quarta-feira, 6 de setembro de 2006

PERFIL E TRANSPARÊNCIA - CONHEÇA CADA CANDIDATO A FEDERAL

Prezados Leitores Aproxima-se mais um momento de eleição. Cabe a nós orarmos para que Deus direcione o processo, a fim de que os melhores sejam eleitos. Cabe a nós orientarmos, NÃO EM QUEM VOCÊ DEVE VOTAR, mas em como votar. Aos servos de Deus, a tarefa da votação, mais que um ato de cidadania, é um exercício de sua consciência com Deus. Não podemos ser cúmplices de falcatruas, de desvio do dinheiro público para o enriquecimento de uma minoria. Voto é compromisso com um Deus santo, reto, íntegro e justo; compromisso com um Deus que não permite que a consciência de seus servos seja vendida ou escravizada; compromisso com um Deus que está vendo o sofrimento de seu povo, e ouvindo o seu clamor, e que exerce e exercerá justiça sobre a terra. Antes de decidir seu voto, visite a página http://perfil.transparencia.org.br/. Ali você poderá fazer a busca do candidato que você quer votar, ou a busca de todos os candidatos à reeleição de seu Estado. Clicando no link do nome do candidato, você encontrará: A ficha pessoal dele, ocorrência na justiça e tribunais de contas, manchetes de jornais envolvendo o nome do mesmo, bens que o mesmo declarou à justiça eleitoral, relatório de despesas de campanhas, atuação parlamentar, uso das verbas de gabinete, emendas de sua autoria e financiadores da campanha. Dá pra fazer uma análise interessante e decidir mais conscientemente em quem não votar. Por exemplo: há um candidato com uma lista interminável de processos no STF, e que apresenta em sua relação de bens um terreno, na capital, no valor de R$ 492,00, e outro, na praia, no valor de R$ 2.000,00. Dá pra acreditar? Fala sério! Faça sua pesquisa, e tire suas conclusões. Abraços, Pr. João d'Eça

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

QUE PAÍS EU QUERO ?

Por Rev. João d’Eça No próximo dia 1º de Outubro desse ano, todos os brasileiros irão às urnas para eleger deputados estaduais, federais, senadores, governadores de Estado e do Presidente do Brasil. Os brasileiros estarão depositando todas as suas esperanças de ver um Brasil melhor na escolha de homens e mulheres que lhes representem dignamente. É isso que queremos. Queremos representantes do Poder Legislativo que cumpram suas responsabilidades para com o país. Estamos cansados dos “anões do Orçamento”, “Mensaleiros” e “Sanguessugas”, de políticos que só pensam em seus próprios interesses, que elegem-se na base de falsas promessas e que não abrem mão de vantagens pessoais enquanto a população é vergonhosamente deixada nas mãos da criminalidade. Queremos reformas admistrativas, queremos reformas no Código Penal, queremos reformas políticas de preferência com voto distrital, queremos reformas em todas as instâncias legais que garantam ao povo brasileiro um mínimo de segurança e dignidade. Queremos um país em que os maus temam a justiça e sejam castigados se cometerem crimes e os cidadãos de bem sintam-se motivados e sejam premiados. Estas reivindicações se baseiam nas simples constatações abaixo: -Gasta-se mais, com um preso em uma penitenciária, do que com uma criança na escola, e isto mensalmente; -Doentes amputados ou com enfermidades terminais gritam de dor nas enfermarias de hospitais, por falta de analgésicos adequados, enquanto uma máfia despudorada enche os bolsos com recursos de venda fraudulenta de ambulâncias (Os Deputados e Senadores Sanguessugas). -Policiais têm menos direitos que os bandidos. O crime organizado arrecada milhões e financia desde cursos de Direito, Concursos em órgãos públicos da Justiça até candidaturas políticas. -Leis que precisam ser aprovadas encontram-se engavetadas, pois não são consideradas prioritárias por um Congresso incompetente, cujos parlamentares só pensam em se locupletar. Aliás, tal Congresso inocenta corruptos confessos e condena outros a penas ridículas. -Os congressistas denominados cristãos, componentes da “bancada evangélica”, mergulham no mar de lama, encaminham projetos voltados apenas para o benefício de seus currais evangelicais e não se preocupam com a totalidade da Nação, esmagada pelo opróbrio e descaso público. Se travestem de “crentes” mas na realidade são “lobos devoradores”. Eu não conheço nenhum pastor ou crente que seja canalha ou mal caráter, mas eu conheço muitos canalhas e hipócritas que se dizem pastores e crentes. -O País oferece poucas perspectivas para o honesto e o íntegro. Os investimentos em pesquisa de ponta são pífios, a carga tributária desestimula a geração de emprego e renda. Os mais fracos não são defendidos da truculência dos poderosos. O Brasil não se posiciona eficazmente no mercado internacional, gasta mais do que arrecada, tem pouco a oferecer à próxima geração de aposentados — considerados como simples “peso” ou “despesa”. Não há um plano de longo prazo para viabilização nacional, muito menos líderes dispostos a implementar algo semelhante. Os cabeças da nação nada mais fazem do que trocar acusações enquanto tentam esconder as próprias fraudes. -Os jovens tornam-se politicamente cínicos; não têm projeto político. Desejam apenas encontrar seus lugares ao sol, se divertir e consumir, esquecendo-se da sociedade que mergulha no caos. A única esperança do país é uma nova geração de dirigentes com uma nova utopia lastreada no temor a Deus e valorização do homem. Quem quer fazer parte dssa nova geração? -O Brasil, nesse exato momento, é um país de manipulados, pois, diante de tudo isso, os índices de popularidade dos corruptos é imenso. Parece que as pessoas não têm como abrir os olhos para ver a realidade. Pessoas inocentes são enganadas com programas que distribuem esmolas, com “bolsas” que nada mais são do que compra de votos, onde a população carente que precisa realmente, que foi jogada nessa situação por políticas de exclusão, agora se vê como “massa de manobra” para perpetuar no poder gente mentirosa que tem discurso mentiroso, que prometeu uma coisa e depois “cuspiu” em tudo que falou anteriormente. É preciso orarmos por mudanças radicais em nosso País. É preciso agir. Podemos começar a fazer isso a partir de primeiro de Outubro desse ano, mas não apenas isso. É preciso que nós que temos a mente de Cristo, possamos nos articular em diversos âmbitos da sociedade, refletindo, criando ações que promovam a mudança na estrutura do país. Pequenas ações que mudem porções pequenas, mas, que juntas, formarão um novo mosaico de justiça, esperança e solidariedade. O crime está cada vez mais “organizado”, os corruptos estão cada vez mais “organizados”. Os cidadãos de bem do Brasil, que amam essa nação, não podem mais apenas abaixar as cabeças. Temos de agir, pelo bem de nossos filhos e netos. Pelo bem da próxima geração. Que legado lhes deixaremos?

O QUE AS IGREJAS ESPERAM DE SEUS PASTORES

Quando li o livro de Eugene Peterson e mais tarde este texto no site do Misael Nascimento (há um link aqui que vai pra lá), eu fiquei encantado com a realidade que ele coloca e a sua perspicácia em decifrar a tarefa pastoral. Sim, na verdade ser pastor passa por conceitos como estes. Nós precisamos de pastores, homens aprovados, consagrados e comprometidos com o Reino de Deus. Eu não consigo conceber um pastor que não é só pastor, mas que é também empresário, negociante, funcionário de qualquer empresa e pior de tudo, político. Não irmãos, para mim pastor é pastor e nada mais. Fiquem com esse excelente texto, reflita e se quiser comentar tem espaço pra isso ao final de todo artigo. Boa Leitura. Rev. João d'Eça. =========================================== O que as Igrejas esperam de seus pastores? O que os membros das igrejas esperam de nós, pastores? Muitas respostas podem ser dadas a esta questão. Quando qualificamos um pouco mais a pergunta, “o que os discípulos de Jesus Cristo esperam de nós?”, obtemos uma resposta mais específica. Lá no fundo de sua alma, cada cristão autêntico deseja que seu pastor seja uma pessoa fiel à sua vocação. No trecho do livro O Pastor Contemplativo, de Eugene Peterson. A força do texto está na revelação das verdadeiras expectativas das pessoas com relação ao pastorado. Pastor, Um Homem separado A definição aprendida pelos pastores, que nos foi dada em nossa ordenação, é que a tarefa pastoral é um ministério da Palavra e do sacramento (ordenanças). Palavra. Nas ruínas, todas as palavras soam como “simples palavras”. Sacramento (ordenanças). Nos destroços, que diferença faz molhar um pedaço de pão, tomar um gole de vinho? Todavia, século após século, os cristãos continuam a separar certas pessoas em suas comunidades, dizendo: “Você é nosso pastor, ajude-nos a nos assemelhar a Cristo”. É verdade que as suas ações irão muitas vezes manifestar expectativas diferentes, mas nas regiões mais profundas da alma, o desejo silencioso delas é por algo mais do que alguém desempenhando um trabalho religioso. Se as palavras não-ditas fossem pronunciadas, soariam assim: “Queremos que você seja responsável por dizer e representar entre nós aquilo que cremos sobre Deus, o Reino e o Evangelho. Cremos que o Espírito Santo está entre nós e em nós. Cremos que o Espírito de Deus continua a pairar sobre o caos do mal deste mundo e do nosso pecado, moldando uma nova Criação e novas criaturas. Cremos que Deus não é um espectador, às vezes divertido e às vezes alarmado com os destroços da história mundial, mas, um participante. Cremos que o invisível é mais importante que o visível em qualquer momento e em qualquer evento que decidamos examinar. Cremos que tudo, especialmente tudo que parece destroço é material que Deus está usando para criar uma vida de louvor. Cremos tudo isto, mas não vemos. Vemos, como Ezequiel, esqueletos desmembrados, brancos sob o sol impiedoso da Babilônia. Vemos uma porção de ossos que antes haviam sido crianças rindo e dançando, adultos que expunham suas dúvidas e cantavam louvores na igreja – e pecavam. Não vemos os dançarinos, os enamorados ou os cantores – só vislumbres fugidios deles. O que vemos são ossos. Ossos secos. Vemos pecado e julgamento sobre o pecado. É isso o que parece. Parecia assim a Ezequiel; parece assim para quem quer que tenha olhos para ver e cérebro para pensar; e parece assim para nós. Mas cremos em algo mais. Cremos que esses ossos vão reunir-se, transformando-se em seres humanos com nervos e músculos, que falam, cantam, riem, trabalham, crêem e bendizem o seu Deus. Cremos que aconteceu da maneira como Ezequiel pregou e cremos que ainda acontece. Cremos que aconteceu em Israel e que ocorre na Igreja. Cremos que somos parte do acontecimento enquanto cantamos louvores, ouvimos a Palavra de Deus, recebemos a nova vida de Cristo nos sacramentos. Cremos que a coisa mais significativa que acontece ou pode acontecer é que não estamos mais desmembrados, mas unidos ao corpo ressurreto de Cristo. Precisamos de ajuda para manter nossa fé viva, precisa e intacta. Não confiamos em nós mesmos. Nossas emoções nos atraem para a infidelidade. Sabemos que nos aventuramos num ato perigoso e difícil de fé e que existem influências fortes, desejosas de dissolver ou destruir essa fé. Queremos que nos ajude. Seja nosso pastor, um ministro da Palavra e dos sacramentos em todas as diferentes partes e estágios de nossas vidas – em nosso trabalho e recreação, com nossos filhos e nossos pais, no nascimento e na morte, em nossas celebrações e tristezas, naqueles dias em que a manhã se inicia com um sol radiante, e naqueles dias em que o tempo está sombrio. Esta não é a única tarefa na vida de fé, mas é a sua tarefa. Encontraremos outra pessoa para fazer as outras tarefas importantes e essenciais. Esta é a sua tarefa: Palavra e sacramento (ordenanças). Mais uma coisa: Vamos ordená-lo para este ministério e queremos sua palavra de que vai manter-se nele. Este não é um trabalho temporário, mas um estilo de vida que precisamos que seja vivido em nossa comunidade. Sabemos que você faz parte da mesma aventura difícil de fé, no mesmo mundo perigoso em que vivemos. Sabemos que as suas emoções são tão instáveis quanto as nossa e sua mente é tão ardilosa quanto a nossa. É por isso que vamos ordená-lo e exigimos uma promessa sua: Sabemos também que haverá dias e meses, talvez anos, quando não teremos vontade de crer em nada e não queremos ouvir nada de você. Sabemos que haverá dias e meses, talvez anos, quando você não terá vontade de dizer nada. Não faz mal. Faça isso. Você está ordenado para este ministério, comprometido com ele. Haverá épocas em que iremos a você em comitê ou delegação e exigiremos que nos diga algo além do que estamos lhe dizendo agora. Prometa neste momento que não cederá ao que estamos exigindo de você. Você não é ministro de nossos desejos inconstantes, ou da compreensão condicionada ao tempo das nossas necessidades, ou de nossas esperanças secularizadas de algo melhor. Com esses votos de ordenação estamos prendendo você com toda força ao mastro da Palavra e do sacramento, de modo que não poderá atender à voz da sereia. Há muitas outras coisas a serem feitas neste mundo em escombros e vamos estar fazendo pelo menos algumas delas, mas se não soubermos as realidades básicas com as quais estamos tratando – Deus, reino, evangelho vamos terminar vivendo vidas fúteis, fantasiosas. Sua tarefa é continuar contando a história básica, representando a presença do Espírito, insistindo na prioridade de Deus, falando as palavras bíblicas de comando, promessa e convite.” Isso, ou algo bem parecido com isso, é o que ouço a igreja dizer aos indivíduos que ordena como pastores, mesmo quando as pessoas não conseguem articular as palavras. Eugene Peterson, O Pastor Contemplativo, p. 157-160

5º ANIVERSÁRIO DO 11 DE SETEMBRO.

11 de Setembro outra vez!!! Por Rev. João d’Eça Infelizmente não podemos mais viver sem ele. O 11 de setembro virou história desde 11 de Setembro de 2001 e nunca mais sairá dos comentários da mídia internacional, e isto pra sempre. Sempre nos perguntaremos se haverá um novo ataque terrorista em 11 de setembro e sempre ficaremos na expectativa de onde será. Talvez nunca mais aconteça de novo algo semelhante em um outro 11 de Setembro (espero que não se repita em lugar nenhum), mas enquanto vivermos o “fantasma” nos perseguirá. Tem gente que não viaja mais de avião no dia 11 de Setembro, tem gente que não visita lugares públicos e muito movimentados em 11 de Setembro, tem gente que em 11 de Setembro fica olhando pro Céu com medo de algo ou de alguma coisa, tem gente que em 11 de Setembro não chega perto de um árabe seja ele quem for. Virou paranóia em alguns paises Eu me lembro de tudo o que aconteceu em 11 de Setembro de 2001, uma terça-feira. Eu fui até o escritório da Companhia de Águas e Esgotos do meu Estado (MA), com minha esposa para ali resolver um problema de débito indevido. Como cheguei cedo pela manhã, para não enfrentar uma fila enorme, pude me sentar em frente do televisor, na BAND lembro bem, que estava transmitindo ao vivo. Já havia ocorrido a primeira colisão de um avião contra uma das torres e ninguém sabia ao certo o que de fato tinha acontecido. Estavam ali comigo mais ou menos umas cinco pessoas algumas distraídas, outras vendo a TV sem entender nada, outras assistindo, mas, estavam completamente desligadas do que viam. Como sou bastante curioso, percebi que se tratava de algo inusitado e por isso fui bem pra perto do aparelho de TV e me atrevi a aumentar um pouco o volume para ouvir melhor. De repente veio a imagem de um avião vindo de encontro ao prédio e chocou-se contra ele. A princípio os comentaristas da TV (agora não lembro mais se era a BAND ou a GLOBO, porque devo ter trocado de canal, pois sempre faço isso), não entenderam nada, eles pensavam que era a imagem recuperada do que havia acontecido, mas não, era AO VIVO, eu estava testemunhando um fato histórico em tempo real, mesmo que pela TV. Foi chocante. Foi ai que percebeu-se tratar-se de um ataque terrorista. Daqui a 7 dias o mundo vai parar novamente para comentar o ocorrido, por esta razão, estou fazendo agora, dia 04 de Setembro de 2006. No próximo 11 de Setembro será comemorado o 5º aniversário do ocorrido. Uma data fechada, perigosa, CAIRÁ NA PRÓXIMA SEGUNDA-FEIRA, início de semana, por esta razão as Nações estão reforçando a segurança de aeroportos, metrôs, estradas, terminais de passageiros e lugares públicos. Será que haverá uma nova tragédia? Será que há motivo para preocupações? Será que o próximo louco que atacará o ocidente não seja um dos loucos que temos aqui mesmo no nosso Continente pacífico? Será que um novo louco que aponta no cenário mundial irá comemorar a data atacando, ou o mesmo louco que jamais encontraram, que assumiu a responsabilidade dos ataques, atacará de novo? Estas respostas só teremos daqui a 7 dias. Viva e verá?

DECÁLOGO EVANGÉLICO DO VOTO ÉTICO.

Fonte AEVB. RESUMO: Conseguir benefícios para a igreja, como a doação de terrenos para templos; ter linhas especiais de crédito bancário; obter concessões de rádios e TVs; ter tratamento especial perante a lei... Esses são apenas alguns tipos de barganha, "acertos", acordos e composições de interesse que costumam ocorrer nos bastidores em épocas de campanhas eleitorais, envolvendo também políticos e candidatos evangélicos. Eis aqui alguns balizamentos fundamentais sobre o uso ético do voto evangélico, conforme o sumário de propostas defendidas na Conferência da AEVB: Durante as eleiçoes presidenciais de 1998, a Associação Evangélica Brasileira (AEVB) redigiu e divulgou um texto em defesa do voto ético e lúcido. O texto continua mais atual do que nunca, e agora este Blog o publica na íntegra. I. O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País, Estado e Município; II. O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade noutra direção; III. Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, a bem de sua credibilidade, o pastor evitará transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário; IV. Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em quem a comunidade deve votar é organizar debates multipartidários, nos quais, simultânea ou alternadamente, representantes das correntes partidárias possam ser ouvidos sem preconceitos; V. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil impõe que não sejam conduzidos processos de apoio a candidatos ou partidos dentro da igreja, sob pena de constranger os eleitores (o que é criminoso) e de dividir a comunidade; VI. Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos são pessoas lúcidas e comprometidos com as causas de justiça e da verdade. E mais: é fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses imediatos de um grupo religioso ou de uma denominação evangélica. É óbvio que a igreja tem interesses que passam também pela dimensão político-institucional. Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político de fé evangélica tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um "despachante" de igrejas. Ao defender os direitos universais do homem, a democracia, o estado leigo, entre outras conquistas, o cristão estará defendendo a Igreja. VII. Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um evangélico político votou de determinada maneira porque obteve a promessa de que, em assim fazendo, conseguiria alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades, tratamento especial perante a lei ou outros "trocos", ainda que menores. Conquanto todos assumamos que nos bastidores da política haja acordos e composições de interesse, não se pode, entretanto, admitir que tais "acertos" impliquem na prostituição da consciência cristã, mesmo que a "recompensa" seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Jesus Cristo não aceitou ganhar os "reinos deste mundo" por quaisquer meios, Ele preferiu o caminho da cruz. VIII. Os votos para Presidente da República e para cargos majoritários devem, sobretudo, basear-se em programas de governo, e no conjunto das forças partidárias por detrás de tais candidaturas que, no Brasil, são, em extremo, determinantes; não em função de "boatos" do tipo: "O candidato tal é ateu"; ou: "O fulano vai fechar as igrejas"; ou: "O sicrano não vai dar nada para os evangélicos"; ou ainda: "O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos". É bom saber que a Constituição do país não dá a quem quer que seja o poder de limitar a liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é válido observar que aqueles que espalham tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos. IX. Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: "o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto", é compreensível que dê um "voto de confiança" a esse irmão na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. Entretanto, é de bom alvitre considerar que ninguém atua sozinho, por melhor que seja o irmão, em questão, ele dificilmente transcenderá a agremiação política de que é membro, ou as forças políticas que o apoiem. X. Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político-partidário, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina. Fonte: AEvB

domingo, 3 de setembro de 2006

NOSSA IGREJA CONTEMPORÂNEA.

Quero parabenizá-los por publicarem 03 pequenas, mais substanciais opiniões com os seguintes títulos: "Igreja única, mas com diferenças", "Desafios da IPB num país multicultural" e "Unidade não é uniformidade". Não costumo ler no Brasil Presbiteriano opiniões assim. O que lemos são sempre as opiniões de pastores que nunca passaram por dificuldades de pastoreio em regiões carregadas de misticismo, de valores culturais, e de muita superstição, onde as pessoas querem manter distância da Igreja e onde os pastores que estão inseridos nesse meio sofrem por pastorearem igrejas pobres, sem condições de sustentá-lo adequadamente, enquanto o proibem de dinamizar a sua liderança, "rotulando" aqueles que praticam uma Liturgia um pouco diferente, de neo-pentecostais. Há regiões em nosso país continental, que não funciona, um estilo de igreja como funciona bem em outras regiões, nem por isso, os que estanelecem um estilo de culto mais dinâmico, não sejam pastores Presbiterianos Reformados. É fácil para os que pastoreiam igrejas estruturadas, que podem lhes pagar bons salários, e que não exigem deles nada além de uma mensagem bem elaborada a cada culto dominical e que ainda por cima lhes permite estudar, muitas vezes lhes pagando cursos aqui e no exterior, de Mestrado e Doutorado e que ainda lhes permitem trabalharem na área secular em outras profissões ou mesmo nos grandes seminários da denominação. É fácil para eles dizerem que os "outros", que não tiveram oportunidade de estudar em um seminário da IPB (mas que são tão presbiterianos quanto), ou mesmo os que tiveram, mas que adotam uma eclesiologia e uma liturgia diferente, que estes são neo-pentecostais. Gostos e preferências, cada um tem o seu. Há os que gostam de música contemporânea no culto, mas há os que preferem a música de 100 anos atrás. Qual é a melhor delas para o culto? Depende da preferência. Qual delas é mais inspirada? Nenhuma delas, se por Inspiração queremos dizer, do modo como foi a Bíblia. Há gente que pensa que os Maravilhosos Hinos do nosso hinário, são tão Inspirados quanto a Bíblia. Não são! Qual a diferença substancial de uma liturgia de 30, 40, 50 ou 500 anos atrás? Nenhuma, somente que eram manifestações culturais de épocas diferentes. Há exageros? Sim há, e muitos, porém esses, todo crente bem esclarecido conhece e sabe quais são. Os irmaõs do passado viveram a sua época intensamente e fizeram a diferença contra toda oposição, eles labutaram contra o estilo da época, eles foram na contra-mão do seu tempo e nos deixaram um legado de coragem e determinação. Nós temos que fazer o mesmo, não repetir o que fizeram, pois isso não é possível, mas o possível é seguir os princípios, não os modelos que eles se utilizaram. Trabalhemos para que a IPB seja uma igreja Forte, Viva e Relevante. Para isso é preciso unidade, mas que não se confunda com Uniformidade. (Obs.: Este texto foi publicado no Jornal Brasil Presbiteriano, Edição de Agosto de 2006, pg. 3, na Sessão, recados). Se você desejar contactar-me, escreva-me um E-mail no endereço que está no Rodapé do Blog. Rev. João d'Eça Pastor auxiliar da: Igreja Presbiteriana do Centenário São Luís - MA

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

O LUGAR DA MÚSICA NA IGREJA

Por Rev. João d'Eça INTRODUÇÃO. João Calvino declarou que a arte é dada por Deus indiscriminadamente, tanto para crentes quanto incrédulos. Martinho Lutero disse que a música é presente e graça de Deus e não uma invenção humana. O salmista, inspirado por Deus escreveu: “todo ser que respira louve ao Senhor”(Salmo 150:6)., o apóstolo Paulo recomendou: “Habite ricamente em vós a Palavra de Cristo; instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda sabedoria, louvando a Deus, com Salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão em vossos corações”. (Col. 3:16). A música na igreja é um dom de Deus para o homem, que precisa ser descoberto, valorizado, desenvolvido para o louvor de Deus na adoração, para a proclamação do evangelho aos perdidos, e para edificação da igreja como um todo. Na primeira parte, pesquisamos o lugar histórico que a música tem na vida da igreja, para sermos conscientizados de sua suprema importância. O segundo capítulo mostra os motivos das tensões que surgem na área musical das igrejas evangélicas brasileiras para superá-las com a graça divina. Depois estudaremos as três funções fundamentais da música na vida da igreja para apreciarmos o seu devido lugar no plano de Deus. Na quarta parte analisaremos as características da música na vida da igreja para sermos sensibilizados nos princípios do cristianismo histórico e bíblico. Finalmente, seremos familiarizados com alguns princípios de liderança da música na vida da igreja para pormos em prática aquilo que nós aprendemos. Professor João d’Eça Novembro de 1999 1 – O LUGAR DA MÚSICA NA VIDA DA IGREJA A MÚSICA NA ANTIGUIDADE. A música é tão antiga quanto à humanidade. Sabemos que os homens antidiluvianos amavam e praticavam a música utilizando a voz e os instrumentos musicais. Já por volta de 3850 A.C. a rainha Shubab, da Mesopotâmia tinha uma orquestra de harpistas. A música estava presente, da canção do berço até à morte, seja na China, Palestina, Pérsia ou no Egito. A MÚSICA NO ANTIGO TESTAMENTO. Gênesis 4:21 afirma que Jubal “foi o pai de todos que tocam harpa e flauta”. Quando Abraão foi para o Egito, ali já encontrou um povo versado em música. Seus instrumentos eram harpas, liras, guitarras, bandolins e flautas. O tamboril e a harpa foram mencionados em referência a Jacó e Labão. O uso de instrumentos e cânticos é mencionado no livro de Êxodo, quando Moisés, Arão e Miriã conduziram o povo hebreu em sua retirada do Egito. A música desempenhou um relevante papel na vida do povo hebreu, alcançando, talvez, a sua maior influência sob Samuel. O máximo prestígio da música foi atingido com o rei Davi, o suave cantor de Israel. Cada vez mais a música se incorporou ao culto dos hebreus. Em I crônicas há muitos pormenores que revelam a função primordial da música no serviço divino. O coro e a orquestra do templo perfaziam quatro mil figurantes, que eram treinados e conduzidos em 24 divisões por Asafe, Hemã e Jedutum. Artistas consumados e noviços eram empregados em conjuntos, de maneira que era mantida a tradição correta, enquanto os novos músicos eram treinados para ocupar o lugar dos antigos. Só o cativeiro fez calar os cânticos dos hebreus. Foi realmente um dia triste quando em desespero, eles “penduraram suas harpas nos salgueiros” e se lamentaram: “como entoaremos o cântico do Senhor em terra estranha?” O povo necessitava de cânticos nesse momento! (B.H. Ichter, A música e seus usos na igreja, Rio de Janeiro, Juerp, 1980, pg. 12). A MÚSICA NO NOVO TESTAMENTO. Os anjos anunciaram o nascimento de Cristo com cânticos. Nunca poderemos separar os cânticos da presença de Cristo. Antes dEle nascer, Maria cantou o seu belo Magnificat. Após seu nascimento, Simeão o adorou com o Nunc Dimittis (Agora Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra – Lucas 2:29). Em dias de angústia, Jesus encontrou música na casa de Jairo. Ele falou de música ao contar a parábola do filho pródigo. Mais tarde, Jesus ouviu cânticos quando entrou em Jerusalém. Por fim, ele se reuniu aos discípulos no cântico de um hino antes de subir ao Monte das Oliveiras. Lemos com freqüência no Novo Testamento sobre música no culto. Paulo e Silas cantaram na prisão! Paulo aconselha aos Colossensses: A Palavra de Cristo habite em vós ricamente, em toda sabedoria Ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros, com salmos, hinos e Cânticos espirituais, louvando a Deus com gratidão em vosso coração. Col. 3:16. Tiago, o irmão de Jesus, ensinava: está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante louvores (Tiago 5:13). A Bíblia termina com música. O livro do Apocalipse fala de harpas, trombetas e cânticos, reunidos num coro de Aleluia ao Senhor. A MÚSICA NA IGREJA ANTIGA. Os cristãos primitivos usavam o saltério nos cultos. O cântico de hinos era utilizado em todos os seus cultos. O antigo escritor, Plínio, disse: Os cristãos primitivos costumavam reunir-se aos primeiros alvores do dia e cantar um hino a Cristo e a Deus, com vozes intercaladas, uma após outra. Tertuliano, Eusébio, Caio, Filo, todos mencionaram o uso de hinos e salmos pelos cristãos primevos. O primeiro hinário cristão das igrejas ocidentais foi preparado por Hilário da Gália, cerca de 350 A.D. Outro escritor foi Ambrósio (340-397), que foi chamado “o pai dos cânticos religiosos”. Seus cânticos eram “antifônicos, congregacionais e melodiosos”. A MÚSICA NA IDADE MÉDIA. Nos mil anos de trevas da Idade Média, a superstição e a ignorância predominavam nas igrejas. O cântico congregacional foi suprimido. A música sacra quase limitou-se aos mosteiros e as missas solenes cantadas por monges na língua latina. O povo cantava apenas a música popular. A MÚSICA NA REFORMA PROTESTANTE. Por mérito do pai protestante, Martinho Lutero (1483-1546), que o coral foi introduzido na igreja. Inúmeros hinos foram escritos por Lutero. A música se tornou a expressão emocional da fé evangélica nas igrejas e a maior arma na propagação do evangelho além da Bíblia traduzida para o alemão. Lutero trouxe para a igreja, a música que o povo cantava, tudo na linguagem popular, quebrando todo o tradicionalismo que mantinha a igreja na mesmice e comprometia sua ação evangelizadora e como água parada, se corrompia. O hino mais conhecido mundialmente de Lutero é “Castelo Forte é nosso Deus” que se encontra em muitos hinários de igrejas históricas. A MÚSICA NAS IGREJAS EVANGÉLICAS BRASILEIRAS. Na religião dos pagãos não há hinários. Nem os budistas, nem os Maometanos, e nem sequer os católicos tem hinários. Porém a igreja evangélica encontrou uma canção nova. Como diz o Salmo 40:3. E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus. Antes da pregação, tinha lugar a canção. É dito em Jô 38:7 que enquanto Deus colocava a pedra angular e fundava a terra, ordenou as medidas desta criação, que “as estrelas da alva juntas, alegremente cantavam e rejubilavam todos os filhos de Deus. Durante a criação havia canção. Também em nossos cultos é grande a importância da música! O louvor eleva o nosso espírito à Deus! A Bíblia nos ensina que até no porvir haverá música. Apocalipse 5:8-14: “entoavam um novo cântico, dizendo: Digno és ...e compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”. Este novo cântico dos redimidos pode ser cantado somente por aqueles que foram lavados no sangue do Cordeiro. A fonte primária da música cantada nas igrejas evangélicas hoje em dia, são os hinários: Hinos e cânticos, Melodias de Vitória, Salmos e Hinos, Harpa Cristã, Cantor Cristão e Hinário Novo Cântico da IPB. Desde 1931 os coros sacros de Arthur Lakschevitz deram o maior impacto sobre os corais evangélicos no Brasil. Um terceiro tipo de música, cantada no Brasil, nas igrejas evangélicas, são os hinos dos cantores populares que fazem o maior sucesso entre a camada mais jovem das nossas igrejas. No início da década de 80, com o advento dos grupos chamados neo-pentecostais, houve um avanço na qualidade da música cantada nas igrejas evangélicas, principalmente, os coros de guerra, que são livres de uma teologia pesada. 2 - AS TENSÕES DA MÚSICA NA VIDA DA IGREJA. Embora a música como arte divina seja uma grande benção para a vida da igreja, pode ao mesmo tempo causar inúmeras tensões e problemas, além de desgastes desnecessários para a vida da liderança. As tensões na área musical em nossas igrejas, tem as suas raízes em quatro áreas: No tradicionalismo, no secularismo, no improvisionismo e na própria ignorância. Uma breve análise destas áreas nos conscientizará destas tensões existentes para que com a graça divina conseguirmos superá-las. O Tradicionalismo. O tradicionalismo é caracterizado por preservar aquilo que já se tem e se conhece. Por defender a “santa lei da Tradição”. O tradicionalismo é conservador e se mostra inflexível diante de qualquer inovação, mesmo que esta venha ser benéfica para a igreja. O tradicionalismo não argumenta, simplesmente diz como as coisas devem funcionar. O tradicionalismo extremado não mexe na liturgia ou ordem do culto, sempre seguindo o mesmo ritmo, nunca introduz músicas novas, cantando ano após ano as mesmas músicas da mesma maneira, parecendo que os seus defensores acreditam em um deus extático, parado, duro e inflexível, que só se manifesta dentro desta visão. A vantagem do tradicionalismo, é a sua firmeza doutrinária. Igrejas tradicionais não vacilam facilmente, são praticamente imunes à heresias. Entendo, que podemos ser doutrinariamente puros, porém, culturalmente relevantes. A desvantagem do tradicionalismo extremado é a sua ortodoxia morta, a ausência de espiritualidade viva, a ausência de dinamismo. Jovens não se dão bem com o tradicionalismo, por falta de espaço para desenvolver e exercer cada um o seu ministério no corpo de Cristo de acordo com a sua paixão. O Secularismo. O Secularismo é caracterizado pela sua posição liberal, progressista, relativista e renovacionista. O Secularismo não quer preservar a “santa lei da tradição”. O Secularismo é não conformista e tenta fazer sempre o contrário daquilo que é costume e tradição. O Secularismo é muito aberto, não tem consciência histórica. O Secularismo por ser muito aberto, mostra-se vulnerável diante de qualquer onda popular. O Secularismo se apresnta numa forma anti-autoritária, mas com suas atitudes forma novos ditadores. O Secularismo mexe com toda a liturgia, doutrina, ordem de culto, além de introduzir inovações constantes, mesmo quando vão de encontro ao sistema doutrinário. O Improvisionismo. A Improvisação. O Improvisionismo não favorece nem o tradicionalismo e nem o secularismo. A atitude principal do Improvisionismo diante da música na igreja é determinada pelo momento, pela situação, pela improvisação. O improvisionismo se caracteriza por: 1 – Falta de Planejamento. O Improvisionismo não planeja, deixa-se inspirar pelo momento, pela situação. O Improvisionismo acha que o Espírito Santo, inspira na hora, mas nunca antes da hora. É importante ser dirigido pelo Espírito Santo na liderança de um culto a ser sensível a certas modificações no programa quando necessário. Porém, na maioria das vezes, o improvisionismo é a desculpa “justificável” para os preguiçosos que não levam a sério uam preparação consciente ou um programa estruturado. 2 – Falta de Ensaio. O improvisionismo é tão denominado pelo momento que negligencia o ensaio musical. Para que sejamos aperfeiçoados em qualquer área é preciso que nos treinemos ao máximo. Os grandes gênios da música ensaiavam de 8-12 horas por dia, antes de um concerto. Ludwig Van Beethovem (1770-1827), um dos maiores gênios da música clássica de todos os tempos, aos oito de idade tocava piano o dia inteiro, estudando sem parar. Contrários aos fatos da história da música e contrários a experiência atual dos músicos profissionais, alguns jovens crentes ainda acham ser possível aprender um instrumento musical dentro de 4 semanas. 3 – A Ignorância. Uma quarta tensão que surge na música da igreja tem as suas raízes na ignorância. A ignorância simplesmente não percebe, não admite ou não tem noção nenhuma quanto aos problemas da música. A ignorância é cega diante das tensões que existem na área da música. III – AS FUNÇÕES DA MÚSICA NA VIDA DA IGREJA. Definimos as funções principais da música na vida da igreja como adoração, proclamação e edificação. O seguinte gráfico triangular nos ajuda ver as três funções Inter-relacionadas. ADORAÇÃO (Para com Deus) EDIFICAÇÃO (Para Consigo) PROCLAMAÇÃO (Para com o Próximo) ADORAÇÃO. A música ocupa um papel importante no culto evangélico, porque nela se expressa a adoração ao nosso Senhor Jesus Cristo. Embora uma análise gramatical e etimológica demonstre que na Bíblia não tem distinção entre “adoração”e “culto”, que na verdade são sinônimos (veja Rom. 12:1) , hoje fazemos uma distinção entre ritual e culto, entre adoração e culto. Ao nos referir a adoração como função da música, estamos enfatizando a sua dimensão vertical. A função primária da música na igreja é para o louvor de Deus. O salmista encoraja-nos a “salmodiar a glória do seu nome; dar glória ao Seu louvor” (Sl. 66:2). O ritmo, a rima e as imagens de um texto grandioso adaptado à música – especialmente se cantado e tocado magnificamente – podem nos fazer lembrar de que o Deus glorioso está falando. (D.P. Hustad, Jubilate, A música na Igreja, S.Paulo, Ed. Vida nova, 1986, p. 78). Algumas passagens de “adoração” revelam ainda como a música estava intimamente ligada com a oferta de sacrifícios: Salmo 27: 6.b– No seu tabernáculo oferecei sacrifício de júbilo; cantarei e salmodiarei ao Senhor. Jr. 33: 10b, 11. a - Ainda se ouvirá a voz de júbilo e de alegria...a voz dos cantam...e dos que fazem ofertas de ação de graças à casa do Senhor. Hb. 13:15 – Por meio de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifíçio de louvor, que é o fruto de lábios que confessam o seu nome. A primeira referência bíblica à expressão musical se encontra em êxodo 15: 1-21, onde Miriã canta ao Senhor agradecendo-lhe pela libertação de seu povo das mãos dos egípcios. Encontramos muitos outros cânticos musicais de adoração e gratidão, de louvor à Deus nas Santas Escrituras. 1 – O cântico de Moisés – Ex. 15. 2 – Os 3 cânticos de Balaão. – Nm. 23 e 24. 3 – O cântico de Débora. - Jz. 5. 4 – O cântico de Ana. - I Sm 2. 5 – O cântico de Habacuque – Hab. 2. 6 – O cântico de Isaias. – Is. 26. 7 – O Cântico dos amigos de Daniel, no meio da fornalha ardente, conhecido como Benedicite omnia opera Domini – Dn 3. 8 – Magnificat. – Lc. 1: 46-55. 9 – Benedictus – Lc. 1: 67-79. 10 – Glória in excelsis Deo – Lc. 2: 28-32. 11 – Nunc Dimittis – Lc. 2: 28-32. 12 – Himnos cristológicos – Fil. 2:6; Ef. 5:14; I Tm. 3:16. 13 – Um novo cântico de Moisés Ap. 15:2. Em todos estes cânticos a função primária da música é “Cantar ao Senhor com graça em nossos corações” (Cl. 3:16), num verdadeiro espírito de adoração, um cântico novo ao Senhor (Sl. 33:3; 40:3; 96:1; 144:1, 149:9; Isaias 42:10). PROCLAMAÇÃO. A segunda função da música na igreja tem por alvo a proclamação do evangelho de Jesus Cristo. Tantas almas tem sido conquistadas através da música. No seu livro “O Apóstolo da Amazônia”, o pastor José dos Reis Pereira, relata o trabalho missionário de Eurico Nelson que trabalhou entre 1891 a 1939 na região amazônica, usando muito a música para atrair as pessoas ouvirem as boas novas. Tocando o seu violão, cantando com a sua voz forte, ele conquistava as almas sedentas para Cristo: “Sozinho no seu barco, exposto ao sol e à chuva, lá ia ele, devassando a selva. Homens que trabalhavam no meio da mata ouviam de repente, vindo dos lados do rio, uma voz clara e forte cantando: ‘seguirei ao meu bom mestre, onde quer que for irei`. Corriam para a beira do rio e lá estava no meio, o grande obreiro, que ao ver os homens, dirigia o barco para a margem, a fim de não perder a oportunidade”. Tantas pessoas têm se convertido ao ouvirem uma música bem cantada na igreja. Musica de qualidade, contemporânea e contextualizada atrai as pessoas e facilita a assimilação da mensagem do evangelho. Os anjos proclamavam o evangelho de Jesus Cristo num cântico celestial (Lc. 2:14). A proclamação do evangelho através do cântico chamou a atenção do carcereiro de Filipos (At. 16:25), que em conseqüência abraçou o evangelho com toda a sua casa. Os cânticos cristãos proclamam o evangelho do nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo. João Calvino, reformador de Genebra disse: “Só a Palavra de Deus é digna de ser cantada para o louvor de Deus”. EDIFICAÇÃO. A edificação é a terceira função que a música exerce na igreja. Realmente, todas as funções da música na comunidade da igreja primitiva podem ser consideradas como sustentando a expressão da fé cristã. Uma passagem da Bíblia: “Instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda sabedoria, louvando a Deus, com salmos... (Col. 3:16), parece ser uma injunção bíblica clara do uso do cântico para doutrinar e ensinar a ética cristã”. Através dos cânticos ensinamos não somente doutrinas básicas da nossa fé evangélica, mas também, edificamos, consolamos os doentes, como Tiago 5:13. O Saltério (Os 150 Salmos da Bíblia) é uma prova de que os cânticos ensinam o povo de Deus a andar no caminho e no temor do Senhor. IV – AS CARACTERÍSTICAS DA MÚSICA NA VIDA DA IGREJA. Como é que definimos a música na igreja? Quais as características da música na igreja? É possível ter critérios objetivos em determinarmos que é música na igreja e o que é música do mundo? Afinal o “dó” não é sempre “dó”, e outra nota qualquer não é sempre a mesma em qualquer música? No livro Jubilate, a música na igreja, D.P. Hustad escreve a respeito de padrões evangélicos para a música eclesiástica: 1 – Ela deve comunicar e expressar o evangelho de forma inteligível por parte da cultura a qual se dirige. 2 – Deve oferecer sacrifício de louvor para o indivíduo e também para a coletividade. Deve ser o que de melhor possamos oferecer. 3 – Deve expressar e enfatizar a melhor teologia cristã, colocando todas as doutrinas em equilíbrio. 4 – Deve ser genuinamente criativa, evitando o vulgar e o trivial, bem como o elitista e o incompreensível. V – A LIDERANÇA DA MÚSICA NA VIDA DA IGREJA. Qualquer área da igreja precisa ser estruturada, estimulada e orientada ao bem maior da igreja e de todos, a música na igreja, desde o seu planejamento de padrões, até a ordem das músicas a serem cantadas, necessita de liderança. Observemos dois aspectos importantes para a liderança musical na igreja. A – Uma Liderança Espiritual e Vocacionada. Qualquer pessoa não serve para liderar a música na igreja. Deus é quem levanta os líderes e dá-lhes o dom espiritual específico párea atuarem na área da música na igreja. Os músicos do templo no Antigo Testamento, foram capacitados por Deus. Nos salmos de Davi e Asafe há uma profunda espiritualidade, tão profunda que o Senhor Jesus na hora da morte meditou nos salmos de Davi (Mt. 27:46; Sl. 22: 1; Lc. 23: 46; Sl. 31:5), e ainda hoje, no limiar do século XXI encontramos descanso, paz, edificação e alimento espiritual nos cânticos de Davi. B – Uma Liderança Competente e responsável. Os líderes do louvor na igreja devem ter diretrizes, normas e responsabilidades. Precisam ser preparados nos princípios de liderança eclesiástica, treinada nos princípios musiculturais evangélicos, e aprovada pela igreja de acordo com o dom de Deus, dado à pessoa para o uso na igreja em benefício de todos. CONCLUSÃO. Como vimos, a Música na igreja é de fundamental importância para o desenvolvimento e crescimento da igreja como um todo. Em toda a história da igreja a música sempre esteve ligada à adoração, desde o início da história de Israel até hoje, a música tem sido parte integrante e muito importante para a comunhão do povo entre si e para com Deus. Nos tempos modernos a música tem evoluído a ponto de muitas igrejas ter grandes grupos de louvor, conjuntos muito bem equipados, tanto de equipamentos quanto de pessoas capacitadas e bem treinadas. Há ainda aquelas igrejas que mantém verdadeiras orquestras para ministração do louvor congregacional, e isto têm feito uma grande diferença, pois Deus tem usado o louvor para que o Seu nome seja conhecido. No que se refere aos que dirigem o louvor, é necessário que os mesmos tenham um chamado de Deus específico para este ministério, se assim for não há que dizer, pois Deus é quem chama e capacita. Quando um ministério de louvor é liderado por quem tem esse chamado de Deus, a música na igreja terá um novo sentido, uma nova dimensão, e, o propósito de Deus estará sendo cumprido.

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