quarta-feira, 9 de outubro de 2013

31 DE OUTUBRO DIA DA REFORMA PROTESTANTE

A estrutura pagã do catolicismo Romano.


Introdução:
Depois do estabelecimento do cristianismo no século 1, como o maior evento da história da humanidade, a Reforma protestante, 16 séculos depois, é o segundo maior evento do cristianismo.

A invenção da imprensa por João Gutemberg, juntamente com a redescoberta das letras, foi o que preparou o terreno para o evento histórico chamado Reforma. O redescobrimento das letras clássicas fez com que o cristianismo não fosse deturpado com adições comprometedoras.

Como a igreja havia se afastado da sua inicial pureza e simplicidade, com o surgimento da igreja católica romana no século IV, com o imperador Constantino, quando este cristianizou o Império e passou dai em diante a ser uma igreja comprometida e envolvida com a política e os negócios seculares.

Já na época de Paulo, apóstolo, o partido judaico-cristão, por Paulo combatido com veemência, havia conseguido implantar em meio aos primeiros cristãos, ideias e costumes emprestados exclusivamente do Antigo Testamento. As pompas do culto, necessárias a um povo grosseiro e rudimentar, que ainda se achava no berço da sua existência política, insinuaram-se na igreja. Copiaram o sacerdócio israelita e, de imitação em imitação acabaram por ter a hierarquia dos sacerdotes judaicos, desde o sumo pontífice, até o mais humilde dos ajudantes do templo.

Os judeus eram detentores do sacrifício perpétuo, a igreja romana também reivindicou esse sacrifício, os judeus tinham uma lâmpada que nunca se apagava, a igreja romana também acendeu uma lâmpada nos seus templos. Os judeus tinham o altar onde o sangue das vítimas era derramado, a igreja romana também estabeleceu um altar onde é feito um sacrifício incruento (a missa). Os judeus tinham festas solenes, a igreja romana instituiu festas análogas nesse novo culto. Essa imitação do romanismo às festas judaicas podem ser explicadas da seguinte forma: Moisés e os profetas dos judeus foram os antepassados do Salvador, os arautos da sua vinda. Deus havia falado por intermédio dos antigos profetas e os seus escritos eram a Palavra de Deus.

A igreja romana decidiu perpetuar essas cerimônias no culto cristão. Diziam que fazer assim era uma demonstração de obediência ao Senhor. Porém, eles não souberam distinguir o que, na antiga aliança, era permanente e o que era transitório. Confundiram os ritos cristãos com os ritos judaicos. É dai que vem essa identidade judaica dos rituais que existe no romanismo.

PERÍODO DA IDADE MÉDIA

Na Idade Média, a igreja romanizada e já corrompida introduziu muito do paganismo nos rituais romanistas. Muitos usos e tradições dos pagãos foram incorporados no romanismo. Eram costumes que os papas consideraram inocentes, que no princípio se desculpava e que mais tarde veio a ser tolerado, introduzindo no inconsciente das massas ignorantes as ideias e superstições pagãs.

Os acontecimentos se processam da seguinte forma: primeiro desce-se por um declive inicialmente insensível desviando-se e afastando-se do terreno primitivo, e, sem pensar, encontra-se num terreno totalmente diferente, numa zona desconhecida, numa atmosfera totalmente adversa da original. Depois de se estar lá, o próximo passo, é acomodar o novo estado dos espíritos com os dogmas primitivos, modificando-se e interpretando-se de um outro modo, para só então se perceber que a nova religião está impregnada de elementos da antiga.


O PANTEÃO ROMANO

No Panteão romano, assim como no grego haviam centenas de deuses, cada um para uma faceta da vida humana. A sociedade grega e a romana também era politeísta. O romanismo não aboliu esses deuses, mas os incorporou de outro modo.

Entre o Deus supremo e os homens, o romanismo colocou um exercito de semi-deuses, heróis divinizados. Em lugar das deusas colocou-se a virgem Maria, em lugar dos heróis, colocou-se os santos. Em lugar dos deuses domésticos colocou-se os padroeiros da família sob o nome venerado dos apóstolos ou de alguns cristãos célebres. Estabeleceu-se então uma corte de deuses, assim como os deuses do Olimpo.

JUDEUS E PAGÃOS

Os judeus tiveram os profetas, dirigidos pelo Espírito Santo e constante comunhão com o Altíssimo. Foram os profetas quem redigiram os oráculos divinos que vieram a se tornar o código religioso de Israel.

O paganismo não possuía revelação escrita, mas possuíam um corpo de sacerdotes que serviam de intermediários entre os deuses e os homens. Na crença pagã os deuses não falavam com os homens, mas somente com os sacerdotes e para consultar os deuses, necessitava-se da intermediação sacerdotal. Os sacerdotes eram o primeiro degrau da escada de seres divinos que terminava em Júpiter. Os seus ensinos eram infalíveis e a sua autoridade era incontestável. Para o paganismo tudo se resumia em obedecer aos sacerdotes. O sacerdote era o representante oficial da religião. Não se podia dispensar o seu ministério em nenhuma cerimônia pública. Assim o paganismo tornou-se, em essência, uma religião humana.

O princípio era a glorificação do homem na pessoa do sacerdote ou a exaltação do homem na deificação dos imperadores. Pedro vem e combate esse pensamento quando diz: “Vós sois reino de sacerdotes.” (I Pd. 2.9).

Já deu pra perceber sobre onde e sobre o que está montado todo o arcabouço do catolicismo romano. Foi contra toda essa gama de paganismo que os Reformadores lutaram, foi contra essa deturpação do cristianismo que Martinho Lutero e João Calvino levantaram as suas vozes e trouxeram a igreja para os seus princípios originais.


Continuaremos no próximo artigo.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

31 DE OUTUBRO – DIA DA REFORMA – PARTE I

31 DE OUTUBRO – DIA DA REFORMA – PARTE I

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Rev. João d’Eça

Martinho Lutero nasceu na cidade de Eisleben, na Alemanha, a 10 de fevereiro de 1483 e morreu a 18 de fevereiro de 1546. Tornou-se frade agostiniano. Leu com vigor as Escrituras Sagradas. Numa de suas leituras em latim, encontrou em uma bíblia que costumava ler na biblioteca do convento de Erfurt, a luz que procurava para a sua alma combalida e cansada pelo peso do pecado e da incerteza que o corroía pela dúvida que tinha se Deus perdoaria os seus pecados pelos sacrifícios que ele costumava fazer para aplacar a ira divina. A luz que irradiou na sua vida foi o texto de Romanos 1:17: “... o justo viverá por fé.”

Iluminado pela luz da Palavra de Deus, inicialmente Lutero pregou contra as “indulgências”[1]. As pessoas na Idade Média tinham pavor da morte e do Inferno, nada sabiam acerca da fé verdadeira, desconhecendo por completo os princípios e valores relativos ao reino de Deus. A igreja católica negava ao povo esse conhecimento, e o que lhes dava era figuras medonhas e um retrato de um Deus vingativo e que punia com a morte e o inferno, a todos que não doassem à igreja os seus recursos e as suas propriedades.

Como as pessoas tinham pavor do inferno, a igreja então dizia que os que trouxessem ofertas aos seus cofres, teriam os seus pecados imediatamente perdoados e se a oferta fosse maior, os pecados dos seus entes queridos já mortos, também seriam perdoados e as suas almas sairiam do “purgatório”.

Como na Idade Média, as pessoas hoje em dia vivem com medo da solidão, da pobreza e da doença. Do modo como fez a igreja católica na Idade Média, assim essas igrejas de hoje, como Universal, Poder de Deus, Igreja da Graça, Igreja Renascer, Sara Nossa Terra e todas as neo-pentecostais, fazem o mesmo, dizendo que se as pessoas vierem e ofertarem para essas igrejas, elas terão todos os seus problemas resolvidos (Fé Tabajara): Volta do marido ou da esposa, se não tinham encontrarão o cônjuge ideal e serão livres de doenças e ainda prosperarão financeiramente. Quando a pessoa não alcança o prometido, a desculpa que eles dão é: “Ou você não tem fé”, dai começa outra campanha, com mais fé, ou “você está em pecado.”

Na Idade Média, a culpa era da igreja católica que além de negar o conhecimento ao povo, ainda os enganava com promessas mentirosas. Hoje em dia isso é feito por 99% das igrejas neo-pentecostais, e a culpa não é mais das igrejas, mas das pessoas, que não procuram estudar o assunto da fé e da religiosidade com sinceridade. Gastam a vida e a saúde em busca de diversão, distração e baladas, porém, quando sofrem as consequências na saúde, nos relacionamentos ou nas finanças, tendem a procurar os charlatães das igrejas mencionadas acima e ai são ludibriadas, por sua própria culpa.

Lutero aprofundou-se nos estudos da Escritura Sagrada e nos clássicos da literatura da antiguidade cristã, foi demonstrando com grande eloquência e erudição que também: o papado, o purgatório, o celibato clerical, a transubstanciação, as imagens, a confissão auricular, etc, eram inovações humanas do romanismo, abusos introduzidos paulatinamente na igreja.

Lutero traduziu a Bíblia em linguagem popular e foi o responsável da volta que o cristianismo deu às suas origens primitiva. Levantou um protesto eficaz contra os acréscimos do romanismo ao cristianismo, ou aquilo que ele denominou “apostasia ultramontana”.

O número de adesões na Europa só crescia mais e mais, cresceu e avassalou o mundo todo, tornando a Reforma, o segundo momento mais importante da história do cristianismo, sendo o primeiro, a Encarnação do Verbo, ou nascimento de Jesus Cristo. Lutero não foi o criador de uma nova religião, foi somente o homem usado por Deus para trazer o cristianismo às suas origens primitivas. Ele foi somente um pregador do Evangelho.



[1] Indulgências eram títulos de propriedade do céu, onde quem ofertasse para a construção da Catedral de São Pedro em Roma, teria todos os seus pecados passados, presentes e futuros, perdoados. O responsável pelo recolhimento dessas ofertas nas cidades alemães era o frade Yohann Tetzel que tinha um incentivo para fazer as pessoas ofertar. Ele dizia: “Quando a moeda tilintar no fundo do cofre, mas uma alma sai do purgatório e voa para o céu.”

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO DE YOHANN KEPLER

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Rev. João d'Eça


O celebre astrônomo Yohann Kepler nasceu em Weil, em 1571, de uma família nobre, rica e tradicional, mas que devido à malversação dos recursos, sofreram contínuos revezes em sua fortuna.

Kepler estudou na universidade de Tubingem, que era na época uma das mais conceituadas, com professores de primeira grandeza, muitos dos quais muito o ajudaram nos momentos de dificuldades pelos quais ele passou.

Kepler assumiu a cadeira de professor de matemática em 1594 em Graetz, Styrie, universidade que em 1782 foi substituída por um colégio secundário.

No ano de 1600 Yohann Kepler viajou para a Boemia com a intenção de estudar astronomia com o sábio Tycho-Brabe conseguindo aperfeiçoar os óculos que eram usados na época. Os óculos de Galileu, Kepler substituiu por dois vidros convergentes que ficou conhecido por luneta astronômica.

Kepler escreveu muitas obras em latim e teve a glória de descobrir, em 1618, as leis sobre as quais está fundamentada a astronomia moderna. Foi um trabalho de 22 anos de pesquisas.

Yohann Kepler era um homem de fé e o seu nome ficou marcado na história da Ciência. Cada vez que deixava o seu escritório de trabalho e recolhia-se para orar.

Em 1619, depois de ter concluído um dos seus principais trabalhos A Harmonia do Mundo – dirigiu com devoção uma humilde oração a Deus:

Óh tu que pelas luzes sublimes que tens espalhado sobre toda a natureza, elevas nossos desejos até a divina luz da tua graça, afim de que sejamos um dia transportados à luz eterna de tua glória! Eu te dou graças, Senhor e criador, por todas as alegrias que tenho experimentado nos extases em que me tens lançado a contemplação da obra de tuas mãos. Eis que termino o livro que contém o fruto de meus trabalhos. Empreguei para compô-lo toda a inteligência que me deste. Proclamei diante dos homens toda a grandeza de tuas obras, dei testemunho tanto quanto meu espírito finito pôde abranger o infinito. Fiz todos os esforços para me elevar à verdade pelos caminhos da filosofia, e sucedeu a mim, miserável verme concebido e nutrido no pecado, dizer alguma coisa indigna de ti, faz-me conhecer afim de que eu a possa apagar. Será que não fui levado pelas seduções da presunção diante da beleza admirável de tuas obras? Não teria eu proposto ante os homens a minha própria glória elevando este monumento que devia ser consagrado inteiramente à tua glória? Oh! Se assim é Senhor, recebe-me em tua clemência e em tua misericórdia, e concede-me a graça de que a obra que acabo de concluir seja para sempre impotente para fazer o mal, mas que antes contribua para tua glória e para a salvação das almas.


Yohann Kepler faleceu em Ratisbouni, na Baviera aos 58 anos, em 1630.

domingo, 29 de setembro de 2013

A ALEGRIA DO CRENTE

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Rev. João d'Eça


Muita gente pensa que ser cristão (ou crente!), é ser uma pessoa cabisbaixa, triste, bitolada, com ar de compungido e santarrão. Esta é uma das maiores mentiras diabólicas para fazer com que o pecador tenha ojeriza de ser cristão.

Felicidade verdadeira é a porção de cada cristão. Não há razão para a tristeza. Nada há no evangelho que possa nos entristecer:

- Será que pode haver tristeza na vida do pecador que foi perdoado de seus pecados?
- Será que pode haver tristeza na vida do homem condenado, mas que foi alvo da graça e misericórdia de Deus?

Nesse mundo a única pessoa que pode viver alegre é o seguidor de Jesus Cristo, porque somente ele acha-se libertado da escravidão da morte, do pecado e do juízo.

Como o salmista o cristão pode dizer:

“Bem aventurado o pobre cujo Deus é o Senhor” (Sl. 144.15).

“A mim me fizestes conhecer o caminho da vida, encher-me-ás de alegria no teu rosto: deleites na tua direita para sempre” (Sl. 16.11).

Nunca tristes, mas sempre alegres, falando do amor de Cristo, que por sua morte trinfou sobre o pecado e a condenação eterna e tornou os seus seguidores aptos para gozar das alegrias celestiais.



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ROMA, OS PROTESTANTES, E OS SACRAMENTOS


Uma das diferenças mais significativas entre protestantes e católicos, diz respeito aos sacramentos. Se a doutrina cotólico-romana fosse verdadeira, então o protestantismo estaria errado, se o protestantismo está certo, então o ensino cotólico-romano está eivado de erros.

A palavra sacramento vem do latim “sacramentum” e antigamente significava “um juramento ou uma obrigação solene”. Na patrística foi aplicada para significar qualquer coisa sagrada e misteriosa. Com o passar do tempo veio a significar a própria instituição, Igreja.

A definição do Catecismo de Trento, autoridade superior na igreja romana, diz o seguinte: “Um sacramento é uma coisa sujeita aos sentidos, que em virtude da instituição divina, tem o poder de significar santidade e justiça, e infundi-las na pessoa que o recebe.”

No catolicismo a crença é de que os sacramentos “são uns remédios espirituais que nos curam e justificam, dando-nos a graça interna por meio de sinais externos.”

Estas definições declaram que um sacramento não é meramente um “sinal”, mas um “meio” de graça, que há no sinal um poder que “produz” no homem a graça significada pelo sinal.

A definição protestante e: “um sacramento é um sinal externo e visível de uma graça interna e espiritual, ordenado por Cristo como um meio pelo qual recebemos a mesma graça.”

Nessa definição se diz que o sacramento é um “sinal” e um “meio” de graça, mas nada se diz que “produz” graça.

Vê-se que há duas partes no sacramento: “sinal externo e visível, e a graça interna e espiritual.” Nisto estão de acordo católicos e protestantes. Há também concordância na harmonia que deve existir entre o sinal e a coisa significada e sobre a sua instituição.

As discordâncias estão nos seguintes pontos:

1 – A autoridade para se estabelecer um sacramento;
2 – A forma e matéria dos sacramentos;
3 – Influência que exerce o ministro no sacramento;
4 – Uso e objeto dos sacramentos;
5 – Número dos sacramentos.


Referências:

CHAMPLIN, R. N.. Enciclopedia Histórico-Teológica da Igreja Cristã
BERCKHOF, Louis. Teologia Sistemática
GRUDEN, Wayne. Teologia Sistemática
ROBERTSON. O Cristo dos Pactos
HOEKEMA, Anthony. Salvos pela Graça

CULLMAN, Oscar. Cristologia do Novo Testamento

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

24 de setembro de 1903

24 de setembro de 1903


Prologômenos

Há exatos, 110 anos, nascia em São Luís, a Igreja presbiteriana Independente, dissidência da Igreja presbiteriana do Brasil, que, em 31 de julho de 1903, numa reunião conturbada na cidade de São Paulo, mas precisamente no templo da Igreja Presbiteriana Unida, os partidários do Rev. Eduardo Carlos Pereira, que juntamente com seis outros pastores e com 12 presbíteros saíram da reunião dizendo palavras de ordem e o lema: “Pela Coroa Real do Salvador”, que veio a ser o lema do jornal O Estandarte, à partir dessa data.

Em São Luís, os acontecimentos tiveram lugar no templo da Igreja Presbiteriana de São Luís quando era pastor da mesma o Rev. Belmiro de Araújo César e tinha como presbíteros dessa igreja, os seguintes irmãos:
José Maria de Lima, Felix Emiliano do Nascimento Abreu e Sólon Protásio Coelho de Sousa, que era o secretário do conselho da igreja.

Os fatos

As notícias da divisão nacional ocorrida na cidade de São Paulo em 31 de julho de 1903 espalharam-se em todo o país rapidamente através do jornal O Estandarte, que circulava semanalmente e tinha como editor chefe o Rev. Eduardo Carlos Pereira.

Toda questão que acabou gerando a divisão da igreja, tinha com o pano de fundo a Escola Americana, futuro Mackenzie. Os missionários queriam uma escola mista, que educasse os filhos dos crentes e pessoas da sociedade paulistana. Os pastores nacionais, partidários do Rev. Eduardo Carlos Pereira, queriam uma escola que se preocupasse em ensinar somente os crentes. Houve também divergências quanto ao local de instalação de um seminário para educação teológica e formação dos futuros ministros para servir a igreja.

A divisão

Como os pastores nacionais, partidários do Rev. Eduardo Carlos Pereira, perceberam, que não iriam vencer a luta, encontraram na questão maçônica aquilo que eles mesmos denominaram de “pulo do gato”, ou seja, usaram a questão maçônica para promover a divisão, o que de fato aconteceu naquele 31 de julho de 1903, há 110 anos atrás.

O que São Luís tinha a ver com isso?

A resposta para essa pergunta é que não tinha absolutamente nada a ver. Os presbíteros da igreja maranhense não conheciam os protagonistas de São Paulo, não havia maçons na igreja de São Luís (pelo menos não há notícia de que tenha havido um movimento maçônico na igreja), e eles foram convencidos pelas notícias dos jornais que circulavam na época.

Os antecedentes da divisão em São Luís

Munidos das notícias que lhes chegavam às mãos, principalmente pelo O Estandarte, os presbíteros Lima, Felix e Solon, reuniram-se sem a presença do pastor Belmiro Cesar, e planejaram os próximos passos. Depois de planejarem sozinhos, eles resolveram conversar com o pastor e exigir que ele tomasse uma posição quanto a uma “Pastoral” publicada em O Estandarte e pressionaram o pastor para que fizesse a igreja tomar conhecimento da referida “pastoral”. O presbítero Lima bateu de frente com o pastor Belmiro e este o ameaçou de disciplina por estar querendo promover a discórdia. Depois desse momento os ânimos se acirraram e os presbíteros se fecharam na ideia de levar o caso ao conhecimento da igreja.

Numa reunião marcada para o dia 24 de setembro de 1903, presidida pelo Rev. Belmiro de Araújo César, os presbíteros acusaram o pastor de não querer informar a igreja sobre os acontecimentos de São Paulo e de estar ele querendo protelar a decisão sobre se ficava ao lado dos independentes ou se permanecia fiel aos sinodais, que segundo eles, eram partidários da maçonaria.

De forma lúcida e prudente, o Rev. Belmiro César resolveu aguardar os acontecimentos e esperar uma resposta oficial do Sínodo do Brasil e do Presbitério de Pernambuco sobre o assunto e propôs esperar-se até o mês de janeiro de 1904 para se posicionar.

Essa proposta não foi aceita pelos três presbíteros insurgentes, que levaram a igreja a apoiá-los e a votar uma proposta de adesão aos Independentes de São Paulo. Posta a votos a proposta, mesmo com a contrariedade do pastor que pedia que se esperasse mais um pouco. Os presbíteros se insurgiram contra o pastor e praticamente o depuseram de seu cargo. 15 membros, mais o Rev. Belmiro se abstiveram de votar e 28 membros ficaram ao lado dos insurgentes, que após a votação, assumiram a cadeira do presidente, sentando-se na mesma o presb. José Lima, que declarou que à partir daquela data, 24 de setembro de 1903, a igreja presbiteriana do Maranhão, passaria agora a ser denominada Igreja Presbiteriana Independente do Maranhão.

A questão do Templo

O Rev. Belmiro César, deixou a cadeira de presidente e perguntou com quem ficaria o templo? Obtendo a resposta do presb. Lima, de que, se a igreja, por maioria de votos, decidiu aderir ao movimento de independência à partir daquela data, o patrimônio seria deles. O pastor Belmiro disse então que o templo estava em nome do Rev. Dr. George Butler e de sua esposa D. Hena, recebendo como resposta do presbítero Lima, de que ele tinha o Dr. Butler em alta conta, querendo dizer com isso, que ele não se oporia a eles.

Depois desses episódios, o Rev. Belmiro César com o grupo que se absteve na votação de 24 de setembro, resolveram realizar os cultos na residência do próprio pastor e comunicaram a situação ao Dr. Butler que estava na cidade de Canhotinho, PE. O Dr. Butler enviou correspondência aos insurgentes, dizendo-lhes que eles deveriam devolver a chave do templo para o Rev. Belmiro realizar ali os cultos da igreja, e que o patrimônio da igreja presbiteriana de São Luís pertencia ao Sinodo do Brasil e que, portanto, eles deveriam deixar as dependências do templo e procurar um local para se reunir.

Eles devolveram, então, a chave ao Rev. Belmiro e foram se reunir na residência do presbítero José Lima até que adquiriram um terreno à rua Grande onde começaram a construir um templo para a realização dos cultos.

Rev. Vicente Themudo Lessa

Em 1907 o Rev. Vicente Themudo Lessa veio para São Luís para pastorear a Igreja Presbiteriana Independente e ficou no seu pastoreio efetivo até 1912. Sua área de atuação era a parte norte do Brasil, indo do Maranhão até o estado do Amazonas. Trabalhou também na cidade de Belém – PA e no interior do Maranhão, nas cidades de São Vicente de Ferrer, Viana e São Bento.


Aqui em São Luís nasceram dois dos seus filhos e a sua primeira esposa morreu e foi enterrada. O Rev. Themudo Lessa teve na cidade de São Luís um ministério abençoado e a sua última visita à cidade ocorreu em 1939, depois da qual ele faleceu na cidade de São Paulo, em novembro daquele ano.


Fontes:

d'EÇA. João. História da Igreja Presbiteriana do Maranhão. São Luís. 2012.

_____ Livro de Atas da Assembléia Extraordinária da Igreja Presbiteriana de São Luís, 1903 - 1931.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

“PELOS SEUS FRUTOS OS CONHECEREIS”

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Rev. João d'Eça



Quando Jesus Cristo, nosso Senhor diz em sua Palavra: “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt. 7.20), esta afirmação encerra em si um princípio pelo qual Ele nos ensina a julgar homens e instituições, pelos frutos que produzem.

         Este princípio pode ser aplicado de modo geral na vida cotidiana dos povos e pessoas, ele pode ser aplicado a todas as atividades da vida humana.

Vida Social

         Na vida social, pouco a pouco se vai abandonando os costumes e práticas que “pelos seus frutos” ou resultados práticos mostram a sua inconveniência. Num mundo pragmático, depressa são abandonados os empreendimentos que não dão resultados imediatos. Na política exige-se a troca de governo que não atende aos anseios da sociedade, que tende para o mal estar dos governados, como é o caso do atual governo do PT, que tem insistido em promulgar leis que prejudicam a família, os cristãos e os pobres. Pelos resultados se julga a eficácia do medicamento. “É pelo fruto que se conhece a árvore!!”

Religião

         Assim como esse princípio tem aplicação geral em termos de sociedade, comércio e à política, não é de admirar que ele se aplique mui especificamente aos assuntos da religião.

         Os fariseus foram severamente repreendidos por se apegarem à letra da lei, se dizerem cumpridores dos preceitos legais, mas que esqueciam o que estava por trás do que estava escrito e que eles ainda ampliavam para se safarem.

         Se hoje em dia nós examinarmos bem os que se dizem cristãos e olharmos bem para os frutos que essas pessoas produzem, é certo que elas merecem as mesmas repreensões que os fariseus receberam. Muitas dessas pessoas são petulantes em se denominar crentes, porque os frutos produzidos em suas vidas dizem o contrário, “porque uma árvore boa não pode produzir frutos maus.” (Mt. 7.18).

         Apesar de que no nosso tempo as pessoas se posicionem contrariamente ao julgamento de qualquer natureza, esse princípio julgador de nosso Senhor Jesus, deve ser aplicado a qualquer pessoa, seja ela crente ou não. Se aquele que se diz crente, ainda que seja um ministro da palavra, não produzir em sua vida frutos dignos da vida eterna, pode ser considerado mundano.

         O mesmo princípio aplicado aos indivíduos pode ser aplicado às instituições e corporações.

         Se um governo se diz governado por cristãos, mas promulga leis que vão de encontro à vida moral, ética e religiosa de seus cidadãos, se usa de subterfúgios legais (como fez o Supremo Tribunal Federal), esse governo pode ser considerado um governo mau e corrupto, porque os seus frutos são maus.

         Se uma igreja aceita entre os seus membros, ou entre o seu corpo de ministros, homens que são devassos, desonestos, bígamos, corruptos, não podendo, portanto, dar ao mundo o testemunho de uma igreja cristã autêntica, fica provado de que se afastou do caminho da verdade. “Pelo fruto se conhece a árvore!”

         O papa Francisco tem declarado a sua posição contrária a que a sua igreja vem defendendo por pelo menos 1500 anos. Agora ele vem e começa destruir a base doutrinária da sua igreja, provando que os seus frutos não são frutos dignos da Verdade. Os seus frutos estão mostrando a má qualidade da árvore.


         Todo cristão deve se portar de tal modo que nenhum inimigo da fé cristã possa levantar acusação contra ele, mesmo sabendo que as mentiras são postas, mas a verdade sempre prevalece. Todo crente deve se comportar de tal modo a não agradar homem algum, mas deve estar em paz com a sua consciência esclarecida pela Palavra de Deus.

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