Prossegue a “revolução cultural” representada pelo tsunami da agenda homossexual. Primeiro a academia, depois a mídia, as ONG’s, as igrejas e os três ramos do poder: executivo, legislativo e judiciário, desde a decisão política, e não científica, da retirada do rol das patologias, passando pela defesa da legitimidade da prática, para a revisão do conceito de casamento, e a luta contra o que consideram como “preconceito”, a revisão dos livros escolares, um papel ‘normal’ ou ‘simpático’ de personagens da mídia, a ordenação de líderes religiosos praticantes e, de forma crescente, uma agressiva campanha condenatória e intimidatória contra pessoas e instituições que se opõem a essa agenda, colocadas, todas, na vala comum dos “homofóbicos”: desde aqueles que, efetiva e lamentavelmente, perpetraram agressões físicas ou morais contra integrantes do bloco GLSTB (Gays, Lésbicas, Simpatizantes, Transgêneros e Bissexuais) quanto aos que “amando o pecador e condenando o pecado”, apenas esboçaram pensamentos ou leram publicamente textos bíblicos. O novo fenômeno cultural, já analisado por cientistas sociais, é denominado de heterofobia: o ódio, a rejeição, a desmoralização, a intimidação, e a condenação sistemática a quem não aprova a agenda gay ou reafirma os padrões históricos normativos da heterossexualidade.
As “marchas de orgulho” prosseguem anualmente em todo o mundo (sendo a maior a da cidade de São Paulo, no Brasil), com crescente financiamento público, com verbas dos municípios, dos estados e do governo federal. Há todo um conjunto de organizações não-governamentais e governamentais (“Por um Brasil Não-Homofóbico”, por exemplo), e a cooptação de governos de países como a Espanha e o Brasil para colocar a agenda gay no rol dos “Direitos Humanos” da Organização das Nações Unidas. Nos Estados Unidos, por sua vez, vozes respeitáveis do movimento negro e de sua histórica campanha pelos Direitos Civis estão abertamente protestando contra a tentativa dos homossexuais de se apropriar ideologicamente da herança daquele memorável momento da história norte-americana. De fato, o crescente movimento na internet por parte de pedófilos e de defensores do sexo grupal, nos faz antevê que novas “marchas de orgulho” brevemente estarão nas ruas, em uma escalada sem limites, consentânea com o relativismo da cultura pós-moderna, e o assegurar dos “direitos individuais” e da “privacidade” de adultos mutuamente consentidos. Liturgias, muito em breve, estarão substituindo o “mea culpa” pela “ação de graças” pelos ex-pecados...
Depois da detenção de pastores na Dinamarca e na Suécia, por pregarem contra a legitimidade da prática homossexual, e do processo contra uma igreja pentecostal na cidade do Recife, Brasil, o parlamento inglês (que já aprovou uma lei de “parceria civil” com, praticamente, plena equivalência com o matrimônio) está debatendo uma nova Lei contra a Discriminação, que vai na direção da criminalização de quem falar, escrever ou pregar em contrário, ou, por exemplo, se recusar a ceder as instalações do salão anexo ao templo para uma festa comemorativa a uma “bênção” ou outro evento homossexual. Em nosso país lobbys bem financiados estão às portas das Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas e o Congresso Nacional, para fazer aprovar (o que já ocorreu em alguns municípios) leis que nos criminalizam a todos nós, cidadãos e cidadãs, cumpridores dos nossos deveres cívicos e pagante dos nossos impostos, que insistirmos em afirmar valores culturais históricos ou a anunciar o entendimento multissecular do Cristianismo — e de outras religiões — sobre o assunto.
Não seria demagogia, histeria ou paranóia afirmar que um novo ciclo de violação dos direitos humanos e perseguição religiosa se avizinha. Como os nossos inimigos também são “os da nossa própria casa”, aí estão os revisionistas liberais pós-modernos e outros “opinionistas” a buscar ocupar postos-chaves nas igrejas, denominações e organismos ecumênicos, para colaborar com o Estado e as organizações pró-gays na violência contra os ortodoxos. É claro que a negação da autoridade normativa das Escrituras em matéria de Doutrina e Ética, a negação da unicidade de Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e a unicidade da Igreja como Agência do Reino, tem levado à defesa da “Ceia Aberta” ou o “Batismo Não-Confessional” para não-cristãos, para a incorporação de sacerdotes de outras religiões a equipes pastorais de igrejas cristãs, palestras para a juventude proferidas por feiticeiras, estátuas de Buda ou de Shiva em altares de catedrais, ou a condenação do texto “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai senão por mim”, como algo “politicamente incorreto”, “arrogante” e “imperialista”.
Analistas têm registrado que todo esse avanço que está abalando os fundamentos da civilização tem-se dado pela omissão dos cristãos, seja por acomodação, seja por medo, seja porque já foram contaminados ou capitularam ao espírito do século. Psicoterapeutas, em nosso país, morrem de medo de ter a sua licença cassada pelos Conselhos Regionais ou pelo Conselho Federal de sua profissão, que os proíbe de apoio profissional aos que voluntariamente desejem superar sua orientação homoerótica, e acusam de “radicais” ou de “extremistas” um punhado de bravos que em nome da sua fé e dos seus direitos profissionais se atreve a travar uma luta pública contra a violência da agenda GLSTB. Estamos muito perto da situação tragicômica, verdadeiro teatro do absurdo, que quem “vai para o armário” são os heterossexuais assumidos e militantes. Para estes desaparecerá o princípio da isonomia, da igualdade perante a Lei. A opção será o “armário” ou a cadeia, o silêncio ou a destruição moral.
A busca de pão para todos inclui o direito de partilha do pão libertador da vida. Os cristãos devem travar uma batalha também política e cobrar dos seus representantes nas eleições e durante o exercício dos seus mandatos. O sangue dos mártires está clamando aos céus. Que homens e mulheres, sólidos na Rocha que é Cristo, não se intimidem com o espírito maligno do século, fora ou dentro da Igreja, e possam resistir em obediência ao seu Senhor, enfrentando o risco do martírio. Os fiéis até à morte receberão a coroa da vida.
Texto Original do bispo anglicano Robinson Cavalcanti da Diocese do Recife, publicado em Ultimato online
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
HETEROFOBIA: OS NÃO-HOMO NO ARMÁRIO OU NA CADEIA?
Prossegue a “revolução cultural” representada pelo tsunami da agenda homossexual. Primeiro a academia, depois a mídia, as ONG’s, as igrejas e os três ramos do poder: executivo, legislativo e judiciário, desde a decisão política, e não científica, da retirada do rol das patologias, passando pela defesa da legitimidade da prática, para a revisão do conceito de casamento, e a luta contra o que consideram como “preconceito”, a revisão dos livros escolares, um papel ‘normal’ ou ‘simpático’ de personagens da mídia, a ordenação de líderes religiosos praticantes e, de forma crescente, uma agressiva campanha condenatória e intimidatória contra pessoas e instituições que se opõem a essa agenda, colocadas, todas, na vala comum dos “homofóbicos”: desde aqueles que, efetiva e lamentavelmente, perpetraram agressões físicas ou morais contra integrantes do bloco GLSTB (Gays, Lésbicas, Simpatizantes, Transgêneros e Bissexuais) quanto aos que “amando o pecador e condenando o pecado”, apenas esboçaram pensamentos ou leram publicamente textos bíblicos. O novo fenômeno cultural, já analisado por cientistas sociais, é denominado de heterofobia: o ódio, a rejeição, a desmoralização, a intimidação, e a condenação sistemática a quem não aprova a agenda gay ou reafirma os padrões históricos normativos da heterossexualidade.
As “marchas de orgulho” prosseguem anualmente em todo o mundo (sendo a maior a da cidade de São Paulo, no Brasil), com crescente financiamento público, com verbas dos municípios, dos estados e do governo federal. Há todo um conjunto de organizações não-governamentais e governamentais (“Por um Brasil Não-Homofóbico”, por exemplo), e a cooptação de governos de países como a Espanha e o Brasil para colocar a agenda gay no rol dos “Direitos Humanos” da Organização das Nações Unidas. Nos Estados Unidos, por sua vez, vozes respeitáveis do movimento negro e de sua histórica campanha pelos Direitos Civis estão abertamente protestando contra a tentativa dos homossexuais de se apropriar ideologicamente da herança daquele memorável momento da história norte-americana. De fato, o crescente movimento na internet por parte de pedófilos e de defensores do sexo grupal, nos faz antevê que novas “marchas de orgulho” brevemente estarão nas ruas, em uma escalada sem limites, consentânea com o relativismo da cultura pós-moderna, e o assegurar dos “direitos individuais” e da “privacidade” de adultos mutuamente consentidos. Liturgias, muito em breve, estarão substituindo o “mea culpa” pela “ação de graças” pelos ex-pecados...
Depois da detenção de pastores na Dinamarca e na Suécia, por pregarem contra a legitimidade da prática homossexual, e do processo contra uma igreja pentecostal na cidade do Recife, Brasil, o parlamento inglês (que já aprovou uma lei de “parceria civil” com, praticamente, plena equivalência com o matrimônio) está debatendo uma nova Lei contra a Discriminação, que vai na direção da criminalização de quem falar, escrever ou pregar em contrário, ou, por exemplo, se recusar a ceder as instalações do salão anexo ao templo para uma festa comemorativa a uma “bênção” ou outro evento homossexual. Em nosso país lobbys bem financiados estão às portas das Câmaras de Vereadores, Assembléias Legislativas e o Congresso Nacional, para fazer aprovar (o que já ocorreu em alguns municípios) leis que nos criminalizam a todos nós, cidadãos e cidadãs, cumpridores dos nossos deveres cívicos e pagante dos nossos impostos, que insistirmos em afirmar valores culturais históricos ou a anunciar o entendimento multissecular do Cristianismo — e de outras religiões — sobre o assunto.
Não seria demagogia, histeria ou paranóia afirmar que um novo ciclo de violação dos direitos humanos e perseguição religiosa se avizinha. Como os nossos inimigos também são “os da nossa própria casa”, aí estão os revisionistas liberais pós-modernos e outros “opinionistas” a buscar ocupar postos-chaves nas igrejas, denominações e organismos ecumênicos, para colaborar com o Estado e as organizações pró-gays na violência contra os ortodoxos. É claro que a negação da autoridade normativa das Escrituras em matéria de Doutrina e Ética, a negação da unicidade de Jesus Cristo como Senhor e Salvador, e a unicidade da Igreja como Agência do Reino, tem levado à defesa da “Ceia Aberta” ou o “Batismo Não-Confessional” para não-cristãos, para a incorporação de sacerdotes de outras religiões a equipes pastorais de igrejas cristãs, palestras para a juventude proferidas por feiticeiras, estátuas de Buda ou de Shiva em altares de catedrais, ou a condenação do texto “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e ninguém vai ao Pai senão por mim”, como algo “politicamente incorreto”, “arrogante” e “imperialista”.
Analistas têm registrado que todo esse avanço que está abalando os fundamentos da civilização tem-se dado pela omissão dos cristãos, seja por acomodação, seja por medo, seja porque já foram contaminados ou capitularam ao espírito do século. Psicoterapeutas, em nosso país, morrem de medo de ter a sua licença cassada pelos Conselhos Regionais ou pelo Conselho Federal de sua profissão, que os proíbe de apoio profissional aos que voluntariamente desejem superar sua orientação homoerótica, e acusam de “radicais” ou de “extremistas” um punhado de bravos que em nome da sua fé e dos seus direitos profissionais se atreve a travar uma luta pública contra a violência da agenda GLSTB. Estamos muito perto da situação tragicômica, verdadeiro teatro do absurdo, que quem “vai para o armário” são os heterossexuais assumidos e militantes. Para estes desaparecerá o princípio da isonomia, da igualdade perante a Lei. A opção será o “armário” ou a cadeia, o silêncio ou a destruição moral.
A busca de pão para todos inclui o direito de partilha do pão libertador da vida. Os cristãos devem travar uma batalha também política e cobrar dos seus representantes nas eleições e durante o exercício dos seus mandatos. O sangue dos mártires está clamando aos céus. Que homens e mulheres, sólidos na Rocha que é Cristo, não se intimidem com o espírito maligno do século, fora ou dentro da Igreja, e possam resistir em obediência ao seu Senhor, enfrentando o risco do martírio. Os fiéis até à morte receberão a coroa da vida.
Texto Original do bispo anglicano Robinson Cavalcanti da Diocese do Recife, publicado em Ultimato online
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
A VERDADE SOBRE TED HAGGARD
Por
Gordon MacDonald
É difícil descrever o que sinto ao ver o nome e o rosto de Ted Haggard sendo explorado a cada noticiário na TV. Mas, como disse o meu amigo Tony Campolo durante uma entrevista, quando investimos nossa vida usando o microfone para falar ao mundo nossas opiniões e julgamentos, não deveríamos nos surpreender quando a mídia direciona o holofote nos maus momentos de nossa vida, sendo isso justo ou injusto. Ainda estamos vivendo um processo de tentar compreender o que de fato existe no lado secreto da vida de Ted Haggard. A liderança da New Life Church anunciou que solicitou ao Ted que renunciasse. O seu ministério na New Life Church e como líder da Associação Nacional dos Evangélicos chegou ao fim.
Gastei algum tempo tentando entender como e por que alguns homens e mulheres que estão em posição de liderança enfrentam problemas na área moral, financeira ou de abuso de poder e de ego. Eu mesmo tenho familiaridade com a derrota e a humilhação pública. Desde aqueles terríveis momentos que vivenciei há 20 anos atrás eu tenho acreditado que dentro de nós há uma pessoa que não é muito diferente de um assassino.
Esta pessoa que está “dentro de nós” pode ser a raiz de atitudes e de comportamentos que geralmente diferem totalmente do nosso “ser consciente”. O que está “dentro de nós” procura nos destruir e canalizar energias que – descontroladas – nos tentarão a fazer todas as coisas que consideramos incorretas. Se você já foi ferido tão profundamente quanto eu e aqueles que amo, sabe que não se vive um dia sem se lembrar que há algo dentro de você que, uma vez livre, vai causar um grande estrago. Wallace Hamilton escreveu que “dentro de cada um de nós há cavalos selvagens esperando para correrem livres”.
O que me parece é que quando as pessoas se tornam líderes de organizações gigantes, quando se tornam famosos e as suas opiniões são constantemente procuradas pelos veículos de comunicação, temos que ter cuidado. O mesmo impulso que leva alguns líderes a níveis extraordinários de realização é o impulso que os mantém avançando mesmo quando metas e objetivos já foram alcançados. Como um rio que está acima do seu nível, este impulso geralmente atinge áreas de agitação e risco que podem ser perigosos e destrutivos. Este impulso muitas vezes parece ser impossível de ser contido. Esta parece ter sido a experiência de Davi com seus olhos observadores, de Uzias e o seu aborrecimento e de Salomão com sua fome insaciável por riqueza, mulheres e cavalos. Eles parecem ter buscado – seria isso um vício? – por mais emoções ou tentado suprir suas necessidades pessoais e, as formas normais que satisfazem a maioria das pessoas parecem ter sido inadequadas para eles.
Quando eu vejo que um líder se tornou inflexível e rígido, que tem tido menos compaixão pelos seus adversários, que tem sido um tirano dentro da sua própria organização, tem demonstrado raiva e arrogância em relação aos outros, fico imaginando se ele não está gerando tudo isso dentro do seu coração porque ele está tentando dizer um não para algo que está surgindo no profundo de sua própria alma. Talvez suas palavras e feitos não sejam dirigidos exatamente ao inimigo “lá fora” e sim diretamente a um inimigo mais astuto que está dentro da sua própria alma. Mais de uma vez estive com pastores que gastaram horas imersos em pornografia e que, um ou dois dias depois, pregam um sermão “cheio do Espírito” contra a imoralidade. É algo tão desconexo que espanta a razão.
Nenhuma constância na prestação de contas parece ser adequada para conter uma pessoa que vive tal conflito interior. Nem conter uma pessoa que precisa continuamente de um nível de adrenalina maior do que o de ontem. Talvez essa fosse uma das grandezas de Jesus: ele sabia quando parar, quando recusar o privilégio, a fama e o aplauso que acabaria por distorcer a habilidade de pensar com sabedoria e de se dominar. Temos visto, mais de uma vez, a verdade sobre a vida de alguém ser revelada, não de uma só vez, mas numa série de revelações, cada uma delas admitindo uma culpa maior do que aquilo que havia negado um ou dois dias antes. Talvez a dificuldade em contar toda a verdade seja um sinal de que a pessoa está, de fato, mentindo para si mesma e não consegue encarar a verdade completa sobre o seu comportamento.
Parece que todos os pecados começam com mentiras que se contam para si mesmo. A mentira principal de um líder que cai? Eu me dou, me dou e me dou como líder, eu mereço certos privilégios especiais – talvez o próprio privilégio de viver acima das regras. Ou então, tenho charme e palavras doces o suficiente para transformar qualquer coisa em realidade, inclusive minha inocência. Ou então, como grande parte da minha vida é vivida em alto nível de santidade, eu posso ser perdoado de um pequeno erro. Ou ainda, fiz tanto por essas pessoas, agora chegou a hora de fazerem algo por mim – como perdoar e dar uma segunda chance. Meu coração está partido por Ted Haggard, sua esposa e família. Não consigo imaginar a tortura que eles estão vivendo neste exato momento. Derrubados por uma preocupação e um interesse de proporções nacionais, eles devem estar se perguntando quem são seus reais amigos neste momento. Devem estar se perguntando como o que ocorreu – conhecido agora por todo o mundo – afetará seus filhos. Será que a esposa do Pr Ted poderá ir ao supermercado sem se preocupar com quem ela vai cruzar ao se mover de um corredor para o outro? Um repórter? Um membro da igreja? Um crítico? Todos os que compõem a família Haggard terão que enfrentar as câmeras todas as vezes que saírem de casa nos próximos dias, isto até que os veículos de comunicação encontrem outra pessoa sobre a qual vão lançar seus holofotes.
As viagens, os relacionamentos, as entrevistas, o aplauso da igreja, o poder dentro da organização, os benefícios e privilégios, a honra: foi tudo por água abaixo! Contatos com pessoas de poder e posição: foram por água abaixo! A oportunidade diária de dar uma palavra de influência para os mais jovens: foi embora. E o que vai crescer, dia após dia, é um sentimento estarrecedor de tentar compreender o arrependimento e a perda. Certamente pessoas se aproximarão deles para dizer que “eu confiei em você, mas, o que você fez me deixou muito bravo...você afastou o meu filho do evangelho....eu pensei que lhe conhecesse, mas vejo que não”. Muito tempo passará até que a família Haggard se sinta segura novamente. O sofrimento durará grande parte de suas vidas, mesmo depois de serem restaurados. Como eu gostaria que tudo ir para bem longe deles.
Talvez chegue um dia em que haja algum tipo de volta da influência. Mas, agora, deve ou deveria ser algo bem distante.
Uma de minhas orações tem sido para que a liderança da New Life Church não veja a “restauração” como um sinônimo de colocar o Pr Ted no púlpito o mais rápido possível. O pior que pode acontecer seria alimentar suas esperanças de que somente mostrando um “espírito contrito” ele pode voltar para a vida pública em um futuro próximo. Para o bem dele mesmo, ele deve seguir por uma longa jornada através dos fatores que causaram esta situação. Ele não vai solucionar o que quer que esteja errado em sua própria alma apenas voltando ao trabalho. Ele e a sua esposa devem se permitir um longo, muito longo tempo para a cura de sua relação pessoal. O perdão é uma cura de longo prazo, não algo momentâneo. Não esqueçamos dos cinco filhos. Somente pensar neles me faz chorar. E há ainda inúmeras pessoas dentro e fora da igreja que vão levar muito tempo para compreender o que tudo isso significa. A pior coisa que os amigos e colaboradores do Pr Ted podem fazer é tentar trazer ele de volta prematuramente. A melhor coisa que eles podem fazer é solicitar ao Pr Ted que se retire em silêncio com aqueles que mais ama e ouça – a Deus e aos conselheiros.
A declaração divulgada pelo Comitê Executivo do Conselho Nacional de Evangélicos recentemente me pareceu muito raso. Ele me pareceu ter sido escrito por alguém bem astuto da área de relações públicas que quis dizer todas as coisas simpáticas e apropriadas que pudessem abrandar a mídia. O dever da declaração parece ter sido o de informar que o Conselho Nacional de Evangélicos já está tomando providências a respeito do próximo líder. O fato é que constantemente vimos o Presidente do Conselho nas notícias e entrevistas falando em nome dos assim-chamados 33 milhões de evangélicos. Tenho certeza de que a maioria de nós não foi questionada se desejava ou não que Ted Haggard, ou qualquer outra pessoa, falasse em nosso nome. A última vez em que me senti seguro de alguém falar pelos evangélicos como um todo foi quando Billy Graham fez isso. O fato é que uma ilusão cresceu, ou seja, a de que o Conselho era uma movimento muito bem organizado de evangélicos americanos liderados por Ted Haggard que, quando se manifestasse, estaria fazendo por todos nós. Agora, infelizmente, a voz de Ted Haggard falou contra todos nós e teremos que absorver as conseqüências. Geralmente sou muito ruim em antecipar o futuro. Mas, creio pessoalmente que o Conselho Nacional de Evangélicos provavelmente não se recuperará deste momento tão doloroso. Deveria? Os líderes das diversas organizações membras do Conselho provavelmente vão supor que o dinheiro investido terá melhor utilidade em novas alianças.
Desde o início da administração Bush tenho me preocupado com algumas “personalidades evangélicas” que parecem necessitar dos holofotes da mídia todas as vezes que visitam a Casa Branca ou falam ao telefone com alguém da administração Bush. Sei que isso pode ajudar na captação de recursos mas sei também que existe a tentação de “alimentar o ego” quando quem lhe escuta é o presidente. O resultado é agora somos vistos como parte de um movimento evangélico altamente comprometido e identificado como à serviço do Partido Republicano e da sua administração. Qual o meu entendimento? Nosso “movimento” foi usado. Algo indica que este movimento – que no passado unia Billy Graham e Harold Ockenga – está começando a se fragmentar por ter se tornado um movimento mais político e que não se identifica com Jesus e o seu Reino. Querendo ou não, temos sido vistos como aqueles que dão suporte à guerra, à tortura e a uma postura antipática nas relações internacionais. Qualquer um de nós que faz viagens internacionais sabe que encontra hostilidade contra o nosso governo e a suspeita de que as políticas do Presidente refletem um grupo de “inquilinos da fé”. Há que se acrescentar que também há muita desilusão por parte de nossos irmãos e irmãs da fé de outros países que não compreendem o posicionamento dos evangélicos americanos em tudo isso. Nosso movimento pode até ter suas reuniões da alta cúpula, mas o fato é que pode ter comprometido seu papel de centro histórico da fé cristã. Não teria chegado o momento do público em geral entender que várias personalidades evangélicas que aparecem em TVs e rádios não fazem pronunciamentos em nome de todos nós?
Por isso eu oro: Deus e Pai, quão triste você deve estar quando você vê o mais poderoso e o mais fraco de seus filhos cair cativo da força do pecado e do mal. Não há nada que já foi feito que cada um de nós não seja incapaz de fazer também. Assim, ao orarmos pelo nosso irmão, Ted Haggard, não o fazemos por piedade ou justiça própria mas com um espírito de humilhação porque estamos bem ao lado dele em frente à cruz. Pai, dê a este homem e a sua esposa a sua graça. Proteja-os das constantes acusações do inimigo que tem como alvo não deixa-los dormir, levá-los a falar demasiadamente com a mídia, gerar conflitos entre eles como casal e com seus filhos. Envie as pessoas certas para dentro da vida deles, pessoas que vão prover o equilíbrio entre esperança e um amor curador. Livra-os de pessoas que vão dizer a eles coisas que não deveriam ouvir. Impeça-os de julgamentos enganosos nos momentos mais amedrontadores. Senhor, se faça presente para a liderança e membresia da New Life Church. E também para a liderança do Conselho Nacional de Evangélicos que terá que sobreviver com os efeitos colaterais desta tragédia. E também para aqueles que já estão na tradição evangélica e se perguntam em quem eles podem confiar. Que mais podemos orar? O Senhor sabe todas as coisas. Nós sabemos tão pouco. Amém
Tradução livre por Adriana Pasello.
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
A VIDA DA POETISA E CANTORA, FANNY JANE CROSBY (1820-1915)
Por
Pr. João d'Eça
Fanny Crosby
Cega desde criança, Fanny Crosby se tornou a maior autora de hinos sacros de toda a História.
A vida da poetisa e compositora Fanny Jane Crosby (1820-1915) é tão impressionante quanto a qualidade e a quantidade dos seus hinos. Ao todo, são quase nove mil composições, que incentivam a mudança de vida de pecadores, encorajam cristãos e inspiram toda a humanidade até os dias de hoje.
É difícil ficar impassível diante da força das palavras do hino 42 do Hinário Novo Cântico, cujo título é "Exultação":
"A Deus demos glória, com grande fervor, Seu Filho bendito por nós todos deu.
A graça concede ao mais vil pecador, abrindo-lhe a porta de entrada no Céus.
Exultai, exultai, vinde todos louvar a Jesus, Salvador, a Jesus redentor.
A Deus demos glória, porquanto do Céu, Seu Filho bendito por nós todos deu!"
A beleza e o poder contidos nesses versos surpreendem ainda mais por terem sido escritos por uma mulher que ficou cega com apenas seis semanas de vida. Sua vida foi a prova de que dificuldade alguma pode conter a unção de Deus, nem mesmo tirar o prazer dos Seus servos. Em outro dos seus mais famosos e belos cânticos, intitulado "Segurança", ela escreveu:
"Vivo feliz, pois sou de Jesus, e já desfruto o gozo da luz (...) Canta minha alma, canta ao Senhor, rende-Lhe sempre ardente louvor (...) "
Outra curiosidade na vida da maior autora de hinos da história da música sacra é o fato de ela ter escrito seu primeiro cântico aos 44 anos. Infecção nos olhos – Nascida em 24 de março de 1820, no município de Putnam, em Nova Yorque, Fanny tinha pouco mais de um mês de vida quando sofreu uma infecção nos olhos. O clínico geral estava fora da cidade e um outro médico foi chamado para tratar do caso. Receitou cataplasmas de mostarda quente, e o efeito foi desastroso: a menina ficou cega pelo resto da vida. O médico teve de fugir da cidade, tamanha a revolta suscitada entre os parentes e vizinhos do bebê.
Aos cinco anos, Fanny foi levada pela mãe para consultar o melhor especialista no país, o
Dr. Valentine Mott. Uma coleta feita entre os vizinhos pagou a viagem. O pai da menina já havia morrido e a situação financeira da família era muito difícil. O sacrifício, infelizmente, foi em vão, já que o médico decretou o caso como incurável. Fanny teve, então, de se acostumar às dificuldades, ao mesmo tempo em que demonstrava uma habilidade incomum para compor poesias.
Naquela época, a mensagem do Evangelho foi plantada no seu coração por intermédio de sua avó. Era ela quem passava horas lendo a Bíblia para a menina, que demonstrava ter uma memória extraordinária: decorou diversos trechos do livro de Rute e dos Salmos. Aos 15 anos, Fanny entrou para o Instituto de Cegos de Nova Yorque, para onde voltaria anos depois para ensinar Inglês e História. Como aluna e professora, ela passou 35 anos na mesma escola.
Testemunho de fé – Em 1844, Fanny escreveu seu primeiro livro de poemas: "A Menina Cega e Outros Poemas". Uma das suas primeiras participações como compositora aconteceu em um dos cultos de Dwight L. Moody, um dos maiores pregadores da história do Evangelho, que realizava uma conferência na cidade de Northfield, no Estado de Massachussetts. Impressionado com o talento de Fanny, Moody pediu que ela contasse o testemunho pessoal da sua fé e do seu relacionamento com Deus. Assustada, ela relutou, mas depois leu a letra de um hino que acabara de escrever:
"Eu o chamo de meu poema da alma. Às vezes, quando estou preocupada, repito isto para mim mesma, e estas palavras trazem conforto ao meu coração", disse ela, antes de recitá-lo. O hino, é verdade, não é citado em sua biografia, mas isto, de fato, pouco importa, já que poderia ser qualquer um daquelas centenas de cânticos que embalaram o avivamento americano no século XIX, período que ficou conhecido como "O Grande Despertamento".
Naquela ocasião, os momentos de apelo à conversão eram freqüentemente inspirados por palavras como as do hino "Mais Perto da Tua Cruz", composto por Fanny Crosby, em 1868:
"Meu Senhor sou TeuTua voz ouvi, a chamar-me com amor (...)
Mais perto da Tua cruz leva-me, ó Senhor."
Fanny era membro da Igreja Episcopal Metodista, de Nova Yorque. Era uma oradora devota e freqüentemente preparava os cultos infantis da igreja.
Casamento – Em 1858, Fanny se casou com o professor de música e cantor de concertos Alexander Van Alstyne. Nessa época, ela havia deixado o ensino para acompanhar o marido tocando piano e harpa, em apresentações públicas. Compôs diversas canções populares nesse período. Na mesma ocasião, a vida lhe trouxe uma das maiores aflições que uma pessoa pode enfrentar: a perda de um filho. O menino, seu único filho, morreu ainda pequeno.
Em 1864, por influência do famoso evangelista, escritor e compositor William Bradbury, que tem dezenas de canções registradas nos hinários evangélicos até hoje, Fanny passou a escrever exclusivamente músicas sacras. Apaixonada por crianças e motivada pela perda irreparável do filho, a compositora criou um estilo próprio: "Achei que as crianças também tinham de entender as letras, e as melodias teriam de ser simples também", disse ela, que se esforçou para retratar os temas do Céu e o retorno de Cristo com palavras simples.
Ímpeto criativo – O número extraordinário de composições da autora pode ser explicado não só pelo seu ímpeto criativo, mas também pelo fato de ela ter um contrato de trabalho com uma editora, a Biglow & Co., que a obrigava a entregar três composições novas a cada semana. Ela chegou a compor sete canções em apenas um dia. Como de hábito, não iniciava o seu trabalho sem antes dedicar horas à oração. Curiosamente, Fanny não escrevia as letras dos seus hinos, por nunca ter dominado o método Braille. Dona de uma memória extraordinária, memorizava-as facilmente.
Quando morreu, aos 94 anos, amigos e parentes escreveram na lápide da sua sepultura: "Ela fez o máximo que pôde". Sem dúvida, foi uma heroína da fé
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
A SUPERIORIDADE DO CRISTIANISMO.
Por
Pr. João d'Eça
“Portanto quem quiser ser meu discípulo, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” ( Mateus 16: 24 ).
Confesso que pensei bastante antes de começar a escrever este artigo. Refleti, porque pode parecer pedantismo de cristão, dizer que o cristianismo é religião melhor que os outros sistemas religiosos. Não quero aqui referir-me à religião como é entendido pela sociedade, ou seja, um sistema de princípios e valores, éticos e morais que as pessoas aderem em busca de uma vida melhor.
Não é a isso que quero me referir, mas ao cristianismo como é revelado na Escritura Sagrada, um relacionamento com a divindade. Esse relacionamento, faz parte da iniciativa de Deus em buscar o homem, em regenerá-lo, em salvá-lo e “transportá-lo para o Reino do Seu Filho amado”, adotando-o também como filho.
Assim é-nos ensinado na Bíblia: Deus, vai em busca do homem morto em seus delitos e pecados e lhe dá a vida eterna. Essa é a essência do evangelho, não podemos mudar o que está Revelado por Deus em Sua Palavra, apesar de vermos que estão querendo colocar o cristianismo como mais uma religião dentre muitas outras, e, que a atitude correta, seria respeito mútuo e convivência pacífica, é o que chamam de Tolerância.
Creio que o a pregação do evangelho é fundamental para o desenvolvimento da sociedade. O bem-estar da família passa pela observância dos princípios e valores da Palavra de Deus, o desenvolvimento da sociedade passa pela aplicação desses valores, porque não dá pra brincar de cristianismo, a nossa atitude tem consequências temporais e eternas.
No texto acima Jesus exige dos seus discípulos, o rompimento das antigas associações, que ele deixe tudo para seguí-lo. O chamado de Jesus Cristo, exige mais, muito mais do que somente conhecer a sua filosofia. Nos nossos dias a pessoa pode até conhecer vários autores, vários pensamentos, várias idéias e extrair um pouquinho de cada um deles, mas seguir a Jesus é totalmente diferente, porque Jesus Cristo não pode ser apenas mais um no Panteão de líderes, filósofos ou pensadores. O chamado de Jesus é de uma exigência total: “Negue-se a si mesmo”. Quem estiver disposto a seguir a Cristo tem de negar-se a si mesmo, tem de assumir todas as responsabilidades desse chamado.
O tipo de crucificação que Jesus exige aqui, não é crucificação sacrificial de carregar um madeiro pesado. Infelizmente muitos ainda pensam que fazer assim agrada ao Senhor, mas o que Ele exige de nós é a negação do Eu, a crucificação da vontade, do desejo, dos pensamentos contrários aos valores do Reino de Deus. Jesus Cristo exige de nós uma postura diferente das religiões, não é só assimilar conceitos, mas a coisa é muito mais profunda. Se queremos ganhar a vida, sermos felizes, curtir ao máximo, temos que perder a vida, não perder no sentido de morrer fisicamente e esperar somente as recompensas no céu, não, mas a recompensa no céu, passa por perder a vida aqui, em deixar essa vidinha que a sociedade propõe, vidinha de diversão, de festas de “bagaceira”, de dinheiro fácil, de vaidades, de futilidades e ainda querer acrescentar Jesus a tudo isso, como se Ele não passasse de mais um em meio a tantos outros.
A maioria das pessoas estão vivendo essa vidinha, optando por um bem menor, ao invés de procurar viver a vida abundante. Para a maioria das pessoas, principalmente as da alta elite do país, seguir um “guru”, um “curandeiro”, um pregador de filosofias, um Paulo Coelho, um Dali Lama, o Budismo e tantos outros, basta aprender os seus escritos, as suas filosofias, os seus pensamentos. Seguir a Jesus no entanto, exige do seguidor, mudança de vida, mudança de atitude, a mortificação das vontades e do desejo em função de se ganhar um bem maior. Jesus não aperfeiçoa a vidinha rasteira que se vive, ele pede a morte dessa, para se ganhar uma vida muito melhor, de melhor qualidade, de valor eterno.
Quem não entende essas coisas, é porque está habituado às porcarias da sub-vida, está acostumado com o lado negro da alma, está enraizado no porão da existência. Como um louco, uma pessoa desajuizada, que bebe esgoto e come comida estragada como se isso fosse um banquete. Como uma criança que sem nada conhecer, aprecia comer terra, suas próprias fezes, formigas, coisas sujas. Como a criança está em um plano inferior, ela não tem noção, pra ela aquilo está bom, é assim mesmo. Um trago, uma cerveja, gargalhadas, conversas fúteis, fala-se da mulher, do homem, fala-se disso, daquilo, Há, há, há, há. Que legal, que vida é essa!
As pessoas da nossa sociedade brasileira, pobres ou ricos, vivem mascarando a sua dor, suas vidas perderam o sentido e para mascarar a dor, começam a ter casos e mais casos, encher a cara de uísque, de cachaça, de drogas, de sexo. È a essência da vida vazia, no plano rasteiro, onde se engana e se é enganado, onde a busca pela felicidade escraviza a pessoa, que faz coisas que agente vê por ai todos os dias, gente que mente, que engana, que mata, que desvirgina, que paga pensão para inúmeras mulheres, porque de modo irresponsável fez filhos por ai. E o sujeito ainda chama isso de vida. É como o louco que se contenta com a água suja e com a comida estragada nos porões da existência.
A quem você seguirá? Pedro disse a Jesus: “Só tu tens as palavras da vida eterna.” A pessoa de Jesus confunde-se com a sua Palavra, porém tudo resulta em vida eterna. Com quem você fez aliança? Os crentes estão em aliança com o Senhor, estão conhecendo a Jesus a cada dia, estão crendo na Sua Palavra e reconhecendo que somente Jesus Cristo é o Santo de Deus.
É nesse princípio que reside a superioridade do Cristianismo.
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
O AMOR É SEMPRE A MELHOR RECOMPENSA.
Ainda outro dia assisti na TV a uma cena trágica. Um homem morto na beira da praia, enrolado em panos, que alguém por misericórdia havia posto sobre ele, enquanto que transeuntes, passeavam por ali como se nada tivesse acontecendo, ignorando totalmente ao cadáver ali ao lado.
O mundo parece muitas vezes dividido entre os que se importam e os que não se importam, não devemos julgar com muito rigor, pois é preciso muita coragem para as pessoas se importarem com os outros.
É, parece que é preciso muito coragem para nós nos dedicarmos, para abrirmos o nosso coração, para reagirmos com simpatia ou piedade, ou indignação, ou entusiasmo, pois é mais fácil – e às vezes mais seguro – não nos metermos nas coisas. No entanto as pessoas que se arriscam, que deliberadamente arrancam fora a couraça da indiferença, fazem uma formidável descoberta: quanto mais nos importamos com o nosso próximo, mais vivos nos tornamos.
Quando paramos e examinamos a nossa vida, o curso que ela toma a cada dia, vemos que há um rio de amor que atravessa toda a nossa existência como um traço de ouro e fogo. A importância que atribuímos às coisas pode representar a diferença entre o sucesso e o fracasso de um casamento, de um bom emprego ou de qualquer outra relação humana.
Emerson disse: “Nada de grande foi jamais realizado sem entusiasmo”. Até mesmo gente estranha, reage a uma grande intensidade de interesse por alguma coisa. Há muitos anos, na Inglaterra, um menino criado na miséria arranjou um emprego de 12 horas de trabalho diário, numa tipografia que não lhe pagava quase nada. Apaixonadamente interessado por livros, mas sem possibilidade de comprá-los, esse menino fazia questão de passar todos os dias, no caminho para o trabalho, por um “sebo” onde estavam expostos à venda livros usados. E sempre que havia algum livro aberto na vitrina, ele parava e lia as duas páginas à mostra.
Um dia reparou que o livro que ele lera na véspera estava aberto nas duas páginas seguintes. No outro dia, aconteceu a mesma coisa. E ele foi lendo sempre, duas páginas por dia, até que chegou à última página. Então, o velho que tomava conta da loja saiu de lá e disse ao menino que ele podia entrar e ler o que quisesse, a qualquer hora, sem obrigação de comprar. E foi assim que Benjamin Farjeon, que veio a ser um escritor de sucesso, teve acesso ao mundo dos livros – só porque se importava tanto com a leitura que o seu interesse se tornou visível a um velho bondoso por trás de uma vitrine poeirenta.
Na Bíblia Sagrada, há muitos exemplos da importância que tem em nos preocupar-nos com os outros. O Bom Samaritano se preocupa com a vítima dos ladrões, e por isso age. Os outros viajantes, receosos de se meterem em confusão passaram e ignoraram.
O mal do Filho Pródigo foi não se importar. O que fazia de si mesmo não contava para ele, nem a meneira por que sua conduta afetava os outros. O pai do Filho pródigo sabia dar e continuou dando importância às pessoas, tanto que preservou aquilo que poderia dar ao filho, tanto que o Pródigo, quando afinal esgotaram-se os seus recursos, ele disse: - “Levantar-me-ei e irei ter com o meu pai”.
Vejo que a Bíblia nos ensina aqui, que quando tiramos da vida o ingrediente do amor e da compaixão, nada mais tem sentido. A todo momento, no mundo que nos cerca, felizmente vemos atos de amor e de bondade sendo praticados por pessoas anônimas. Como diz Wordsworth: “Pequenos, anônimos, e esquecidos atos de bondade e de amor”. Alguém que se oferece para cuidar dos filhos de seu próximo, num momento difícil, essa gente não tem interesses e não espera recompensa, age.
A capacidade de amar e de ter compaixão nasce em cada um de nós, mas em grande parte, depende de cada um de nós expandi-la ou deixá-la minguar. Nem sempre é espontânea. Era a isso que se referia Sócrates ao dizer: “Antes de poder mover o mundo, o homem precisa mover-se a si mesmo.”
Uma das melhores maneiras de aumentar a nossa capacidade de amar e de ter compaixão pelo nosso próximo, é lutar contra o nosso próprio egoísmo e treinarmos fazer o bem todos os dias, nem que seja a uma só pessoa. È preciso nos preocuparmos com os que estão perto de nós e precisam de nós e auxiliá-los, estendermos para eles a nossa ajuda, nem que seja numa prece, isso ajuda muito. Agir de acordo com a observação de uma criança numa praia, observando o vai e vem do mar, ela disse:
- “Que bonito ver como o mar se preocupa com a terra!”
Tinha razão a criança. Era de fato uma forma de preocupação. A terra era apenas passiva e por isso esperava. Mas o mar se preocupava – e por isso vinha. A lição está ai, nesse bonito símbolo: a disposição de agir, de procurar, de ser absorvido e a capacidade de, nessa absorção, realizar-se.
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
ESQUERDA E DIREITA NA IGREJA.
Esquerda e direita na Igreja
Olavo de CarvalhoMídia Sem Máscara, 23 de abril de 2005
Já faz tempo que a grande mídia no Brasil – refiro-me sobretudo à de São Paulo, Brasília e Rio -- deixou de ser meio de informação confiável e se tornou puro instrumento de manipulação ideológica. O uso que ela faz dos termos para descrever situações e personagens não corresponde nunca à realidade objetiva, mas a um enfoque pré-calculado para produzir determinadas reações públicas. A linguagem-padrão do jornalismo brasileiro segue hoje estritamente a técnica soviética da desinformação. Isto não é modo de dizer, mas uma descrição exata do que acontece.
No caso das questões religiosas, a prova mais clara disso é o progressivo deslocamento do sentido dado aos rótulos "conservador" e "fundamentalista". No começo, “conservadores” eram os católicos que se opunham às mudanças introduzidas pelo Concílio Vaticano II. Muitos deles foram expulsos da Igreja, como dom Marcel Lefebvre, e hoje constituem um movimento religioso independente, de enormes proporções, cuja existência a mídia jamais menciona. Amputada essa parcela da realidade, o rótulo de “conservadora” passa a ser aplicado à própria ala da hierarquia católica que implementou as mudanças do Concílio. A margem de conservadorismo admitido, portanto, diminuiu consideravelmente. Antes, homens como João Paulo II ou o então cardeal Ratzinger eram o centro, o fiel da balança. Depois a mídia os deslocou para a direita e até para a extrema-direita enquanto dava sumiço nos conservadores genuínos, transformados em “não-pessoas”, sem direito a voz ou presença pública.
Processo análogo sofre o termo "fundamentalista". Essa palavra designava os adeptos de uma interpretação literalista e legalista da Bíblia. Pouco a pouco, a classe jornalística passou a empregá-lo para rotular qualquer pessoa que seja fiel a uma religião tradicional. Isto significa que a quota de fidelidade religiosa admitida na sociedade “decente” vai se estreitando cada vez mais. É um estrangulamento progressivo, lento e calculado.
Outro exemplo. Até dez anos atrás, todo mundo na Igreja – esquerda e direita -- era contra o aborto. Em 1991 os bispos de Chiapas, México, que estavam entre os mais esquerdistas da América Latina, acusaram de auto-excomunhão as militantes feministas que defendiam o aborto. Hoje, a mídia em peso carimba como “conservador” e até “fundamentalista” qualquer católico que seja anti-abortista.
Tudo isso é manipulação cínica, voluntária e consciente. Quem molda a linguagem popular domina a alma do povo. O uso de categorias políticas para descrever as facções da Igreja não é errado em si, pois o clero é composto de seres humanos, e seres humanos têm o direito e a inclinação de se alinhar politicamente. Mas essas categorias devem ser usadas honestamente como termos descritivos apropriados à realidade objetiva, não como instrumentos de manipulação destinados a criar uma falsa realidade politicamente conveniente a determinada facção. A mídia tem inclusive o direito de acompanhar as mutações semânticas quando vêm de fora, mas não o de produzi-las por iniciativa própria, moldando os acontecimentos em vez de descrevê-los.
Em cada grande redação do país existe hoje um forte grupo de iluminados que se autoconstituem donos do pensamento geral. Confrontados com um padrão normal de honestidade intelectual e jornalística, são na verdade criminosos, estelionatários. Um dos mais notáveis mentores intelectuais da esquerda mundial, o filósofo americano Richard Rorty, teve até o cinismo de enunciar a regra que orienta essa gente: não devemos – dizia ele -- tentar convencer as pessoas expondo nossa convicção com franqueza, mas ao contrário, “inculcar nelas gradualmente os nossos modos de falar”. É o maquiavelismo lingüístico em estado puro.
João Paulo II e Bento XVI nunca estiveram efetivamente entre os conservadores. Foram transformados nisso por essa obra de engenharia verbal que, deslocando o eixo da linguagem cada vez mais para a esquerda, deforma as proporções da realidade para ludibriar a opinião pública. Complementarmente, essa manobra impõe o estereótipo de que os conservadores são a classe repressora e os progressistas são os coitadinhos oprimidos e perseguidos. Na verdade, jamais algum esquerdista da Igreja sofreu um milésimo das punições impostas à ala conservadora de dom Lefebvre.
Os verdadeiros perseguidos da Igreja nunca são mencionados na mídia, embora constituam em certos países da Europa quase um terço da população fiel. No Brasil, os bispos de Campos foram humilhados, censurados e por fim excomungados sem ter feito mal algum. Leonardo Boff ou Gustavo Gutierrez, ao contrário, nunca sofreram punição nenhuma, apenas o período de silêncio obsequioso por alguns meses, e até hoje vivem da propaganda lacrimosa postiça que os mostra como verdadeiros mártires. Toda a grande mídia é cúmplice dessa mentira. O jornalismo no Brasil tornou-se uma forma de alucinação proposital.
Do mesmo modo, o chavão que divide a Igreja em “Igreja dos ricos” e “Igreja dos pobres”, que inicialmente aparecia só na propaganda comunista explícita, foi absorvido pela mídia e tornou-se de uso geral. A Igreja – toda a Igreja – sempre trabalhou pelos pobres. A ela devem-se a invenção dos hospitais, das maternidades, o ensino universal gratuito, a progressiva abolição da escravatura, etc. A “teologia da libertação”, que se auto-embeleza com o título de “Igreja dos pobres”, nada fez pelo povo pobre além de usá-lo como massa de manobra ou bucha de canhão, como o faz na Colômbia e em Cuba. A adoção daqueles estereótipos pela mídia é uma brutal inversão da realidade. Por outro lado, é a ala esquerda da Igreja – e não os conservadores ou mesmo os centristas -- que hoje nada em dinheiro de George Soros, da ONU, da Unesco, das Fundações Ford e Rockefeller, e até de organizações abortistas como a Planned Parenthood Foundation e a Sunnen Foundation. Bela “Igreja dos pobres”, essa!
VOCÊ TEM UMA GRANDE OPORTUNIDADE DE AJUDAR!
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