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terça-feira, 23 de abril de 2019

UMA PREGAÇÃO IMPACTANTE


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João d’Eça


         No outono de 1619, na Vila de Dedham, próximo a Cambridge, reuniu-se uma grande congregação para ouvir ao Rev. John Rogers, velho pregador puritano e um dos filhos de John Rogers, mártir, que foi queimado vivo durante o reinado de Maria, por causa da sua adesão às doutrinas da Reforma Protestante. Ele, sua irmã e seus irmãos, assistiram a morte de seu pai. Relatando o seu martírio, diz Froude:

“Sua família da qual lhe fora proibido despedir-se em particular, o esperava no caminho para vê-lo. Sua mulher com nove filhinhos ao seu lado e um décimo em seu seio, juntamente com a multidão, aclamavam-no com brados de gozo delirante, como se ele estivesse indo para uma festa. Um desses nove filhinhos era o pregador desse notável sermão a que nos referimos.

No lugar havia muita gente e a congregação estava como que suspensa aos lábios do homem de Deus e escutava e escutava as suas palavras com atenção respeitosa. Ele era ardente eloquente e da abundância do seu coração expunha as convicções da sua alma. Seu tema era o Estudo das Escrituras, e com muita solenidade reprovou o povo pela sua negligência da Palavra de Deus e, em reprovando, parecia como se ele mesmo fora o Ser Divino, e em seu lugar assim falou: - ‘Bem, eu confiei a vocês já a muito tempo a Bíblia, mas vocês fizeram pouco caso dela. Ela está nas vossas casas toda coberta de pó e teia de aranha. É assim que vocês tratam a Bíblia? Vocês não terão por mais tempo a Bíblia’.

Tomando-a então, deu meia volta como que para leva-la embora dali, mas voltou-se para o povo outra vez, como se ele mesmo fosse o povo, então caiu de joelhos e começou a implorar ardentemente! ‘Senhor, seja qual for a causa, não nos tires a Bíblia’. Outra vez, como que falando como se fosse o Senhor, continuou a dizer ao povo: ‘Vocês dizem isso? Então, confiarei outra vez em vós, por pouco tempo; aqui está a Bíblia para vocês. Eu verei como vocês a usarão. Se vocês a amarão mais, se darão mais valor, se irão praticar mais do que ela ordena e se irão conformar as suas vidas aos seus ensinos’.

O efeito da argumentação na consciência da multidão ali reunida não dá para ser descrito em palavras. Foi penetrante e muito tocante. A multidão que ouvia derramava lágrimas e retirou-se dali comovidos por aquela impactante pregação.

O resultado prático do bem que aquela pregação produziu. Estava presente naquele auditório um jovem estudante de Cambridge, chamado Thomas Goodwin, que tinha então dezenove anos de idade. Ele ouviu aquelas palavras veementes e viu a solicitude do pregador, ele viu nos seus olhos o amor anelante para com aquelas almas, a realidade da sua luta em oração com Deus, e todo o seu ser ficou comovido.

Depois que a congregação foi despedida, ele preparou-se para montar a cavalo e voltar para Cambridge, mas sentiu-se tão profundamente impressionado e tão fraco para prosseguir viagem que deixando cair a cabeça sobre o pescoço do seu cavalo, chorou por um quarto de hora. Naquele dia foi despertado em sua alma um amor pela Palavra de Deus que nunca mais se extinguiu, naquele dia foi acesa a chama em sua alma que ardeu até a última hora de sua vida.

Depois disso Goodwin veio a ser o eminente ministro do evangelho e profundo teólogo, e ele mesmo narrou a história daquele dia ao erudito John Howe, sessenta anos depois, quando esses dois grandes puritanos se achavam juntos”.


Conclusão:

Qual efeito produz em tua alma essa pequena história? Como você tem tratado o bendito Livro de Deus? Como pretende trata-lo futuramente?

Quem dera que aquele incidente memorável que ocorreu a exatos 400 anos, venha a ser para vossa alma como o toque dos ossos de Eliseu ao cadáver que foi enterrado em seu sepulcro, e vivifique a sua vida renovando-a e lhe dando um novo amor pela Palavra de Deus que pode lhe tornar sábio para a salvação pela fé que há na pessoa gloriosa de Jesus Cristo e que é a única sobre a qual podemos descansar a alma cansada na hora da morte.

sábado, 1 de agosto de 2015

A PRÁTICA DA ORAÇÃO NOSSA DE CADA DIA (Mt. 18.19 e Jo. 16.23)


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Rev. João d’Eça

 
Introdução:

         Existem duas coisas que são extremamente necessárias para mantermos a nossa alma com boa saúde espiritual, que são: a leitura da Sagrada Escritura e a oração. Se temos em nós o desejo de corresponder, de dar resposta de fé à graça de Deus concedida a nós, não negligenciaremos nem a oração e nem a leitura da palavra de Deus.       

Quando negligenciamos a leitura diária das Escrituras Sagradas as nossas orações se tornarão meras expressões de desejos naturais ao invés de ser uma intercessão feita segunda a vontade de Deus.

É na atmosfera da comunhão íntima com o Senhor, na leitura da Escritura, e no poder do Espírito Santo, que os nossos desejos das bênçãos espirituais  são formados. Quando isto falta em nossa vida, embora zelosos estivermos sendo, será um zelo sem conhecimento (Rm. 10.2).
 

A importância da oração

Sem a prática da oração, a nossa leitura da Bíblia pode se degenerar em intelectualismo, em um estado de frieza e esterilidade espiritual, resultando da ausência de poder e alegria e o que sobrará Serpa somente orgulho espiritual. A energia espiritual arrefece pelo intelectualismo seco de oração, porque o coração e a consciência permanecem estranhos ao seu poder. Quando a oração é negligenciada a alma cairá nesse estado de letargia.

A falta de oração é o mais claro sinal de que a alma está doente espiritualmente, o contrário é verdade, quando um homem persevera em oração é porque está cheio do Espírito.
 

Espiritualidade X intelectualidade

A época em que vivemos é um tempo de extremos na área da espiritualidade, ou as pessoas não tem o conhecimento adequado, porque não lêem boa literatura e negligenciam a Escritura Sagrada, ou elas estão cheias de conhecimento, mas sem uma vida de oração que acenda o fogo do Espírito em seu ser e traga o equilíbrio entre espiritualidade e intelectualidade.
 
Há pessoas que são intelectuais e são também espirituais, uma coisa não anula a outra. Há também pessoas não possuem intelectualidade, mas também cultivam uma piedade deturpada. Quando a busca pela intelectualidade vai associada com a piedade, o crente estará no caminho da espiritualidade sadia. Por esta razão é de fundamental importância que façamos uma coisa sem esquecer da outra.
Tenho conversado com pessoas que confessam que os seus quartos já não são mais um altar de oração, que não freqüentam mais as reuniões de oração de suas igrejas e que já perderam o hábito de orar em suas casas. As variadas atrações de divertimento e passatempos, tem causado uma indiferença a respeito do imenso privilégio que nos é concedido de poder adentrar na presença de nosso Deus e poder expressar a ele o nosso interesse por tudo o que ocupa seu coração e se refere à glória de seu amado Filho.

Jesus Cristo é o nosso modelo perfeito. Ele começou, desenvolveu e terminou o seu ministério com oração. Ele orava quando foi batizado (Lc. 3.21; 5.16; 6.12; 9.18, 28; 11.1; 22.44. Finalmente, n fim de sua vida, no meio das angústias inexprimíveis da cuz, o Senhor orou pelos seus inimigos, Lc. 23.34.
O apóstolo Paulo nos diz: “Sede meus imitadores como eu sou de Cristo”. Paulo, fiel servo de Jesus Cristo, ministro da Palavra, com muitas responsabilidades, plantação de igrejas, viagens missionárias e outras, perguntamos: Como ele achava tempo para orar? Quando lemos as suas cartas, nos impressiona a vida de oração que ele cultivava. Textos como: (Rm. 1, 9; 10.1; II Co. 13.7; Ef. 1.16; 3.14; Fl. 1.4, 9; Cl. 1. 3, 9; I Ts. 1. 4, 9; 3.10; II Ts. 1.11 II Tm. 1.3 e Fl. 4). Mostram essa verdade de sua vida.
As exortações da Palavra de Deus
A Escritura Sagrada nos exorta a orar em todo o tempo, em todas as circunstâncias, em todos os momentos de nossa vida. Em tudo temos de expor ao Senhor as nossas petições a Deus em oração e súplica e com ações de graças.

Os resultados de uma vida de oração na dependência de Deus trazem sempre bênçãos para os que cultivam esse hábito. A descida do Espírito Santo veio depois de dez dias de oração da igreja reunida. Após os discípulos apresentarem a s suas súplicas a Deus foram cheios do Espírito Santo e anunciaram a Palavra de Deus com ousadia (Atos 4). O anjo do Senhor livrou a Pedro da prisão em resposta às orações da igreja (Atos XII).

Na Escritura há inúmeras provas da importância que os primeiros crentes davam às orações, mesmo em meio a dificuldades. Os exemplos que encontramos em II Cr. 32. 20 e em Tg. 5. 17, 18, nos mostram o quanto a oração pode muito em seus efeitos.

Os crentes têm sido abençoados por suas vidas de oração. Como resultado das orações fervorosas das almas dos crentes, Deus tem movido o seu braço poderoso em nosso favor. Homens e mulheres como Epáfras (Cl. 4.10), Deus concede uma resposta a seu pedido... “Orai sem cessar”. Nos indica que os crentes devem sempre manter-se em constante oração. Deve-se estar constantemente num estado de dependência, e por conseguinte em constante oração.

Uma outra coisa que precisamos saber, é que seja sozinho ou acompanhado, devemos ter tempo para estarmos na presença de Deus, longe das ocupações da vida para podermos expormos os desejos e anseios de nosso coração.

Prezados irmãos, aproveitem bem todas as oportunidades em suas vidas para perseverarem em oração. Se aproveitarmos cada momento que nos é dado para esse fim, nós nos surpreenderemos de ver o quanto pouco utilizamos esse tempo essencial para a nossa saúde espiritual.

E o culto doméstico?

Se os crentes oram em família as suas reuniões de oração serão felizes, cheias de vigor, cheias de fé, de poder e de liberdade. Quando as reuniões de oração são frias, quando não há fervor e liberdade, podem estar cientes  de que o relacionamento familiar e a casa daqueles que as constituem podem contar muita coisa sobre sua indiferença e negligencia a respeito da oração.

O culto doméstico tem o poder de unir a família em prol do propósito da adoração coletiva a Deus e de fortalecer a fé da família e o compromisso com a causa de Deus na igreja.

Que Deus nos faça pessoas perseverantes e fervorosas na oração.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A MORTE DE BÈDE, O VENERÁVEL

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Rev. João d'Eça

Numa bela e calma tarde do mês de maio do ano de 735 A.D., no convento de Jarrow, sobre o Tyne, um velho monge, deitado em seu quarto, achava-se moribundo. Perto dele estavam três rapazes. Um deles sustentava-o, um outro lia, o terceiro escrevia.

Este velho chamava-se Bède. A posteridade deu-lhe o nome de Bède, o venerável. Era um grande sábio. Ele tinha escrito sobre todas as matérias: Física, astronomia, história, medicina, etc.

Centenas de estudantes o procuravam e sempre eram vistos ao seu redor. Ainda hoje, na história primitiva da Inglaterra esse homem é uma autoridade. Bède, o venerável tinha verdadeira paixão pelo estudo das Escrituras Sagradas. Quando do seu último suspiro, ainda trabalhava na tradução do evangelho de João. Um dos rapazes que lia o texto latino, e o outro escrevia segundo ditava a tradução em anglo-saxonico.

Ele dizia: “Eu não quero, quando partir, que meus filhos leiam mentiras, ou que trabalhem em vão.”

Perto do dia da sua morte, quando já sentia grande opressão e os seus pés começaram a inchar, ele continuava ditando e dizia ao rapaz que escrevia:

“Apressa-te”, dizia ele a seu escrivão. “Não sei quanto tempo ainda aguentarei – ou se meu mestre não me chamará logo.”

Toda a noite ficou acordado, dando graças sem cessar. Desde que raiou o dia da Ascenção, pedia aos rapazes que apressassem o mais possível o trabalho começado. “Quando veio a tarde”, diz um dos jovens, “como o sol, que desaparecia dourava os vidros de seu quarto, o velho de sua cama ditava com voz fraca o fim do evangelho.”

- Só falta um capítulo, mestre, disse o escrivão, com voz ansiosa; mas está ficando muito penoso para vós este ditado.

- Não, disse Bède, é fácil! Toma a tua pena e escreve depressa. Apesar das lágrimas que o cegavam, o moço continuava a escrever.

- E agora, pai, disse ele, depois de algum tempo, só falta uma frase.

Bède continuava a ditar.

- Acabou, mestre! Exclamou o rapaz levantando a cabeça, enquanto escrevia a última palavra.

- Oh! Acabou, repetiu o moribundo. Pois então ajuda-me a chegar perto desta janela onde muitas vezes orei.

Quando já estava na janela:

- Agora, disse ele, Glória seja ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo!


E com estas palavras, sua bela alma entrou na eternidade.

terça-feira, 28 de maio de 2013

OS CINCO VERSÍCULOS BÍBLICOS MAIS MAL UTILIZADOS DA BÍBLIA

A Bíblia testemunha de si própria, dizendo ser “mais afiada do que qualquer espada de dois gumes, sendo capaz de dividir alma e espírito e é apta para discernir os propósitos do coração” (Hebreus 4:12). A Palavra de Deus é também capaz de reconstruir o coração.

No entanto, quando partes da Bíblia são usadas no contexto errado, perde o seu propósito. Tenho me deparado com muitos versículos usados fora do seu contexto, como um pretexto, geralmente para combinar com as ideias de alguém que busca se locupletar com a manipulação da verdade.

Abaixo listo os cinco versículos bíblicos mais mal utilizados da Escritura Sagrada. Convido você a comentar sobre o presente artigo e acrescentar outros textos que você tenha em mente para esclarecimento dos leitores.

A maior parte das interpretações da Bíblia que ouvimos em textos ou pregações são em sua esmagadora maioria, alegóricas, fugindo do seu contexto original e são distorcidas desonesta ou ignorantemente.

1 – POSSO TODAS AS COISAS NAQUELE QUE ME FORTALECE (Fil. 4:13).

Este pequeno versículo é frequentemente citado por equipes esportivas, o vemos em adesivos para carros, como gritos de guerra em reuniões, etc.

No entanto, a realidade do versículo não é uma declaração triunfalista, ele foi escrito no contexto de contentamento, onde Paulo está dizendo à igreja de Filipos, que ele aprendeu a viver contente em toda e qualquer situação, em fartura e em escassez, em tempo de alegria e de tristeza, lembrando que os comentaristas denominam esta carta como “a Carta da alegria”, sendo que ela foi escrita por Paulo, estando ele preso numa masmorra.

Desse modo, essa carta é o retrato de um homem que aprendeu a viver e a seguir a Deus em qualquer circunstância. Essa passagem não é uma convocação para se sair e realizar grandes feitos de força, mas uma bela lembrança de que se deve buscar a fé e a confiança em Deus no meio dos altos e baixos de uma vida entregue totalmente à causa de Cristo.

Se você for jogado na prisão, sofrer perseguições e espancamentos por causa do nome de Cristo, se você passar fome e lhe tirarem as suas posses sem que seja uma punição por causa do seu pecado, então você poderá dizer: “posso todas as coisas naquele que me fortalece”.

2 – EU É QUE SEI QUE PENSAMENTOS TENHO A VOSSO RESPEITO, DIZ O SENHOR; PENSAMENTOS DE PAZ E NÃO DE MAL, PARA VOS DAR O FIM QUE DESEJAIS.
 (Jer. 29:11).

Este versículo é citado pelas pessoas num contexto de encorajar ou inspirar, apontando que Deus tem planos específicos para nos ajudar a prosperar, então não devemos nos preocupar.

No entanto, esse versículo lida com uma promessa especial de Deus ao seu povo Israel. Trata de uma promessa no fim do exílio babilônico de 70 anos (v, 10). Assim, a palavra prosperar não se refere a dinheiro ou bens materiais pra nós hoje, mas refere-se à salvação física e espiritual.

Você poderia questionar: “mas Deus não quer nos ver prosperar?” Bem em termos de salvação, sim. Na verdade essa passagem é uma lembrança agradável do cumprimento da Palavra infalível de Deus. Esta é uma história surpreendente que nos aponta para a redenção para o povo de Deus.

3 – PORQUE, ONDE ESTIVEREM DOIS OU TRÊS REUNIDOS EM MEU NOME, ALI ESTOU NO MEIO DELES. (Mt. 18:20).

Este versículo é muitas vezes entendido como um encorajamento de que Deus está conosco nas circunstâncias mais difíceis, bastando para isso que estejamos no meio de dois ou três crentes em um grupo de oração, e a situação está resolvida.

O contexto dessa passagem está ligado ao testemunho no contexto de disciplina da igreja. Esta passagem é um incentivo para os líderes da igreja durante os tempos difíceis do confronto e disciplina eclesiástica, que Deus estaria presente com as testemunhas que procuraram fazer as coisas certas para restaurar um membro caído.

Se você está no contexto de disciplina na igreja, então você está usando este versículo erradamente. Deus está conosco, ele está do nosso lado, estejamos sozinhos, com dois ou três ou em meio a mil pessoas.

4 – SABEMOS QUE TODAS AS COISAS COOPERAM PARA O BEM DAQUELES QUE AMAM A DEUS, DAQUELES QUE SÃO CHAMADOS SEGUNDO O SEU PROPÓSITO. (Rom. 8:28).

Esta passagem é citada na maioria das vezes, no contexto de encorajamento de outro crente que está passando por um momento difícil. Em outras palavras: “não se preocupe se você for demitido”, Deus tem algo melhor pra você – todas as coisas contribuem para o bem – lembre-se!!!

Há duas questões importantes do contexto dessa passagem:
a)      Em primeiro lugar a passagem lida com aqueles que amam a Deus. Esta é uma distinção importante. Não é para todas as pessoas, mas especialmente para os crentes.
b)      Em segundo lugar, o contexto descreve a nossa conformidade com Cristo, não o nosso conforto pessoal. O ponto trata da nossa santificação e glorificação e não da recuperação das circunstâncias do mal que nos sobreveio, para o bem.

5 – NÃO HAVENDO PROFECIA, O POVO SE CORROMPE; MAS O QUE GUARDA A LEI, ESSE É FELIZ. (Pv. 29:18).

Em algumas traduções usadas diz: “Não havendo visão”. A moda desde os anos 90 é que as igrejas estabeleçam uma “declaração de visão”, eu quero dizer a você que se sua igreja não tem uma declaração de visão, ela não perecerá. As declarações de visão são interessantes, são úteis, mas essa passagem não é um lembrete para que os pastores estabeleçam uma “declaração de visão” que lhes dê uma melhor direção.

Esse versículo é utilizado por muitos, para lembrar aos líderes de algumas igrejas, que se eles não tem uma “visão” convincente, um grande sonho, os seus liderados estarão “mais perdidos do que cego em tiroteio”. A palavra chave nesse versículo não é “visão”, como está em algumas versões da NVI, mas é a palavra “revelação”, no sentido da revelação de Deus em sua Palavra. Em outras palavras, uma tradução mais precisa poderia ser: “onde não há palavra de Deus revelada, o povo perece, mas feliz é aquele que obedece a Palavra de Deus”.


Este versículo é um retrato do que aconteceu a Neemias. As pessoas redescobriram a Palavra de Deus e começaram a lê-la avidamente para poderem entender a vontade de Deus. O resultado foi um avivamento no meio do povo. Não foi uma “declaração de visão” bem feita e estabelecida, não foi uma administração eclesiástica da igreja como se administra uma empresa, não foi uma personalidade cativante ou o carisma de Neemias, foi a Palavra de Deus que trouxe vida para o povo. Administrar a igreja como se fora uma empresa não gera discípulos, mas clientes, não gera santos, mas consumidores, não gera voluntários, mas pagantes.

terça-feira, 5 de março de 2013

A DÍVIDA DE TODOS NÓS


A Eternidade irá revelar a dívida que a Igreja de Cristo tem para com aqueles homens e mulheres que, vendo a baixa condição espiritual de muitos crentes afastaram-se do evangelho.

Em meados do Brasil oitocentista, quando a Igreja Presbiteriana iniciou o seu trabalho no Brasil com A.G. Simonton, um raio de luz começou a brilhar mais forte na nação tupiniquin. Muitos outros homens piedosos que vieram depois e que gastaram as suas vidas pelo amor do evangelho, um rosto de piedade nasceu sobre a nação inteira.

Muitos desses homens lutaram para colocar a Bíblia nas mãos do povo e viajaram pelo interior do Brasil, acompanhados de colportores destemidos, distribuindo literatura e vendendo Bíblias para que o povo conhecesse a verdade, em uma época em que havia muita ignorância acerca da verdade de Deus.

Homens como A. L. Blackford, Belmiro Cesar, John Smith, George Butler, que de Norte a Sul viajaram para plantar a semente do Evangelho, o que mais tarde resultou no estabelecimento da Igreja Presbiteriana em solo brasileiro. Como disse William Tyndale:

Eu tenho percebido por experiência própria, que é impossível estabelecer no coração de pessoas comuns, qualquer que seja a verdade, a não ser que as Escrituras sejam estabelecida claramente diante deles em sua própria língua materna.

Foi o mesmo princípio dos reformadores do século XVI. Lutero foi o primeiro a dar a Bíblia na língua do povo alemão. A distribuição da Bíblia no Brasil é responsável pelo avanço dos princípios do evangelho no país e isso é motivo de agradecimento a Deus por nossa salvação eterna, Deus pela sua bondade, deu ao Brasil, no momento certo, a Bíblia aberta, e estabeleceu os seus fundamentos no coração do povo até hoje.

Apesar de que os “cães de caça” do bispado brasileiro, tentou de todas as formas impedir que o verdade chegasse ao povo humilde do interior do Brasil, onde a sua influência era maior. Usaram até gente simples do povo para cometer apedrejamentos, perseguições e até mesmo assassinatos. Porém nada disso impediu o avanço e o crescimento da mensagem divina.

Mas o diabo tem duas manobras com relação à palavra de Deus, ele quer corrompê-la por meio do plantio do "joio", imitação do trigo, tentando arrebatá-la da mente do povo. Assim como o Senhor Jesus diz na parábola, que ele está em nossos dias, semeando corrupção justamente no meio da semente da verdade. Ele é o enganador, Satanás, "o leão que ruge, buscando alguém para devorar".

A dívida que temos para com aqueles primeiros propagadores da verdade em solo brasileiro é enorme. Desde os primeiros mártires ainda no Brasil colônia, até os anônimos crentes que perderam a sua vida no labor do Evangelho, para ganhar a recompensa eterna. Nosso trabalho e preservar o legado que nos deixaram e levar em frente, deixando o mesmo legado de fé e compromisso para com as gerações que virão.

quinta-feira, 1 de março de 2012

PREGANDO EM EFÉSIOS

Por

Rev. João d'Eça

O que leva um pregador a escolher qualquer livro ou passagem da Bíblia para pregar? Essa é a pergunta que me fazem e tenho de muitas vezes responder a igreja que pastoreio, geralmente quando começo a pregar uma nova série de sermões baseado num livro bíblico escolhido.

A minha resposta: é porque está na Bíblia. A Bíblia deve ser pregada por inteiro, Escritura por Escritura.

Existem enormes desafios de pregação na Bíblia, por exemplo os profetas do Antigo Testamento. Já pensou pregar um ano inteiro em Ezequiel, ou em Isaias? Acho que as 52 semanas do ano são poucas para tanto conteúdo, isso se pregarmos somente no domingo.

Estou pregando em Efésios nos cultos de Estudos Bíblicos da Igreja a qual pastoreio, a IPB Betsaida. Mas o que me fez tomar a decisão de pregar em Efésios? Efésios foi o primeiro livro no qual eu li o seu comentário (Martin Lloyde Jones), isto começou a moldar o meu pensamento e minha vida a alguns anos atrás.

Apesar dos limites da minha compreensão eu tenha uma verdadeeira paixão por esta carta da Bíblia e sua mensagem. Este sentimento de apreço não só foi reforçada, mas também aprofundou-se quando ouvi dois pregadores ingleses exporem essa carta num evento em um seminário na minha cidade anos atrás.

Eu ainda me lembro como esses estudos me motivaram com seu ensinamento cristão, como descobrir o que um "santo" é na verdade. O tema sobre a eleição e a predestinação foi provavelmente os mais destacáveis. Acho que ali o meu calvinismo se consolidou. Daí fui estimulado a beber noutras fontes e nessa procura por matar a minha sede de compreensão, fui até Charles Hodge, estudar mais sobre Eleição e Predestinação. Agora, anos depois, estou eu aqui como um jovem pastor, ainda bastante inexperiente, não foi surpresa escolher em primeiro lugar, Efésios para ensinar as igrejas que pastoreei.

Essa atitude tornou-se uma viagem de descoberta compartilhada: para mim, ao tentar pregar sobre a carta de Paulo aos Efésios, e para a igreja - a maioria dos quais nada entendiam sobre a Fé Reformada. Pode ser que a minha habilidade para ensinar essa carta tão excepcional e maravilhosa, não seja a ideal, mas a caminha da junto com a igreja e as verdades com as quais nos deparamos ao longo desses meses, puseram fogo em meu entusiasmo.

Alguns aspectos em especial, cristalizaram-se para mim e me ajudaram a ver as preocupações específicas que o apóstolo tinha quando ele a escreveu. As mesmas preocupações dele, nos temos hoje, separados por esses dois longos milênios.

A primeira dessas preocupações é a doxologia: ela bate de frente em você. Logo no início, no versículo 14 do primeiro capítulo, encontrar-se uma frase que é pura adoração. O que é mais impressionante nisso é que não há nada de artificial ali. 

Cada uma das cartas de Paulo é uma exposição das Boas Novas, que expõe o Evangelho à luz das circunstâncias específicas da igreja para a qual ela foi dirigida. Então, quando ele começa a expor o evangelho para o grupo de igrejas ao redor do qual esta carta foi provavelmente circulou, ele adora numa explosão de louvor ao evangelho. Na verdade, ele mostra que há infinitamente mais nesta mensagem, do que jamais poderíamos esperar compreender. O efeito disso não é para deixar-nos debatendo sobre o que desafia a nossa compreensão, mas para fazer-nos perceber quão grande é a nossa salvação e quão gracioso é Deus, nosso Salvador. 

Ficamos com uma visão de Deus e da sua graça, que é infinitamente superior ao que tínhamos antes de começar a ler a carta. Essa compreensão da doxologia, desesperadamente precisa ser recuperada em muitas igrejas de hoje. A grande ironia, é que a maioria das igrejas estão obcecadas com a doxologia (louvor e adoração) e ainda de alguma forma o verdadeiro louvor parece escapar-lhes. Tornam-se mais e mais focados em novas músicas e ritmos, em novas abordagens que excitam as emoções, mas que de algum modo não eleva ao céu nosso espírito. 

Outro tema central que emerge neste carta é o impacto do evangelho na comunidade.  Paulo toca nesse assunto no segundo capítulo, onde ele fala de um problema, que mais do que qualquer outro, lança sua sombra sobre a igreja do Novo Testamento: é o que ele chama de "o muro de inimizade" (2: 14). Era uma espécie de “apartheid espiritual que fez muitos judeus convertidos assumirem um ar de superioridade sobre os gentios convertidos. O impacto disto era dividir a igreja.

Paulo responde, expondo o evangelho de uma forma que mostra a diferença que a Igreja faz, vivendo como uma comunidade onde Cristo é o Senhor de todos, quer judeus ou gentios. O foco de Paulo é mostrar a todos o que o evangelho não somente faz por nós como indivíduos, mas como nos introduz na igreja e nos molda como membros da família de Deus. Sua idéia básica é demonstrar que a nossa união individual e comunhão com Cristo, por definição, significa união e comunhão com todos os seus eleitos, independentemente da sua origem étnica ou espiritual. 

Isto é melhor entendido no capítulo três, em que ele fala sobre o propósito de Deus na redenção. Sua intenção era que agora, através da igreja, a multiforme sabedoria de Deus deve ser dada a conhecer aos principados e potestades (governantes e autoridades) do lugares celestiais, segundo o seu propósito eterno que ele realizou em Cristo Jesus nosso Senhor (3,10-11) . Em outras palavras, a igreja é o estágio cósmico para o drama da redenção! A relevância disso para o conjunto de igrejas em torno de Éfeso nos dias de Paulo não poderia ter sido maior. Paulo lembra-lhes que a cruz derrubou toda divisão.

Infelizmente o foco do evangelho para a grande maioria dos crentes é quase exclusivamente individualista. Paulo desenvolve este tema em toda a carta - usando a linguagem corporativa em tudo o que diz - nos levando dos primeiros três capítulos, para uma aplicação prática no restante.

No capítulo 4 Paulo fala da Unidade da Fé (4.1-16), nos fornece o mais claro plano para a vida da igreja que já foi dado. Seu ensino claro de como tudo isso funciona na prática, no casamento, na família e no trabalho no centro da questão da vida cotidiana. Na parte final, Paulo lida com as questões da luta espiritual de uma forma que é ainda estranhamente desvalorizado em nossa geração. Ele não nos deixa dúvida de que nosso inimigo invisível não é a carne e nem o sangue e que em nós mesmos não poder para combater. Paulo nos lembra de quem somos e o que temos em Cristo, nos lembrando que é em Cristo que podemos combater inimigo tão poderoso.

Por que eu estou pregando em Efésios? - Porque é uma das exposições mais necessárias à igreja. Mostra que estamos carentes e necessitados do auxílio de Deus mais do nunca. Mostra que somos incapazes, mas que nosso Deus é capaz de conduzir em triunfo. É uma mensagem tão necessária ao nosso mundo fragmentado hoje.

Rev. João d’Eça
Ministro Presbiteriano – Mestrando (Mdiv) pelo CPAJ.
Pastor da IPB Betsaida em São Luís - MA

sexta-feira, 8 de julho de 2011

OSSUÁRIO ENCONTRADO COMPROVA RELATO BÍBLICO

Em 1990 o ossuário de Caifás, o Sumo Sacerdote que presidiu o julgamento de Jesus (Mt 26:57-67), foi descoberto. Porém cerca de três anos atrás, uma descoberta mais importante ainda veio a tona, houve um outro ossuário descoberto, desta vez dedicado a Miriam, a neta de Caifás. A inscrição no ossuário diz: "Miriam, filha de Yeshua, filho de Caifás, sacerdote de Maazias de Beth Inri".

Agora em 29 de junho o Jornal Washington Post, (LeiaAqui) noticiou que os estudiosos israelenses concluíram que o ossuário é realmente genuíno.

Ontem Christopher Rollston, professor de Antigo Testamento e Estudos semitas no Emmanuel Christian Seminary, postou um artigo que visa avaliar as provas e a sua importância na confirmação da identidade e da existência de Caifás como sumo sacerdote e como isso prova as evidências referentes ao relato do Novo Testamento.

Ocorre que há uma legião de críticos bíblicos que sempre estão criando polêmica acerca da veracidade do testemunho das Escrituras e de forma irresponsável e ousada, escrevem e dão entrevista dizendo coisas que não podem provar ao contrário, na clara intenção de somente gerar polêmica, mas que são desmascarados com descobertas do tipo dessa noticiada pelo Jornal Washington Post. Portanto, temos mais um exemplo de como descobertas arqueológicas, continuam a apoiar a veracidade dos relatos bíblicos.

sábado, 25 de junho de 2011

SAGRADA ESCRITURA, AUTORIDADE INQUESTIONÁVEL

A mensagem do Novo Testamento e o seu contexto.

Desde Jesus, seus discipulos e Paulo, bem como os que vieram após a era apostólica, pregaram a mensagem evangélica com base nas escrituras do Antigo Testamento, por exemplo (ver João 5:39, Atos 2:22-28, Atos 17:1-3).

Recentes ataques contra a autoridade das Escrituras.
A autoridade das Escrituras era quase que universalmente aceita até meados do século 18, quando o movimento da alta Crítica começou ... O ataque à autoridade das Escrituras começou naquele momento.

A correta abordagem
a) A Nossa leitura da Escritura deve ser vista como um todo.
O mais importante é começar com a Bíblia toda, e em seguida considerar os detalhes à luz do todo, e não na ordem inversa.

b) Sem fé é impossível agradar a Deus.
A Palavra de Deus, em última análise, quando se fala de autoridade das Escrituras é uma questão de fé e não de argumentação.

c) A verdade deve ser afirmada
A autoridade das Escrituras não é uma questão a ser defendida como em um tribunal, não, ele deve ser afirmada e pronto.

d) Toda a Bíblia é a Palavra de Deus
Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, são uma só e a verdadeira Palavra de Deus. Nosso Senhor fala claramente aceitando as Escrituras do Antigo Testamento.

A singularidade das Escrituras
A unidade da Escritura ... é algo que simplesmente não pode ser explicado exceto nestes termos, que as Escrituras são a Palavra de Deus do começo ao fim ...

As próprias Escrituras reivindicam essa autoridade
Frases como "O Senhor disse: 'são usados 3.808 vezes no Antigo Testamento.

O Ensino claro de Jesus Cristo.

Jesus disse: "... a Escritura não pode falhar ..." João 10:35

O Novo Testamento testifica do Antigo
O apóstolo Pedro escreveu: "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo " 2 Pedro 1:20-21.

A autoridade dos Apóstolos
Um apóstolo ... havia sido chamado e escolhido especialmente para ser apóstolo pelo próprio Senhor.

O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão."
(Mat. 24:35).

"Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.
Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras,
tem quem o julgue: a palavra que tenho pregado,
a mesma o julgará no último dia. "
(João 12:47-48).

Extraido de Martin Lloyd Jones

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A BÍBLIA É VERDADEIRAMENTE A PALAVRA DE DEUS?

A minha resposta a esta questão não será apenas determinar como vejo a Bíblia e qual a sua importância para as nossas vidas, mas também, que impacto ela tem para nós. Se a Bíblia é a Palavra de Deus, devemos então estimá-la, estudá-la, obedecê-la, e confiarmos inteiramente nela.

O fato de que Deus nos deu a Bíblia é uma evidência e um exemplo do Seu amor por todos nós. Através da "revelação" significa que Deus comunicou à humanidade como Ele é, e como podemos ter um relacionamento com ele. Estas são coisas que não podíamos saber se Deus não tivesse revelado divinamente a nós na Bíblia.

Embora a revelação do próprio Deus na Bíblia tenha sido dada progressivamente ao longo de aproximadamente 1500 anos, tudo o que o homem precisa saber sobre Deus, a fim de ter um bom relacionamento com ele está nas páginas da Bíblia. Se a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus, então ela é a autoridade final para todas as questões de fé e prática religiosa e também de moral.


As perguntas que devemos nos fazer é:

1 - Como podemos saber que a Bíblia é a Palavra de Deus e não apenas um livro como outro qualquer?

2 - O que é único sobre a Bíblia que a distingue de todos os outros livros religiosos já escritos?

3 - Existe alguma evidência de que a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus?

Estas perguntas devem ser seriamente examinadas, se quisermos determinar a validade da afirmação da Bíblia como a Palavra de Deus, divinamente inspirada, e totalmente suficiente para todas as questões de fé e prática. Não há dúvida de que a Bíblia diz que ela é a própria Palavra de Deus. Isso está claro: "... desde a infância, sabes as sagradas letras, que são capazes de tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e é útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a instrução em justiça, afim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." (2 Timóteo 3:15-17).

 
EVIDÊNCIAS:

Há evidências internas e externas que dão conta de que a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus. Evidências internas são o testemunho da própria Bíblia, que dizem ser ela de origem divina.

Internas:
Uma das primeiras evidências internas de que a Bíblia é a Palavra de Deus é visto em sua unidade. São sessenta e seis livros, escritos em três continentes, em três línguas diferentes, durante um período de aproximadamente 1500 anos, são mais de 40 autores que exerceram as mais variadas atividades nos mais variados setores da vida, mesmo assim, a Bíblia continua a ser um livro de um só autor, do início ao fim, sem contradição. Esta unidade é exclusiva da Bíblia, nenhum outro livro no mundo tem essa característica. Esta é a evidência interna da origem divina das palavras que Deus moveu homens a escrever.

Outra evidência interna que indica que a Bíblia é a Palavra de Deus está nas profecias contidas em suas páginas. A Bíblia contém centenas de detalhadas profecias relacionadas ao futuro de nações, incluindo Israel, de cidades, e até mesmo de toda humanidade. As Profecias que tratam da vinda do Messias são precisas. Ao contrário de profecias encontradas em outros livros religiosos ou aquelas de homens como Nostradamus, as profecias bíblicas são extremamente detalhadas. Há mais de trezentas profecias relacionadas a Jesus Cristo no Antigo Testamento. Não apenas foi predito onde e como Ele nasceria, qual seria a sua linhagem, mas também como Ele morreria e que ressuscitaria.

Simplesmente não existe nenhum caminho da lógica humana que explique as profecias cumpridas na Bíblia, a não se o da origem divina. Não existe outro livro religioso com a extensão ou o tipo de previsão das profecias que a Bíblia contém.

Uma terceira evidência interna da origem divina da Bíblia é a sua autoridade e poder. Sabemos que essa evidência é mais subjetiva do que as duas primeiras, mas é um poderoso testemunho da origem divina da Bíblia. A autoridade da Bíblia é diferente de qualquer outro livro já escrito. Essa autoridade e poder são vistos na vida de centenas de milhões de vidas que foram transformadas pelo poder sobrenatural da Palavra de Deus:

-Viciados em drogas foram curados pela mensagem divina da Bíblia;

-Homossexuais foram libertos do seu vício por ela;

-Pessoas desamparadas encontraram abrigo e companhia na Bíblia;

-Criminosos tiveram os seus corações mudados pelo poder transformador da Palavra de Deus;

- Pecadores foram mudados em santos pela Bíblia;

O homem natural, inconverso não pode “aceitar essas coisas, elas lhe são loucura, e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” A Bíblia possui um poder dinâmico e transformador que só é possível porque é verdadeiramente Palavra de Deus.


Evidências Externas:
Existem também evidências externas que indicam que a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus. Uma delas é a historicidade da Bíblia. A Bíblia detalha acontecimentos históricos, sua veracidade e precisão estão sujeitas à verificação, como qualquer outro documento histórico. Apesar de os críticos especularem bastante sobre isso, através de evidências arqueológicas e outros escritos, os relatos históricos da Bíblia foram exaustivamente comprovados e declarados verdadeiros e confiáveis. Na verdade, todas as evidências arqueológicas e manuscritas que validam a Bíblia, tornam-na o melhor e mais documentado livro do mundo antigo.

O fato de que a Bíblia registra precisa e verdadeiramente eventos historicamente verificáveis é uma grande indicação da sua veracidade ao lidar com assuntos religiosos e doutrinas, ajudando a fundamentar sua pretensão de ser a própria Palavra de Deus.

Outra evidência externa de que a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus é a integridade de seus autores humanos. Como mencionado anteriormente, Deus usou homens de diferentes profissões e atividades para registrar as Suas palavras. Estudando as vidas destes homens, nós encontramos neles, principalmente as qualidades de honestidade e sinceridade. Todos eles estavam dispostos a morrer pelo que estavam dizendo. Grande parte deles tiveram mortes trágicas, sofreram dores insuportáveis pelo seu testemunho, por aquilo em que acreditavam. Tudo isso atesta que estes homens eram homens comuns, mas honestos. Eles verdadeiramente acreditavam que Deus havia falado com eles.

Os homens que escreveram o Novo Testamento morreram por causa do seu testemunho, apesar de terem oportunidade de preservar as suas vidas, bastando dizer o que as autoridades que os acusavam queriam ouvir, ou seja, uma negação do seu testemunho. Eles testemunharam o que viram e ouviram. Eles viram, ouviram e testemunharam a ressurreição do Senhor Jesus. O fato deles terem visto o Cristo ressurreto teve um enorme impacto sobre a vida deles. Eles passaram da fase de se esconderem com medo, a fase de estarem dispostos a morrer pela mensagem que Deus tinha revelado a eles. Suas vidas e mortes testificam o fato de que a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus.

Uma última evidência externa de que a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus é a indestrutibilidade da Bíblia. Devido à sua importância e a alegação de ser a própria Palavra de Deus, a Bíblia tem sofrido ataques os mais violentos, e as tentativas de destruição, do que qualquer outro livro na história. Desde o início, de imperadores romanos como Diocleciano, e através de ditadores comunistas por trás da “Cortina de Ferro”, até aos modernos ateus e agnósticos, a Bíblia resistiu a todos os seus inimigos e permanece para sempre. A Bíblia é o livro mais lido e publicado em todo o mundo.

Ao longo do tempo, os céticos têm considerado a Bíblia como mitológica, mas a arqueologia confirmou-o como histórico. Seus oponentes atacaram seus ensinamentos como sendo primitivos e desatualizados, mas os seus conceitos morais e legais e ensinamentos tiveram uma influência positiva em sociedades e culturas em todo o mundo. Ele continua a ser atacada por pseudo-ciência, psicologia e movimentos políticos, no entanto, permanece tão verdadeira e relevante como era quando foi escrito. É um livro que transformou inúmeras vidas e culturas ao longo dos últimos 2000 anos. Não importa o quanto seus oponentes tentam atacar, destruir, ou desacreditá-lo, a Bíblia continua a ser, a sua veracidade e impacto na vida é inconfundível. A precisão com que foi preservada, apesar de todas as tentativas de ataque, corromper ou destruir, é testemunho claro do fato de que a Bíblia é a Palavra de Deus é sobrenatural e protegida por ele. Não deveria surpreender-nos que, não importa como a Bíblia é atacada, ela sempre volta igual e ilesa. Afinal, Jesus disse: "O céu ea terra passarão, mas as minhas palavras não passarão" (Marcos 13:31). Depois de olhar para as provas, pode-se dizer sem dúvida que sim, que a Bíblia é verdadeiramente a Palavra de Deus.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

SOBRE A PREGAÇÃO - PARTE III - DO TEXTO PARA O SERMÃO.

A maioria dos sermões de domingo nas igrejas brasileiras não passam de conceitos de auto-ajuda em alguns grupos, em apelação supersticiosa em outros, em agressividade neurótica em grande parte e verdadeira exposição bíblica na minoria.

A importânca do texto Bíblico.
Já ouvi de pregadores que no sermão de domingo de suas igrejas, pregam, não com base em texto bíblico, mas numa poesia (não os salmos), de Fernado Pessoa ou, pasmem, de Vinícios de Moraes.

O sermão tem como base, como ponto de partida, o texto bíblico. É certo que grande parte dos pregadores usam o texto bíblico como um pretexto para pregarem um sermão de três pontos que são: 1) Entram no texto; 2) Saem do texto e 3) Nunca mais voltam para o texto. Apesar de que a maioria das mensagens que ouvimos não se preocupa em expor o que o texto Sagrado diz, não é por isso que se cometa o desatino de substituir o texto bíblico por uma poesia ou um texto fora da Bíblia. E não me venham com o argumento de que Paulo usou os ditos dos filósofos epicureus e estóicos, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra.

O sentido do texto bíblico é um só, não pode haver mais de um sentido, já que o escritor original pretendia transmitir uma mensagem aos seus leitores e ele tinha a intenção de que os leitores entendesse claramente o que ele pretendia transmitir, então, o trabalho do pregador é descobrir o sentido único, original. No entanto, apesar de ter um sentido único, a aplicação é diversificada, pode ser contextualizada, contanto que não se perca o sentido verdadeiro.

Já ouví pregadores dizerem:
- "Para mim, esse texto  quer dizer o seguinte:...."

Quem disse que a tua opinião conta? O que o texto quer dizer pra você, não é o que verdadeiramente o texto diz. O que o texto diz, é o que o autor do texto quis dizer, ou melhor, é o que Deus quis dizer e falou através do escritor original. Se ele falou através do escritor original da Sagrada Escritura, com certeza não precisará dizer uma coisa nova hoje, já está escrito, o que o pregador precisa é encontrar a verdade única contida no texto e já revelada por Deus.

No seminário, aprendi que existem três pontos de abordagem. Aprendí a conhecer as línguas bíblicas e a sua estrutura, tudo para proporcionar a mim que ia pregar, subsídios para que a minha pregação fosse a mais bíblica possível.

Aqueles que estudaram pelo método histórico-crítico (defunto), foram treinados a irem ao texto em busca de idéias para a pregação, não no sentido de exporem ao texto, mas de encontrarem um tema para pregar. Esse método não crê na Bíblia como Palavra de Deus e não crê que seja possível resgatar a intenção original do autor. Infelizmente a maioria dos pregadores ainda fazem uso desse método. Já o métódo histórico-gramatical busca dizer o que o texto diz, qual é a mensagem de Deus alí naquela porção bíblica, não importa o tamanho do texto base, contanto que este esteja de acordo com o contexto de toda Bíblia.

A pregação faz parte da disciplina Homilética e esta é uma arte que se aprendida adequadamente ajudará em muito o pregador na entregas de seus sermões. Existem muitos bons livros sobre homilética, mas os dois que mais me marcaram foram: “Da pesquisa ao púlpito” de Jilton Moraes (Meu professor num curso de mestrado no Seminário Batista Equatorial em Belém – PA) e um outro livro em espanhol, que não me recordo o nome agora, mas que tratava de criatividade na apresentação da mensagem. Lembro-me também das aulas do meu professor Hans Ulrich Reifler, que sempre admirei como pregador. Acredito e prego sermões expositivos por acreditar que somente a Palavra criadora de Deus pode nos libertar. A palavra de Deus vem a nós com o poder de nos libertar do pecado, morte e Satanás.

Pregação expositiva da Bíblia é muito mais do que uma proposição, é muito mais do que procurar idéias, é proclamar as verdades de Deus, é falar a verdade de Deus contida no texto, em nome de Deus, para que chegue aos ouvidos do pecador e este, transformado e revivido por Deus, responda positivamenteao seu chamado.

Pregação portanto começa com a escolha do texto bíblico, análise lingüística e histórica, exposição do que o texto verdadeiramente diz com a intenção de que os ouvintes possam se sentir estimulados a viverem uma vida de acordo com a vida que o Senhor deseja que ele viva, não com base em princípios sociológicos e de ética moderna, mas de acordo com os eternos propósitos de Deus, válidos para todas as geografias, culturas e épocas.

sexta-feira, 12 de março de 2010

DEPOIS DE 2 SEMANAS SUPER CANSATIVAS DE ESTUDOS...

Depois de ter passado duas exaustivas, porém recompensadoras semanas de estudos aqui no Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper/Mackenzie, o período acaba, e partimos para uma outra fase bem mais difícil, a preparação das Monografias, das duas disciplinas que estudamos: Liberalismo Teológico, com o Dr. Michael Horton e oficinas com grandes expositores Bíblicos, como os Drs. Franklin Ferreira, Hermisten Maia, Augustos Nicodemos e outros.

Foi uma oportunidade maravilhosa de estudar com professores tão gabaritados e uma grande oportunidade de comprar livros teológicos de primeira linha, com descontos de 40%. Pena que o dinheiro é curto e não dá pra comprarmos os livros que gostaríamos. Enquanto uns privilegiados vem pra cá com todasa as despesas pagas e trazendo ofertas e doações pra comprar livros, eu fico só na vontade!!!

Na segunda semana que termina hoje, estudamos a Confissão de Fé de Westminster com o Dr. Heber Carlos de Campos Jr. Foi um curso esclarecedor. Enquanto muitos criticam os reformados por terem a sua confissão de fé expressa nos documentos de Westminster, como se fosse um documento igual á Bíblia. Porém os que pensam assim não sabem o que estão dizendo.

Em breve estaremos escrevendo uns artigos sobre o valor da CFW.

Na semana seguinte

sábado, 6 de março de 2010

IMPRESSÕES DO CONGRESSO DE RELIGIÃO, TEOLOGIA E IGREJA.

Acabou na noite de 03/03 o Congresso Internacional de Teologia, realizado no Mackenzie e tendo como principal preletor Dr. Michael Horton, com mais de uma dezena de livros publicados em português. A freqüência às palestras de Dr. Horton e dos demais preletores superou a expectativa dos organizadores do evento. Diversas oficinas foram oferecidas durante as tardes, e as salas reservadas ficaram pequenas para a grande afluência de interessados. Na noite da abertura havia perto de 800 pessoas no auditório Ruy Barbosa. As palestras foram também transmitidas ao vivo pela internet. Juntamente com o fato de que a maioria do público participante era composta de pastores, professores e alunos de teologia, a transmissão ao vivo aumentou bastante o potencial multiplicador do Congresso.

Um stand de livros teológicos selecionados ofereceu obras até com 50% de desconto, de diversas publicadoras, com vendas recorde em eventos anteriores realizados no Mackenzie. Na última noite, tivemos o lançamento do último título do Dr. Horton no Brasil, Cristianismo sem Cristo.

Acho que a causa da grande procura pelo evento foi seu objetivo principal, de identificar, analisar e mostrar os prejuízos do antigo liberalismo teológico e das teologias modernas que ainda seguem em sua esteira no Brasil. As palestras principais do evento mostravam claramente esta tendência. Além daquelas de Dr. Horton mostrando as falácias do liberalismo e da neo-ortodoxia, tivemos outras como "O fim do método histórico-crítico", que tive o prazer de apresentar, e "Teologia e Academia: Os opostos se atraem?" por Dr. Hermisten Costa.
As oficinas também foram nesta direção, explorando as origens, falácias e perigos do liberalismo teológico, antigo e novo.
Uma oficina que chamou a atenção foi a de Franklin Ferreira, onde ele mostrou que o "Cristianismo positivo" professado por Hitler e seu partido nazista era resultado do liberalismo teológico dos séculos 19 e 20. O anti-semitismo, a rejeição do Antigo Testamento, a negação de Jesus como judeu e de Paulo como rabi, e tudo mais, encontra ressonância nas obras de liberais como Schleiermacher, Wellhausen, Harnack. Dr. Franklin usou entre outras fontes a obra recente lançada no Brasil, O santo reich, de Richard Steigmann-Gall, publicada pela Imago, onde essa associação entre o protestantismo liberal e o nazismo é claramente documentada. O prestigiado jornal americano Sunday Times endossou a tese do livro dizendo "… connects Nazism to liberal Protestantism in a convincing way" (... [o livro] conecta o Nazismo ao Protestantismo liberal de maneira convincente").
No geral, vejo o Congresso como parte do movimento crescente no Brasil em busca de uma teologia bíblica, que respeite as Escrituras como a infalível Palavra de Deus, que leve a sério seus ensinamentos como um todo, ao mesmo tempo em que rejeita cada vez mais o liberalismo teológico que, apesar da negação de muitos, continua sendo ensinado e disseminados nos seminários e escolas de teologia do Brasil.

Texto do Dr. Augustus Nicidemos Lopes, extraido do blog: OtemporaMores

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