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quarta-feira, 31 de julho de 2019

POR UM SÓ PECADO.



POR UM SÓ PECADO.

“Mas os filhos de Israel foram infiéis no tocante às coisas condenadas; Acã, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou das coisas condenadas. Assim a ira do Senhor se acendeu contra os filhos de Israel.”
(Josué 7.1)

O texto acima diz que Acã desobedeceu o mandamento explícito do Senhor e tomou uma parte dos despojos de Jericó. Uma pequena parte. Por causa de sua má ação, os exércitos de Israel foram derrotados, e por fim Acã foi castigado pelo seu pecado.

Abaixo faço uma aplicação geral desta triste história relatada no livro de Josué, fazendo uma comparação da igreja de hoje e das más ações que vemos de alguns dos seus membros:

1 – O pecado de uma só, dentro da igreja, diminui o poder espiritual de toda a congregação;
2 – O pecado de um só traz desonra sobre a Igreja de Cristo;
3 – O pecado de um só pode ser um grande impedimento para a conversão dos pecadores;
4 – O pecado de um só torna-se um mal precedente, que muitas vezes, é imitado por outros;
5 – O pecado de um só, com frequência, impede os bons frutos que das bençãos divinas.

            Em obediência à Palavra de Deus e à exigência de nossa santidade, não podemos ceder ao pecado, não só pensando em nosso próprio castigo, mas sabendo que por nossa causa, o nosso próximo pode sofrer eternamente.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

SEMANA DA REFORMA - LUTERO, A REFORMA E OS ROMANISTAS ULTRAMONTANOS



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Rev. João d’Eça, MD




Introdução

Lutero com o seu trabalho em prol do Evangelho de Jesus Cristo, arrancou das garras do papa metade de toda a Europa de sua época e abalou o mundo conhecido de então, com repercussões até os nossos dias. Ele recebeu um salvo conduto do Imperador Carlos V, no qual estava escrito: “ao mui pio e caro doutor Martinho”. Foi Lutero o homem que recebeu a estima e amizade do príncipe Frederico, o sábio, foi amigo de Spalatin, dos sábios e dos cavaleiros da Alemanha e concentraram-se nele todos os olhares da Europa.

Roma queria queimá-lo; mas todo o poder e explendor de Leão X não conseguiu reduzir em cinzas, o “bêbado Saxonico” como ele lhe chamava. Caetano e Aleander, o sábio e astuto, primeiro orador de seu tempo, mandado à Dieta de Worms para representar o poder papal, não conseguiram seus intentos.

Se Lutero fosse na verdade o que os seus inimigos queriam que ele fosse, se na verdade ele tivesse sido um neófito, então o que diríamos do romanismo e do seu papa?


Resumo biográfico de Lutero

Nasceu em Erfurt na Turíngia, em 10 de novembro de 1483. Depois de ter iniciado os estudos em Erfurt, foi para a universidade onde depois de quatro anos recebeu o grau de Mestre em Ciências e Doutor em Filosofia.

Entrou para o convento dos agostinianos, e conforme diz Dollinger, Staupitz o isentou dos serviços prescritos pela ordem. A Universidade de Erfurt, a mais célebre da Alemanha à época, já havia concedido a ele o grau de Mestre em Ciência e doutor em Filosofia em uma festa com grande pompa.

O trabalho de Lutero no convento era o de vigia, abrir e fechar portas, dar cordas no relógio, varrer a igreja e limpar as celas, e quando tinha acabado o serviço cum sacco per civi tatem, com o saco pela cidade. Esse foi tratamento que o jovem doutro recebeu no convento.

Sobrecarregado com tantos trabalhos não lhe sobrava tempo para os seus estudos e os seus superiores no convento não lhe permitiam que ele deixasse o trabalho para estudar. Quando o viam debruçado sobre uma leitura, murmuravam: “não é preciso estudar mas mendigar pão, trigo, ovos, peixes, carne e dinheiro para se tornar útil ao convento.”[1]

O piedoso e sábio Staupitz, somente depois, a pedido de alguns amigos de Lutero, lhe mitigou a aspereza do tratamento, isentando-o de alguns serviços para dar-lhe tempo de estudar. Assim era o jovem Lutero, acusado injustamente pelo romanismo de orgulhoso.


Lutero ordenado sacerdote

O jovem Lutero depois de dois anos de sofrimento e trabalhos duros no convento foi ordenado sacerdote. Quando Lutero convenceu-se do sacrifício único do filho de Deus, quando entendeu o alcance da morte de Jesus Cristo, quando reconheceu o Cristo como a única vitima pelo pecado e como único sacerdote, e, lembrando se das palavras: “accipe potestatem sacrificandi pro vivis ed mortius”[2] proferidas pelo bispo ao lhe entregar o cálix, exclama: “Se a terra não nos engoliu então a ambos, não foi porque não o merecêssemos, mas sim pela grande paciência e longanimidade do Senhor.”

Lutero experimentou tremendas lutas contra o pecado aos quais não eram compreendidas pelos outros frades do convento que viviam somente para comer e ter regalias eclesiásticas, enquanto que o jovem Lutero estava em busca da verdade e da paz completa em sua consciência. Ele procurava viver uma vida de santidade e pensava que alcançaria no claustro, vestindo o hábito dos agostinianos, cria também expiar os seus pecados pelas obras mortas da carne, com as penitencias que a “santa igreja” lhes impunha. E ainda pior para a sua mente atormentada, ele se ocupava em sacrificar a carne com jejuns, macerações e vigílias. Lutero diz:



Eu me atormentei até a morte afim de alcançar para meu coração perturbado e minha consciência agitada, a paz de Deus; mas, rodeado de trevas espantosas não achei paz em parte nenhuma. Velava, jejuava, maltratava meu corpo, nada conseguia com isso. Então prostrado de tristeza, atormentava-me com a multidão de meus pensamentos. Vê! Gritava comigo mesmo, és ainda invejoso, impaciente, colérico!... Então de nada te serviu o teres entrado nesta sagrada ordem.[3]



Seu amigo Filipe Melanchton testemunha: “Seu corpo se consumia, as forças o abandonavam, chegava às vezes a ficar como morto”.[4]

Em outro momento da vida de Lutero no convento há o seguinte testemunho:



Oh, exclamou o frade saxônico. Se a consolação do Evangelho de Cristo não me teria salvado eu não teria tido dois anos de vida. Nunca a igreja de Roma teve um frade mais devoto, Nunca em convento algum se viu uma aplicação mais sincera e mais infatigável para conseguir felicidade eterna.[5]



Em uma carta que escreveu ao duque Jorge da Saxônia, ele diz: “Se jamais houve frade que entrou no céu pela sua dedicação, eu de certo poderia entrar”.


Lutero e a Bíblia

Até que se converteu lendo as Sagradas Escrituras em Rm. 1.17, Lutero sofreu amarguras, lutou contra si próprio, ficou desesperado pelo pecado, assim como o apóstolo Paulo, o rei Davi e todos os crentes que em comunhão com Deus, sustentam as mais terríveis lutas com o adversário das nossas almas. Quem não passa por lutas assim, sendo cristão, não é um verdadeiro cristão.

O crente verdadeiro quando é despertado pela iluminação do Espírito Santo vê a santidade dele e a sua profunda miséria diante de um Deus que exige pureza de coração, de pensamento, de motivo e, posto face a face com esse Deus Santo, não pode senão desesperar de si mesmo, e gritar como fez o apóstolo Paulo: “Miserável homem que sou quem me livrará do corpo dessa morte?”[6]

A resposta é dada pelo apóstolo dos gentios na sequencia: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado”.[7] Esse é o meio para aplacar o desespero da lama de Lutero. Foi a crença na remissão do pecado pelo sangue de Jesus Cristo que tranquilizou sua alma e sarou as feridas abertas pelas invencionices do romanismo.

Quando a alma sedenta aspira alguma coisa mais do que a santidade exterior, essa capa com que se encobre a maldade interna, não fica satisfeita até achar a Fonte cristalina, o Rio da vida onde pode saciar a sua sede, onde acha graça e perdão. Esse perdão e essa graça só pode ser encontrado em Jesus Cristo crucificado, “porque debaixo do céu não existe outro nome dado pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12).

A graça e o perdão de Deus só podem ser obtidos mediante a fé (Ef. 2.8). Essa é a verdadeira doutrina paulina, diferente da doutrina romanista que alega a prática de boas obras, igual ao espiritismo kardecista. O apóstolo Paulo diz em Romanos 5.1: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.” Desse modo concluímos que Lutero ensinou o que aprendeu de Paulo, ele estava arraigado na doutrina dos apóstolos, foi fiel a essa doutrina, lutou pela verdade e venceu.

Lutero lutou contra todas as aberrações do romanismo com as suas doutrinas perniciosas como a missa, a confissão, as indulgências e contra todos os dogmas humanos, extraídos não das Sagradas Escrituras, mas de mentes humanas pervertidas. Haverá doutrina mais destruidora do que essas? Erasmo de Roterdã respondendo a Frederico, o sábio, a cerca de Lutero, lhe respondeu: “Lutero cometeu dois grandes crimes: atacou a tiara do papa e a barriga dos frades”.

Conclusão

Lutero foi um homem diferenciado em seu tempo, aprouve a Deus escolhê-lo para tão grande e árdua tarefa. Ele incomodou os ultramontanos (romanistas) e o testemunho que se dá dele é: “Cristão austero, alemão de costumes simples e puros, homem de razão desenvolvida”.[8]

Lutero era em tudo diferente de João Tetzel (o vendedor de indulgências), charlatão de feira que embebedava-se nas tavernas e sendo convencido de adultério em Inspruck, foi salvo de ser lançado ao rio cozido em um saco por Frederico da Saxônia. Que diferença entre esse monge de costumes simples e o jovem cardeal eleitor de Moguncia e Magdeburgo cuja sede de dinheiro para sustentar o luxo de sua coorte oriental era insaciável. Que diferença entre esse homem de fé profunda e o famigerado papa Leão X que tratava o cristianismo de fábula. E os outros papas tipo Bento, os Bórgias, plêiade de criminosos ilustres que foram a vergonha da humanidade.

O escritor Petrarca, ao contemplar tanta miséria descreve o vaticano como um covil de ladrões: “La grota dei ladroni”.



[1] MATESIUS. Selnecceri Orat. De Lutero, p. 5
[2] “Tome o poder de sacrificar para os vivos e os mortos”
[3] MELANCHTON. Vita Luteri.
[4] Op. Cit
[5] Cochloens.
[6] Romanos 7.24
[7] Rm. 7.25
[8] CANTÚ, vol. 13. P. 369

terça-feira, 22 de setembro de 2015

E OS TEUS BENS, INCLUSIVE O DINHEIRO, A QUEM PERTENCE?


Malaquias 3.7-12

Introdução:

 Algum tempo eu venho sendo indagado sobre o dízimo, se é uma ordenança bíblica ou se é meramente uma prática cultural judaica e que nada tem a ver conosco. Ninguém pode negar que o dízimo pertence ao Senhor. Muitos dizem que o dízimo era uma espécie de imposto aos judeus e que não teria nenhuma relação com o Novo Testamento.

Tendo como base a Escritura Sagrada, procurarei dar aqui uma exposição em ordem sobre o dízimo e como ele foi instituído não como um sistema de imposto para os judeus, mas como uma ordenança divina para todos os fiéis em toda e qualquer geografia e em todas as épocas.


Antes da Lei - Melquisedeque


Antes mesmo de existir a nação judaica, ainda nem mesmo existia a lei do Sinai, os crentes já consagravam os seus dízimos ao Senhor. Abraão entregou o seu dízimo a Melquisedeque e Jacó prometeu consagrar a Deus o dízimo de tudo o que possuía e essa decisão nos leva a entender que fosse uma prática entre aqueles que temiam a Deus.

Quando o dízimo foi instituído na lei mosaica como a expressão de lealdade para com o Senhor, não se constituía em uma lei nova, mas era o reconhecimento de um dever bem conhecido entre os hebreus antigos.


Medo de faltar o sustento


Para muitas pessoas é muito difícil retirar o dízimo de seus rendimentos mensais ou anuais. Com uma economia estável, muitos americanos e ingleses, sabendo dos seus rendimentos anuais, dizimam uma vez por ano, no valor correspondente aos doze meses do ano, assim muitas igrejas já estabelecem os seus orçamentos dentro dessa realidade. Para esses que acham que custa muito separar o seu dízimo, custa muito mais retê-lo e não contribuir, deixando a carga nos ombros de uns poucos na igreja. A avareza (amor ao dinheiro) causou muitas vezes o castigo pela infidelidade ao povo.

O mandamento de entregar todos os dízimos é um mandato literal, ou a pessoa obedece ou não. O povo foi chamado de roubadores de Deus, eles eram argentalhos, assim como muitos hoje o são. Esses nunca prosperarão nas bênçãos do Senhor, porque não são honestos para com Ele.

Os que tentam dar uma interpretação espiritual ao texto de Malaquias 3, tem uma péssima exegese, uma falsa teologia e uma prática pior ainda. A exortação do Senhor ao povo é que ele os deixaria por eles não cumprir com as suas obrigações pecuniárias.


Jesus ordenou o dízimo


Ainda há a ideia de muitos que dizem que o N.T. não legaliza a lei do dízimo. Dizem que a ordenança no N.T. é de contribuir livremente, sem nenhuma estipulação de percentual. Quem defende essa ideia, acaba por não obedecer nenhum outro mandato do Senhor, por exemplo, com relação ao Dia do Senhor, ou seja, acabam transformando os mandamentos do Senhor em coisa de pouca monta. Querem servir a Deus de acordo com as suas próprias elucubrações, e não como o Senhor ordena.

Jesus Cristo disse para sermos dizimistas. Em Mateus 23.23, diz: “Ai de vós escribas e fariseus hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas cousas, sem omitir aquelas”. Quando o texto diz “devíeis, porém, fazer estas cousas, sem omitir aquelas”. Está dizendo: “lembre-se dos preceitos da lei: justiça, misericórdia e fé, mas não deixem de entregar o dízimo”.

Devemos contribuir para o tesouro da casa de Deus, da mesma forma como ele nos tem dado o que temos. Quando a situação fica a nosso critério, a nossa avareza e a falta de fé por causa da nossa natureza caída, falará mais alto, principalmente quando ainda não somos convertidos.

Como cidadãos do nosso país nós pagamos os nossos impostos proporcionalmente, assim também Deus exige de nós que lhe consagremos os nossos bens também de forma proporcional e assim reconhecemos que tudo pertence a ele.

O Senhor pede de nós, além dos nossos dízimos, a sétima parte do nosso tempo e muitos dizem que isso é demais para um pobre pai de família assalariado que precisa do máximo de tempo para ganhar o seu sustento e de sua família. Existem tantos que estão sendo privados das bênçãos de Deus por causa da sua desobediência. Nenhum ser humano consegue trabalhar dez dias seguidos sem descansar, por isso Deus instituiu o Dia de Descanso. Nem mesmo a Revolução Francesa quando instituiu a semana de dez dias, pôde sobreviver por muito tempo. Deus exige a sétima parte do nosso tempo e o dízimo de toda nossa renda, este é um mandamento tão imperioso quanto aquele.
 
Conclusão:
 
Quando a pessoa não entrega o seu dízimo ao Senhor, através da tesouraria da igreja, por medo de lhe faltar a subsistência ou por qualquer outro motivo que seja, esse medo revela ser filho da incredulidade nas promessas do Senhor. Os que estão em conformidade com as leis de Deus, certamente serão abençoados. Muitos estão experimentando a satisfação de serem dizimistas. Experimente você, confie no Senhor, ele honrará a sua fé e lhe abençoará.

terça-feira, 16 de junho de 2015

FREQUENCIA AOS CULTOS: DEVER DE TODO CRENTE

Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.
(Hb. 10.25)

Como é triste ver que os crentes, lavados e remidos pelo precioso sangue de nosso Senhor Jesus Cristo estão desprezando os cultos, sem motivos que os justifique.

Enquanto muitos outros crentes correm felizes para os encontros semanais de adoração ao Senhor, esses outros ficam em casa, preguiçosamente, dando mau testemunho de sua fé, pecando e fazendo pecar a outros irmãos.

Enquanto em muitos lugares do país, muitos crentes suspiram pela bendita comunhão dos irmãos, os crentes frios se deixam ficar na indolência, esquecidos do crime que estão cometendo diante do trono de Deus.

As pessoas mundanas buscam com entusiasmo as suas reuniões, políticas, literárias, científicas ou ainda, simples diversão ou suas festas, enquanto que alguns crentes, herdeiros das ricas promessas de Deus, esquecem de seus deveres, não cumprem com a sua obrigação assistindo aos cultos em que se louva o nome de Deus.

A carta aos hebreus 11.37, 38, nos diz:

Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.

Nós pelo contrário, temos liberdade; podemos de portas abertas cultuar e orar ao Nosso Pai do Céu; ninguém nos oprime. Muitos estão abusando da sua liberdade, negligenciando os ricos dons de Deus, negligenciando os seus deveres sagrados.

Somos crentes e temos a responsabilidade de mostrarmos ao mundo a nossa dedicação pelas coisas santas. Devemos fazer a nossa luz brilhar diante dos homens, para que eles glorifiquem o nome do nosso Pai, que está nos céus. Temos a responsabilidade de dar ao mundo a razão da nossa fé: Sejamos afeitos aos nossos deveres, dedicados, constantes, sinceros, anunciando o Nome que está sobre todo nome aos nossos parentes e vizinhos descrentes que vivem nas trevas do pecado.

Jesus Cristo disse em Mateus 10.32, 33:

Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante do meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.

O fato de cultuarmos a Deus com os irmãos, em comunhão, é um modo eloquente de confessar o nome de Deus. O profeta do Apocalipse, João, diz em Ap. 4.10, 11:

Os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono proclamando: Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas.

Aquilo que produz júbilo, entusiasmo, alegria imensa nos céus, não nos encherá de gozo, não deverá ser o nosso maior contentamento?

Irmãos meditem no que vocês estão fazendo. Vocês estão negando o nome de Cristo se não cultuarem em comunhão com os irmãos, ao Senhor. Como podem negligenciar tamanho privilégio? Como podem não se sentirem satisfeitos em cumprir com tão honroso dever? Que exemplo vocês estão dando aos seus filhos?


Se vocês prometeram educar os seus filhos no “amor e no temor do Senhor”, se vocês prometeram livrá-los das más companhias, se prometeram orar com e por eles, se prometeram ensiná-los as Sagradas Escrituras, como podem, diante do trono de Deus, negligenciar as suas responsabilidades?



O autor é pastor presbiteriano, e mestre em Teologia Histórica pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper.

terça-feira, 19 de maio de 2015

MOVIMENTO DE IGREJAS EM CÉLULAS – MODELOS DE CRESCIMENTO DE IGREJAS OU PRAGMATISMO HUMANISTA

Por

Rev. João d'Eça

Tenho acompanhado o movimento de crescimento de igreja desde o ano de 1995 e participei de muitos congressos e encontros de várias vertentes desse movimento: Igreja em Células, Rede Ministerial, MCI, etc.

Nesse artigo pretendo mostrar algumas incoerências do movimento de crescimento de igreja ou movimento de igreja em célula, que no fim são os dois a mesma coisa, seja em que modelo for: dos 12, dos 10, dos 5, etc....

Já li praticamente todos os manuais de estratégias do movimento de crescimento de igrejas produzido nos últimos 30 anos, principalmente os de Cominskey e Neighbour, e uma coisa em comum que encontrei em todos eles, é que não há nenhuma fundamentação bíblica para as suas alegações. No máximo usam o texto de Atos 2.46 e 5.42 e nada mais. Aliás os proponentes do movimento igreja em células são declaradamente contra as doutrinas estabelecidas. Eu, por exemplo, já ouvi de um pastor, que ele não mais ensina doutrina em sua igreja, por ser muito difícil e que ele administra a igreja como se fora uma empresa. Lembro de ter dito a ele uma frase que eu já ouvira e que não sei quem é o seu autor, que diz: “O Evangelho te põe no caminho, mas a doutrina te mantêm nele”.

O movimento de igreja em célula começou a tomar corpo com as publicações de Paul Young Cho e depois com as várias viagens de todo o mundo para a Coreia do Sul, para se ver em loco o trabalho da igreja de Cho. Multidões de pastores saíram do Brasil e fizeram essa viagem em grandes caravanas. Eu posso dizer com toda a certeza de que o movimento de células, crescimento de igrejas visando alcançar a “Mega-Igreja” ou modelo dos 12, 10, 5 etc, nada mais é do que um movimento secular de gerenciamento de empresas (igrejas), para fazer o negócio prosperar.

Figuras Carismáticas

          O movimento gira em torno de uma figura carismática, líder e iniciador da novidade na igreja local, que mais tarde rompe com a denominação ou com o líder que estaria acima dele e dai, parte com o seu séquito para montar a sua própria igreja, onde esse líder será o dono do “negócio” e se acercará de outros líderes no convencimento das pessoas, através de gerenciamento empresarial, seguido de definição de “Missão” e “Visão” e outras estratégias necessárias para fazer o negócio prosperar.

         O interessante disso tudo é quem começou o movimento no Brasil foi a Assembléia de Deus, trazendo as ideias do Colombiano César Castellanos e o seu movimento G12. Ele diz que recebeu de Deus uma “revelação” de que ele iria pastorear um rebanho tão grande quanto as estrelas do céu. As Assembléias de Deus não deram continuidade e outras igrejas passaram a adotar o sistema mundano de igreja em célula.

         Esse sistema secular e mundano destruiu a unidade da igreja evangélica brasileira que vinha experimentando um início de avivamento desde os anos 70 e que foi barrado por essa novidade no começo dos anos 80. O movimento dividiu inúmeras denominações e igrejas desligaram-se de denominações históricas por causa da megalomania de alguns pastores que viam nesse movimento, uma oportunidade de dominação e enriquecimento.

A característica do movimento igreja em célula

         Claramente está explícito nos escritos dos fundadores do movimento, que suas características são pentecostais. Assim como César Castellanos, Comiskey também diz que Deus começou a falar com ele e lhe disse que ele teria também de começar o movimento “celular” em seu ministério.[1] A maioria dos líderes do movimento igreja em células, ou são pentecostais ou simpatizantes.

Habilidade Humana e pragmatismo

         O movimento de igreja em célula, ou “celular” está centrado na dicotomia “sucesso” e ou “fracasso”. Na mentalidade dos seus líderes, a habilidade humana de conduzir o processo é que vai definir o sucesso ou o fracasso naquela igreja local, ou seja, não depende da ação de Deus e do Seu Santo Espírito, mas da competência para o “sucesso” ou inabilidade do condutor para o “fracasso”.

         Pragmatismo pode ser definido como “fazer dar certo”, ou seja, usa-se determinada estratégia, geralmente inventada num outro contexto e trabalha-se para obter-se os resultados pré-definidos a serem alcançados, não importa como (os fins justificam os meios). Eles determinam o tempo de frutificação das pregações e ai estabelecem uma data para a multiplicação, fechamento ou reestruturação da célula.

Os líderes do movimento dizem que por experiência própria eles entenderam que o prazo de seis meses é o tempo para a célula estagnar, porque é nesse tempo que as pessoas conseguem se tolerar e é ai que o “pequeno grupo” deve se multiplicar (com 12, 10, 5 ou de outra forma), ou deve se reestruturar.[2] Com isso fica claro que o movimento de célula não passa de um método humano. Como bem disse Paul Washer: “São pessoas mundanas, pregando um evangelho mundano, para atrair outras pessoas mundanas”.

O Encontro foi “Tremendo”

         No início do movimento criaram uma estratégia de “encontros” de três dias onde usava-se técnicas psicológicas e até “terapia da regressão”, nos piores moldes espíritas, para fazer as pessoas confessarem os seus pecados ou a voltar muitas vezes até o ventre materno, para descobrir qual a razão do “fracasso” na vida espiritual. Paul Young Cho enviava os líderes de células que fracassavam, para um retiro na “Montanha de Oração”, para jejuar e orar em busca do sucesso, e os que obtinham esse “sucesso”, eram elogiados em público para servirem de exemplo.[3]

         A estratégia do encontro ainda continua na maioria das igrejas que adotaram o movimento, algumas com outros nomes, estrategicamente mudados para estarem de acordo com as pretensões de seus líderes. Na maioria das vezes, esses encontros começam numa sexta-feira e termina no domingo pela manhã, onde os “líderes” trazem os seus “discípulos” para o batismo. E há a competição entre os líderes para ver quem conseguiu mais “discípulos”. Já vi muitos jovens de outras igrejas serem levados por parentes ou amigos e de forma constrangedora, serem levados a esses batismos e nunca mais voltaram a essas igrejas novamente, mas fizeram parte da estatística dos líderes.

         Para os líderes do movimento de igreja em células, conversão e salvação são resultados de habilidades humanas e não da visitação especial de Deus. Para eles, os discipuladores precisam adaptar pessoas vindas do paganismo ao estilo de vida cristã através das estratégias e dos métodos por eles aplicados. Os livros publicados pelo movimento trazem centenas de estratégias de como multiplicar as células ou de como produzir “crentes” em série. Na Escritura Sagrada, conversão e salvação são obra da visitação especial de Deus. Não existe ninguém recebendo elogios pelos meses que passaram para “produzir” um novo crente. Na Bíblia essa tarefa é de Deus e do Seu Espírito Santo. “... Não é por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos exércitos” (Zacarias 4.6).

         Nas Sagradas Escrituras, a mensagem do Evangelho nunca foi camuflada na intenção de atrair pessoas e os apóstolos nunca montaram estratégias de fazer amizades para tentar atrair pecadores pela simpatia. O Evangelho sempre foi o Poder de Deus e sempre foi pregado não importando se iria ou não ofender o pecador. Jesus disse aos seus discípulos:

Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.[4]


Não havia “quebra-gelo” no tempo dos apóstolos, as pessoas não eram convencidas dos seus pecados por fazer “terapia de regressão”. Eles não obedeciam o Evangelho porque as suas necessidades haviam sido supridas, inclusive Jesus repreendeu os que assim faziam: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que subsiste para avida eterna, a qual o filho do homem vos dará; porque Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo”. (João 6.27). O Evangelho pregado por Jesus, por João Batista e pelos apóstolos, era ofensivo e chamava os pecadores ao arrependimento. A Nicodemos Jesus disse: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3.3).

A sobrevivência do movimento “celular”

         O movimento celular sobrevive por meio de suas estratégias humanistas, sem nenhuma ênfase nas Escrituras Sagradas. A Bíblia para o movimento está mais para um “manual de auto-ajuda”, do que Palavra de Deus. É certo que nunca poderíamos esperar que uma estratégia humanista viesse a enfatizar as Escrituras. Eles desprezam a Escola Dominical, desprezam o Dia do Senhor e desprezam todos os valores herdados da Reforma Protestante do século XVI. Eles dizem que doutrina e evangelização são duas coisas diferentes, devem permanecer separadas e uma não precisa da outra. O que vale é o pragmatismo. Isso é o resultado de um movimento que não nasceu das Escrituras. O “encontro” de células é um encontro puramente humano com uma roupagem de reunião em torno da Bíblia.



         No próximo post, vamos provar que a Bíblia não é central no encontro de célula do movimento “celular” humanista.




[1][1] Comiskey. Cresimento Explosivo. p. 12.
[2] NEIGHBOUR, Ralph. Manual do Líder de Célula, p. 113
[3] COMISKEY. Crescimento Explosivo. pgs. 25 e 97
[4] Mateus 10. 34-36

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

AVALIAÇÃO DO VÍDEO ABAIXO.

Recebi um vídeo de uma pessoa amiga que mostrava um menino de uns 10 a 12 anos em uma igreja, que na hora de uma reunião daquela igreja, que não fica claro se era um culto, um encontro informal ou uma reunião de oração.

O fato é que o menino começa a balbuciar palavras como se Deus o estivesse tomado naquela hora para entregar uma mensagem à igreja. 

Apropriadamente alguém estava filmando e a mensagem foi posta na Net e ai passou a ser uma mensagem a quem ver o pequeno vídeo, ou seja, a todos que assistirem.

Quando recebi o vídeo, agradeci e disse que iria avaliar. A primeira reação da pessoa que me enviou o vídeo foi de espanto: “Avaliar?”. Eu disse “sim, avaliar”, para “saber se a manifestação é humana, doentia ou diabólica...” e completei: “mas uma coisa fica clara, divina não é!”.

A pessoa me perguntou: “como assim, não é divina?” Então eu disse que iria avaliar e que iria publicar na Net, no Whatsapp e no Facebook a minha avaliação, que é o que faço abaixo:

Avaliação do vídeo.

Em primeiro lugar a reação de espanto da irmã não se justifica, porque a Escritura Sagrada diz em I João 4.1: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas tem saído pelo mundo fora.”

Só esse texto já nos exorta a fazer avaliações a não acreditar em qualquer coisa que vemos ou ouvimos. O padrão de avaliação é a Escritura Sagrada, a palavra de Deus inspirada. Tudo que contraria a Escritura Sagrada tirando ou acrescentando algo, deve ser considerado herético, é o que nos diz a Palavra de Deus em Apocalipse 22.18: “...Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhes acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer cousa das palavras do do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das cousas que se acham escritas neste livro.

Entendem errado, os que alegam manifestar os mesmos dons extraordinários dos apóstolos, hoje. O texto que fala da manifestação desses dons extraordinários pelos apóstolos tinha como propósito o testemunho da confirmação da Palavra de Cristo por meio dos apóstolos a nós, isto é, atestar a doutrina apostólica como a própria Palavra de Deus.

Os milagres e os dons extraordinários do Espírito não eram para todo o tempo, mas para a era apostólica; esses dons extraordinários estavam ligados pela vontade divina ao ofício de apóstolo, para que eles pudessem confirmar a Palavra que os apóstolos traziam (I Co. 12.10; Mc. 16.20; Atos 14.3).

Vamos ao vídeo: 

Parece que em uma reunião de oração, com pouca gente, parece não haver mais do que 15 pessoas no culto, um menino de repente se levanta do seu lugar onde estava orando e começa dizer um monte de coisas como se fosse o próprio Deus falando através dele, àquela comunidade.

A pessoa que gravou o vídeo, parece ter iniciado depois que ele começou a falar e não gravou o início da fala. O que o menino diz é muito importante para essa avaliação: 

Ouvindo bem, antes de se levantar, ele diz:

- “.... apascentar Jerusalém. Agora eu quero ver quem são os fiéis de verdade.”

Há um momento de emoção de outras pessoas e não se ouve o que ele diz até que ele se levanta:

- “... porque quem manda na igreja sou eu... quem manda na minha igreja sou eu, eu sou o senhor (...) eu sou o único, o poderoso, eu sou o alfa e o ômega e não há outro além de mim. Eis que satanás está preparando uma grande peleja para a igreja do Senhor. E em nome de Jesus eu peço que o meu povo, o povo de Deus se prepare, porque eis que eu o senhor vou voltar, e antes disso o satanás vai preparar armas, durante isto o satanás vai preparar acareações, e eu o senhor teu deus, mando avisar durante este culto, que eu o senhor teu deus vou voltar, e eu o senhor quero preparar a igreja para as acareações do inimigo... o inimigo está furioso com a igreja do Senhor. O inimigo ele quer derrotar a igreja, ele quer cada vez mais ganhar almas para o reino dele. E, eu, o senhor teu deus, os alerto, que se prepare... prepare o teu coração a igreja do senhor, prepare os teu pés, eis que estou enviando lâmpada para os pés do crente... eu o senhor teu deus estou enviando anjos para guardar os que realmente querem “coisa” comigo. Eu o senhor o deus todo-poderoso estou guardando a minha igreja, mas tem um porém, eu sou amor e sou justiça eu só guardo os que realmente querem “coisa” comigo. Aleluia.... ai começa balbuciar os “cantaralabachuria” conhecido de todos.

Nesse momento o vídeo termina com o menino se dirigindo a uma mulher nos fundos do templo, a mais emocionada de todas e junto com ela, balbucia outras palavras desconexas e sem sentido; até que ele volta ao lugar de onde estava repetindo as mesmas coisas que começou a falar no início, até que se cala.

Já que a mensagem era para uma suposta igreja incrédula, por que ele não se dirigiu às pessoas que não estavam orando, e foi diretamente para aquela mulher, que como ele, estava dominada pelo emocionalismo?

Análise do vídeo:

“.... apascentar Jerusalém. Agora eu quero ver quem são os fiéis de verdade.”

Para mim, esse deus que supostamente toma o menino é um deus impotente, que não conhece os seus fiéis, e é pego de surpresa com a incredulidade da igreja.

Em João 10. 14, 15, Jesus diz: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas...

Em um outro trecho das palavras do menino ele diz: - “... porque quem manda na igreja sou eu... quem manda na minha igreja sou eu, eu sou o senhor (...) eu sou o único, o poderoso, eu sou o alfa e o ômega e não há outro além de mim.

Onde está a relevância dessas palavras já que elas estão na Bíblia... será necessário o Senhor vir lá do céu para dizer o que ele já colocou em sua palavra, acessível a todos?

Na Escritura Sagrada, quando o rico pediu ao pai Abraão que fosse na casa dos seus parentes e lhes dizer sobre o terrível fogo do inferno: “...Pai, eu te imploro que o mandes a minha casa paterna, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão: Eles tem Moisés e os profetas; ouçam-nos.”

Moisés e os profetas é exatamente a Palavra de Deus, as Escrituras Sagradas, que para os judeus da época de Cristo era dividida assim Moisés (o pentateuco) e os profetas (todo o restante do Antigo Testamento).

Em outro trecho ele diz: - Eis que satanás está preparando uma grande peleja para a igreja do Senhor. E em nome de Jesus eu peço que o meu povo, o povo de Deus se prepare, porque eis que eu o senhor vou voltar, e antes disso o satanás vai preparar armas, durante isto o satanás vai preparar acareações, e eu o senhor teu deus, mando avisar durante este culto, que eu o senhor teu deus vou voltar, e eu o senhor quero preparar a igreja para as acareações do inimigo...”

Eu pergunto: Quem não sabe disso? Não é esse o ensino que todas as igrejas estão passando aos seus fieis semanalmente? Ou isso é alguma novidade?

No trecho supostamente [Deus] “pede em nome de Jesus”. Essa é uma teologia pobre. “E diz que ele vai voltar”; A Escritura já não diz isso? E que satanás está armando armas contra a igreja? Isso é novo? É relevante? Será que o povo de Deus não lê a Bíblia, para [Deus] ter de vir lá do céu e usar uma criança para dizer o que o povo já sabe? Se Deus já nos preparou através da Bíblia, para que ele precisaria vir e dizer de novo? A Bíblia falhou?

Em outro trecho o menino diz: “... o inimigo está furioso com a igreja do Senhor. O inimigo ele quer derrotar a igreja, ele quer cada vez mais ganhar almas para o reino dele. E, eu, o senhor teu deus, os alerto, que se prepare... prepare o teu coração a igreja do senhor, prepare os teu pés, eis que estou enviando lâmpada para os pés do crente...”

Precisa comentar isso também? Acho que não!

Em outro trecho, diz: ... eu o senhor teu deus estou enviando anjos para guardar os que realmente querem “coisa” comigo. Eu o senhor o deus todo-poderoso estou guardando a minha igreja, mas tem um porém, eu sou amor e sou justiça eu só guardo os que realmente querem “coisa” comigo. Aleluia.... ai começa balbuciar os “cantaralabachuria” conhecido de todos.”

A pergunta é: Que “COISA” é essa? Será que o Senhor mandaria uma mensagem ambígua? De duplo sentido, ou que caiba o sentido que qualquer pessoa der.

Conclusão:

Disse que a minha avaliação seria detectar que essa mensagem poderia ser “humana”, “doentia”, ou “diabólica”, e disse que ela não era “divina”, isso eu continuo afirmando.

- É diabólica? – Não é diretamente! Mas satanás pode usar essa mensagem para confundir e desvirtuar a igreja. Dependendo do resultado da reação e da receptividade da igreja, ela pode ser afetada diretamente pelas artimanhas do inimigo: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar;” (I Pd. 5.8).

- É doentia? – Pode ser que essa criança já esteja sofrendo psicologicamente! Seus pais, o seu pastor, devem orientá-lo acerca disso e mostrar na Bíblia a impossibilidade de ter sido Deus que o tomou extaticamente. Infelizmente parece que a reação da igreja é de alimentar essa situação.

- É humana? - Com certeza é. Tudo indica que o menino já viu essas coisas em outros momentos e está somente reproduzindo o que já presenciou, e, num momento de comoção não conseguiu controlar a sua emoção. Outras manifestações pseudo-espirituais como o “cantaralabachúria” que ele fala no fim do vídeo, demonstram isso.

Minha conclusão final é de que esse vídeo mostra uma criança confusa, pressionada psicologicamente e que precisa urgentemente de ajuda especializada, ou tudo isso foi uma montagem de muito mau gosto.

Para quem acessar o vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=iqTdAORGZaY


terça-feira, 1 de outubro de 2013

31 DE OUTUBRO – DIA DA REFORMA – PARTE I

31 DE OUTUBRO – DIA DA REFORMA – PARTE I

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Rev. João d’Eça

Martinho Lutero nasceu na cidade de Eisleben, na Alemanha, a 10 de fevereiro de 1483 e morreu a 18 de fevereiro de 1546. Tornou-se frade agostiniano. Leu com vigor as Escrituras Sagradas. Numa de suas leituras em latim, encontrou em uma bíblia que costumava ler na biblioteca do convento de Erfurt, a luz que procurava para a sua alma combalida e cansada pelo peso do pecado e da incerteza que o corroía pela dúvida que tinha se Deus perdoaria os seus pecados pelos sacrifícios que ele costumava fazer para aplacar a ira divina. A luz que irradiou na sua vida foi o texto de Romanos 1:17: “... o justo viverá por fé.”

Iluminado pela luz da Palavra de Deus, inicialmente Lutero pregou contra as “indulgências”[1]. As pessoas na Idade Média tinham pavor da morte e do Inferno, nada sabiam acerca da fé verdadeira, desconhecendo por completo os princípios e valores relativos ao reino de Deus. A igreja católica negava ao povo esse conhecimento, e o que lhes dava era figuras medonhas e um retrato de um Deus vingativo e que punia com a morte e o inferno, a todos que não doassem à igreja os seus recursos e as suas propriedades.

Como as pessoas tinham pavor do inferno, a igreja então dizia que os que trouxessem ofertas aos seus cofres, teriam os seus pecados imediatamente perdoados e se a oferta fosse maior, os pecados dos seus entes queridos já mortos, também seriam perdoados e as suas almas sairiam do “purgatório”.

Como na Idade Média, as pessoas hoje em dia vivem com medo da solidão, da pobreza e da doença. Do modo como fez a igreja católica na Idade Média, assim essas igrejas de hoje, como Universal, Poder de Deus, Igreja da Graça, Igreja Renascer, Sara Nossa Terra e todas as neo-pentecostais, fazem o mesmo, dizendo que se as pessoas vierem e ofertarem para essas igrejas, elas terão todos os seus problemas resolvidos (Fé Tabajara): Volta do marido ou da esposa, se não tinham encontrarão o cônjuge ideal e serão livres de doenças e ainda prosperarão financeiramente. Quando a pessoa não alcança o prometido, a desculpa que eles dão é: “Ou você não tem fé”, dai começa outra campanha, com mais fé, ou “você está em pecado.”

Na Idade Média, a culpa era da igreja católica que além de negar o conhecimento ao povo, ainda os enganava com promessas mentirosas. Hoje em dia isso é feito por 99% das igrejas neo-pentecostais, e a culpa não é mais das igrejas, mas das pessoas, que não procuram estudar o assunto da fé e da religiosidade com sinceridade. Gastam a vida e a saúde em busca de diversão, distração e baladas, porém, quando sofrem as consequências na saúde, nos relacionamentos ou nas finanças, tendem a procurar os charlatães das igrejas mencionadas acima e ai são ludibriadas, por sua própria culpa.

Lutero aprofundou-se nos estudos da Escritura Sagrada e nos clássicos da literatura da antiguidade cristã, foi demonstrando com grande eloquência e erudição que também: o papado, o purgatório, o celibato clerical, a transubstanciação, as imagens, a confissão auricular, etc, eram inovações humanas do romanismo, abusos introduzidos paulatinamente na igreja.

Lutero traduziu a Bíblia em linguagem popular e foi o responsável da volta que o cristianismo deu às suas origens primitiva. Levantou um protesto eficaz contra os acréscimos do romanismo ao cristianismo, ou aquilo que ele denominou “apostasia ultramontana”.

O número de adesões na Europa só crescia mais e mais, cresceu e avassalou o mundo todo, tornando a Reforma, o segundo momento mais importante da história do cristianismo, sendo o primeiro, a Encarnação do Verbo, ou nascimento de Jesus Cristo. Lutero não foi o criador de uma nova religião, foi somente o homem usado por Deus para trazer o cristianismo às suas origens primitivas. Ele foi somente um pregador do Evangelho.



[1] Indulgências eram títulos de propriedade do céu, onde quem ofertasse para a construção da Catedral de São Pedro em Roma, teria todos os seus pecados passados, presentes e futuros, perdoados. O responsável pelo recolhimento dessas ofertas nas cidades alemães era o frade Yohann Tetzel que tinha um incentivo para fazer as pessoas ofertar. Ele dizia: “Quando a moeda tilintar no fundo do cofre, mas uma alma sai do purgatório e voa para o céu.”

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

24 de setembro de 1903

24 de setembro de 1903


Prologômenos

Há exatos, 110 anos, nascia em São Luís, a Igreja presbiteriana Independente, dissidência da Igreja presbiteriana do Brasil, que, em 31 de julho de 1903, numa reunião conturbada na cidade de São Paulo, mas precisamente no templo da Igreja Presbiteriana Unida, os partidários do Rev. Eduardo Carlos Pereira, que juntamente com seis outros pastores e com 12 presbíteros saíram da reunião dizendo palavras de ordem e o lema: “Pela Coroa Real do Salvador”, que veio a ser o lema do jornal O Estandarte, à partir dessa data.

Em São Luís, os acontecimentos tiveram lugar no templo da Igreja Presbiteriana de São Luís quando era pastor da mesma o Rev. Belmiro de Araújo César e tinha como presbíteros dessa igreja, os seguintes irmãos:
José Maria de Lima, Felix Emiliano do Nascimento Abreu e Sólon Protásio Coelho de Sousa, que era o secretário do conselho da igreja.

Os fatos

As notícias da divisão nacional ocorrida na cidade de São Paulo em 31 de julho de 1903 espalharam-se em todo o país rapidamente através do jornal O Estandarte, que circulava semanalmente e tinha como editor chefe o Rev. Eduardo Carlos Pereira.

Toda questão que acabou gerando a divisão da igreja, tinha com o pano de fundo a Escola Americana, futuro Mackenzie. Os missionários queriam uma escola mista, que educasse os filhos dos crentes e pessoas da sociedade paulistana. Os pastores nacionais, partidários do Rev. Eduardo Carlos Pereira, queriam uma escola que se preocupasse em ensinar somente os crentes. Houve também divergências quanto ao local de instalação de um seminário para educação teológica e formação dos futuros ministros para servir a igreja.

A divisão

Como os pastores nacionais, partidários do Rev. Eduardo Carlos Pereira, perceberam, que não iriam vencer a luta, encontraram na questão maçônica aquilo que eles mesmos denominaram de “pulo do gato”, ou seja, usaram a questão maçônica para promover a divisão, o que de fato aconteceu naquele 31 de julho de 1903, há 110 anos atrás.

O que São Luís tinha a ver com isso?

A resposta para essa pergunta é que não tinha absolutamente nada a ver. Os presbíteros da igreja maranhense não conheciam os protagonistas de São Paulo, não havia maçons na igreja de São Luís (pelo menos não há notícia de que tenha havido um movimento maçônico na igreja), e eles foram convencidos pelas notícias dos jornais que circulavam na época.

Os antecedentes da divisão em São Luís

Munidos das notícias que lhes chegavam às mãos, principalmente pelo O Estandarte, os presbíteros Lima, Felix e Solon, reuniram-se sem a presença do pastor Belmiro Cesar, e planejaram os próximos passos. Depois de planejarem sozinhos, eles resolveram conversar com o pastor e exigir que ele tomasse uma posição quanto a uma “Pastoral” publicada em O Estandarte e pressionaram o pastor para que fizesse a igreja tomar conhecimento da referida “pastoral”. O presbítero Lima bateu de frente com o pastor Belmiro e este o ameaçou de disciplina por estar querendo promover a discórdia. Depois desse momento os ânimos se acirraram e os presbíteros se fecharam na ideia de levar o caso ao conhecimento da igreja.

Numa reunião marcada para o dia 24 de setembro de 1903, presidida pelo Rev. Belmiro de Araújo César, os presbíteros acusaram o pastor de não querer informar a igreja sobre os acontecimentos de São Paulo e de estar ele querendo protelar a decisão sobre se ficava ao lado dos independentes ou se permanecia fiel aos sinodais, que segundo eles, eram partidários da maçonaria.

De forma lúcida e prudente, o Rev. Belmiro César resolveu aguardar os acontecimentos e esperar uma resposta oficial do Sínodo do Brasil e do Presbitério de Pernambuco sobre o assunto e propôs esperar-se até o mês de janeiro de 1904 para se posicionar.

Essa proposta não foi aceita pelos três presbíteros insurgentes, que levaram a igreja a apoiá-los e a votar uma proposta de adesão aos Independentes de São Paulo. Posta a votos a proposta, mesmo com a contrariedade do pastor que pedia que se esperasse mais um pouco. Os presbíteros se insurgiram contra o pastor e praticamente o depuseram de seu cargo. 15 membros, mais o Rev. Belmiro se abstiveram de votar e 28 membros ficaram ao lado dos insurgentes, que após a votação, assumiram a cadeira do presidente, sentando-se na mesma o presb. José Lima, que declarou que à partir daquela data, 24 de setembro de 1903, a igreja presbiteriana do Maranhão, passaria agora a ser denominada Igreja Presbiteriana Independente do Maranhão.

A questão do Templo

O Rev. Belmiro César, deixou a cadeira de presidente e perguntou com quem ficaria o templo? Obtendo a resposta do presb. Lima, de que, se a igreja, por maioria de votos, decidiu aderir ao movimento de independência à partir daquela data, o patrimônio seria deles. O pastor Belmiro disse então que o templo estava em nome do Rev. Dr. George Butler e de sua esposa D. Hena, recebendo como resposta do presbítero Lima, de que ele tinha o Dr. Butler em alta conta, querendo dizer com isso, que ele não se oporia a eles.

Depois desses episódios, o Rev. Belmiro César com o grupo que se absteve na votação de 24 de setembro, resolveram realizar os cultos na residência do próprio pastor e comunicaram a situação ao Dr. Butler que estava na cidade de Canhotinho, PE. O Dr. Butler enviou correspondência aos insurgentes, dizendo-lhes que eles deveriam devolver a chave do templo para o Rev. Belmiro realizar ali os cultos da igreja, e que o patrimônio da igreja presbiteriana de São Luís pertencia ao Sinodo do Brasil e que, portanto, eles deveriam deixar as dependências do templo e procurar um local para se reunir.

Eles devolveram, então, a chave ao Rev. Belmiro e foram se reunir na residência do presbítero José Lima até que adquiriram um terreno à rua Grande onde começaram a construir um templo para a realização dos cultos.

Rev. Vicente Themudo Lessa

Em 1907 o Rev. Vicente Themudo Lessa veio para São Luís para pastorear a Igreja Presbiteriana Independente e ficou no seu pastoreio efetivo até 1912. Sua área de atuação era a parte norte do Brasil, indo do Maranhão até o estado do Amazonas. Trabalhou também na cidade de Belém – PA e no interior do Maranhão, nas cidades de São Vicente de Ferrer, Viana e São Bento.


Aqui em São Luís nasceram dois dos seus filhos e a sua primeira esposa morreu e foi enterrada. O Rev. Themudo Lessa teve na cidade de São Luís um ministério abençoado e a sua última visita à cidade ocorreu em 1939, depois da qual ele faleceu na cidade de São Paulo, em novembro daquele ano.


Fontes:

d'EÇA. João. História da Igreja Presbiteriana do Maranhão. São Luís. 2012.

_____ Livro de Atas da Assembléia Extraordinária da Igreja Presbiteriana de São Luís, 1903 - 1931.


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