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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

SEMANA DA REFORMA – ERASMO DE ROTERDÃ E A TRADUÇÃO DO NOVO TESTAMENTO





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Rev. João d’Eça







Introdução



         À partir do ano que vem, 2016, comemoraremos o 5º centenário da publicação da tradução do Novo Testamento feito por Erasmo de Roterdã.



Seu nome de batismo era Erasmo Desidério, mas ficou conhecido no mundo todo como Erasmo de Roterdã, por ter nascido na cidade holandesa de Roterdã. Ele veio a ser o maior humanista do seu tempo e talvez de todos os tempos.



Erasmo dedicou a sua vida inicial à carreira eclesiástica e fez votos monásticos, mas que depois os renunciou, conservando-se porém na igreja de Roma, onde exerceu cargos de confiança, chegando mesmo a ser agraciado pelo papa Paulo III com o chapéu cardinalício, o qual recusou prontamente.



Primeiros anos e estudos



         Erasmo iniciou os seus estudos em Paris e em Bolonha (1506) foi nomeado Doutor em Teologia. Manteve amizades e companheirismo com os mais poderosos homens de seu tempo: Na Inglaterra cultivou a amizade de John Colet e Thomas More, autor de Utopia. Foi favorecido por reis como Henrique VIII e Carlos V e ganhou a simpatia do papa Leão X, Paulo III e outros. Erasmo mantinha correspondências com reis e príncipes, com sábios e altos dignatários da igreja romana. Foi professor nas universidades de Oxford e Cambridge. Publicou e editou muitas obras.



Erasmo e a Reforma



         Erasmo de Roterdã contribuiu para a Reforma e muito lutou por ela. Suas sátiras contra os frades e contra os abusos eclesiásticos, e o seu reconhecimento das Escrituras Sagradas como padrão da doutrina e da fé, muito o recomendaram. Erasmo não ficou muito impressionado com Lutero, não aceitou a ideia de pecado e via o cristianismo como um sistema de moral, nada mais que isso. Faltava para Erasmo a coragem e o ardor de Martinho Lutero, e, por esta razão, ele foi se afastando cada vez mais do movimento Reformado, mesmo tendo se empenhado por ele no início.



A melhor contribuição de Erasmo para o movimento da Reforma, foi sem sombra de dúvida, a sua tradução do Novo Testamento. Ele dedicou-se com muito empenho ao estudo do grego em Oxford, em 1496 e depois tornou-se professor de grego em Cambridge. Quando estava em Paris, dedicou-se igualmente aos estudos, dando a maior parte de seu tempo.



O seu trabalho de composição



         Erasmo de Roterdã descobriu o manuscrito Annotationes ao Novo Testamento, escrito por Lorenzo Valla[1] uma comparação da Vulgata Latina com o texto original grego. Lutero ficou interessado pela obra e aconselhado por Christopher Fisher, resolveu publicá-la. Em 1506 voltou novamente a Inglaterra e por insistência de John Colet começou a fazer a tradução latina do original grego do Novo Testamento. Não sabemos ao certo quando foi que ele começou a fazer a edição grega, talvez posteriormente, quando esteve de novo na Inglaterra.



Erasmo preparava a sua obra no mesmo tempo em que o cardeal Ximenes preparava a sua Bíblia triglota, conhecida como Complutensis. Essa obra continha o texto grego da LXX ao lado do texto latino da Vulgata, e foi publicado em 1514, porém a obra completa só foi publicada em 1522. Por insistência do editor de Erasmo, Froben, da Basiléia que queria se antecipar à publicação de Ximenes, Erasmo publicou a sua obra em 1516, há exatamente 499 anos.



O trabalho de Erasmo foi primoroso e elogiado pelas maiores mentes de sua época. Ele usou quatro manuscritos da ordem dos minúsculos ou cursivos. Ao lado do texto grego publicou em colunas paralelas a sua tradução latina, na qual se afastou um tanto da Vulgata. A obra continha uma dedicatória a Leão X, o papa reinante. A obra continha cerca de 1000 páginas, incluindo anotações. O Trabalho foi elogiado por uns e criticado por outros. Houveram outras edições em 1519, a terceira edição em 1522, a quarta em 1527 e a quinta em 1535. De todas estas edições a mais notável foi a quarta. Todas as edições foram publicadas por Froben, na Basiléia.



Lutero usou a obra de Erasmo em sua segunda edição para fazer a sua tradução da Bíblia para o Alemão. A quarta que o autor corrigiu pela Complutensis, cujo texto era superior quanto ao valor crítico, veio mais tarde a servir de base ao famoso Textus Receptus. Depos disso houve as edições de Stephens (Étienne), famosos impressor francês, cuja 3ª edição de Paris (1550) recebeu o nome de Editio Regia.



Muitas outras edições surgiram naquele período, dentre elas as de Theodor Beza e as de Elzevirius, das quais surgiram o Textus Receptus, que se baseia na edição de Erasmo. O Textus Receptus rapidamente tornou-se popular e muitos a consideravam como texto autentico.



Conclusão



A Reforma, portanto, precisou do trabalho de Lutero e do impressor Froben, pelo magnífico trabalho que realizaram na época em que viveram. Foram usados por Deus para a realização de uma obra de enorme valor para o nascimento do movimento de Reforma da Igreja de Cristo na terra.



[1] Lorenzo Valla (14071 de agosto de 1457) foi um escritor, humanista, retórico e educador italiano. Célebre por sua aplicação dos novos padrões humanistas de crítica a documentos usados pelo Papado em apoio de seu poder temporal. Em 1440 publicou o seu panfleto contra a Doação de Constantino, que provou efetivamente que o famoso documento, pelo qual a autoridade imperial romana teria sido transmitida ao Papado, era espúrio. Valla foi também um filósofo de prestígio, e preocupado, com sua maestria lingüística, em que não se perpetuassem antigos erros decorrentes de traduções defeituosas de Aristóteles e da Bíblia.

domingo, 25 de outubro de 2015

SEMANA DA REFORMA - A REFORMA E OS SEUS EFEITOS



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Rev. João d’Eça, MD





Introdução


A Reforma Protestante do Séc. XVI, depois do estabelecimento do Cristianismo, é o maior e o mais importante evento ocorrido no mundo. A Reforma foi preparada pela descoberta da imprensa pelo alemão João Guttenberg (1396-1468) e pelo renascimento das letras. Foram esses eventos que ajudaram a estabelecer a Reforma e desembaraçar o Cristianismo de adições comprometedoras.

Ao longo dos séculos anteriores a igreja havia se distanciado de um modo singular da sua primitiva simplicidade e pureza. O partido judaico-cristão, foi combatido com muita força pelo apóstolo Paulo, quando este ainda era Saulo de Tarso. Eles haviam conseguido implantar na sociedade cristã ideias e costumes emprestados exclusivamente do velho Testamento.

As pompas do culto, necessárias a um povo grosseiro e rudimentar que ainda se achava no berço da sua existência política, insinuaram-se na igreja, copiando o sacerdócio israelita e, de imitação em imitação, acabaram por ter a hierarquia dos sacerdotes judaicos, desde o sumo pontífice até o mais humilde dos ministros do templo.



O judaísmo assimilado

Os judeus tinham o sacrifício perpétuo: quiseram também ter esse mesmo sacrifício. Tinham uma lâmpada que nunca se apagava: acenderam uma lâmpada nos santuários cristãos. Tinham altares que se inundavam no sangue das vítimas: fizeram-se também altares sob os quais imola-se uma vítima incruenta. Tinham festas solenes, instituíram-se festas análogas em um novo culto.


Esta imitação dos ritos judaicos explica-se facilmente. Moisés e os profetas foram os antepassados do Salvador, os arautos da sua vinda. Deus havia falado pelos antigos profetas, os seus escritos eram a reverberação das palavras divinas. Perpetuar as cerimônias no culto cristão pareceu-lhes naturalmente ser obediência aos mandamentos de Deus. Eles não distinguiam suficientemente, na antiga aliança, o que era permanente do que era a forma transitória das ideias que essa aliança exprimia. Confundiram os ritos cristãos com os ritos judaicos. Por esta razão é que vemos esse fundo de judaísmo no romanismo.


O paganismo assimilado

A igreja da Idade Média emprestou muitas coisas do paganismo. O paganismo transmitiu muitos dos seus usos e tradições ao romanismo. Muitos desses são costumes que se consideram inocentes, que se desculpam no princípio e que mais tarde passa-se a tolerar. Esses costumes depois de tolerados se perpetuam nas massas as ideais e superstições que elas de bom grado tornariam receber. O fim de tudo isso é que o romanismo ficou impregnado da antiga religião pagã e os seus adeptos nem sequer percebem.

Essa assimilação do paganismo pelo romanismo instalou entre o Deus supremo e o homem, colocando um exercito de semi-deuses, de heróis divinizados. Em lugar das deusas pagãs, tem-se a virgem Maria e os santos; em lugar dos deuses domésticos do paganismo surge a figura dos padroeiros e das padroeiras das famílias, das cidades, dos estados e até mesmo da nação. O romanismo criou uma corte de deuses como os deuses do Olimpo. A ideia de uma revelação permanente teve a sua origem na ideia cristã de uma revelação escrita.


Os profetas do povo Hebreu eram usados pelo Espírito Santo e viviam em comunhão com Deus. Eles foram os que redigiram os oráculos do Eterno e esses oráculos tornaram-se o código religioso de Israel.


Diferentemente o paganismo nunca teve um código religioso, não tinham revelação escrita nem um corpo de sacerdotes ou um clero que servia de intermediário entre os deuses e os homens. Os deuses não falavam aos homens, falavam aos sacerdotes. Para consultar os deuses era necessário o ministério dos sacerdotes. Os sacerdotes eram por assim dizer, o primeiro degrau dessa escada de seres divinos que se terminava em Júpiter. Os seus ensinos eram infalíveis e a sua autoridade incontestável. Desobedecer a esses sacerdotes era o mesmo que revoltar-se contra o culto nacional, contra o “deus” que protegia o país ou a nação. Para os pagãos tudo se reduzia à obediência aos sacerdotes.


Os sacerdotes no paganismo era o representante oficial da religião, a sua viva encarnação. Ninguém podia dispensar o seu ministério em nenhuma cerimônia pública, assim o paganismo não passava de uma religião humana, a glorificação do homem na pessoa do sacerdote, ou ainda, a exaltação do homem na deificação dos imperadores. Não é assim mesmo que é no romanismo e no neo-evangelicalismo atual?



O Romanismo e o culto às imagens


O velho paganismo reviveu na Idade Média através do culto aos santos e da autoridade excessiva do clero católico. A religiosidade pagã foi derrotada e o nome dos seus deuses desapareceram para reaparecer no romanismo com novos nomes de santos católicos e com a ideia de que eles, por conhecerem a fraqueza humana, estariam habilitados para interceder pelos humanos.


Com essa maligna ideia implantada no coração dos homens, os homens passaram a ter medo do Deus Santo, inventaram com isso “deuses” mais maleáveis, menos terríveis, sujeitos às paixões humanas, assim como os deuses do paganismo eram.


A Igreja da Idade Média foi uma espécie de desenvolvimento natural do neo-paganismo. O romanismo misturou o judaísmo, o paganismo e o cristianismo e confundiu a cabeça das pessoas, criando um novo paganismo sincrético. Foi exatamente isso que os Reformadores do sec. XVI combateram veementemente. Os Reformadores lutaram para voltar ao cristianismo primitivo e puro, muitos perderam a vida por isso, enquanto que a massa dos cristãos se acomodava, às cegas, a esse neo-paganismo no qual o Deus Santo desaparecia atrás da nuvem dos seus ministros ou colaboradores, no qual Cristo também conservando a coroa da sua dignidade, parecia ter abdicado sua obra de mediador em benefício e glória de sua mãe.


Por séculos e até o tempo da Reforma, o romanismo viveu essa contradição e como já mostrou a História, isso não podia durar ad infinitum. A igreja romanista separou-se grandemente dos ensinos bíblicos e mais cedo ou mais tarde a “bomba” iria explodir e as consciências cristãs iriam se insurgir. Deus levantou o homem Lutero para que ele fosse o interprete dessas consciências.


Lutero encontra a Bíblia

Lutero formou-se na Escola do apóstolo Paulo e protestou contra o cristianismo judaizante que da Idade Média aumentara enormemente com a inserção dos elementos do paganismo. Lutero protestou não em nome da razão ultrajada, mas sim, em nome da verdade falsificada, protestou em nome de sua consciência que suspirava por uma paz vinda diretamente de Deus.


A Bíblia foi a mola propulsora do seu protesto, ou, mais precisamente, a Bíblia o fez entender que o verdadeiro Deus devia conservar-se no primeiro plano, ser, não uma divindade terrível, mas a divindade clemente e misericordiosa de quem podemos nos aproximar, a quem podemos pedir a sua graça através do único mediador que ela mesma estabeleceu, Jesus Cristo, o Redentor Onipotente. Lutero compreendeu isso e desde esse momento, fez-se uma revolução em seu espírito e por meio dele, em toda a igreja.


Aos olhos de Lutero a Igreja não era mais que a dispensadora de perdão aos miseráveis; era a detentora de santos que intermediavam entre a terra e o céu; que Maria era uma “deusa” que cerca os homens com a sua ternura infinita e que, como uma advogada implora o perdão divino de seu Filho; ele cria que o clero era uma casta privilegiada que abre, a seu bel prazer, as portas do céu.


Depois que Lutero descobriu a Bíblia naquele dia na biblioteca de Wittenberg, ele agora só via Deus ofendido propiciado pelo sacrifício de Cristo no Calvário e do qual o homem pode aproximar-se arrependido e colocar toda a sua confiança no Senhor Jesus Cristo. Dai por diante tudo desapareceu da alma de Lutero e ele encontrou-se com o Deus da graça. Ele proclamou com força os benefícios desse encontro, a certeza do perdão, a certeza da vida eterna, de uma vida  nova que jorra dessa fé, uma alegria imensa que brota dessa reconciliação. As palavras de Matinho Lutero ecoam desde aquele tempo por toda a cristandade.



Resultados práticos da Reforma

         O povo trocou a autoridade do papa pela autoridade de Deus, a intercessão dos santos, pela intercessão do Cristo, a mediação de Maria pela mediação do Salvador, Jesus Cristo, a submissão ao clero pela submissão à palavra dos apóstolos. A igreja se viu livre dos elementos estranhos que a tinham invadido, do judaísmo e do paganismo, que haviam alterado a sua doutrina, que havia extinguido a sua simplicidade e pureza primitiva. O povo apoderou-se da fé cristã antes oculta sob um monte de práticas supersticiosas.


A mão dos Reformadores arrancou as ervas daninhas que envolviam o Evangelho primitivo e que davam a esse Evangelho um ar de paganismo e judaísmo. Os Reformadores não inventaram um novo Evangelho, eles somente proclamaram o antigo Evangelho que o romanismo havia obscurecido. Os Reformadores não inventaram um novo Cristo sem divindade e sem redenção, eles trouxeram à luz a grande figura do Salvador, Jesus Cristo.

Ainda há perigos

         O cristianismo judaizante ainda prossegue na sua obra destrutiva apesar de que o verdadeiro Evangelho o tem ferido mortalmente. O falso evangelho não resistirá à difusão dos santos Evangelhos, das cartas paulinas e das Escrituras como um todo, que tem sido conhecidas e difundidas nos quatro cantos da terra.


Infelizmente ainda há perigos outros que ameaçam o cristianismo, dentre eles, o orgulho humano, em que muitas pessoas acham que podem viver sem a graça de Deus e esnobam o Evangelho. Mal sabem esses que toda dádiva vem de Deus.


Conclusão

         O Cristianismo bíblico venceu o cristianismo judaizante da Idade Média. Nós os cristãos Reformados não devemos nunca abandonar a nossa bandeira, que foi a mesma bandeira da igreja primitiva e que será a mesma bandeira que amanhã se hasteará: O Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

31 DE OUTUBRO DIA DA REFORMA PROTESTANTE

A estrutura pagã do catolicismo Romano.


Introdução:
Depois do estabelecimento do cristianismo no século 1, como o maior evento da história da humanidade, a Reforma protestante, 16 séculos depois, é o segundo maior evento do cristianismo.

A invenção da imprensa por João Gutemberg, juntamente com a redescoberta das letras, foi o que preparou o terreno para o evento histórico chamado Reforma. O redescobrimento das letras clássicas fez com que o cristianismo não fosse deturpado com adições comprometedoras.

Como a igreja havia se afastado da sua inicial pureza e simplicidade, com o surgimento da igreja católica romana no século IV, com o imperador Constantino, quando este cristianizou o Império e passou dai em diante a ser uma igreja comprometida e envolvida com a política e os negócios seculares.

Já na época de Paulo, apóstolo, o partido judaico-cristão, por Paulo combatido com veemência, havia conseguido implantar em meio aos primeiros cristãos, ideias e costumes emprestados exclusivamente do Antigo Testamento. As pompas do culto, necessárias a um povo grosseiro e rudimentar, que ainda se achava no berço da sua existência política, insinuaram-se na igreja. Copiaram o sacerdócio israelita e, de imitação em imitação acabaram por ter a hierarquia dos sacerdotes judaicos, desde o sumo pontífice, até o mais humilde dos ajudantes do templo.

Os judeus eram detentores do sacrifício perpétuo, a igreja romana também reivindicou esse sacrifício, os judeus tinham uma lâmpada que nunca se apagava, a igreja romana também acendeu uma lâmpada nos seus templos. Os judeus tinham o altar onde o sangue das vítimas era derramado, a igreja romana também estabeleceu um altar onde é feito um sacrifício incruento (a missa). Os judeus tinham festas solenes, a igreja romana instituiu festas análogas nesse novo culto. Essa imitação do romanismo às festas judaicas podem ser explicadas da seguinte forma: Moisés e os profetas dos judeus foram os antepassados do Salvador, os arautos da sua vinda. Deus havia falado por intermédio dos antigos profetas e os seus escritos eram a Palavra de Deus.

A igreja romana decidiu perpetuar essas cerimônias no culto cristão. Diziam que fazer assim era uma demonstração de obediência ao Senhor. Porém, eles não souberam distinguir o que, na antiga aliança, era permanente e o que era transitório. Confundiram os ritos cristãos com os ritos judaicos. É dai que vem essa identidade judaica dos rituais que existe no romanismo.

PERÍODO DA IDADE MÉDIA

Na Idade Média, a igreja romanizada e já corrompida introduziu muito do paganismo nos rituais romanistas. Muitos usos e tradições dos pagãos foram incorporados no romanismo. Eram costumes que os papas consideraram inocentes, que no princípio se desculpava e que mais tarde veio a ser tolerado, introduzindo no inconsciente das massas ignorantes as ideias e superstições pagãs.

Os acontecimentos se processam da seguinte forma: primeiro desce-se por um declive inicialmente insensível desviando-se e afastando-se do terreno primitivo, e, sem pensar, encontra-se num terreno totalmente diferente, numa zona desconhecida, numa atmosfera totalmente adversa da original. Depois de se estar lá, o próximo passo, é acomodar o novo estado dos espíritos com os dogmas primitivos, modificando-se e interpretando-se de um outro modo, para só então se perceber que a nova religião está impregnada de elementos da antiga.


O PANTEÃO ROMANO

No Panteão romano, assim como no grego haviam centenas de deuses, cada um para uma faceta da vida humana. A sociedade grega e a romana também era politeísta. O romanismo não aboliu esses deuses, mas os incorporou de outro modo.

Entre o Deus supremo e os homens, o romanismo colocou um exercito de semi-deuses, heróis divinizados. Em lugar das deusas colocou-se a virgem Maria, em lugar dos heróis, colocou-se os santos. Em lugar dos deuses domésticos colocou-se os padroeiros da família sob o nome venerado dos apóstolos ou de alguns cristãos célebres. Estabeleceu-se então uma corte de deuses, assim como os deuses do Olimpo.

JUDEUS E PAGÃOS

Os judeus tiveram os profetas, dirigidos pelo Espírito Santo e constante comunhão com o Altíssimo. Foram os profetas quem redigiram os oráculos divinos que vieram a se tornar o código religioso de Israel.

O paganismo não possuía revelação escrita, mas possuíam um corpo de sacerdotes que serviam de intermediários entre os deuses e os homens. Na crença pagã os deuses não falavam com os homens, mas somente com os sacerdotes e para consultar os deuses, necessitava-se da intermediação sacerdotal. Os sacerdotes eram o primeiro degrau da escada de seres divinos que terminava em Júpiter. Os seus ensinos eram infalíveis e a sua autoridade era incontestável. Para o paganismo tudo se resumia em obedecer aos sacerdotes. O sacerdote era o representante oficial da religião. Não se podia dispensar o seu ministério em nenhuma cerimônia pública. Assim o paganismo tornou-se, em essência, uma religião humana.

O princípio era a glorificação do homem na pessoa do sacerdote ou a exaltação do homem na deificação dos imperadores. Pedro vem e combate esse pensamento quando diz: “Vós sois reino de sacerdotes.” (I Pd. 2.9).

Já deu pra perceber sobre onde e sobre o que está montado todo o arcabouço do catolicismo romano. Foi contra toda essa gama de paganismo que os Reformadores lutaram, foi contra essa deturpação do cristianismo que Martinho Lutero e João Calvino levantaram as suas vozes e trouxeram a igreja para os seus princípios originais.


Continuaremos no próximo artigo.

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