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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

MORRE A.G. SIMONTON - 9 DE DEZEMBRO DE 1867



Há 148 anos atrás, num dia como esse, morria o Rev. A.G. Simonton, fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Simonton ocupa lugar de honra na galeria dos grandes homens que lutaram em prol do avanço da fé evangélica. Simonton foi o fundador e primeiro pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, organizada no Rio de Janeiro, antiga Capital Federal.

Simonton era natural dos Estados Unidos, onde nasceu no condado de Dauphin, Pensylvania, no dia 20 de janeiro de 1833. Seus pais eram o Dr. W. Simonton e D. M. Davis Simonton, que eram crentes sinceros, e que na ocasião do batismo do filhinho o consagraram ao ministério evangélico.

Breve biografia

Simonton fez seus estudos preparatórios e depois foi para o Colégio de Princeton, em Nova Jersey, uma das melhores instituições do seu gênero nos Estados Unidos naquela época, e, em 1852 ele formou-se em todas as matérias do seu curso. Depois, durante dois anos seguintes ele dirigiu uma escola de instrução secundária.


Depois desse período de dois anos ele deixou o magistério para estudar direito, queria trabalhar como advogado nos embates políticos que achava lhe acenavam e lhe davam esperanças de futuro.

Era um homem de uma inteligência ímpar e que parecia ter encontrado a carreira adequada a seu perfil. Logo depois de ter iniciado a sua carreira de causídico, Simonton converteu-se a Cristo. O Seu coração que por muito tempo resistia ao Salvador, rendeu-se afinal. Daquele dia em diante a sua vida teve outro rumo, uma nova direção se lhe abria os horizontes e uma mudança radical mudou toda a sua vida até o fim de seus dias.

Simonton reconheceu que o Senhor o chamava para o ministério sagrado e lembrou-se dos votos dos seus pais quando do seu batismo ainda criança e se lançou adiante para cumprir o chamado do SENHOR.

Matriculou-se no Seminário de Princeton e seguiu o seu curso até o fim com distinção e formou-se em Teologia em 1858, sendo em seguida ordenado como ministro da Igreja Presbiteriana, em 1859. No mesmo ano chegou à cidade do Rio de Janeiro, onde exerceu o seu ministério, quase sem interrupção, até a sua morte em dezembro de 1867.


Desde 1861 ele pregou em português tanto como em inglês, organizando a igreja presbiteriana daquela cidade em 1861. Como pastor da igreja, trabalhou incansavelmente no desempenho de seus deveres, em muitas ocasiões pregou quatro vezes por semana, escrevendo quase todos os seus sermões, além do mais, visitava assiduamente os membros da congregação.

Sua personalidade era simpática, era um homem além de inteligente, culto, era também criativo e cativava as pessoas ao seu redor. Seu prazer maior era servir às pessoas e trabalhar em benefício de quantas precisassem dele.[1]


Homem de Imprensa

Simonton e outros colaboradores fundaram em 1864 a Imprensa Evangélica, periódico que circulou até o mês de 1892. Através desse jornal Simonton combateu o erro e proclamou a verdade do Evangelho de Cristo. Ele foi o iniciador do movimento da imprensa religiosa no país, mas que não recebeu nenhum reconhecimento ainda.

A morte da esposa e de Simonton

Blackford continua a sua narrativa sobre o seu cunhado: “Ele casou-se em 1863 com Helen Murdoch na cidade de Baltimore. Infelizmente Helen morreu em 1864, deixando uma filha que herdou o seu nome. No fim do ano de 1867, Simonton, estando na cidade de São Paulo, adoeceu vitimado de uma febre violenta e no dia 9 de dezembro daquele ano, antes de completar 35 anos de idade, descansou no Senhor”.[2] Os restos mortais de Simonton, descansam no Cemitério dos protestantes em São Paulo, ao lado do túmulo do Rev. José Manoel da Conceição.

A Editora Cultura Cristã lançou o livro Sermões Escolhidos, obra que nos presenteia com alguns sermões que Simonton pregou quando pastor da igreja do Rio de Janeiro.

Homenagens póstumas

Logo depois do anúncio da morte do Rev. Simonton, os seus amigos americanos e ingleses, reunidos no consulado dos Estados Unidos, adotaram uma resolução nos seguintes termos:
 

“Visto que aprouve À Divina Providência remover deste mundo o nosso muito amado e estimado amigo, o Rev. A. G. Simonton no meio dos seus trabalhos e no vigor da sua virilidade, por isso resolvemos:

1 – Que na morte do nosso estimado amigo, cada um de nós sente que sofreu uma grande perda pessoal; e desejamos unir as nossas lágrimas Às daqueles que eram ligados com ele pelos laços de parentesco;

2 – Que tendo tido relações de amizade durante alguns anos com o falecido Sr. Simonton, sempre o conhecemos como um homem de raros dotes morais e intelectuais – um cristão a cujos severos princípios de dever juntava um grande espírito de tolerância para com os outros, e cuja moralidade e pureza de vida não desprezava os prazeres inocentes – um cavalheiro, cujas maneiras eram amáveis, cuja franqueza era delicada e cujas convicções declaradas nunca deram ofensa e eram recebidas com respeito mesmo por aqueles que não as partilharam.

Como vizinho, interessava-se por tudo quanto dizia respeito ao bem-estar dos outros, e sentiremos por muito tempo a falta de sua presença agradável nas nossas casas de negócio e no círculo doméstico onde ele sempre era bem acolhido.

Era pacífico, moderado, dócil, susceptível de todo bem, cheio de misericórdia, e de bons frutos, e não era dissimulador;

3 – Que damos os nossos sinceros pêsames aos parentes do falecido, neste pais e nos Estados Unidos., e aos seus associados neste império; e prometemos-lhes guardar viva em nossos corações a memória de nosso excelente amigo e de imitar as virtudes que lhe adornaram a alma.”
 
Essa foi a curta de vida de um homem que deixou-se usar por Deus, mesmo tendo vivido uma vida curta, porém da pequenez, Deus fez algo grande, a Igreja Presbiteriana do Brasil - IPB





[1] Testemunho de A.L. Blackford, cunhado de Simonton, dito em um discurso pouco depois da sua morte.
[2] Ibid.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

DIVAGAÇÕES FORTÚITAS SOBRE A MORTE

By

João d’Eça



         A morte é uma trabalhadora incansável, infatigável, que de dia, de noite, a todas as horas está trabalhando.

         Para ela não há descanso. Não sente fadiga alguma por mais aterefada que esteja. Ela trabalha e faz trabalhar ao mesmo tempo.

         Todos os homens sabem que vão morrer e a maioria se preocupa com a morte. Poucos são os que não se lembram que são mortais.

         Todos os dias assistimos o espetáculo horrendo da morte, ela ceifa a vida de ricos e pobres, de pretos e brancos, de europeus, asiáticos, americanos e latinos. Africanos aos milhares todos os dias. Gente da Oceania e de todos os lugares aonde houver gente.

         Uns estão um pouco de tempo enfermos, e morrem; outros não experimentam enfermidade alguma, não sentem a mínima dor, e são levados repentinamente. Há os que procuram a morte, brincam com ela, e a encontram nos momentos mais inesperados.

Uns chegam à velhice, e morrem em seu leito, enquanto outros são arrebatados na flor da idade, sendo feridos de repente.

Caro leitor, você pensou alguma vez nisto?

É bom que pensem para que não vivam descuidados, mas sim prontos, como diz o Evangelho, para que vocês possam entrar na vida celestial.


         A morte é traidora, e aos que estão descuidados, fere de improviso.

sexta-feira, 29 de março de 2013

POR QUE A CRENÇA NA RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO É FUNDAMENTAL PARA A FÉ CRISTÃ?


By Rev. João d’Eça


A ressurreição de Jesus é importante por várias razões:

1 - A ressurreição testemunha o imenso poder de Deus.

Crer na ressurreição é crer no Deus que fez a ressurreição acontecer.
A Escritura Sagrada é a auto-revelação de Deus. A Escritura Sagrada mostra o poder de Deus em criar o universo e ressuscitar os mortos. Se Deus não tem esse poder, Ele não é digno de nossa fé e de nossa adoração. Somente Ele que criou a vida pode ressuscitá-la depois da morte, só Ele pode reverter o horror que é a própria morte, e só Ele pode remover o ferrão que é a morte. (I Cor. 15: 54-55).

Quando Jesus ressuscitou dos mortos, Deus nos faz lembrar a Sua soberania absoluta sobre a vida e  sobre a morte.

2 - A ressurreição de Jesus é um testemunho da ressurreição dos fiéis, dos crentes, dos que amam a Deus acima de tudo.

Essa crença é um princípio básico da fé cristã. Ao contrário de todas as outras religiões, somente o cristianismo possui um fundador que transcende a morte e promete o mesmo aos seus seguidores. Somente o cristianismo alega um tumulo vazio. O corpo de Maomé está sepultado em Meca, o corpo de Buda está sepultado. Abraão está sepultado. Todas as religiões que foram fundadas por homens e profetas onde o seu fim foi a sepultura.

Os crentes tem o conforto no fato de que Deus se fez homem, morreu por nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia. O túmulo não pôde segurá-Lo. Ele vive, e está hoje à mão direita de Deus Pai no céu. Em 1 Coríntios 15, Paulo explica em detalhes a importância da ressurreição de Cristo. Alguns em Corinto não acreditavam na ressurreição dos mortos, e neste capítulo Paulo dá seis conseqüências desastrosas caso não houvesse ressurreição:

- 1) A pregação de Cristo não teria sentido (v. 14),
- 2) A fé em Cristo seria inútil ( v. 14);
- 3) Todas as testemunhas oculares e pregadores da ressurreição seriam mentirosos (v. 15),
- 4) Ninguém poderia ser redimido do pecado (v. 17);
- 5) Todos os que morreram antes de nós, pereceram para sempre (v. 18), e
- 6) Os cristãos seriam as pessoas mais infelizes sobre a terra (v. 19).

A RESSURREIÇÃO É UM FATO INCONTESTÁVEL

Jesus Cristo ressuscitou dos mortos e "tornou-se as primícias dos que dormem [estão mortos]" (v. 20), assegurando-nos que vamos segui-Lo na ressurreição. A Sagrada Escritura, a palavra inspirada de Deus garante ressurreição do crente na vinda de Jesus Cristo. Essa viva esperança nos consola e é a garantia do triunfo daqueles que depositam a sua fé no Senhor e na sua Palavra, que como Paulo cantarão a canção de triunfo: "Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? (I Cor. 15:55).

A importância da ressurreição para nós está em que sabemos, como diz Paulo, que o nosso trabalho não é vão no Senhor (v, 58). Nós sabemos que seremos ressuscitados com Cristo para uma nova vida, portanto, podemos sofrer e aguentar as perseguições e perigos por causa de Cristo (vv. 29-31), assim como ele fez por nós.

Podemos seguir o exemplo dos milhares de mártires ao longo da história que de bom grado trocaram suas vidas terrenas pela vida eterna através da ressurreição. A ressurreição é a vitória triunfante e gloriosa para cada crente. Jesus Cristo morreu, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E, Ele está voltando! Os mortos em Cristo serão ressuscitados, e aqueles que estiverem vivos na sua vinda, receberão novos corpos glorificados (I Tess. 4: 13-18).

A RESSURREIÇÃO E A SALVAÇÃO

Por que a ressurreição de Jesus Cristo é importante para a salvação?

Porque é a demonstração de que Deus aceitou o sacrifício de Jesus em nosso favor. É a prova de que Deus tem o poder de nos levantar dos mortos. Ele garante que aqueles que crêem em Cristo não permanecerão mortos, mas serão ressuscitados para a vida eterna.

Essa é a a esperança de todo crente e essa esperança nos consola e nos livra do desespero.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

COMO NO VALE DE OSSOS SECOS (Ezequiel 37: 1-14)



Lembro-me de que alguns anos atrás, meu filho tinha por volta de 10 anos de idade e eu o levei, juntamente com o meu sobrinho da mesma idade para um Shopping Center, afim, de ver um filme. Antes de chegarmos às salas de cinemas, percebi uma mostra de desenhos de arte contemporânea e fui até lá com os dois. Eles acharam o máximo! Eu porém, fiquei incomodado com aquelas cenas escuras, imagens de morte, não havia nada colorido ou com um tema de ternura, carinho, amor, era somente trevas, desenhos em carvão, cenas da noite, lugares ermos e desérticos. Lógico que fiz questão de fazer a minha crítica ao responsável pela mostra e sai dali com os meninos, mas sem deixar de aplicar-lhes uma lição sobre o assunto.

Nossa cultura é obcecada por imagens de mortes. De espetáculos a programas de TV como CSI e Dexter a obras clássicas da literatura mundial, há muita cena de morte e de tragédias, como forma de entretenimento. As pessoas gostam disso. Se voltarmos nossa atenção para longe do mero entretenimento, para a cobertura da mídia, de doenças, da pobreza, dos desastres naturais, e da guerra, a obsessão só aumenta.

Como está escrito em Eclesiastes 9:3: “Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: a todos sucede o mesmo; também o coração dos homens está cheio de maldade, nele há desvarios enquanto vivem; depois, rumo aos mortos.”

Talvez a nossa fascinação pela morte, seja simplesmente o resultado da condição humana, como sugere o versículo, ou talvez, estejamos perseguindo uma antiga busca para vencer a morte narrada em histórias tão antigas quanto Gilgamesh e tão novas quanto O Ilusionista, O Grande Truque ou o mais recente, Atos que Desafiam a Morte.

O livro de Ezequiel no capítulo 37 narra alguns dos contos mais macabros da Bíblia. Quando as pessoas mencionam o profeta Ezequiel nos dias de hoje, quase que universalmente, as pessoas invocam a história do Vale dos Ossos Secos. (Ezequiel 37:1-14). Parece que a tradição cristã reduz o livro de Ezequiel a este texto.

Deus começa Ezequiel 37, apresentando um enigma para o profeta: "Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos?" (Ezequiel 37:3). O profeta humildemente responde: "Senhor Deus, tu o sabes."

-Por que o vale está cheio de ossos?

-O que causou as visões da morte?

-O que trouxe Ezequiel a ficar mudo e desesperado?

Uma resposta que pode ser dada, do porque as pessoas não respondem as perguntas acima, é o fato de não lerem o livro antes desta cena. Isso lhes dá uma visão míope do desespero do profeta e da situação do povo de Israel.

Ezequiel foi levado para o exílio em 597 a.C. Ele ouviu e conviveu com os relatos de que a religiosidade do seu e o sacerdócio estava corrompido. Esquecemo-nos da morte de sua esposa e da ordem de Deus para ele não lamentar sua partida, como um exemplo para a comunidade exilada não lamentar a perda do Templo (24:16-24).

Esquecemo-nos de muitas coisas: Do trauma histórico que acompanhou o exílio. Esquecemo-nos que os babilônios torturaram os habitantes de Jerusalém, guerrearam e os cercaram durante quase dois anos, levando a fome, o desespero e as doenças. (2 Reis 25:3). Esquecemo-nos de como eles destruíram a cidade de Jerusalém, arrasaram o templo, mataram os seus habitantes, e forçaram o restante a irem com escravos para a Babilônia.

O problema com a leitura de Ezequiel 37, é que a passagem chama o leitor a lembrar, confrontar, e testemunhar os eventos devastadores que levaram ao vale de ossos secos, em primeiro lugar. No entanto, a beleza está em que, mesmo neste cenário cheio de morte, a esperança é renovada. A cena lembra o sopro de Deus entrando no primeiro ser humano em Gênesis 2. O profeta, em seguida, ordena como manda o Senhor, e o mesmo fôlego de Deus entra nos corpos, que são reanimados e vivem mais uma vez (versículo 10).

O milagre desta visão não está na sua forma teatral, Spiuberguiana. O verdadeiro milagre é que vem logo depois da comunidade ter enfrentado perdas terríveis. Muitas vezes podemos transformá-la em uma promessa de vida nova em níveis individual e comunitário, sem levar a sério as situações e circunstâncias que levaram à morte inicial. Quando pensamos na morte e recordamos que Jesus nos deu vitória sobre ela, nos recusamos a avaliar os sistemas, padrões e conseqüências de nossa caminhada pelo vale da sua sombra.

Para pregarmos sobre este texto de forma responsável, devemos prestar atenção para o limite entre a vida e a morte. Devemos ao mesmo tempo reconhecer e testemunhar o desespero do mundo que nos rodeia. Nossa tarefa não é fácil. Mas se estamos dispostos a discernir a morte que rodeia as nossas igrejas, e se estamos preparados a obedecer o comando do espírito de Deus para renová-las, talvez a Igreja possa cumprir o seu papel de inspirar nova vida no vale escuro.

sábado, 22 de março de 2008

EM QUE DIA JESUS CRISTO MORREU ? EM QUE DIA ELE RESSUSCITOU? - PARTE 2



Por

Rev. João d'Eça

CONTINUAÇÃO DO ARTIGO ANTERIOR.

Para sanarmos as dúvidas, vamos ver o que cada escritor do evangelho nos dizem sobre a ressurreição:

EVANGELHO DE MARCOS:
"E, muito cedo, no primeiro dia da semana, ao despontar do sol, foram ao túmulo. Diziam umas às outras: Quem nos removerá a pedra da entrada do túmulo? E, olhando, viram que a pedra já estava removida; pois era muito grande. Entrando no túmulo, viram um jovem assentado ao lado direito, vestido de branco, e ficaram surpreendidas e atemorizadas. Ele, porém lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; ele ressuscitou, não está mais aqui; vede o lugar onde o tinham posto. (Mar. 16:2-6).

Veja bem que o evangelista Marcos não informa do tempo em que Jesus saiu do túmulo. Ele apenas diz que algumas mulheres fizeram uma visita ao túmulo "ao despontar do sol", para verem que Jesus não estava lá.

EVANGELHO DE LUCAS:
"Mas, no primeiro dia da semana, alta madrugada, foram elas ao túmulo, levando os aromas que haviam preparado. E encontraram a pedra removida do sepulcro; mas, ao entrarem, não acharam o corpo do Senhor Jesus. Aconteceu que, perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões, com vestes resplandecentes. Estando elas possuídas de temor, baixando os olhos para o chão, eles lhe falaram: Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos preveniu, estando ainda na Galiléia". (Luc. 24:1-6).

O evangelista Lucas, sendo historiador e atento aos detalhes, também não nos dá informação precisa de quando Jesus saiu do sepulcro. Somente confirma o relato dos outros evangelistas que Jesus já havia saído quando as mulheres chegaram.

EVANGELHO DE JOÃO:
"No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro, de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra estava revolvida. Então correu e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Tiraram do sepulcro o Senhor, e não sabemos onde o puseram. Saiu, pois, Pedro e o outro discípulo e foram ao sepulcro. Ambos corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro; Ele também viu os lençóis, e o lenço que estivera sobre a cabeça de Jesus, e que não estava com os lençóis, mas deixado num lugar a parte". (João 20:1-7).

Lemos os evangelistas, Marcos, Lucas e João, faltou, no entanto Mateus. Vamos lê-lo:

Veja o que revela Mateus:
"No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. E eis que houve um grande terremoto; porque um anjo do Senhor desceu do céu, chegou-se, removeu a pedra e assentou-se sobre ela. O seu aspecto era como um relâmpago, e a sua veste alva como a neve. E os guardas tremeram espavoridos, e ficaram como se estivessem mortos. Mas o anjo, dirigindo-se às mulheres, disse: Não temais; porque sei que buscais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui; ressuscitou, como havia dito. Vinde ver onde ele jazia." (Mateus 28:1-6).

Mateus é o único escritor do Evangelho que diz o tempo da ressurreição. Ele relata uma visita feita ao túmulo antes de começar o primeiro dia da semana: "No findar do sábado ao entrar o primeiro dia da semana..." Ele não diz quanto tempo antes de o dia seguinte começar, porém está definindo que foi à tarde, na última hora do sábado.

Aqui vemos a explicação porque Jesus Cristo não estava no sepúlcro quando foram visitá-lo pela manhã ou de madrugada, depois do sábado no começo do domingo. Mateus nos brinda com o detalhe do tempo da ressurreição com duas frases: "no fim do sábado" e "ao entrar o primeiro dia da semana". Lembremos que na economia judaica o sábado termina no pôr-do-sol. (Leia Lev. 23:32).

"O que significa Depois do Sábado":

As várias traduções da Bíblia em português traduzem Mateus 28:1 de modo variado. Por exemplo vemos o seguinte: "Depois do Sábado, ao entrar o primeiro dia da semana" (ERA), "E, no findar do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana..." (ERC), "Depois do Sábado, ao raiar do primeiro dia da semana..." (ECO), "Depois do Sábado, no domingo bem cedo..." (NTLH).

O termo “depois do sábado”, ou “amanhecer”, ou “ao raiar”, ou “no findar” em Mateus 28:1, não indica o tempo de saída do sol, mas o começar de um dia completo de 24 horas.

Mateus diz que era "No fim do sábado...", para o judeu o sábado termina no pôr-do-sol, portanto, neste caso, o termo usado, não significa o romper do sol porque o sol não se levanta senão 12 horas mais tarde. Não poderia ser o fim do sábado e a manhã de domingo ao mesmo tempo.

Em segundo lugar, a palavra aqui foi usada aqui como um verbo e não como um sujeito.

O termo amanhecer nesta passagem deriva-se da palavra grega "epiphosko". O "Greek and English Lexicon of the New Testament" de Parkhurst define: Aproximar-se, como o Sábado judeu, que começa na tarde".

A palavra "depois do sábado" ou "ao entrar" é um forte argumento contrário à idéia de uma ressurreição no domingo de manhã, já que Mateus nos diz que sucediam estas coisas enquanto estava aproximando-se o primeiro dia da semana e isto nos prova que o primeiro dia da semana estava começando. A ressurreição aconteceu entre o final do sábado e o início, ou começo do domingo, na parte entre o fim da tarde e o início da noite.

A mais antiga tradução que qualquer outro texto grego conhecido: The Sinaitic Palimpset, confirma as traduções citadas: "Na tarde do Sábado, quando o primeiro dia da semana amanhecia..."

Veja a tradução da King James Version de Mateus 28:1-7:

"Na tarde de sábado, quando estava escurecendo para o primeiro dia da semana, vieram Maria Madalena e a outra Maria para ver o sepulcro. E eis que houve um grande terremoto, porque um anjo do Senhor, vindo, tirou a pedra da porta e estava sentado sobre ela. E sua aparência era como de um relâmpago e seu vestido branco como a neve. E com temor dele, os guardas que cuidavam tremeram e estavam como mortos. Porém o anjo respondendo, disse as mulheres: Não temais porque sei que procurais a Jesus que foi crucificado. Não está aqui, porque ressuscitou, como disse. Vinde, vede o lugar onde foi posto o Senhor. E ide logo, dizei aos seus discípulos que já ressuscitou dos mortos". (Está confirmado com a "tradução interlinear do Novo Testamento Grego" por George Ricker Berry, Ph. D., Universidade de Chicago e Universidade Colgate, Departamento de Línguas Semíticas).

Se raciocinarmos por esse caminho, as coisas parecem ficar mais confusas ainda. Se isto que está relatado acima é certo, então Jesus Cristo ficou no túmulo, somente 24 horas, o que estaria completamente conflitante com o texto de Lucas 24: 21 que diz: "...é já este o terceiro dia desde que tais cousas sucederam".

Jesus Cristo disse que estaria três dias e três noites no túmulo. Visto que Ele ressuscitou no fim do sábado, começo do domingo, temos somente que contar para trás três dias para determinar quando Ele foi posto no túmulo.

CONTINUA NO PRÓXIMO ARTIGO...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

CRIANÇAS ENTERRADAS VIVAS!!!!!!

Amalé quase foi morto em nome dos costumes indígenas.
E a Funai faz vista grossa ao infanticídio de algumas tribos

A Revista "ISTO É" fez uma importante reportagem sobre o infanticídio entre os povos indígenas. CRIANÇAS SÃO ENTERRADAS VIVAS!
Matéria, do Jornalista HUGO MARQUES que fez o artigo denunciando esta crueldade entre as crianças indígenas, onde a FUNAI faz vista grossa, em nome da preservação da cultura indígena. Os cristãos que estão trabalhando em prol do resgate destas crianças estão sendo impedidos de realizar o seu trabalho. Esta é uma violência sem igual! O BRASIL enlouqueceu! PRECISAMOS DENUNCIAR ESTA CRUELDADE!
VEJA A MATÉRIA COMPLETA:
Amalé tem quatro anos. Como muitas outras crianças, na terça-feira 12 ele foi pela primeira vez à escola, em Brasília. Índio da etnia kamaiurá, de Mato Grosso, Amalé chamava a atenção dos demais garotos porque era o único que não usava uniforme nem carregava uma mochila nas costas. Mas Amalé se destaca dos demais por um motivo muito mais preocupante. O pequeno índio é, na verdade, um sobrevivente de sua própria história.
Logo que nasceu, às 7 horas de 21 de novembro de 2003, ele foi enterrado vivo pela mãe, Kanui. Seguia-se, assim, um ritual determinado pelo código cultural dos kamaiurás, que manda enterrar vivo aqueles que são gerados por mães solteiras. Para assegurar que o destino de Amalé não fosse mudado, seus avós ainda pisotearam a cova.
Ninguém ouviu sequer um choro. Duas horas depois da cerimônia, num gesto que desafiou toda a aldeia, sua tia Kamiru empenhou-se em desenterrar o bebê. Ela lembra que seus olhos e narinas sangravam muito e que o primeiro choro só aconteceu oito horas mais tarde. Os índios mais velhos acreditam que Amalé só escapou da morte porque naquele dia a terra da cova estava misturada a muitas folhas e gravetos, o que pode ter formado uma pequena bolha de ar.

A dramática história desse pequeno índio é a face visível de uma realidade cruel, que se repete em muitas tribos espalhadas por todo o Brasil e que, muitas vezes, tem a conivência de funcionários da Funai, o organismo estatal que tem a missão de cuidar dos índios.
“Antes de desenterrar o Amalé, eu já tinha ouvido os gritos de três crianças debaixo da terra”, relata Kamiru, hoje com 36 anos. “Tentei desenterrar todos eles, mas Amalé foi o único que não gritou e que escapou com vida”, relata.
A Funai esconde números e casos como este, mas os pesquisadores já detectaram a prática do infanticídio em pelo menos 13 etnias, como os ianomâmis, os tapirapés e os madihas. Só os ianomâmis, em 2004, mataram 98 crianças. Os kamaiurás, a tribo de Amalé e Kamiru, matam entre 20 e 30 por ano.

Os motivos para o infanticídio variam de tribo para tribo, assim como variam os métodos usados para matar os pequenos. Além dos filhos de mães solteiras, também são condenados à morte os recém-nascidos portadores de deficiências físicas ou mentais. Gêmeos também podem ser sacrificados. Algumas etnias acreditam que um representa o bem e o outro o mal e, assim, por não saber quem é quem, eliminam os dois. Outras crêem que só os bichos podem ter mais de um filho de uma só vez.
Há motivos mais fúteis, como casos de índios que mataram os que nasceram com simples manchas na pele – essas crianças, segundo eles, podem trazer maldição à tribo. Os rituais de execução consistem em enterrar vivos, afogar ou enforcar os bebês. Geralmente é a própria mãe quem deve executar a criança, embora haja casos em que pode ser auxiliada pelo pajé.

Os próprios índios começam a se rebelar contra a barbárie. Neste momento, há pelo menos dez crianças indígenas em Brasília que foram condenadas à morte em suas aldeias. Fugiram com ajuda de religiosos e sobrevivem na capital graças a uma ONG, Atini, dirigida por missionários protestantes e apoiada por militantes católicos. A política oficial da Funai é enviar os exilados de volta à selva, mesmo que isso signifique colocar suas vidas em risco.
“Não é verdade que entre os povos indígenas há mais violência e mais crueldade com seus infantes do que na população em geral”, sustenta Aloysio Guapindaia, presidente em exercício da Funai, em resposta por escrito à ISTOÉ. “O tema, tratado de uma forma superficial, transparece preconceito em relação aos costumes dos povos indígenas”, completa. Tem índio que não concorda. “Ninguém do governo nos ajuda a resolver o problema”, queixa-se Kamiru, com o auxílio de um tradutor. A recompensa pelo seu gesto de desafiar os costumes de sua gente vem daquele que ela salvou. “Minha verdadeira mãe não é a minha mãe. Minha mãe é a Kamiru”, diz o pequeno Amalé.

Outra índia que ousou enfrentar a tradição foi Juraka, também kamaiurá, de uma aldeia próxima à de Amalé. Ela está refugiada com a filha, Sheila, nove anos, no abrigo ao lado da Granja do Torto. A menina faz tratamento no hospital Sarah Kubitschek. Nasceu com distrofia muscular progressiva, uma doença que a impossibilita de andar. A tribo descobriu o problema quando Sheila deveria estar dando os primeiros passos. A mãe fugiu antes de ser obrigada a aplicar a tradição. “Não gosto desse costume de enterrar a pessoa viva”, diz Juraka, também com a ajuda do tradutor.
No hospital os médicos disseram que não há nada a fazer. Sheila deverá passar a vida numa cadeira de rodas. “É a pessoa que mais amo no mundo, mais que meus outros filhos”, diz Juraka. Mãe e filha já retornaram algumas vezes à tribo. Os índios passaram a respeitar a coragem de Juraka e já começam a aceitar Sheila.

“É um absurdo fechar os olhos para o genocídio infantil, sob qualquer pretexto”, diz Edson Suzuki, diretor da ONG Atini. “Não se pode preservar uma cultura que vai contra a vida. Ter escravos negros também já foi um direito cultural”, compara. Suzuki cria a garota Hakani, dos surwahás do Amazonas. Ela hoje tem 13 anos. A menina nasceu com dificuldades para caminhar. Os pais se recusaram a matá-la; preferiam o suicídio. O irmão mais velho, então com 15 anos, tentou abatê-la com golpes de facão no rosto, mas ela sobreviveu.

“O infanticídio é uma prática tradicional nociva”, ataca a advogada Maíra Barreto, que pesquisa o genocídio indígena para uma tese de doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha. “E o pior é que a Funai está contagiada com esse relativismo cultural que coloca o genocídio como correto”, ataca o deputado Henrique Afonso, do PT do Acre, autor de um projeto de lei que pune qualquer pessoa não índia que se omita de socorrer uma criança que possa ser morta.

Longe da tribo, Amalé quer continuar a freqüentar a escola, mas exige uma mochila. Ele já fala bem o português e avisa que gosta muito de carros. Quer dirigir um quando crescer. “Vamos aprender muito mais com Amalé do que ele com a gente”, diz a diretora da escola, Aline Carvalho.
"Não se pode preservar uma cultura que vai contra a vida".
(Edson Suzuki, diretor da ONG Atini)

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