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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A ORIGEM PROTESTANTE-FRANCESA DE SÃO LUÍS (1612 – 1615)

Por


Rev. João d’Eça


Introdução:

Hoje, 08 de setembro de 2011, São Luís completa 399 anos de fundação. Muitos tem escrito relatos do início da cidade de São Luís, mas quase que nenhum dos historiadores comentam o fato de que inicialmente Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiere veio para o Maranhão com autorização do Rei Henrique IV de França para aqui fundar a França Equinocial, sob os valores e princípios do protestantismo calvinista do Rei, que mesmo depois de ter dito “Paris vale uma missa”, para garantir a coroação já que o clero católico não aceitaria um protestante como rei, Henrique nunca deixou de ser protestante. Foi ele o rei do Edito de Nantes que deu liberdade religiosa a todos os huguenotes (protestantes franceses) e que deu cartas patentes a La Ravardiere com esse propósito.

Não fosse o Papa juntamente com a rainha Maria de Médicis ter assassinado o rei protestante Henrique IV, a França Equinocial teria vingado e hoje nós seríamos uma comunidade diferenciada no Brasil, com uma mentalidade de cultura de desenvolvimento de busca pelo saber, de avanço tecnológico nos moldes de Quebec no Canadá.

Hoje São Luís faz 399 de fundação pelos franceses. Foi degenerada a sua cultura e os seus costumes por obra e graça dos portugueses. Esperamos que São Luís se recupere com o tempo e reconstrua a sua cultura de saber e desenvolvimento, voltando a ser a “Atenas Brasileira”.

AS TENTATIVAS DE COLONIZAÇÃO FRANCESA
Na época do descobrimento, a França tentou estabelecer colônias em terras brasileiras, em pelo menos duas regiões do país. Foram duas tentativas de estabelecimento de comunidades calvinistas/protestantes que acabaram não se consolidando devido a oposição da igreja católica, que ainda vivia o período da Contra-Reforma e estava decidida a não permitir o avanço dos protestantes estivessem eles em qualquer lugar do mundo conhecido da época.

O primeiro Brasil francês foi a França Antártica, no Rio de Janeiro em 1555, no início da segunda metade do século XVI, cinqüenta anos depois do descobrimento. A primeira investida foi com Villegaignon e Jean de Léry (huguenote). Villegaigon veio para o Brasil para fundar uma colônia. Com o avanço dos problemas, principalmente na área religiosa, Villegaignon escreveu cartas a João Calvino (reformador de Genebra), para que lhe enviasse um contingente de partidários da fé reformada para solucionar o problema da colônia. Calvino atendeu o pedido e lhes enviou 14 huguenotes (protestantes franceses) em 1557. No meio desses huguenotes, desembarcaram dois pastores: Pierre Richer (50 anos) e Guillaume Chartier (30 anos), versados da sã doutrina e exemplares na conduta, acompanhados por colonos mulheres e artesãos. Na chegada em 7 de março de 1557, foram recebidos por Villegaignon com grande alegria e apresentaram ao comandante suas credenciais assinadas por João Calvino.

Na colônia, Villegaignon sofreu pressão dos católicos por ter solicitado a presença de protestantes calvinistas e os conflitos religiosos da França, foram reproduzidos ali, na pequena ilha onde estavam acampados os franceses. O comandante Villegaignon que era de origem protestante, tendo até estudado com Calvino, com medo de perder o posto de comandante da empreitada, e em meio a disputas religiosas, preferiu agradar aos católicos e começou a hostilizar os pastores e os huguenotes que vieram da França a pedido dele.

A QUESTÃO EUCARÍSTICA
As controvérsias se deram entre os protestantes e Villegaignon, devido a celebração da Ceia do Senhor (Eucaristia). A primeira Santa Ceia, segundo o rito reformado, foi oficiado pela primeira vez num domingo, 21 de março de 1557 . O comandante Villegaignon, havia recebido cartas do cardeal de Lorena, membro da poderosa família Guise, censurando-o fortemente por haver deixado a fé católica e ele, temeroso das conseqüências, teria mudado de opinião . Sofrendo enorme pressão dos padres que não aceitavam o entendimento calvinista do significado da Ceia do Senhor resolveu pressionar os pastores e usar esse argumento para acusá-los de heresia e ter motivos para enviá-los de volta à França. Muitos dos que vieram, preferiram abdicar da sua fé e ficar, ao invés de enfrentar a oposição do comandante Villegaignon, traidor da fé que antes dizia professar.

O comandante privou os calvinistas até de víveres diários, e estes acabam deixando a ilha e se fixaram no continente entre os Tupinanbá. Jean de Léry escreve a respeito do assunto:

Acomodamo-nos na praia, do lado esquerdo, à entrada daquele rio da Guanabara [...] E assim como nós lá íamos, íamos e vinhamos, freqüentávamos, comiamos a bebiamos entre os selvagens (que nos foram incomparavelmente mais humanos do que aqueles que, sem que nada lhes tenhamos feito de mal, não nos pode suportar consigo) também eles, por sua vez, trazendo-nos víveres e outras coisas de que necessitávamos, nos vinha com freqüência visitar.[1]

Foi à partir dessa experiência que nos chegou um dos mais importantes relatos sobre o Brasil do século XVI. No livro, a Histoire d’um Voyage faict em La terre Du Brésil, do protestante calvinista Jean de Léry, que alcançou enorme sucesso desde a sua primeira edição, em 1578. O principal objetivo de Jean de Léry foi o de desmentir “as mentiras e erros” contidos no livro do monge André Thevet, Les Singularitez de La France Antarctique, publicado em 1557-1558. Assim também, Abbeville, ganhou notoriedade contando mentiras e lendas no seu livro sobre a expedição a São Luís, 60 anos depois.

Depois de hostilizar os seus antes companheiros de fé protestante, o traidor e infiel, Villegaignon vai à França em busca de reforços para a sua colônia. Ele já se julga dono do lugar e mais tarde fica conhecido como “Rei da América”. Um homem que em nome do lucro e do poder temporal, aliou-se aos católicos, abandonou a fé e traiu seus amigos, perseguindo-os, torturando-os e por fim assassinando-os.

OS PROTOMÁRTIRES.
Enquanto estavam presos os pastores protestantes calvinistas, proto-mártires: Jean Du Bourdel, Matthieu Verneuil e Pierre Bourdon escreveram uma declaração de fé que veio a ser o mais antigo documento da fé reformada na América, A Confissão de Fé da Guanabara (1558), escrita por Jean du Bourdel. Contém 17 capítulos e foi assinada pelos seus companheiros depois de lida e aprovado por eles, estando estes dispostos a morrer pelo que declararam sobre sua fé naquele documento, o que de fato aconteceu. Villegaignon os assassinou, jogando seus corpos na baia de Guanabara.


O SEGUNDO BRASIL FRANCÊS
Ocorreu no Maranhão, mais precisamente na fundação da cidade de São Luís, no ano de 1612, a 08 de setembro, a segunda tentativa de estabelecimento de uma colônia francesa no Brasil, de origem protestante calvinista.

Desde as primeiras incursões, em maio de 1594 com Jacques Riffault, os franceses tentam conquistar o país pelo norte, parte que eles conheciam bem e que os portugueses desprezavam. Depois do fracasso dessa primeira incursão, uma parte dos tripulantes ficam na ilha, entre eles Charles des Vaux, que após longa estada entre os Tupinanbás, decide regressar à França e tentar convencer o Rei Henry IV da importância de uma campanha colonial na Região Norte do Brasil. Henrique IV ordena então ao senhor de La Ravardiere que acompanhe des Vaux a uma expedição de reconhecimento a ilha do Maranhão .

Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiere, protestante, tem seu nome associado ao dos Montgomery. Charles Montgomery, almirante da França e da Bretanha, autoriza o senhor de La Ravardiere a armar navios para empreender viagem pelas costas da África, da América, do Brasil, da Guiana, de Cuba, de São Domingos, Perú, México e Flórida. Dessa expedição origina-se o projeto colonial do Maranhão, a França Equinocial .

A rainha Maria de Médices instigada pelo clero católico planejam e executam a morte do rei protestante Henrique IV, por causa do Edito de Nantes (promulgado por ele), que dava liberdade religiosa a todos os huguenotes (protestantes franceses), onde quer que ele se encontrassem sob o domínio da França e por causa das intensões do Rei protestante Henrique IV de criar colônias calvinistas no Novo Mundo. Mesmo com o rei assassinado, a rainha-regente Maria de Médices, não poderia impedir a expedição de La Ravardiere, já que por ser regente, não tinha autoridade de revogar uma lei promulgada por um rei legítimo, portanto, não poderia anular o Edito de Nantes, já que o Rei-menino, Luís XIII, ainda era muito criança e não podia reinar em plenitude. Com isso, La Ravardiere continuou o seu intento e veio para o Maranhão. Mesmo contrariada, a rainha tentou limitar as ações de Daniel de La Touche, colocando na expedição os frades capuchinhos, dentre eles, o mentiroso Abbeville. Em carta de 23 de abril de 1611, endereçada ao padre Leonard de Paris, provincial dos Capuchinhos da rua Saint-Honoré (fundado por Catarina de Médici em 1575), a rainha escreve:

Padre Léonard – escreve a rainha – O senhor de Razilly lugar-tenente-geral das Índias Ocidentais, pelo Sr. Rei meu filho nomeado, disse-me da possibilidade de ai se introduzir a religião cristã, sendo recomendável o envio de alguns religiosos de vossa ordem para ficarem nessas terras e tratar na medida de suas forças, de esclarecer a fé cristã. Por esse motivo vos dirijo a presente, rogando-vos para lá enviardes até quatro religiosos, entre os que julgardes mais dignos e capazes. Aos quais haveis de ordenar que sigam em companhia de quem o senhor de Razilly lhes enviar para guiaá-los. Estou convencida de que, tratando-se de pessoas de grande caráter e devoção, grandes serão os frutos e que sua obra aumentará ainda mais a glória de Deus e a boa reputação de vossa ordem. Não tendo esta outro objetivo, rogo a Deus, Padre Léonard, que vos conserve em sua guarda. Escrita em Fontainebleau aos 23 de abril de 1611. Maria Phelypeaux.[1]

Os padres escolhidos foram: Yves d’Evreux, Claude d’Abeville, Arsene de Paris e Ambroise d’Amiens. Os Supervisores da Provincia de Paris designam o padre Yves d’Evreux como superior da Missão no Brasil, em 27 de agosto de 1611.

Daniel de La Touche, apesar da oposição de Maria de Médices, consegue persuadi-la a manter a expedição. A rainha-regente num primeiro momento não desaprova a empreitada e motivada pela promessa de La Ravardiere de interceptar os navios espanhóis em volta pra Espanha carregado de metais preciosos nomeia-o como “lugar-tenente do rei no Maranhão” junto a François de Razilly. Essa associação é legalizada por um contrato lavrado em Paris em 4 de outubro de 1610, junto ao notário Pacqué. Esse mesmo contrato é aprovado e ratificado pelo rei e sua mãe, um ano depois, em 16 de setembro de 1611 .

Em cerimônia celebrada no Louvre, a flâmula real é confiada aos “lugares-tenentes do rei”, com a promessa de lealdade e de construir um forte – que será denominado Santa Maria, em homenagem à rainha-regente. Nasce assim uma nova França, chamada França Equinocial, no Palácio do Louvre, em 1610.


08 DE SETEMBRO, FUNDAÇÃO DE SÃO LUÍS.
Os navios “Régent”, “Charlotte” e “Saint Anne”, deixam o Porto de Cancale em 19 de março de 1612. Os primeiros a desembarcar na “Ilha Grande” (Upaon Açu), foram Daniel de La Touche e o senhor de Razilly, nela encontraram 400 franceses, assim co mo dois navios de Hâvre e de Dieppe, pilotados pelos capitães Du Manoir e Gérard. Os capuchinhos dirigen-se para lá em 5 de agosto e são recebidos alegremente pelos índios. Fazem o reconhecimento do lugar onde os franceses construirão o forte São Luís. A cruz é plantada na “Ilha de Maranhão” em 08 de setembro, próxima ao local escolhido para a construção do forte.
Os católicos franceses e espanhóis, motivados pelo acordo de casamento entre Luís XIII e a infanta Ana d’Austria, conspiram contra La Ravardiére e intentam reduzi-lo a nada no comando. Ele percebe e começa a providenciar a sua saída da empreitada. No Arquivo Geral de Simancas encontra-se uma nota secreta enviada ao Conselho de Estado espanhol datada do mês de abril de 1612, a respeito dos armamentos que se estavam fazendo em Saint-Malo para ir conquistar algumas paragens na América. A nota informa que os chefes da expedição eram os senhores “Rasil” e “La Ravardiere”, precisando que os franceses deixaram o Porto de Cancale para se dirigir a uma ilha que se situava “mais acima que o Rio da Prata”, que sua intensão era de estabelecer laços de amizade com os selvagens e que a empresa contava com o assentimento da rainha regente. O autor da nota que o senhor de La Ravardiere, “um calvinista herege conhecedor da costa brasileira.” A intensão era tirar do comando o protestante Daniel de La Touche e deixar somente o católico François de Razilly.

Daniel de La Touche então resolve deixar a empreitada e ir para outro lugar, sabendo que nunca terá o apoio da coroa, dominada que era pelo papado e ele protestante calvinista, estava correndo risco de vida, nessa hora, seria melhor deixar o forte e partir.

GUAXINDUBA
Guaxembduba ou Guaxinduba é o nome dado pelos historiadores portugueses para a suposta batalha que dá fim à França Equinocial, e para dar um tom épico à narrativa, o padre Abbeville conta uma estória mentirosa da virgem Maria aparecendo na praia e transformando a areia em pólvora para abastecer as armas do portugueses.

Em 18 de junho, o Régent chega a um local chamado “Buraco das Tartarugas” (praia de Jericoacoara – CE), onde os portugueses se instalaram sob o comando de Manuel de Sousa d’Eça vindo de Pernambuco dez dias antes, com a finalidade de interceptar a expedição francesa. Em 19 de novembro os franceses decidem atacar por terra. Eles eram superiores em número, possuíam 200 franceses e 1.500 índios Tupinanbá que lutavam ao lado dos franceses, sob o comando de Pezieu. Como a maré secou La Ravardiere não pode desembarcar com os reforços e a estratégia de Pezieu deu errado, eles foram cercados e 115 franceses, entre eles o capitão Pezieu foram mortos. Oito dias após essa batalha uma trégua de um ano é proposta e acordada.

Apesar de ter documentos que foram acordados em Paris, de obediência dos capuchinhos ao lugar-tenente, Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiere e as cartas patentes do rei Luís XIII, a empreitada de La Ravardiere está desapoiada e quase no fim. Os reforços para resguardar o forte de São Luís, esperados por La Ravardiere, nunca chegarão. Em 1º de fevereiro de 1615, antes do término da trégua de uma ano, uma aramada de nove navios comandados pelo capitão Alexandre de Moura, carca os franceses na “grande ilha”, enquanto as forças comandadas por Jerônimo de Albuquerque se dirigem no dia seguinte, para o Forte São Luis, onde La Ravardiere acaba rendendo-se sem resistência. Ai Abbeville inventa a história da batalha de expulsão dos franceses, que na realidade nunca existiu.

PORTUGUESES ROTULAM LA RAVARDIERE DE PIRATA.
Alexandre de Moura leva La Ravardiere para Lisboa, onde ele permanece preso por alguns anos na Torre de Belém. Num de seus relatórios, Alexandre de Moura escreve sobre La Ravardiere e a decisão de não deixá-lo voltar ao Brasil:

[...] não permiti fosse em sua companhia Sr. de La Ravardiere querendo ele ir-se e para o tirar levando-o comigo de ser contínuo corsário como foi infestando sempre os mares de V. Magestade; [...] Não desejei permitir que o Sr. de La Ravardiere partisse em sua companhia [dos 50 franceses que voltaram], embora ele mesmo quisesse ir-se; levei-o comigo, a fim de impedi-lo de continuar o corsário que era, sempre infestando os mares de V. Magestade. [...] pelo mal que poderia resultar de sua conversação assim por serem hereges (protestantes) como pela prática que faziam ao gentio.[1]

Depois de um tempo, Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiere é libertado e decide ir para outro lugar, no sonho de fundar a França Equinocial, chega até a Guiana, que mais tarde viria a ser a Guiana Francesa. Dali ele vai ao Canadá onde termina os seus dias. Não teve o sucesso que pretendia no Maranhão, mas uma grande comunidade calvinista existe no Canadá até hoje, graças ao incentivo e apoio, mesmo que pequeno, do rei Henrique IV. Depois de 240 anos os reformados chegaram ao Brasil, dessa vez para ficar e construir uma grande obra de evangelização do nosso país através da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Notas:

[1] De LÉRY, Jean. Histoire d’um Voyage fait em La terre Du Bresil. Genebra, Droz, 1975, p. 67.

[2] DAHER (48). A carta de Maria de Médices é reproduzida pela primeira vez em 1614, por Claude d’Abbeville em Histoire de La Mission, p. 17.

[3] Conforme relatório de Alexandre de Moura.



BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

A Tragédia da Guanabara - Jean Crespin

Sementes do Calvinismo no Brasil Colonial - Osvaldo Henrique Hack

O Brasil Francês - Andrea Daher

História do Maranhão - A Colônia - Carlos de Lima

História do Maranhão - Mário Meireles

Anais Históricos da História do Maranhão - Bernardo Berredo

A Fundação Francesa de São Luís e seus Mitos - Maria de Lourdes Lacroix

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

SÃO LUÍS - 398 ANOS DE FUNDAÇÃO PROTESTANTE.

Hoje ela amanheceu linda como sempre. Ensolarada, com uma temperatura de 25 graus, que vai aumentando durante o dia e àss vezes chega a 33, já estamos acostumados. Para alguém que como eu já experimentei frio de até 0º, voltar para o calor da minha São Luís, é mágico!

A CHEGADA DOS FRANCESES -  A FRANÇA EQUINOCIAL
As condições em 8 de Setembro de 1612 eram com certeza um pouco mais amenas, mais ainda muito diferentes para os franceses que vieram de Paris e Cancale em suas Caravelas, singrando os mares até aportar na Baía de São Marcos. Eram muitos franceses liderados pelo protestante reformado Daniel de Lá Touche, conhececido senhor de La Ravardiere, que veio para cá, à mando do rei protestante reformado francês, Henrique IV, com o fim de fundar uma comunidade protestante reformada na linha equinocial, denominada "França Equinocial".

Daniel de La Touche, veio com autorização de dois documentos que não poderiam ser revogados, apesar de o rei ter sido assassinado em um complô papal juntamente com a rainha Catarina de Médices, cujo filho, ainda infante, Luis XIII, muito criança, não podia governar e a rainha-regente, pelas leis da época não poderia revogar as decisões do rei Henry IV, assassinado. Os documentos foram:

1) As cartas patentes do Rei Henry IV, enviando Daniel de La Touche para estabelecer aqui a França Equinocial;

2) O Edito de Nantes, documento que dava liberdade religiosa para os huguenotes (protestantes franceses), onde quer que estes se encontrassem, mesmo que fosse em uma colônia distante milhares de kilometros.

Foi por causa desse segundo documento que o rei Henry IV foi assassinado, já que o clero romano não suportou o golpe de dar liberdade para os protestantes, o que culminou com o assassinato do rei e com o massacre da noite de São Bartolomeu, onde perto de 100 mil protestantes foram assassinados, alagando as ruas de Paris com o sangue deles, durante quase duas semanas.

A FUNDAÇÃO DA CIDADE
Esse foi o pano de fundo da história da fundação da França Equinocial, que foi abortada em 1615, por causa da oposição da rainha-regente, católica e influenciada pelo clero francês, cuja intenção era desestabilizar o protestatnte reformado Daniel de La Touche e demovê-lo da sua determinação de fundar aqui uma colônia francesa, conforme era vontade do rei Henry IV.

São Luís foi fundada em 8 de Setembro de 1612, e levou esse nome graças a homenagem ao rei infante Luís XIII. Primeiro eles contruiram um forte nas proximidades de onde hoje é o Palácio do Leões, sede do governo Estadual. Muitas outras edificações foram se espalhando nos três anos em que eles permaneceram em São Luís, porém a formatação de uma vila de casas que deu origem à capital do Estado do Maranhão, foi sendo edificada, à ponto de, no momento em que os franceses doaram o forte aos portugueses comandados por Jerônimo de Albuquerque e um antepassado meu capitão-mor José da Cunha d'Eça.

ESTORIAS E HISTÓRIA
A rainha-regente, para garantir que Daniel de La Touche não implantasse aqui uma colônia protestante reformada, como era intenção do rei Henry IV, assassinado antes da viagem, tratou de colocar no grupo, gente dela e padres capuchinhos para garantir um estabelecimento católico. Na verdade foi mais uma forma de intimidar ao senhor de La Ravardiere, pois ela sabia que não podia revogar as cartas patentes do rei Henry IV e muito menos o Edito de Nantes que so poderia ser revogado por um rei legítimo, que governasse de fato.

Dentre os membros da comitiva que a rainha enviou para São Luís, estava o padre Claude d'Abbeville, que foi o que narrou a história da viagem e dos poucos meses que passou aqui. Sua narrativa é cheia de lendas e de mentiras que ele fez questão de contar para exaltar o catolicismo romano.

A BATALHA DE GUAXINDUBA
Essa batalha na verdade nunca existiu, mas os cronistas, para exaltar os supostos milagres da virgem, criaram uma lenda de que os portugueses venceram os franceses porque a virgem transformou a areia da praia em pólvora o que garantio a munição para as armas portuguesas.

A VERDADE DOS FATOS
Como pode um exército de pelo menos 2000 homens (como era o exército francês), ser derrotado por 120 homens comandados por Jerônimo de Albuquerque que vieram de Recife para retomar a cidade? Os cronistas inventaram a estória da batalha e inseriram a lenda da Virgem. O que de fato ocorreu foi uma entrega pacífica da cidade. Os índios Tupinambá eram favoráveis aos franceses, mais fidalgos, elegantes e humanos, e odiavam os portugueses, violentos, estupradores e assassinos.

Daniel de La Touche, sem o apoio da coroa e tendo como base o Edito de Nantes, resolveu fazer uma Constituição da França Equinocial, que estabelecia os parámetros da Colônia e determinava quais eram as atribuição de cada grupo: Os capuchinhos (catequizar os índios), os colonos católicos vindos da França (não atrapalhar o culto protestante), os huguenotes (se submeterem às leis contidas no Edito de Nantes e aos princípios da igreja reformada da Europa). E assim foi por três anos.

A RETIRADA DOS FRANCESES
Não houve expulsão de franceses, não houve guerra, somente alguns afoitos e desapercebidos atiraram uns contra os outros, menos de uma dezena morreram, os ânimos foram apaziguados e os franceses fizeram uma entrega pacífica da nascente cidade de São Luís, e foram instalar a França Equinocial na Guiana Francesa.

Sem o apoio da rainha católica, vendo que não iria conseguir o seu intento tendo que lutar contra os inimigos portugueses e contra inimigos franceses, Daniel de La Touche, senhor de La Ravardiere, protestante reformado, saiu de São Luís deixando para trás muitos franceses que preferiram ficar na nova cidade, agora entregue aos portugueses que mantiveram o mesmo nome da cidade e à partir de 1615 a construiram até ela se tornar o que é hoje.

LEMBRANÇA FRANCESA EM SÃO LUÍS.
Observe que no mapa da cidade há duas grandes avenidas que lembram os seus fundadores: Av. Daniel de La Touche (circulada em vermelho), que vai do bairro da Cohama até o bairro do Maranhão Novo, com 5 km de extensão e a Av. São Luís Rei de França (circulada em verde), em direção à praia do Olho d'Agua, saindo do viaduto da Cohab.

Outra marca da lembrança do protestante reformado Daniel de La Touche, fundador de São Luís, é o nome de um dos maoires colégios de São Luís, o Colégio Batista Daniel de La Touche, com quase três mil alunos (foto abaixo).
São Luís é uma cidade linda e encantadora, maravilhosa, ensolarada quase que o ano todo.

São Luís tem uma linda história, um povo ordeiro, pacífico e alegre.

São Luís pode se dar ao luxo de ser a única capital brasileira a ter uma origem protestante reformada e com uma população de 1/3 de herdeiros do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Aqui foram ouvidos os grandes sermões do maior orador sacro da lingua portuguesa, padre Antônio Vieira, aqui trabalhou o poeta que emprestou os seus versos para a letra do Hino Nacional Brasileiro, Antônio Gonçalves Dias.

Aqui o Evangelho se estabeleceu em 1875 e depois com a organização da 1ª Igreja Evangélica Protestante, a Igreja Presbiteriana do Brasil em 1886 com o Dr. George William Batler, tem sido uma cidade onde a Palavra de Deus prospera e ainda muitas almas haverão de se render aos pés de Cristo.

sábado, 21 de junho de 2008

REV. HERNANDES DIAS LOPES EM SÃO LUÍS - MA




Por

Rev. João d'Eça







Estará em São Luís, nos próximos dias 27 e 28 de Junho, o Rev. Hernandes Dias Lopes, pastor da 1ª Igreja Presbiteriana de Vitória - ES e pregador do programa "Verdade e Vida", da IPB, que vai ao ar todos os sábados pela RedeTV, às 8: 15 da manhã (veja aqui a agenda do pastor. ).

O Rev. Hernandes vem a convite da Igreja Presbiteriana do Cruzeiro do Anil, pastoreada pelo Rev. Antônio Fontes Martins de Sousa, e falará para os presbiterianos maranhenses mais uma vez.

O Rev. Hernandes é um dos mais destacados pregadores do Brasil, sua mensagem é objetiva e com um profundo conteúdo espiritual. Quem o ouve, percebe que ele fala daquilo que sente de Deus e do que vive. Suas experiências com o Senhor são profundas e estimulantes, vale a pena ouvir o Rev. Hernandes.

A programação é a seguinte:
Dia 27 às 15: 30 H - Evangelizando através do testemunho pessoal.
Dia 27 às 19: 30 H - Evangelizando através da família
Dia 28 às 08: 30 H - Evangelizando através da Igreja.


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CAFÉ DA MANHÃ DE CONFRATERNIZAÇÃO
DO PCMA.

Na manhã desta Segunda-Feira 23/06, houve o café de encerramento das atividades do primeiro semestre do PCMA (Presbitério Centro-Oeste do Maranhão). O evento realizado na IPV (Igreja Presbiteriana de Vinhais), iniciou-se às 08:00 H e contou com a presença de vários pastores e presbíteros do PCMA, bem como pastores de outros presbitérios. Destacamos as presenças do Rev. Davi Luna (Presidente do PSLS - Presbitério de São Luís), Rev. Waldemar Filho (PSLS) e o preletor, Prof. Emílio (PLMA).

Pastores do PCMA presentes:
Rev. João d'Eça, Rev. Altonildon Olímpio, Rev. João Teotônio, Rev. Francisco de Araujo, Rev. Edivaldo Jardim, Rev. Jonas Viana e Rev. Roberto José.
Vários presbíteros compareceram, onde podemos destacar os presbíteros Wagner (IPB Betel), Preb. Luís Carlos (IPB Pinheiro), Iraquitã, Francisco e Sr. Ribamar (Betesda), Carlão, Davi, Gabriel e Zé Luís (Presidente do PCMA - Vinhais). Veja algumas fotos abaixo:






Momento Devocional












Rev. João d'Eça e
Davi Luna.







Pb. José Luís
(Pres. PCMA)
fazendo a abertura









Prof. Emílio
Preleção em
Marcos 1: 14-39

REV. HERNANDES DIAS LOPES EM SÃO LUÍS.



Por
Rev. João d'Eça
Nos próximos dias 27 e 28 de Junho, estará em São Luís, o Rev. Hernandes Dias Lopes (Clique aqui e veja a agenda.4 ) , do programa "Verdade e Vida" da IPB, apresentado todos os sábados as 8: 15, pela RedeTV em rde nacional.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

IGREJA PRESBITERIANA DE SÃO LUÍS - 122 DE EVANGELIZAÇÃO.


Por

Rev. João d'Eça


A Igreja Presbiteriana Central de São Luís está comemorando o 122º (Cento e Vinte e dois anos de organização). A Igreja foi fundada pelo Dr. George William Butler, médico e missionário americano, de trabalho profícuo e abençoado. O Dr. Butler viveu no período da história nordestina com a mesma tensão e influência, no tempo e no espaço, como outros líderes religiosos de sua época viveram.


"Quando o Rev. Butler esteve em São Luís, esta era conhecida ainda, como a "Atenas Brasileira". "Era também uma das cidades mais importantes do Brasil na época. Tinha 17.000 habitantes no início do séc. XIX, e chegou a ocupar o quarto lugar entre as cidades brasileiras. Em 1872, quando tinha 31.604 habitantes, suplantava a cidade de São Paulo. Além de ser populosa, era florescente em atividades culturais, o que lhe valeu o nome de "Atenas Brasileira". Era centro burguês e cidade de mercadores, contrastando nisto com a sua rival Alcântara, que ficava no outro lado da Baia de São Marcos, na parte continental."¹

"O Rev. Butler chegou à São Luís em 15 de Maio de 1855. A primeira reunião em São Luís foi realizada na manhã do sábado 31 de maio, em um sobrado na Rua Grande, nº 69. Fazia esquina com o Beco do Craveiros. O primeiro hino cantado foi: "Eu preciso de ti em todo o tempo" e a prédica versou sobre o arrependimento. Havia cerca de cinquenta pessoas no auditório. À noite compareceram cem pessoas e o sermão versou sobre fé".²

A Igreja Presbiteriana se faz presente em vários municipios do Estado do Maranhão e o alvo da liderança é que alcance todos os 217 que fazem parte do Estado.




Foto com a imagem do templo da Praça da Alegria no início do século XX.










Culto Solene na noite de 06/06/08, tendo como pregador o Rev. Antônio Fontes Martins.












Manchete do "Jornal Pequeno", de 06/06/08, fazendo alusão aos 122 anos da Igreja Presbiteriana Central de São Luís.












Notas:
1 e 2 - Edijéce MArtins Ferreira, A Bíblia e o Bisturi, Casa Editora Presbiteriana, 1987, 2ª Edição.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Evangélicos passam de 30% da população em São Luís do Maranhão


Por
Rev. João d'Eça
Uma pesquisa do instituto Escutec, divulgada pelo jornal O Estado do Maranhão em 2 de dezembro, constatou que dos 97% dos ludovicenses (os que nascem em São Luís) que têm uma religião, "os evangélicos das diversas tendências (tradicionais e pentecostais) somam 35%". Apesar da maioria de católicos, o relatório apontou uma "tendência de crescimento do universo dos evangélicos". Dizem os pesquisadores: "A pesquisa apurou que é real o movimento de pessoas de uma igreja para a outra, chegando a mais de 21% o percentual das que admitem já ter mudado de religião, e é aí que se verifica a tendência de crescimento das igrejas evangélicas, pois quase todas as trocas de religiões registradas são no sentido delas. Dos que largam suas crenças de origem, praticamente 80% eram católicos que procuraram uma das tendências do protestantismo".
Segundo o estudo, "menos de 3% da população de São Luís é formada por pessoas que não seguem nenhum credo religioso. Outra constatação é a de que as pessoas se dividem quanto ao fato dos líderes das igrejas tomarem partido político, mas é mínima a parcela dos fiéis que se dizem seguidores dos seus chefes espirituais quando o assunto é o voto". A pesquisa ouviu 411 pessoas, "sobre o comportamento religioso do morador da capital maranhense" e afirma que, além dos evangélicos, "os católicos formam 60,4% da população, enquanto os espíritas aparecem com 1,5%, os umbandistas com 0,2% e os que seguem outros credos totalizam 1,2%".
"Praticamente 93% dos que se dizem seguidores de uma religião afirmam que não fazem nenhuma restrição a praticante de um outro credo que não seja o seu."
"A freqüência dos ludovicenses nas igrejas registra percentuais do comportamento católico que predomina com a tradição de ir à missa apenas aos domingos. Eles estão representados pelos 53,1% dos entrevistados, que afirmaram freqüentar a igreja apenas uma vez por semana. Mas a soma dos que vão mais de uma vez por semana ao seu templo religioso chega a 32,7% - 15,2% disseram que vão duas vezes, 11,2% três vezes, 4,9% quatro vezes e 1,4% freqüenta a igreja cinco vezes ou mais - ou seja, quase os 35% de evangélicos identificados pela pesquisa em meio à população de São Luís. Ainda assim, 12,5% afirmaram não ir à igreja nenhuma vez."
"Sobre o envolvimento dos chefes das igrejas com a política partidária, 41,6% dos fiéis dizem que não se importam com isso e acham até que é legítimo cada um tomar uma posição e propagá-la, mas só 18,6% dizem que seguem o seu chefe de igreja na hora do voto, ou seja, a proporção de validade de apoio de um padre ou pastor é de menos de um voto para cada grupo de 5 eleitores ligados a uma organização religiosa."
"A maioria quer ver as duas instituições, política e igreja, separadas. Isso se verifica quando 54% das pessoas que se dizem religiosas condenam o fato do seu líder adotar uma posição político-partidária. Mais ainda quando 76,3% dos fiéis de diferentes credos religiosos dizem que não seguem o voto do seu líder." Sobre o dízimo, "o que se vê é que nem a fatia que seria das igrejas evangélicas emplaca os 10% sobre aquilo que se ganha durante um mês. Contribuições de 6 a 10% são de apenas 22% da população e, acima disso, de apenas 2,7%. A maior fatia, de 38,1%, é das pessoas que dão de 1 a 5% do que ganham, e mais de 36% confessam que não dão nada para a igreja."
Fonte: O Estado do Maranhão

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