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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

DOUTRINA DOS PACTOS - PARTE I

Conforme prometi aos meus leitores estou publicando os artigos que tratam da doutrina dos pactos, segundo o entendimento da Teologia Reformada. Espero que sirva para abrir o entendimento acerca dessa doutrina principalmente dos pós-reformados, porém que é encontrada na Confissão de Fé de Westminster, no capítulo VII.

Estou publicando à medida que vou fazendo o trabalho para a disciplina do Dr. Heber Jr. no CPAJ, logicamente publicarei aqui de forma resumida. Boa leitura.

A TEOLOGIA DOS PACTOS.
A preocupação com o ensino bíblico sobre os pactos tem sido uma distinção característica da teologia reformada. No entanto, nos últimos anos, a doutrina da aliança tem se tornado um tema de interesse no evangelicalismo, em grande parte por causa da aproximação crescente entre as escolas de interpretação dispensacionalistas e não-dispensationalistas.


A relação entre Deus e a humanidade é, em uma palavra, uma relação de aliança. Deus lida com sua criação em termos de aliança.

A disciplina “história da teologia cristã”, tem oferecido uma variedade de definições. Essencialmente, "aliança" é um acordo ou relacionamento entre duas partes. Quando falamos dos pactos entre Deus e a humanidade, o Senhor Deus soberanamente impõe os termos destes pactos, em conformidade com sua própria vontade.

Com respeito à história da doutrina cristã a teologia reformada contribuiu para o desenvolvimento e sistematização bíblica da doutrina dos pactos.

História Bíblica.

A história bíblica é estruturada em termos de uma série de pactos distintos. A Teologia Reformada tradicionalmente esquematiza a doutrina dos pactos, refletindo os decretos de Deus na criação e na redenção. Antes da criação do mundo está o plano ou o Conselho eterno de Deus¹ . Uma característica particular desse plano é o "Pacto da Redenção", feito na eternidade, entre o Pai e o Filho com respeito a salvação dos eleitos de Deus, aqueles a quem ele escolheu em Cristo, e os chamou eficazmente para a fé verdadeira e arrependimento na história por meio da regeneração e poder de convencimento do Espírito Santo de Deus. Eleição para a salvação é a finalidade da Aliança Redentora.

Os pactos iniciais.

O primeiro pacto histórico é o "Pacto das Obras", também chamado de "Pacto da Natureza" ou "Pacto de Criação". A terminologia " Pacto das Obras", é a mais comumente empregada por escritores reformados, e salienta o dever filial e obrigação dos filhos de Deus para tornar plena e perfeita obediência ao seu Criador.

O "Pacto da Graça", abrange a época da queda de Adão até o

Consumação da história com o retorno de Cristo. Esses Pactos são claramente ensinados nas Escrituras, por exemplo, na criação de Adão, no Sinai, na teocracia israelita, e na encarnação do Filho de

Deus "nascido de mulher, nascido sob a lei" (Gálatas 4:4).

Existe um tempo de provação, que é a maneira ordenada por Deus para a realização das bênçãos prometidas no primeiro pacto.

Apesar de manter os dois pactos, o pacto das obras inicial e o pacto das obras subsequente, a Teologia Reformada tem salientado ao mesmo tempo a singeleza de propósito e o plano de Deus. Por um lado ele reconhece a unidade e a continuidade da Antiga e da Nova Aliança ou Antigo e Novo Pacto (ou Testamentos), mantendo as diferenças e descontinuidades entre eles.

Assim como os decretos multiformes de Deus abrangem todas as coisas que passam pela história, assim também o decreto singular de Deus os une. Assim, podemos falar do decreto(s) de Deus como a causa final, o propósito predestinador de Deus pelo qual todas as coisas são predestinadas por Deus em seu eterno conselho.

As Controvérsias do escolásticismo protestante Reformado do século XVII levou à divisão entre os “infra” e os “supralapsarianos”. Em última análise, esses debates destacaram a natureza paradoxal da verdade bíblica, verdade essa que está além da compreensão humana finita.

[1] CAMPOS, Heber Carlos de. As duas naturezas do redentor. A pessoa de Cristo. São Paulo. Cultura Cristã. 2004. p. 51.


Nota: O termo Pacto é também conhecido como "Convenios", "Pacto", "Aliança", "Acordo".

sábado, 6 de fevereiro de 2010

SÍNTESE DA FÉ PRESBITERIANA - Parte I

Alguns amigos e leitores me pedem para fazer uma espécie de sintese do que é ser presbiteriano. Muitos deles não são presbiterianos, é claro,e estão interessados em conhecer as doutrinas da Graça e a Fé Reformada.

Tentarei sintetizar abaixo o que é ser presbiteriano no que se refere a doutrina, liturgia e disciplina. Vamos lá!


CRENÇAS:

Cremos na Bíblia como única e infalível Palavra de Deus, Suprema autoridade na religião.

A Exposição dessas doutrinas bíblicas estão expressas na CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER. (1643 - 1649), e nos Catecismos Maior e Breve, estes agem como síntese e fiel exposição do sistema de doutrina, governo e disciplina contido nas Escrituras do Velho e do Novo Testamentos.

A nossa prática administrava está baseada na CFW, expressa na Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, que por sua vez divide-se em Constituição, Código de Disciplina e Princípios de Liturgia.

- Deus é uma Trindade de pessoas - Pai, Filho e Espírito Santo, e uma unidade em substância. (I Jo. 5.7).

- Todo Gênero humano procede de Adão e Eva. Todos os homens de hoje e de após Adão e Eva, pecaram e pecam neles e todos cairam com eles na sua primeria transgreção, (Rm. 3: 9, 23; At. 17: 26).

- Deus criou o homem à sua Imagem e semelhança, dotando-os de uma alma imortal, e deu-lhes o poder de transmitir a alma por geração ordinária, com o pecado, a espiritualidade e a imortalidade, com todos os seus predicados morais e espirituais.

- Jesus Cristo, o Filho, segunda Pessoa da Trindade, veio ao mundo para reconciliar a criatura com o criador. (Rm. 3: 25). Morreu em lugar dos pecadores e se se constituiu Redentor e Salvador, Propiciação e Expiação, segundo o Eterno Decreto de Deus Pai. (João 3: 16).

- O Espírito Santo, terceira Pessoa da Trindade, pela Palavra revelada, convence o homem do pecado, da justiça e do Juízo (João 16: 8), e aplica à alma os méritos de Cristo.

- Quanto à Justificação, Adoção e Santificação, cremos que o pecador é um réu. A Lei de Deus revela a sua deformidade moral (Gál. 3: 24), e o conduz a Cristo, chamando-o segundo o Decreto Eterno da Predestinação (Rm 11: 23). Pela operação do Espírito (convence-o do pecado...), o réu confesso se arrepende e recebe, pela graça de Deus, o dom da fé, só então crê no Redentor (Jesus Cristo), e é justificado, (Rm 3: 25; 5. 1; 8.1), e adotado como filho (Jo. 1: 12), começa então, a vida sob a lei do Espírito Santo, (Rom. 8: 2). A justificação é ato da livre graça de Deus. A santificação é obra do Espírito Santo.

Continua... 




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