quinta-feira, 11 de abril de 2019

A RAIZ DE TODOS OS MALES


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João d’Eça






Introdução:
           O assunto em tela não pode ser confundido com o problema do mal. Esse é um problema da teologia e da filosofia, que não tem explicação fácil e ninguém tem a última palavra, por mais elaborado que sejam os seus argumentos. Mas não é disso que iremos tratar, mas de dinheiro, porque o Espírito Santo, inspirando o apóstolo Paulo, diz em I Tm. 6.10, que o “amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. Nota-se que o argumento não está dizendo que o dinheiro em si é mal, afinal o dinheiro é um objeto, e é o seu uso, assim como o de todas as coisas é pode ser para o bem ou para o mal.

            Quando o apóstolo fala que o “amor ao dinheiro” é a razão de todo mal, é porque, como aconteceu na queda, o homem quis ser o seu próprio “deus”, quis determinar o seu próprio destino e não prestar contas pra ninguém.

            O dinheiro dá um falso poder, uma ilusão que faz o homem pensar que ele não precisa de mais nada nem de ninguém. É uma ilusão porque o que tem valor de fato, é o metal que ele representa, o ouro. Um país só pode emitir moeda na proporção de suas reservas lastreadas em ouro. O que uma pessoa tem de dinheiro em seu poder representa uma fração da riqueza que circula, e essa fração pode ser ínfima ou considerada.

            Ninguém vai ser sepultado com o seu dinheiro ou com as riquezas que amealhou na vida. Em que pese sabermos que os faraós do antigo Egito eram sepultados com a sua riqueza, eles não usufruíam de nada disso no além-túmulo, enterrá-los com a sua riqueza só serviu para a alegria dos violadores de tumba. Não vemos um cortejo fúnebre pelas ruas com um carro forte seguindo para enterrar o dinheiro do falecido junto com ele, isso seria a felicidade dos ladrões que não mediriam esforços para roubá-lo.

            Os homens tem sido seduzidos pelo amor ao dinheiro desde que o mundo é mundo, e continuará a ser assim enquanto o mundo existir. O amor ao dinheiro tem sido a desgraça dos povos e das nações, bem como das pessoas individualmente. Por dinheiro se mata, por dinheiro as pessoas roubam, por dinheiro mentem e enganam. Filhos desconhecem seus pais e pais desconhecem seus filhos por causa do dinheiro. Tudo que é bom, justo e certo tem sido desprezado pelo amor ao dinheiro. Por dinheiro o homem é capaz de trocar Deus pelo diabo.


A benção que o dinheiro poderia ser

            Quando as igrejas investiram o seu dinheiro no avanço do Reino de Deus, na expansão da obra missionária, o mundo conheceu a Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Desde o conde Von Zinzendorf até as igrejas na Europa e nos Estados Unidos, que investiram em missionários, construção de escolas, de hospitais e de igrejas para a glória de Deus, até ai o dinheiro era usado para benção. Depois que a ganancia semeada pelo diabo, cresceu e se multiplicou dentro das igrejas, a realidade se inverteu, e pessoas sem caráter, inescrupulosas, desonestas e egoístas, viram na igreja uma possível fonte de renda para si próprios e passaram a manipular a igreja em seu favor, inventando coisas que até então não se ousava fazer, tudo para ganhar dinheiro, para enriquecer. E com o poder da riqueza em suas mãos eles brincam de “deus” controlando a situação para se perpetuarem no poder e obter mais riqueza ainda.

            Quando os homens usavam o dinheiro para o engrandecimento do Reino de Deus, a igreja prosperou e conseguiu alcançar com o Evangelho de Cristo, quase todos os rincões do planeta, as terras mais distantes, desde a Groelândia até a Terra do Fogo, desde a China até a selva africana.

A escassez de dinheiro nas igrejas

            Muitas igrejas poderiam usar o dinheiro para promover a glória de Deus e implementar muitos projetos ainda hoje ao redor do mundo. Por que não o fazem? Porque as pessoas não são mais solidárias, não são mais altruístas, não são ofertantes liberais. Tornaram-se egoístas e desconfiadas, não fazem nem sequer a sua parte, o seu dever, mas querem usufruir de todos os benefícios que a igreja pode lhes proporcionar, mas sem contribuir com a sua parte. Amam o dinheiro mais do que a Deus e não querem se desfazer do vil metal.

            “O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males”. O homem que ama o dinheiro troca a verdadeira riqueza por algo que pode ser destruído e é passageiro, vai ficar aqui, não passa para o outro lado. A única saída para esse circulo de males, é o homem ser forte na fé, amar mais a Deus que o papel moeda e ser altruísta, querendo ver a prosperidade do reino de Deus. Hoje os crentes apesar de mais ricos do que as gerações anteriores, estão cooperando financeiramente com muito menos.

Qual a atitude certa quando lhe for pedido cooperar?

Examine as prioridades da sua vida As suas prioridades refletem o que Deus diz que tem valor eterno? Deus valoriza as pessoas e não as coisas, mas o nosso desprendimento das coisas para promover o Reino de Deus, mostra quem somos de fato. Quando for contribuir com dízimos e ofertas, faça o que diz as Escrituras: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fl. 2.3). Ao considerar a sua oferta para Deus, certifique-se de colocar essas coisas no topo da sua lista. Administre os recursos financeiros que Deus lhe dá de maneira eficaz, para que sejam aplicados com o máximo efeito.

Pergunte a si mesmo - Se lhe for pedido que você doe do seu dinheiro, faça as perguntas certas antes de responder. Não pergunte: “Eu posso fazer isso?” ou “O que eu ganho com isso?”

Certa vez eu levei um parente meu descrente, para ver a construção de um novo templo para um trabalho incipiente. Diante do terreno e da construção iniciada eu pedi a ele uma ajuda financeira para a continuidade da obra. Ele me respondeu: “Eu não faço esse tipo de investimento”. Decepcionado pensei com meus botões: - “Quantos crentes também não estão fazendo a mesma coisa, não investem no avanço do Reino de Deus, por puro egoísmo”!

Não espere nada em troca, faça como para o SenhorElimine as expectativas. Quando você dá, faça sem esperar nada em troca. Não seja como os fariseus (Marcos 12.38-39). A doação sacrificial lhe custa algo, mas você pode não ser recompensado imediatamente por sua generosidade.

Faça sua agenda levando a obra de Deus em consideraçãoA cada dia estabeleça os seus compromissos e planos para Deus primeiro. Peça a Ele que lhe mostre como Ele quer que você use seu tempo, talentos e recursos e deixe espaço na sua agenda para Deus agir como quiser. Ele é Deus!

Conclusão:

Os crentes precisam entender que podem enriquecer suas vidas, desenvolvendo um estilo de vida de generosidade. O ponto é o sentimento de amor e de dever cumprido. Quanto mais os crentes doam, melhor eles se sentirão. E quanto mais alegres e satisfeitos eles estiverem, mais eles vão querer doar.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

OS BENEFÍCIOS DO CALVINISMO


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João d’Eça


Introdução:

            Na postagem anterior dissemos que iríamos fazer uma nova postagem dando alguns pontos que certificam que o calvinismo é uma benção. Em que pese ouvirmos gente que nunca abriu uma página das Institutas e nem de nenhum escrito de Calvino, denegrindo o ensino do calvinismo, sabemos que são pessoas desprovidas do conhecimento, que enxergam em uma só direção e não tem coragem de estudar a sério a doutrina, por ter medo do que pode lhe acontecer.
            Abaixo listo alguns motivos por que creio que o calvinismo é uma benção para a igreja cristã. Você que é calvinista, não permita que o opositor leve vantagem em denegrir a imagem de nossa doutrina. Estude-a, ame-a, pregue-a, isso só trará benefício para a sua vida e ministério.

            Coloca o homem no seu próprio lugar – O homem não é Deus, é simplesmente homem. Cheio de pecados, de erros éticos e morais. O homem carnal em seu estado natural de Queda, é inimigo de Deus, todas as suas inclinações são contra Deus. O homem é mal, e como diz Paulo em Efésios, “filhos da ira” (Ef. 2.3).  Nesse sentido o homem é escravo do pecado e não tem liberdade para escolher entre o bem e o mal, como escravo do pecado, irá sempre escolher o mal. A não ser que Deus faça a obra de atrair para Si o pecador, este nunca escolherá seguir a Deus. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entende-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Cor. 2.14).

            Enfatiza o efeito salvador da morte de CristoA morte de Jesus Cristo na cruz efetivamente produz vida. Jesus Cristo morreu em favor da salvação dos eleitos. Ele pagou a penalidade do pecado (Rm. 5.8). Era preciso um homem perfeito para cumprir com as exigências da penalidade do pecado, mas não havia homem algum sobre a terra que pudesse cumprir essa exigência. Ele deveria também ser divino para poder suportar o peso da culpa do pecado. Jesus Cristo cumpriu em si essas duas exigências. Verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. O pagamento não será feito duas vezes. Jesus já pagou o preço em nosso lugar.

Cristo não morreu por todos os homens sem exceção, mas somente pelo “mundo” dos eleitos. A Palavra de Deus ensina assim. Cristo se deu a si mesmo, mas no sentido de dar Sua vida pelas suas ovelhas (João 10.15). Ele se deu “em resgate de muitos” (Marcos 10.45). Aqueles por quem Cristo morreu são todos salvos. Ele salvou-os por Sua morte no lugar deles. Ele não morreu em vão. Alguns autores da atualidade alegam o universalismo, ou seja, que a morte de Cristo proporcionou a salvação para todos, sem exceção, portanto, estarão no banquete das bodas do Cordeiro, todos os déspotas, facínoras e criminosos assentados, juntamente com as suas vítimas. Esse pensamento anula totalmente o ensino bíblico tanto do Antigo, quanto do Novo Testamento.

            Enfatiza a Graça de Deus – Como diz a Sagrada Escritura, o pecador “está morto em seus delitos e pecados” (Ef. 2.1). Um morto não exerce vontade, se está morto, só pode levantar-se se alguém o ressuscitar, e só Deus pode ressuscitar um morto, seja física ou espiritualmente. O Espírito Santo, através da pregação do Evangelho, “convence o homem do pecado, da justiça e do juízo” (João 16. 7-11).

Deus enviou o Seu Filho unigênito para levar os nossos pecados em Seu próprio corpo sobre a cruz (Isaías 53.6); no devido tempo envia Seu Espírito Santo para nos vivificar; e dá pleno perdão e nos livra para sempre de todas as nossas culpas e pecados (Ef. 1.7). Esse é o efeito de Sua maravilhosa Graça.

            Garante a Salvação – Salvação não é roupa que se veste e tira conforme a conveniência. Se estamos firmados na rocha que é Cristo, estamos garantidos. “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (João 10.28). A Escritura diz que “nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. Ora, se os que estão em Cristo podem ainda ser condenado, se a morte e o inferno tem o poder de arrancar aquele que está em Cristo, então o poder dele é fraco, não teria forças para nos sustentar em suas mãos e o poder do pecado seria mais forte que o poder de Deus.

            Garante a pregação do evangelho – Deus tem um povo escolhido. O número dos eleitos nem aumenta e nem diminui, então eu terei entusiasmo na pregação do evangelho, porque sei que somente através da pregação é que os eleitos virão a Cristo. A carta aos Romanos 10.9-15 ensina isso. “Não temas, mas fala, e não te cales… pois tenho muito povo nesta cidade” (Atos 18.10). Nossa tarefa é anunciar o evangelho em todo lugar, e o fato de sabermos que o Senhor chamará os seus eleitos pela pregação, deve nos incentivar a pregar a verdade, dai, os pecadores ao ouvirem a voz do evangelho, buscarão a reconciliação com o Senhor.

Conclusão:

            Essa é somente uma síntese que lhe ajudará a redescobrir a riqueza do calvinismo e a sua validade para a igreja contemporânea. Em nenhuma hipótese o calvinismo perderá a sua relevância. Já está ai nesses 500 anos de caminhada, ajudando a igreja a se proteger contra os males da deturpação da Sagrada Escritura, que de tempos em tempos assola a igreja e enreda muitos ao erro.

terça-feira, 9 de abril de 2019

A DOUTRINA CALVINISTA: UMA BENÇÃO PARA A VIDA!


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João d’Eça



            Após a saturação das loucuras neo-pentecostais no meio da população evangélica no Brasil e no mundo, houve uma busca pela solidez de uma doutrina que trouxesse segurança e ai surgiu entre esses grupos sectários, a necessidade de estudar o calvinismo, para tentar encontrar a segurança espiritual que o neo-pentecostalismo e o arminianismo não proporcionam.
            As editoras de maior solidez doutrinária começaram a publicar as obras sobre calvinismo e mesmo de calvinistas de renome de todas épocas, bem como a tradução de obras de fontes primárias, como Calvino e Lutero, principalmente. Os autores calvinistas passaram a ser conhecidos e seus trabalhos consumidos com avidez. Homens como C.H. Spurgeon, A.W. Pink, John Gill. Passou-se a conhecer o pensamento calvinista e a estuda-lo em EBDs, classes de doutrina e grupos pequenos. Proliferou a realização de congressos, encontros de discussão teológica e grandes reuniões para tratar do assunto da teologia Reformada. Tudo isso trouxe um interesse cada vez maior pelo calvinismo.
            Em contrapartida os arminianos, também, para não perderem aqueles que estavam em busca da solidez da doutrina Reformada, começaram a publicar obras mais voltadas para a explicação da doutrina que defendiam, bem como, passaram a realizar congressos e encontros para solidificar o pensamento na mente dos que desejavam algo mais consistente.

Calvinismo X Arminianismo

            No século XVI, no auge do movimento da Reforma Protestante, quando a Europa, já cansada de milhares de anos de escravidão aderiu as ideias dos reformistas anteriores e de Lutero e Calvino posteriormente, João Calvino desenvolveu uma forma de entender e de ensinar a Bíblia que se popularizou depois da sua morte.
            A base da doutrina calvinista é a Bíblia e os ensinos de Agostinho de Hipona, no sec. IV, que por sua vez formulou a sua doutrina dos escritos de Paulo, no Novo Testamento e da igreja primitiva. Paulo sabemos, recebeu esses ensinos, como ele mesmo diz: “não de homens, mas de Deus” (Gl. 1.11, 12).
            O arminianismo é a doutrina de Jacob Arminius que se contrapôs às doutrinas da graça, como também é conhecido o calvinismo. Arminius estabeleceu os seus pontos doutrinários e os ensinou pela Europa. Após a morte de Calvino e com a proliferação do arminianismo, os seguidores do calvinismo estabeleceram cinco principais pontos doutrinários que se contrapunha às principais doutrinas de Arminius, o que ficou conhecido como “os cinco pontos do calvinismo”: Depravação Total; Eleição Incondicional; Expiação Limitada; Graça Irresistível e Perseverança dos Santos.
            A doutrina calvinista declara que o pecador está “morto nos seus delitos e pecados” (Ef. 2.1). Assim o pecador não pode fazer absolutamente nada para se salvar. No que se refere a questões espirituais, a vontade do homem é escravizada e ele não é livre para escolher a Deus, e escolherá sempre contra Deus, porque perdeu a condição original na qual foi criado, por causa da Queda. Todos os desejos e vontades desse homem escravizado pelo diabo é contra Deus (Rm. 3.11-23; II Tm. 2.26).
            Para salvar da condição de perdição eterna, Jesus Cristo morreu pelos eleitos, que são as suas ovelhas escolhidas (Jo. 10.15; 15.16; I Pd. 2.24, 25). Jesus Cristo salva a quem quer e o Espírito Santo cria o verdadeiro arrependimento no coração e na mente do pecador, condição fundamental para que ele seja salvo. Toda obra de salvação é exclusividade de Deus, sem a participação humana no processo. Os que serão salvos são aqueles por quem Cristo morreu. Sua morte é suficiente para salvar a todos os homens, e é eficiente na salvação efetiva dos eleitos.

Na próxima postagem iremos destacar alguns pontos fundamentais do calvinismo que são bênçãos para os que creem em tão sólida doutrina.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

E A APOSTASIA, COMO VAI INDO?

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João d’Eça

Assim como os profetas do A.T. denunciavam a falta de uma vida com Deus sincera, espiritual e com conteúdo, do mesmo modo no tempo de Jesus, conforme nos diz o N.T., ele denunciava a falsidade da espiritualidade dos líderes religiosos de seu tempo. Muito do que tem sido chamado de “igreja” hoje em dia, ou está morto ou caminhando para a morte.

Como pode cristãos se unirem ao romanismo ou não conseguirem enxergar a igreja romana como falsa? Como pode pastores antes reformados, antes sérios, centrados na Bíblia, defendendo o Sola Scriptura, e agora se veem de mãos dadas com a falsa igreja, apostatando da fé, denegrindo o evangelho em suas relações ecumênicas com igrejas falsas, com ideias falsas e aplicando métodos falsos?

Como pode a heresia do livre-arbítrio ser pregada em púlpitos presbiterianos, quando a CFW e os Catecismos, condenam essa heresia? Estamos vendo diante de nós uma ignorância histórica sem precedentes. A História que sempre foi e ainda é a mãe de todas as ciências, tem sido desprezada em nome da pretensa intelectualidade do estudo da Teologia Sistemática, mas sem estudar a História da Teologia?

Essa ignorância histórica faz com muitos pensem que Lutero, Calvino e outros reformadores nunca disseram o que eles disseram. Lutero, por exemplo escreveu A Escravidão da Vontade. O que vemos são oficiais das nossas igrejas que quando ordenados alegam defender as confissões da igreja, mas que na verdade nem mesmo crêem nelas e sequer as leram.

Os falsos mestres sempre existiram na igreja, assim nos diz a Bíblia em II Pd. 2.1. Como pode muitas lideranças de hoje ignorarem a caminhada histórica de dois mil anos da igreja e os seus embates contra as heresias, e a morte de tantos cristãos, que preferiram perder a vida a compactuar com o erro? O que vemos crescer já a algum tempo, são os pretensos “apóstolos”, ministras, presbíteras e diaconisas. Esteja absolutamente certo de que Jesus Cristo não chamou as mulheres para exercerem esses ofícios I Tm. 2.12.

O que o protestantismo histórico nos ensina, é que as igrejas cristãs são conhecidas por algumas características, como por exemplo: Pregação expositiva, celebração dos dois sacramentos, disciplina aos que defendem falsas doutrinas ou vivem na prática do pecado, e, a prática de uma adoração com base unicamente nas Sagradas Escrituras.

Falta conteúdo bíblico-histórico. Os crentes de hoje frequentam as igrejas, ou porque moram perto, ou por tradição familiar, ou por causa da programação agradável, ou por outros motivos que não seja exclusivamente por causa da firmeza bíblica. Porém, o principal motivo deve ser por causa de Deus e nada mais. O ponto é, que o crente precisa buscar a glória de Deus numa igreja onde Cristo está presente na pregação bíblica, nos sacramentos, na disciplina e na adoração. O que passa disso é de procedência maligna.

Diante de todo esse quadro, concluímos que a igreja de hoje está caracterizada pela ignorância total e completa de quem seja Deus, o Deus revelado na Sagrada Escritura. O mundanismo invadiu os arraiais evangélicos. Há pastores que estão pregando seus sermões baseados em Imagine ou em Fernando Pessoa. Já ouvi de um pastor que pregou seu sermão com base na poesia de Vinicius de Morais. Como pode?

terça-feira, 2 de abril de 2019

SEJA ANÁTEMA!


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João d’Eça





         Quando a igreja cristã ainda iniciava a sua caminhada rumo a recompensa celestial do seu glorioso porvir, já iniciava também a semeadura do mal no seio da igreja, crescia juntamente com o trigo, o joio.

         Era dessa forma que alguns inimigos da cruz de Cristo inquietavam as igrejas da região da galacia, ensinando que era necessário fazer certas coisas que nem Jesus, nem os seus apóstolos ensinaram e nem mandaram fazer. Paulo, zeloso como era, protestou dizendo:



“Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema”.

(Gl. 1.8, 9).



         A palavra anátema é frequentemente usada no A.T. para designar pessoa ou coisa maldita, separada da comunhão, proibida, separada para ser destruída. A cidade de Jericó foi considerada anátema ao Senhor, com tudo o que nela havia. Os israelitas foram proibidos de se contaminar ou de tocar na coisa anátema, para não trazer maldição ao arraial.

         Quando examinamos o protesto e a admoestação de Paulo, vemos que o ensino do apóstolo torna ilimitado a abrangência, envolve as igrejas e as pessoas: “seja Anátema”, isto é, fica fora da comunhão dos santos, todo aquele que anunciar um evangelho diferente do que foi anunciado desde Jesus Cristo e os apóstolos e que está claramente expresso nas Sagradas Escrituras.

         O “anátema” é formulado contra todas as novas doutrinas extra-bíblicas e todas as inovações religiosas que aconteciam nas igrejas da galacia e de todas as igrejas em todos os tempos e geografias.

         Assim sendo, é “anátema” uma igreja que impõe aos seus adeptos, preceitos que não estão expressos na Escritura, ensinando que deve ser praticado para alcançar a salvação. Os que ensinam assim, estão indo contra o ensino de Cristo e dos apóstolos.

         Não existe outro evangelho além do que se acha nas páginas do Novo Testamento, e o Espírito Santo, falando através de Paulo, diz aos que pregam evangelho diferente, que são incontestavelmente, ANÁTEMA!

         Se nem mesmo um anjo do céu seria perdoado por pregar um evangelho espúrio, tal qual os dogmas do romanismo e as práticas sincréticas do neo-pentecostalismo, assim os que fazem tal pregação e realizam tal prática, está fora da comunhão cristã, é portanto, ANÁTEMA!

O MARTÍRIO DE JON HUSS


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João d’Eça


No começo do XV século a igreja católica romana era governada por dois papas, um em Roma e o outro em Avignon, França, e detalhe, ambos infalíveis. No ano de 1409, por um concílio reunido em Pisa, Itália, foi eleito um terceiro papa. Três papas infalíveis e uma só igreja. Na verdade, eram três lobos vorazes que viviam disfarçados de humildes cordeiros.

O mais interessante é que cada um desses papas queria uma fatia maior das riquezas da igreja, para isso eles se excomungaram e se amaldiçoaram reciprocamente, Eram como um bando de mercenários, como uma horda de salteadores cruzando punhais e trocando blasfêmias enquanto cada um ficava com uma parte do saque.

Em 1414 o concílio de Constança reuniu-se e as sessões realizadas duraram três anos e alguns meses, que deu fim ao Cisma do ocidente que já durava um século e meio e que havia causado lamentáveis desgraças. Dentre os atos desumanos, está a condenação de Jon Huss à fogueira, como herege.

Jon Huss foi condenado a retratar-se do que havia escrito, mas por causa de sua profunda convicção nas doutrinas da Sagrada Escritura, ele não o fez, então, no dia 7 de julho de 1415, Jon Huss foi deposto do sacerdócio, os seus livros queimados, e ele, por ordem do concílio, foi entregue ao poder secular. Ele não se importou com a sentença imposta e já não esperava nada de diferente dos seus odiosos inimigos. Em vez de guardar rancor, ele pediu a Deus que os perdoasse.

Quando os bispos que foram designados para a cerimônia da deposição, despiram-no das suas vestes sacerdotais e colocaram sobre a sua cabeça uma mitra de papel, com demônios pintados e com uma inscrição: “cabeça de herege”.

Depois dessa humilhação eles o entregaram ao imperador e este, por sua vez o enviou ao duque da Bavária. Conduziram-no porta da igreja, pode ver ali, nas chamas os restos dos seus livros. Foi então conduzido para fora da cidade onde uma grande fogueira o esperava.

A lenha foi colocada ao redor de seu corpo que em poucos minutos ficou envolto em nuvens densas e em grandes labaredas. Antes da sua execução, Jon Huss apelou ao tribunal de Deus por causa da sentença dos homens.

O espírito de Huss conservou-se calmo, e com coragem suportou as cruciantes dores do martírio, a ponto de os seus inimigos sentirem-se humilhados diante da prova de amor e dedicação à causa do Evangelho que sempre defendera. Dizem os biógrafos, que o fogo ardia e Jon Huss entoava um hino com voz vibrante e alegre, que se ouvia claramente através do barulho da madeira creptando, e dos gritos da multidão. Diante das chamas densas que já o envolviam, ele clamou em voz alta: Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, tem misericórdia de mim! E morreu.

A multidão assistia bestificada essa grotesca cena de horror, planejada friamente pelo concílio da igreja católica romana. Após um tempo, enquanto as chamas consumiam tudo, restava apenas um montão de cinzas em que estavam os restos mortais do grande mártir. As cinzas ainda quentes foram ajuntadas e lançadas nas águas do rio Reno.

A matéria deixou de existir, o corpo desapareceu para sempre da terra, “veio do pó e ao pó tornará” (Ec. 12.7). A alma, essa não podia ser queimada por aquelas chamas de gravetos secos, nem pela vontade do papa, nem por decisões de concílios que em nome de Deus, derramaram tanto sangue inocente. Jon Huss viverá para sempre, na eternidade com Deus, nas mansões celestes preparadas aos que em Cristo Jesus, alcançam a Redenção.

Conclusão:

            Jon Huss apelou para o tribunal de Deus, cheio de fé, esperança e convicção. Deus o julgou. A igreja de Roma, por tantos séculos ensanguentou o mundo, com o falso cristianismo que propaga, usurpando o direito dos santos que creem somente nas Escrituras Sagradas, Sola Scriptura.

Não devemos em nenhuma hipótese esquecer esses homens e mulheres que mesmo diante da morte “não amaram a própria vida”, mas encomendaram-se ao Seu Senhor e Salvador, Jesus Cristo, nosso Deus encarnado.

sábado, 30 de março de 2019

O CULTO DOMÉSTICO - ESSE MOMENTO ESQUECIDO.

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João d’Eça



Introdução:

            O culto doméstico não é mais uma prática familiar observada com constância nos dias de hoje. As famílias não estão mais reunidas em volta da mesa ou numa sala, sob a liderança do pai, para a instrução dos seus filhos. Essas afirmações são fruto de pesquisas de institutos evangélicos preocupados com a caminhada da igreja com as novas gerações. Na geração passada essa prática era bem mais comum, as pessoas, era bem mais fácil reunir os pais e seus filhos para orar e buscar instrução na Sagrada Escritura para os enfrentamentos da vida, que tentam solapar a fé e fazer o crente desistir.

O culto doméstico é uma ação solene e tocante, um momento em que o pai de família, em hora determinada, reúne sua casa aos pés do altíssimo. É uma hora bendita no recinto familiar. Para o pai de família é consolador ter a certeza de que a sua família, protegidos pelo lar, poder reunir com os seus entes queridos, na presença e sob a proteção do Deus do universo!

Quando o pai de família, de joelhos, ergue a sua voz em nome de todos, entra no trona da Majestade divina, elevando ao céu as sua súplica, envoltas com sinceros louvores e cordiais agradecimentos pelos benefícios já recebidos. São louvores que partem do fundo da alma e são cheios de sinceridade, e que são ouvidos pelo altíssimo.

São muitas as bênçãos que estão ligadas diretamente ao culto doméstico. As bênçãos que descem do Senhor são abundantes, trazem consolo, e os louvores são reverberados ao Deus como forma de gratidão da alma que é saciada. Nossa oração é que as famílias cristãs se utilizem desse expediente, que na verdade é uma disciplina espiritual para participar de um evento que lhes faz estar na presença de Deus.

Quando a família cristã despreza o culto doméstico, está em outras palavras, privando-se de uma comunhão mais íntima com o Senhor e renunciando a maior das bênçãos, a de viver em plena comunhão com o Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Assim como é com cada indivíduo, deve ser também com a família, deve manter íntima comunhão entre si e com Deus em primeiro lugar, através do culto doméstico. Cabe ao chefe da família cuidar para que este dever santo não deixe de ser observado.

Ninguém ache que pode deixar de ser observado no seio da família o culto doméstico. Num tempo em que o mundo ao nosso redor está cada vez mais secularizado, onde o pecado está escancarado nas praças, nas ruas nos outdoors, nos canais de televisão e nos smartphones, a observância do culto doméstico se torna essencial.

Conclusão:

            É um privilégio sermos agraciados com a alegria do Senhor, o bondoso Deus que por misericórdia nos concede poder participar dessa alegria. Quando a experimentamos ao lado dos que nos são caros, seja o culto doméstico, o lugar onde essa alegria se consolida. Se porventura as nuvens negras da tribulação nos atingir ou se elas se acumularem sobre as nossas cabeças, anunciando a próxima tempestade, o culto doméstico será o refúgio da nossa família.

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