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terça-feira, 9 de agosto de 2011

IGREJA É REINO DE DEUS OU É UMA EMPRESA?

Hoje à tarde antes de sair de casa para um compromisso, um carro parou ao meu lado e vi que era um pastor amigo meu da Igreja Batista da CBB, e que a muito tempo que já não via.

Ele começou demonstrando interesse em saber como eu estava indo, como vai a minha família e como vai o meu ministério. Eu lhe disse que tudo estava indo bem, e que a família estava bem também. Quanto a igreja, eu lhe disse que já estava pastoreando uma igreja em outro bairro e que tudo ia bem e caminhando. Ele perguntou com quantos membros eu contava e lhe respondi que a minha igreja conta com um pouco mais de 100 membros, dai ele comentou que isso se dá por causa da doutrina, já que ele havia abolido, segundo ele, “esse negócio” e que estava “gerindo” a sua igreja, num tipo de “Estratégia de Gestão” que logo pude detectar como aquilo que os empresários fazem, então eu disse:

- Irmão, enquanto você diz que aboliu a doutrina, creio que tenha sido por esta razão que a maioria das Igrejas Batistas perdeu a sua identidade, pois eu creio que a doutrina é fundamental, afinal Paulo disse pra Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina.” (I Tm 4: 6).

Como ele sabe que eu sou presbiteriano, me respondeu:

- Se é assim, a Igreja Presbiteriana também vai perder a identidade, porque se quiser crescer, tem de assumir uma “Estratégia de Gestão”.

Eu lhe retruquei:

- Irmão, isso não é igreja, é uma empresa, não gera discípulos, mas consumidores. Isso não é estratégia, é pragmatismo, deforma o Evangelho e só faz o que dá certo, procura agradar os consumidores e tem de se renovar sempre, cada vez uma novidade diferente, caso contrário os consumidores procurarão outra novidade em outro lugar.

Toda essa conversa me fez pensar sobre os rumos que as igrejas estão tomando. Na verdade muitos pastores já foram contaminados pelo “vírus” da mega-igreja e pagam qualquer preço para alcançar esse objetivo. A desculpa é que estão ganhando almas para o reino de Cristo.

O apóstolo Paulo em I Coríntios explica que: “Paulo plantou, Apolo regou, mas é Deus quem dá o crescimento, ou seja, independe da “estratégia” (I Cor. 3: 6), de Marketing, ou outra qualquer usada, pois se Deus não tiver no centro e no alvo, a igreja não prospera. Pode até ser que o negócio [igreja] do “pastor” prospere, mas será um negócio cheio de “consumidores”, mas não de verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Evangélicos passam de 30% da população em São Luís do Maranhão


Por
Rev. João d'Eça
Uma pesquisa do instituto Escutec, divulgada pelo jornal O Estado do Maranhão em 2 de dezembro, constatou que dos 97% dos ludovicenses (os que nascem em São Luís) que têm uma religião, "os evangélicos das diversas tendências (tradicionais e pentecostais) somam 35%". Apesar da maioria de católicos, o relatório apontou uma "tendência de crescimento do universo dos evangélicos". Dizem os pesquisadores: "A pesquisa apurou que é real o movimento de pessoas de uma igreja para a outra, chegando a mais de 21% o percentual das que admitem já ter mudado de religião, e é aí que se verifica a tendência de crescimento das igrejas evangélicas, pois quase todas as trocas de religiões registradas são no sentido delas. Dos que largam suas crenças de origem, praticamente 80% eram católicos que procuraram uma das tendências do protestantismo".
Segundo o estudo, "menos de 3% da população de São Luís é formada por pessoas que não seguem nenhum credo religioso. Outra constatação é a de que as pessoas se dividem quanto ao fato dos líderes das igrejas tomarem partido político, mas é mínima a parcela dos fiéis que se dizem seguidores dos seus chefes espirituais quando o assunto é o voto". A pesquisa ouviu 411 pessoas, "sobre o comportamento religioso do morador da capital maranhense" e afirma que, além dos evangélicos, "os católicos formam 60,4% da população, enquanto os espíritas aparecem com 1,5%, os umbandistas com 0,2% e os que seguem outros credos totalizam 1,2%".
"Praticamente 93% dos que se dizem seguidores de uma religião afirmam que não fazem nenhuma restrição a praticante de um outro credo que não seja o seu."
"A freqüência dos ludovicenses nas igrejas registra percentuais do comportamento católico que predomina com a tradição de ir à missa apenas aos domingos. Eles estão representados pelos 53,1% dos entrevistados, que afirmaram freqüentar a igreja apenas uma vez por semana. Mas a soma dos que vão mais de uma vez por semana ao seu templo religioso chega a 32,7% - 15,2% disseram que vão duas vezes, 11,2% três vezes, 4,9% quatro vezes e 1,4% freqüenta a igreja cinco vezes ou mais - ou seja, quase os 35% de evangélicos identificados pela pesquisa em meio à população de São Luís. Ainda assim, 12,5% afirmaram não ir à igreja nenhuma vez."
"Sobre o envolvimento dos chefes das igrejas com a política partidária, 41,6% dos fiéis dizem que não se importam com isso e acham até que é legítimo cada um tomar uma posição e propagá-la, mas só 18,6% dizem que seguem o seu chefe de igreja na hora do voto, ou seja, a proporção de validade de apoio de um padre ou pastor é de menos de um voto para cada grupo de 5 eleitores ligados a uma organização religiosa."
"A maioria quer ver as duas instituições, política e igreja, separadas. Isso se verifica quando 54% das pessoas que se dizem religiosas condenam o fato do seu líder adotar uma posição político-partidária. Mais ainda quando 76,3% dos fiéis de diferentes credos religiosos dizem que não seguem o voto do seu líder." Sobre o dízimo, "o que se vê é que nem a fatia que seria das igrejas evangélicas emplaca os 10% sobre aquilo que se ganha durante um mês. Contribuições de 6 a 10% são de apenas 22% da população e, acima disso, de apenas 2,7%. A maior fatia, de 38,1%, é das pessoas que dão de 1 a 5% do que ganham, e mais de 36% confessam que não dão nada para a igreja."
Fonte: O Estado do Maranhão

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

PORQUE AS IGREJAS REFORMADAS GERALMENTE SÃO PEQUENAS?



Por

Rev. João d'Eça

Neste mês de Agosto eu me surpreendi com um artigo muito bem escrito pelo Rev. Dr. Augustus Nicodemos Lopes, escritor no blog O tempora, o mores!, que mantem com os seus amigos, Pb. Solano Portela e Rev. Mauro Meister.

Confesso que eu não esperava sair da caneta do Dr. Nicodemos um assunto como esse. Sempre o admirei e lí os seus escritos, mas nunca imaginei que ele tratasse de um assunto tão delicado para a nossa igreja (I.P.B.Minha Igreja ) com a clareza e sinceridade com que ele tratou desse assunto. Confesso que fiquei de "queixo-caido", imaginando a cara de alguns pastores amigos meus, que se ainda não leram, com certeza lerão aqui no meu blog, pois estou repruduzindo-o na íntegra.

Se me falassem que ele era o autor do texto, sem que eu soubesse que ele o havia escrito, confesso que não acreditaria. Esse era o tipo de artigo que eu sempre quis escrever, mas que a prudência me impedia, além do que, quem sou eu para me atrever a tocar nesse assunto? Ainda no ano passado, escrevi e foi publicado algo parecido no "Brasil Presbiteriano", porém nem se compara com a profundidade da argumentação do Dr. Nicodemos.

Quero ainda dizer, que eu concordo plenamente com a argumentação do artigo reproduzido abaixo, principalmente com o ponto de nº 4, quando ele diz: "...o que nos impede de termos igrejas grandes usando os métodos certos?" É por essa linha de raciocínio que eu caminho, foi sempre essa pergunta que eu fiz a mim mesmo.

Leia o texto na íntegra aqui, ou se preferir vá para o blog O tempora, o mores!

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DEZ MOTIVOS PELOS QUAIS PASTORES CONSERVADORESCOSTUMAM TER IGREJAS MINUSCULAS
Por: Augustos Nicodemos Lopes

Sei que há exceções, mas elas não são muitas. A regra é que, aqui no Brasil, pastores e pregadores mais conservadores e reformados pastoreiam igrejas pequenas, entre 80 a 150 membros. Esse fato é notório e não poucas vezes tem sido usado como crítica contra a doutrina reformada. Se ela é bíblica, boa e correta, porque os seus defensores não conseguem convencer as pessoas disso? Por que suas igrejas são pouco freqüentadas, não têm envolvimento missionário, não evangelizam, não crescem e têm poucos jovens?

Como eu disse, há exceções. Conheço igrejas reformadas que são dinâmicas, crescentes, grandes, evangelizadoras e missionárias. Conheço também outras menores, que crescem não pelo aumento do número de membros na sede, mas pela plantação de outras igrejas. Quando eu digo "igrejas minúsculas" refiro-me não somente ao tamanho, mas à visão, ao envolvimento na evangelização e missões e à diferença que fazem. Tenho em mente as igrejas que se arrastam na rotina de seus trabalhos, ensaios e cultos há dezenas de anos, sempre do mesmo tamanho diminuto, sem que gente nova chegue para fazer a diferença.
Consciente de que há igrejas reformadas grandes e crescentes, mas também consciente das muitas pequenas que não crescem faz muito tempo, em nenhum sentido, eu faria os seguintes comentários nesse post, que bem poderia ser intitulado de "Navalha na Carne":


1 - Infelizmente, ao rejeitar a idéia de que em termos de crescimento de igrejas os números não dizem tudo, muitos de nós, reformados, nos esquecemos de que eles, todavia, dizem alguma coisa. Podemos aceitar que está tudo bem e tudo certo com uma igreja local que cresceu apenas 1% nos últimos anos, crescimento em muito inferior ao crescimento da população brasileira e do crescimento de outras igrejas evangélicas? Especialmente em se tratando de uma igreja em um país onde os evangélicos não são perseguidos pelo Estado e as oportunidades estão escancaradas diante de nós?

2 - Igualmente infeliz é a postura de justificar o tamanho minúsculo com o argumento da soberania de Deus. É evidente que, como reformado, creio que é Deus quem dá o crescimento. Creio, também, que antes de colocar a culpa em Deus, nós, pastores reformados, deveríamos fazer algumas perguntas básicas: nossa igreja está bem localizada? O culto é acolhedor e convidativo? A igreja tem desenvolvido esforços consistentes e freqüentes para ganhar novos membros? A pregação tem como objetivo direto converter pecadores? A pregação é inteligível para algum descrente que por acaso esteja ali? Os membros da igreja estão possuídos de espírito evangelístico? Existe oração na igreja em favor da conversão de pecadores e crescimento do número de membros? Creio que muitos pastores reformados colocam cedo demais a responsabilidade do tamanho de suas igrejas em Deus, antes de fazer o dever de casa.

3 - É triste perceber que, em muitos casos, a soberania de Deus é usada como desculpa para não se fazer absolutamente nada em termos de esforço consciente para ganhar pessoas para Cristo. Que motivos Deus teria para querer que as igrejas reformadas fossem pequenas e que os anos se passem sem que novos membros sejam adicionados pelo batismo? Que motivos secretos levariam o Deus que nos mandou pregar o Evangelho a todo o mundo impedir que as igrejas locais reformadas cresçam em um país livre, onde a pregação é feita em todo lugar e onde outras igrejas evangélicas estão crescendo vertiginosamente? Penso que o problema da naniquice não está em Deus, mas em nós. Ai de nós, porque além de não crescermos, ainda culpamos a Deus por isso!

4 - É verdade que muitas igrejas evangélicas crescem usando estratégias e metodologias questionáveis. Especialmente aquelas da teologia da prosperidade, que atraem as pessoas com promessas de bênçãos materiais e curas que não podem cumprir. Todavia, criticar o tamanho dessas igrejas e apontar seus erros teológicos e metodológicos não nos justifica por termos igrejas minúsculas. O que nos impede de termos igrejas grandes usando os métodos certos?

5 - O problema com muitos de nós, pastores conservadores e reformados, é que não estamos abertos para mudanças e adaptações, nos cultos, nas atitudes e posturas, por menores que sejam, que poderiam dar uma cara mais simpática à igreja. Ser simpático, acolhedor, convidativo, atraente, interessante não é pecado e nem vai contra as confissões reformadas e a tradição puritana. Igrejas sisudas com cultos enfadonhos nunca foram o ideal reformado de igreja. Pastores reformados deveriam estar pensando em como fazer sua igreja crescer, em vez de se resignarem e racionalizarem em suas mentes que ter uma igreja pequena é OK.

6 - Os crentes fiéis que estão nas igrejas já por muitos e muitos anos também precisam de alimento e pastoreio. Que Deus me livre de desprezá-los. Sei que Deus pode chamar alguém para o ministério de consolar e confortar crentes antigos durante anos a fio, igreja pequena após igreja pequena. Mas vejo essa vocação como apenas uma pequena parte do ministério pastoral, quase uma exceção. O que me assusta é ver que essa exceção tem se tornado praticamente a regra no arraial conservador e reformado. Será que Deus predestinou as igrejas conservadoras e reformadas para serem doutrinariamente corretas mas minúsculas, e as outras para crescerem apesar da teologia e metodologia erradas? Será que ele não tem vocacionado os conservadores para serem ganhadores de almas, evangelistas, plantadores de igrejas e expansores do Reino? Será que a vocação padrão do pastor conservador é de ministrar a igrejas minúsculas ano após ano, sem nunca conhecer períodos de refrigério e grande crescimento no número de membros? Será que quando um pastor, que era um evangelista ardente, se torna reformado, sempre vai virar teólogo e professor?

7 - O que mais me assusta é que tem pastores reformados que se orgulham de ter igrejas nanicas! "Muitos são chamados e poucos escolhidos", recitam com satisfação. Orgulham-se de serem do movimento do "esvaziamento bíblico", em vez do "avivamento bíblico"! Dizem: "os verdadeiros crentes são poucos. Prefiro uma igreja pequena de qualidade do que uma enorme cheia de gente interesseira e superficial". Bom, se eu tivesse que escolher entre as duas coisas talvez preferisse a pequena mesmo. Mas, por que tem que ser uma escolha? Não podemos ter igrejas reformadas cheias de gente que está ali pelos motivos certos? Eu sei que a qualidade sempre diminui a quantidade, mas será que tanto assim?

8 - Nós, pastores reformados em geral, temos a tendência de considerar a sã doutrina o foco mais importante da vida da Igreja. Portanto, muitos de nós passam seu ministério inteiro doutrinando e redoutrinando seu povo nos pontos fundamentais da doutrina cristã reformada. Pouca atenção dão para outros pontos igualmente importantes: espiritualidade bíblica, vida de oração, evangelismo consciente e determinado e planejado. Acho que uma coisa não exclui a outra. Aliás, creio que a doutrinação bíblica sempre será evangelística, e que o evangelismo bíblico é sempre doutrinário. "Pregação", disse Spurgeon, "é teologia saindo de lábios quentes".

9 - Alguns pastores reformados ficam tão presos pela doutrina da depravação total que não sabem mais como convidar pecadores a crerem em Jesus Cristo. Temos medo de parecer arminianos se ao final da mensagem convidarmos os pecadores a receberem a Cristo pela fé, ou mesmo se, durante a pregação, pressionarmos as pessoas a tomarem uma decisão. O fantasma de Finney, o presbiteriano criador do sistema de apelos, assombra e atormenta os pregadores reformados, que chegam ao final da mensagem e não sabem como aplicá-la aos pecadores presentes sem parecer que estão fazendo apelação. Ficam com receio de parecerem pentecostais se durante a pregação falarem de forma mais coloquial, falar de forma direta às pessoas, se emocionarem ou ficarem fervorosos, ou mesmo se gesticularem demais e andarem no púlpito. Acho que se os pregadores reformados parecessem mais humanos e naturais, mais à vontade nos púlpitos, despertariam maior interesse das pessoas.

10 - Creio, por fim, que ao reagirem contra os excessos do pentecostalismo quanto ao Espírito Santo, muitos reformados ficaram com receio de orar demais, se emocionar demais, jejuar, fazer noites de vigília, pregar nas praças e ruas e de pedirem a Deus que conceda um grande avivamento espiritual em suas igrejas. Só tem uma coisa da qual os reformados têm mais medo do que parecer arminianos, que é parecer pentecostais. Aí, jogamos fora não somente a água suja da banheira, mas menino e tudo! Acho que se houvesse mais oração e clamor a Deus por um legítimo despertamento espiritual, veríamos a diferença.


Pedi a alguns amigos meus, reformados, que criticassem esse post, antes de publicá-lo. Um deles me escreveu:
"Gostei mesmo. Me irrita o espírito de 'seita sitiada' tão comum em nosso meio [reformado]; a idéia de que a vocação da igreja é defender uma fortaleza. Somos rápidos para criticar, mas tão tardos em propor alternativas".
Acho que ele resumiu muito bem o ponto.
Não tenho respostas prontas nem soluções elaboradas para o nanismo eclesiástico. Todavia, creio que passa por um genuíno quebrantamento espiritual entre os pastores, que nos humilhe diante de Deus, nos leve a sondar nossa vida e ministério, a renovar nossos compromissos pastorais, a buscar a plenitude do Espírito Santo e a buscar a Sua glória acima de tudo.

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