em Wartburgo. Em 1534 a Alemanha tomou posse da Bíblia completa traduzida em uma linguagem viva, simples e popular.

A propaganda que Lutero fez da sua tradução da Bíblia obteve grandes resultados. Um autor hostil à Reforma Protestante, chamado Cochleus, diz o seguinte:


“Mesmo os sapateiros, as mulheres e todos que sabiam ler o alemão, liam e reliam com grande avidez o Novo Testamento, como sendo a única fonte de toda a verdade e acabavam por decorar o seu conteúdo. Eles levavam consigo o Novo Testamento. Lutero havia persuadido a seus discípulos que não dessem crédito a cousa alguma que não fosse lida da Escritura!

A Bíblia traduzida por Martinho Lutero tornou-se um livro popular. Era encontrado em toda parte. As mulheres a liam em passeio. Era um livro estudado e discutido. A tradução da Escritura para a língua alemã feita por Lutero causou um impacto de proporções gigantescas em toda a Europa dos 1500.






[1] Suserania ou suzerania era o termo empregado na Idade Média para distinguir um nobre que doava algum bem (normalmente terras, mas podia ser a concessão de impostos sobre uma ponte, o uso de equipamentos agrícolas, o uso de uma fonte d'água, etc) a outro nobre. Nessa relação, suserano é quem doa o bem e quem o recebe é denominado vassalo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O VALOR DE UM CARÁTER NOBRE




Introdução:



         As nossas autoridades, sejam de que poder for, Executivo, Legislativo ou Judiciário, não nos tem dado exemplos de caráter e de dignidade, pelo contrário, os exemplos que vemos tem sido exemplos de indignidade e de vergonha ao nosso povo.



Os últimos acontecimentos ocorridos no nosso país nos últimos 20 anos tem sido os piores possíveis. Em todas as esferas da sociedade a corrupção campeia e domina as autoridades não tem nenhuma “autoridade”, ninguém as respeita e todos caminham fazendo “o que lhes dá na telha”.



Corrupção à brasileira



Os desvios da corrupção mostrados na operação Lava-Jato vem nos dar a certeza que o nosso pais perdeu o rumo. A corrupção endêmica que atravessa o nosso país em toda roda dos ventos, é vergonhosa e não aconteceria em nenhum país da América do Norte, Europa ou Ásia, sem que houvesse consequências sérias para os corruptos, fossem eles quem fossem.



Nos Estados Unidos não se admitiria um roubo de proporções tão grandes, na Europa não se admitiria nem 10% do que foi roubado no Brasil no “Mensalão” e no “Petrolão”. Se fizessem isso lá, os protagonistas seriam punidos com pena de morte ou prisão perpétua.



Quando ouvimos falar de corrupção nesses países citados, o montante roubado não chega a 5% do que se roubou no Brasil. Os nossos políticos e autoridades que os protegem, não tem caráter.



         Um caráter nobre é a perfeição e a glória da vida. É o mais precioso dos bens, o único que, no conceito geral, supre a sucesso e a riqueza, o único que enobrece todo e qualquer posto aos olhos da sociedade. O caráter nobre exerce maior poder que a riqueza, e, sem rivalizar com a fama, confere-nos as mesmas honras.



Da honra resulta uma influência viva e sensível, e com todo o direito; porquanto é a influência da retidão, da constância, da honra provada, as qualidades que, talvez mais do que nenhuma outra, conciliam a estima e a confiança dos homens.



Caráter nobre



O caráter nobre é a própria natureza do homem no que ela tem de melhor; é a ordem moral constituída em homem. Com efeito, os homens de grande caráter não são somente a consciência da sociedade; são também, pelo menos em todo o Estado sabiamente regido, a sua força motriz por excelência. Quando tudo isso é considerado, torna-se nas qualidades morais que governam o mundo, até mesmo na guerra, segundo dizia Napoleão.



Força, indústria, civilização, tudo para as nações depende da energia do caráter individual. Esta força de caráter é a verdadeira base da segurança pública; as leis e as instituições são simplesmente o reflexo e a consagração dela. Na reta balança da natureza, indivíduos, nações, raças, recebem todos, exatamente a parte que merecem; e assim como é impossível não seguir-se o efeito à causa, assim também as qualidades do caráter popular haverão de necessariamente manifestar-se em atos correspondentes à natureza de sua origem.



Por mais simples que tenha sido a educação de alguém, por mais medíocres que sejam os seus talentos, todo homem, seja ele pobre ou rico, se for grande pelo caráter, exercerá sempre, em qualquer lugar que esteja, na oficina, na loja, na praça, no senado, uma influência preponderante.



George Canning[1] escreveu em 1801:



Só quero subir ao poder pela força do caráter; não buscarei nenhum outro meio de me elevar; e é-me grato nutrir a esperança de que este meio, se não for o mais pronto, será pelo menos o mais seguro.



Todos nós nos sentimos facilmente dispostos a admirar ao homem inteligente; mas a nossa confiança, nós só a daremos ao homem que provar que possui outras qualidades além da inteligência.



Exemplos de caráter ilibado



Benjamim Franklin atribuía todos os seus triunfos na vida pública, não à sua eloquência ou aos seus talentos, que bem longe estavam de ser esplendidos, mas à sua notória integridade de seu caráter:



Eis o que me dava, dizia ele, tanta influência sobre os meus concidadãos. Eu era fraco orador, hesitava na escolha das palavras, apenas falava corretamente, nunca me elevava à eloquência; e, não obstante, fazia geralmente prevalecer a minha opinião.



Quer seja entre ricos ou entre pobres, quer seja entre pessoas influentes ou entre pessoas simples, é somente pela inteireza de caráter que o homem inspira confiança. O imperador Alexandre I da Rússia era um homem de caráter, que houve quem dissesse que o seu caráter valia uma constituição.



Durante a guerra Montaigne foi o único entre os fidalgos franceses que não se viu obrigado a trancar-se no seu castelo. E dizia-se a este respeito que a veneração infundida pelo seu caráter pessoal guardava-o melhor que um regimento de cavalaria.



[1]George Canning, FRS, (11 de abril de 1770 - 08 de agosto de 1827) foi um estadista britânico e político que serviu em vários cargos ministeriais seniores sob vários primeiros-ministros, antes de servir como primeiro-ministro durante os quatro meses finais de sua vida.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

COMO OS CRENTES DEVEM TRATAR OS SEUS PASTORES


By

Rev. João d'Eça, MD



Introdução:

         Em muitas igrejas os pastores são honrados e respeitados como ministros do evangelho e assim como ensina as Sagradas Escrituras eles são dignificados e “merecedores de dobrados honorários”. Porém, e infelizmente, muitos outros ministros são desprezados, não honrados e maltratados em muitas igrejas, a ponto de terem de se virar sozinhos, não tem a “destra da comunhão” dos presbíteros e diáconos, e para desenvolver o seu ministério precisam trabalhar secularmente, atrapalhando assim o desenvolvimento do seu ministério.



         Não podemos fechar os olhos para a realidade de que muitos entram no ministério sem ter o chamado de Deus, entram na vida ministerial por causa de frustrações profissionais ou acadêmicas, e enxergam no ministério pastoral uma válvula de escape para suas frustrações e acabam trazendo problemas para o testemunho da igreja, esses são os mercenários.



         Abaixo vamos considerar o que diz a Escritura Sagrada sobre como devem ser tratados os ministros do evangelho.



1 – Os pastores devem ser reconhecidos e honrados pelos crentes – (I Tess. 5.12, 13).



Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam; e que tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros.



A sua obra é tão gloriosa que os anjos anelaram realiza-la (I Pd. 1.12). “A eles foi revelado que, não para si mesmos, mas para vós outros, ministravam as cousas que, agora, vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho, cousas essas que anjos anelam perscrutar.”



Os ministros devem desenvolver o seu ministério com amor. Se os crentes reconhecem que a mensagem é de amor e amam, é claro que devem considerar em alta conta, e, amar cordialmente aqueles que Deus tem enviado com essa mensagem.



2 – Os crentes devem obedecê-los e animá-los Hb. 13.17: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que faça isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.”



3 – Os crentes devem providenciar a sua manutenção financeira:



- I Co. 9.13,14: “Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados do próprio templo se alimentam? E quem serve ao altar do altar tiram o seu sustento? Assim ordenou também o Senhor aos que pregam o evangelho que vivam do evangelho.”



- Gl. 6.6: “Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as cousas boas aquele que o instrui.”



- I Tm. 5.17, 18: “Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o trigo. E ainda: O trabalhador é digno do seu salário.”



Considerando que o mundo despreza aos crentes e em especial aos ministros do evangelho de Cristo e a sua mensagem, é justo que o povo de Deus os trate com consideração e gratidão, tendo-os por dignos de uma dupla recompensa da que dão aos outros homens.



Deus faz a sua parte, isso é fato!



Mas e os crentes, fazem a sua?

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

CONSELHO AOS JOVENS


“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade,
antes que venham os maus dias, e cheguem os anos
dos quais dirás: Não tenho neles prazer.”
 (Ec. 12.1)
 

 
 
Introdução:

          Decidi escrever aos jovens, especialmente aos jovens crentes, que em meio a um mundo secularizado, materialista e perdido, lutam contra as tentações da idade em busca de afirmação e reconhecimento, muitas vezes sem pensar que esse caminho fatalmente acabará em dor, sofrimento e morte.

O mal procedimento dos jovens crentes tem acusado os seus pais de negligência na sua criação e na sua orientação espiritual. É claro que os pais não induzem os seus filhos aos malfeitos e nem se sentem felizes quando sabem do comportamento inadequado dos seus filhos, porém, muitos pais são a causa dos maus procedimentos desses jovens.

Os jovens, entretanto, estão em busca de um viver desregrado e por causa dos seus próprios pecados eles deixam os seus pais livres de culpa pelas suas iniquidades.

Meu testemunho

A minha criação foi de sujeição e obediência aos meus pais. Foram as orientações do meu pai e da minha mãe que me mantiveram longe das más companhias e dos vícios. Quando estava longe de casa e por qualquer motivo eu brigava ou entrava em uma briga, fosse qual fosse o resultado, ao chegar em casa eu era corrigido por meus pais.

Percebi logo cedo, na adolescência e na juventude, que os companheiros da minha mesma idade não me convidavam para praticar nenhum benefício, fosse para nós mesmos ou para os outros, a tônica era somente para a prática do mal. Quando olho pra trás, me arrepia a constatação de que eu poderia não mais estar aqui contando essa história, por causa das enrascadas que os meus amigos me levaram a praticar.

Meus pais não me ensinaram o Evangelho, pois eles não sabiam do que se tratava, mas ainda assim eles temiam a Deus e me passaram esse temor, me dizendo para não esquecer disso.

A benção dos meus pais

Agradeço aos meus pais, que mesmo pobres, me deram o necessário para não padecer fome e frio. Eles não tinham muito, mas sabiam economizar e dividir com os filhos, afim de que não faltasse a subsistência a nós.

Passamos por privações e dissabores, e isso me ajudou a valorizar a vida, o trabalho, os estudos e o relacionamento com Deus, o qual conheci ainda bem jovem, aos 12 para 13 anos de idade. Por isso reforço o que diz a Escritura Sagrada: “Lembra-te do teu criador nos dias da tua mocidade...” (Ec. 12.1).

Meu conselho aos jovens

Eu escrevo a vocês jovens, que nem sequer me conhecem, para como a um amigo, lhes dizer que vocês precisam dar ouvidos à palavra do rei Salomão, descritas acima no texto bíblico que serve de base para esse texto: Lembra-te de Deus, não o esqueças, isso será luz para o teu caminho. Sinceramente eu desejo a todos vocês a paz e o descanso das vossas almas.

Ame a vida, cuidem das vossas almas, lembrem-se que vocês ficarão velhos e se não cuidarem disso que eu estou lhes falando, vocês poderão chorar sem ter alento, quando chegarem os “maus dias” de que fala o escritor sagrado.


Conclusão:

Lembrem-se também, de que ainda na juventude Deus pode ceifar a sua vida, e nesse caso, se vocês estiverem esquecidos de Deus, quem lhes dará consôlo? Que será de sua alma além-túmulo?

Se no entanto, vocês se lembrarem de Deus, do seu Criador, nos dias de sua mocidade, vocês serão bem-aventurados, esperançosos na velhice e felizes para toda a eternidade.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

AO ROMPER DA ALVA: Antônio Gonçalves Dias

O maior poeta maranhense, Gonçalves Dias, autor da célebre Canção do Exílio, que foi incorporada à letra do Hino Nacional Brasileiro: "Do que a terra é mais garrida / teus risonhos lindos campos tem mais flores / nossos bosques tem mais vida / nossa vida em teu seio mais amores".
 
A poesia abaixo é magnífica. O poeta derrama a sua alma diante Deus, revela uma fé forte e robusta e exalta as grandezas do Criador através de palavras poéticas e de rimas simples e bem feitas. Leia e aprecie a sonoridade das palavras do poeta caxiense.
 
 
 
 
 
AO ROMPER DA ALVA
(Gonçalves Dias)
 
Além de traz da montanha,
Branda luz se patenteia.
Que a dor noturna afugenta
Da Alma que sentida anseia.
 
 
Branda luz, que afaga a vista,
E que vem o céu tingir,
Quando entre o azul transparente
Parece alegre sorrir;
 
 
Como és linda! Como dobras
Da vida a força e o amor!
Como se insinua na alma
Teu luzir encantador!
 
 
No teu ameno silêncio
A tormenta se perdeu,
E do mar a forte vida
Nos abismos se escondeu!
 
 
Porque assim de novo, agora
Que o vento o não vem toldar,
Parece que vai queixoso
Mansamente a soluçar?
 
 
Porque os ramos do arvoredo,
Bem como as ondas do mar,
Sem correr sopro de vento,
Começaram a murmurar?
 
 
Sobre o tapete da relva,
A verde folha inclinada
Destila gotas de orvalho,
Rocio da madrugada.
 
 
Renascida a natureza
Parece sentir amor;
Mais brilhante mais viçoso,
O cálix levanta a flor.
 
 
Por entre as ramas ocultas,
Docemente a gorjear
Acordam trinando as aves,
Alegres no seu trinar.
 
 
O arvoredo nessa língua
Que diz, por que assim sussurra?
Que diz o cantar das aves?
Que diz o mar que murmura?
 
 
Dizem um nome sublime,
O nome do que é Senhor,
Um nome que os anjos dizem,
O nome do Criador.
 
 
Também eu, Senhor, direi
Teu nome, do coração
E juntarei o meu hino
Ao hino da criação
 
 
Quando a dor meu peito acanha,
Quando me rala a aflição,
Quando nem tenho na terra
Mesquinha consolação;
 
 
Tu, Senhor, do peso insano
Livras meu peito arquejante
Secas-me o pranto que os olhos
Estão vertendo abundante.
 
 
Tu pacificas minha alma
Quando se rasga com pena,
Como a noite que se esconde
Na luz da manhã serena.
 
 
Tu és a luz do universo,
Tu és o ser Criador,
Tu és o amor, és a vida,
Tu és meu Deus, meu Senhor.
 
 
Direi nas sombras da noite
Direi ao romper da aurora?
Tu é o Deus do Universo,
O Deus que minha alma adora.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

E OS TEUS BENS, INCLUSIVE O DINHEIRO, A QUEM PERTENCE?


Malaquias 3.7-12

Introdução:

 Algum tempo eu venho sendo indagado sobre o dízimo, se é uma ordenança bíblica ou se é meramente uma prática cultural judaica e que nada tem a ver conosco. Ninguém pode negar que o dízimo pertence ao Senhor. Muitos dizem que o dízimo era uma espécie de imposto aos judeus e que não teria nenhuma relação com o Novo Testamento.

Tendo como base a Escritura Sagrada, procurarei dar aqui uma exposição em ordem sobre o dízimo e como ele foi instituído não como um sistema de imposto para os judeus, mas como uma ordenança divina para todos os fiéis em toda e qualquer geografia e em todas as épocas.


Antes da Lei - Melquisedeque


Antes mesmo de existir a nação judaica, ainda nem mesmo existia a lei do Sinai, os crentes já consagravam os seus dízimos ao Senhor. Abraão entregou o seu dízimo a Melquisedeque e Jacó prometeu consagrar a Deus o dízimo de tudo o que possuía e essa decisão nos leva a entender que fosse uma prática entre aqueles que temiam a Deus.

Quando o dízimo foi instituído na lei mosaica como a expressão de lealdade para com o Senhor, não se constituía em uma lei nova, mas era o reconhecimento de um dever bem conhecido entre os hebreus antigos.


Medo de faltar o sustento


Para muitas pessoas é muito difícil retirar o dízimo de seus rendimentos mensais ou anuais. Com uma economia estável, muitos americanos e ingleses, sabendo dos seus rendimentos anuais, dizimam uma vez por ano, no valor correspondente aos doze meses do ano, assim muitas igrejas já estabelecem os seus orçamentos dentro dessa realidade. Para esses que acham que custa muito separar o seu dízimo, custa muito mais retê-lo e não contribuir, deixando a carga nos ombros de uns poucos na igreja. A avareza (amor ao dinheiro) causou muitas vezes o castigo pela infidelidade ao povo.

O mandamento de entregar todos os dízimos é um mandato literal, ou a pessoa obedece ou não. O povo foi chamado de roubadores de Deus, eles eram argentalhos, assim como muitos hoje o são. Esses nunca prosperarão nas bênçãos do Senhor, porque não são honestos para com Ele.

Os que tentam dar uma interpretação espiritual ao texto de Malaquias 3, tem uma péssima exegese, uma falsa teologia e uma prática pior ainda. A exortação do Senhor ao povo é que ele os deixaria por eles não cumprir com as suas obrigações pecuniárias.


Jesus ordenou o dízimo


Ainda há a ideia de muitos que dizem que o N.T. não legaliza a lei do dízimo. Dizem que a ordenança no N.T. é de contribuir livremente, sem nenhuma estipulação de percentual. Quem defende essa ideia, acaba por não obedecer nenhum outro mandato do Senhor, por exemplo, com relação ao Dia do Senhor, ou seja, acabam transformando os mandamentos do Senhor em coisa de pouca monta. Querem servir a Deus de acordo com as suas próprias elucubrações, e não como o Senhor ordena.

Jesus Cristo disse para sermos dizimistas. Em Mateus 23.23, diz: “Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas cousas, sem omitir aquelas”. Quando o texto diz “devíeis, porém, fazer estas cousas, sem omitir aquelas”. Está dizendo: “lembre-se dos preceitos da lei: justiça, misericórdia e fé, mas não deixem de entregar o dízimo”.

Devemos contribuir para o tesouro da casa de Deus, da mesma forma como ele nos tem dado o que temos. Quando a situação fica a nosso critério, a nossa avareza e a falta de fé por causa da nossa natureza caída, falará mais alto, principalmente quando ainda não somos convertidos.

Como cidadãos do nosso país nós pagamos os nossos impostos proporcionalmente, assim também Deus exige de nós que lhe consagremos os nossos bens também de forma proporcional e assim reconhecemos que tudo pertence a ele.

O Senhor pede de nós, além dos nossos dízimos, a sétima parte do nosso tempo e muitos dizem que isso é demais para um pobre pai de família assalariado que precisa do máximo de tempo para ganhar o seu sustento e de sua família. Existem tantos que estão sendo privados das bênçãos de Deus por causa da sua desobediência. Nenhum ser humano consegue trabalhar dez dias seguidos sem descansar, por isso Deus instituiu o Dia de Descanso. Nem mesmo a Revolução Francesa quando instituiu a semana de dez dias, pôde sobreviver por muito tempo. Deus exige a sétima parte do nosso tempo e o dízimo de toda nossa renda, este é um mandamento tão imperioso quanto aquele.
 
Conclusão:
 
Quando a pessoa não entrega o seu dízimo ao Senhor, através da tesouraria da igreja, por medo de lhe faltar a subsistência ou por qualquer outro motivo que seja, esse medo revela ser filho da incredulidade nas promessas do Senhor. Os que estão em conformidade com as leis de Deus, certamente serão abençoados. Muitos estão experimentando a satisfação de serem dizimistas. Experimente você, confie no Senhor, ele honrará a sua fé e lhe abençoará.

JOÃO HUSS NA FOGUEIRA

Introdução:
 
 
João Huss como ficou conhecido, era Reitor da Universidade de Praga, tendo adotado as idéas de John Wycliffe, foi condenado à fogueira pelo Concílio de Constaça no dia 6 de junho de 1415, pelo Cardeal João Bucka, conhecido como o bispo de ferro.
A vida e o apostolado de João Hus se deram entre o final do séc. XIV e o início dos primeiros anos do século XV, no reino da boêmia. Huss e o movimento hussita são, portanto contemporâneos de Joana d'Arc. A reforma religiosa, da qual Huss foi o incentivador mais potente e o mártir, suscitou no país uma revolução social e guerras, a revolução e as guerras hussitas — de alcance internacional — cuja agitação pareceu por um momento arrebatar o destino da Europa. A epopéia hussita marcou de modo indelével o espírito nacional do povo tcheco. Um ideal de austeridade, pobreza, igualdade fraternal, resistência invencível à opressão, um cristianismo rude e simples de camponeses e soldados, uma fé que se ergue acima das montanhas, assim se demonstra o hussita, tipo admirável de guerreiro e crente, "soldado de Deus", como ele próprio se define.
 João Huss, doutor, profeta e mártir, permaneceu um herói nacional para o povo da boêmia. Por ele a alma tcheca elevou-se por um momento à consciência humana. Seus discípulos realizaram a única reforma que teve êxito em restaurar o cristianismo primitivo na Igreja. Eles fundaram um Estado cristão popular que, por mais de quinze anos, desafiou a Europa dos senhores eclesiásticos e laicos coalisados para o destruir. A derrota dos hussitas pela intriga dos clérigos de Bale e pela traição dos nobres da boêmia dissipou toda esperança de reforma na Igreja do Ocidente até o protesto de Lutero.

Victor-Marie Hugo (nasceu em Besançon, França em 26 de fevereiro de 1802 — Morreu em Paris, França, a 22 de maio de 1885). Foi um novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política em seu país. É autor de Les Misérables (Os miseráveis) e de Notre-Dame de Paris (O corcunda de Notre-Dame), entre diversas outras obras clássicas de fama e renome mundial.
       O poema abaixo, atribuído a Victor Hugo, encontrei-o em um periódico, onde foi publicado a mais de 100 anos atrás, não posso atestar se de fato pertence à pena do grande escritor francês, porque não encontrei nenhuma menção à esse poema nos seus escritos ou noutra pesquisa que fiz. Porém, o poema é belo, e trata da vida de um pré-reformador que foi morto pelo romanismo em 1415. Leia e aprecie.
 
Jon Hus e a fogueira
(Victor Hugo)

Um dia o sacro templo humano – o Pantheon
Esconderá na sombra as vossas catedrais,
Sombrias Stambuls, Sodomas infernais!
E o véu do esquecimento ocultará gelado
A multidão estranha e negra do passado,
Em tanto que o futuro – esse farol gigante
Envolverá no brilho a humanidade infante,
Fotografando n’alma o sentimento eterno
A luz do sol fulgente, a luz do amor fraterno!

 
A humanidade é grande e sente no seu peito
Alguma coisa estranha o quer que é suspeito –
O coração que a leva em busca do futuro,
Como quem vai na sombra aconchegado a um muro!
E teme a compaixão qual sorvedouro fundo
Cuja garganta enorme é a sociedade, o mundo,
E preferindo o ódio há de ir prender-se ao mal
Pra não pensar sequer na compaixão fatal.
Diz o perdão-amor! O amor é um mistério,
Que envolve num só véu o berço e o cemitério!
O amor é um problema, e é tão profundo isto,
Que apenas o entendem um cérebro – o de cristão!

 
João Huss já sobre pilha enorme de madeira
Olhava, como estátua, as chamas da fogueira
E vê aproximar-se em vagarosos passos
O algoz sinistro e vil, que vai prender-lhe os braços!
A fronte horripilante, estúpida, animal,
Do monstro que tortura, apática, infernal,
Do monstro executor, do monstro audaz e forte,
Fita no pensador o fero olhar da morte.
O olhar é como um raio! O soluçar um grito
Que vai repercutir nos mares do infinito!
O algoz é como a fera a quem o sangue instiga,
É como o herói tremendo em uma lenda antiga;
Arrasta sem temer e mata sempre a rir;
Não sabe o que é chorar, não sabe o que é sentir!

 
A multidão corria a admirar a festa,
E Huss vê chegar esse homem, essa besta,
Esse ente que horroriza, envilecido, informe,
Filho talvez da morte, irmão talvez do mal,
Que tem nos ombros nus o estigma fatal,
Que tem um coração talvez de pederneira,
Que lança da pupila as chamas da fogueira!
O algoz estava ali, sereno, junto ao crime,
Na bruta indiferença, a quem já nada oprime.
 

Quem sabe quanto grito as rugas infernais
Daquele rosto alvar, quem sabe quantos ais
Indicam elas, que? Quantas mães queimadas
Em nome da justiça? E quantas condenadas
Em nome de Jesus, as húmidas cavernas;
Da tétrica masmorra às solidões eternas!

 
A sua vida inteira estava ali pintada
Na funda hediondez daquela fronte irada
O luto da orfandade, a viuvez, o pranto,
Estendem sobre o algoz a escuridão do manto!

 
Os filhos do carrasco a morte os alimenta
Do sangue derramado; e sempre ela sedenta
Espalha pelo espaço a avermelhada chama
Com os trapos da miséria arranja-lhes a cama!

 
Os punhos em ferida aberta em ferro quente,
Crispavam como anéis nervosos de serpente!
Com o peito semi-nu, os negros pés descalços,
Medonha caricatura, horror dos cadafalsos.
 

Vigia cuidadoso aquela cova ardente,
Porque é preciso enfim, que o seu calor aumente,
E lança para ali, pra dentro da fornalha,
Como um tirano lança as hostes à batalha,
A lenha que alimenta a vida da fogueira....
E Huss, que se estorce em ânsia derradeira,
Levanta para o céu os olhos da agonia
E diz - Eu te perdôo... Depois a cinza esfria...
O esquecimento é um antro em que baqueia a glória,
Mas esta sombra enorme errante pela história
Recorda a cada instante e lembra a todos nós
O nome desse herói, as chamas e o algoz!

Minhas postagens anteriores